{"id":17866,"date":"2024-10-23T07:00:11","date_gmt":"2024-10-23T06:00:11","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=17866"},"modified":"2025-12-16T13:38:31","modified_gmt":"2025-12-16T13:38:31","slug":"mysterios-lusitanos-contos-4-misterio-na-quinta-do-monte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/mysterios-lusitanos-contos-4-misterio-na-quinta-do-monte\/","title":{"rendered":"5 | Myst\u00e9rios lusitanos [contos &#8211; texto e locu\u00e7\u00e3o] | Mist\u00e9rio na Quinta do Monte"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\"><em>Myst\u00e9rios lusitanos<\/em> | A vinte e tr\u00eas (23) de cada m\u00eas, habitamos o mundo pelo imagin\u00e1rio de Alberto Ferreyra&#8230;<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Nos ramos da escrita, repousam, vezes sem conta, as gralhas da distra\u00e7\u00e3o, ocultas, sob m\u00faltiplos disfarces, at\u00e9 que algu\u00e9m as enxote. Alberto Ferreyra contou com o fino olhar da sua amiga Teresa Correia, detentora do segredo da sua identidade, para afastar ou ca\u00e7ar o grasnar das gralhas. Est\u00e1-lhe, por isso, muito grato&#8230;)<\/h6>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Alberto Ferreyra*<\/strong><\/p>\n<p><iframe title=\"5   Mist\u00e9rio na Quinta do Monte 2024\" width=\"640\" height='360' src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/epcnk1PqQn0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Ando entusiasmado com a ideia de irmos a Sever. J\u00e1 n\u00e3o vemos o av\u00f4, h\u00e1 uns tempos, e sei que aquelas terras est\u00e3o cheias de hist\u00f3rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J. nem parecia saber conter-se de entusiasmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Desta vez, \u00e9s tu que n\u00e3o paras! \u2013 atalhou M., que era quem, habitualmente, tinha de \u2018estacionar\u2019 \u2013 como lhe dizia o pai \u2013 para acalmar, em dias de sa\u00eddas de f\u00e9rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Uma terra em que as mem\u00f3rias do tempo brotam do ch\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Que coisa t\u00e3o enigm\u00e1tica, J.!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; J\u00e1 viste o que \u00e9 visitares uma anta quase perfeita como a que podes encontrar no lugar da Cerqueira? E, pelo que ouvi dizer, nas imedia\u00e7\u00f5es daquele monumento funer\u00e1rio, haver\u00e1 mais perto de dez outros, dispersos pelos montes e escondidos entre a vegeta\u00e7\u00e3o\u2026 E, como se n\u00e3o bastasse, o pr\u00f3prio nome da terra \u2018Sever do Vouga\u2019 traz \u00e0 mem\u00f3ria os tempos antigos. \u2018Sever\u2019 evoca o nome de um nobre \u2018Severus\u2019, sendo que o nome do rio, \u2018Vouga\u2019, ser\u00e1 lembran\u00e7a de um nome j\u00e1 dado pelos romanos, que poderia significar \u2018vazio\u2019, \u2018v\u00e3o\u2019, pois Vouga vir\u00e1 de \u2018vacua\u2019\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estou a efabular, pois, para ser honesto, li, h\u00e1 tempos, que o nome \u2018Vouga\u2019 j\u00e1 estaria estabilizado, antes dos in\u00edcios da na\u00e7\u00e3o, j\u00e1 no s\u00e9culo XI, mas que haver\u00e1 d\u00favidas sobre o seu real significado. Esta de \u2018vazio\u2019 foi conversa do meu professor de Moral que estudou latim e diz que \u00e9 um poss\u00edvel significado\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Bem, mas, J., j\u00e1 que est\u00e1s com esse entusiasmo todo, ent\u00e3o, v\u00ea se sabes esta. Tens ideia de como \u00e9 tratado o p\u00e1roco de Pessegueiro do Vouga?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Sei l\u00e1. Tens cada uma\u2026 E isso \u00e9 l\u00e1 importante?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Pois fica sabendo que \u00e9 mais importante do que pensas. Segundo conta um grande historiador portugu\u00eas que chegou a residir, durante algum tempo, no lugar do Carvoeiro, a poucos quil\u00f3metros de Pessegueiro, Jos\u00e9 Mattoso, ter\u00e1 existido um mosteiro em Sever do Vouga. Alertado por esta descoberta que vi no livro dele, \u2018Portugal Medieval\u2019, fui vasculhar e descobrir que, no s\u00e9culo XI, esse mosteiro foi muito disputado por um tal Froila Gon\u00e7alves que parece que n\u00e3o seria l\u00e1 muito boa pessoa\u2026 Hoje, como marca da exist\u00eancia desse mosteiro, que seria dedicado a Santo Andr\u00e9, segundo o livro preto da S\u00e9 de Coimbra, os paroquianos de Pessegueiro do Vouga ainda chamam ao seu p\u00e1roco \u2018senhor Abade\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Essa \u00e9 gira\u2026 \u2018Senhor Abade\u2019. Tem piada. E o p\u00e1roco \u00e9 barrigudo como os abados de outrora?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Tens cada uma, M. Os abades n\u00e3o eram todos barrigudos. Eram, sim, homens de ora\u00e7\u00e3o e de estudo e, talvez por isso, pela vida mais sedent\u00e1ria, alguns poderiam ter uma barriguinha maiorzita. Mas \u00e9s injusta se s\u00f3 olhares para essa faceta deles\u2026 Os mosteiros tiveram um papel fundamental para que a ajuda e a cultura chegasse a todos os cantinhos de Portugal. V\u00ea l\u00e1 tu que at\u00e9 numa das freguesias mais interiores do que \u00e9, hoje, o concelho de Sever existiria um outro mosteiro, segundo nos conta esse mesmo livro preto da S\u00e9 de Coimbra. Seria um Mosteiro dedicado a S\u00e3o Paio, em Rocas. Era chamado Mosteiro de S\u00e3o Paio de Rocas de Sever, havendo refer\u00eancia a isso em 1002, in\u00edcio do s\u00e9culo XI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; J., tu est\u00e1s uma perfeita enciclop\u00e9dia sobre Sever do Vouga. Por isso est\u00e1s t\u00e3o entusiasmado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Acredita, M., que, ainda assim, o que me est\u00e1 a deixar em pulgas \u00e9 outra coisa. O pai n\u00e3o se cansa de nos falar das aventuras dele com os primos, na quinta do monte. Acho que at\u00e9 chegaram a fazer l\u00e1 uma casa na \u00e1rvore, com paus, ramos e \u2018feitos\u2019, como lhes chamavam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">-Quinta do monte!? Guardaste mem\u00f3ria disso? Realmente, tenho ideia de o pai falar nisso, mas achei que era uma aventura sem interesse. Fazer uma casa na \u00e1rvore pode ter a sua piada, mas olha que me estava a entusiasmar mais visitar a anta ou o lugar do mosteiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Bem\u2026 A anta ainda podemos ver, mas o mosteiro\u2026 J\u00e1 nem h\u00e1 certezas sobre onde seria. Talvez no que \u00e9, hoje, o cemit\u00e9rio de Sever do Vouga, mas h\u00e1 muitas d\u00favidas. A visita ao lugar da casa da \u00e1rvore est\u00e1 a prender-me o c\u00e9rebro. \u00c9 que o pai disse que haveria l\u00e1 uma casa velha em que ele perdeu um bilhete significativo. Disse-me que, se o encontrasse, teria uma hist\u00f3ria para me contar. Mas a condi\u00e7\u00e3o \u00e9 encontrar o dito bilhete.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; S\u00e3o mesmo pulgas que tens. E das que saltitam de uns para outros. Quando chegamos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dia est\u00e1 um pouco sombrio, apesar de estarmos em pleno agosto\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mal chegados a Pessegueiro, dados os abra\u00e7os da praxe, a pergunta de J. e M. n\u00e3o podia ser outra: onde fica a \u2018Quinta do Monte\u2019?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passado o Constantino e entrados montes dentro, l\u00e1 chegaram ao seu destino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; J\u00e1 n\u00e3o se v\u00ea casa nenhuma. Isto est\u00e1 tudo tomado pelas heras, pelos tojos e silvas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Aquilo n\u00e3o \u00e9 um monte de pedras? \u2013 disse M., entre a esperan\u00e7a e o medo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; H\u00e1 uma porta ca\u00edda. Deve ser o que resta da tal casa velha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O destino esperava\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Soltaram umas pedras mais roli\u00e7as e, para seu espanto, as melhores expectativas logo se confirmaram. Entre peda\u00e7os de madeira podre, enrolado num pequeno saco de pl\u00e1stico, estava um amarelecido papel com uma enigm\u00e1tica mensagem: \u2018Pensava j\u00e1 me terem esquecido. As tuas palavras d\u00e3o-me alegria para estas \u00faltimas horas. Os m\u00e9dicos dizem que \u00e9 hoje. N\u00e3o te esquecerei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">P.S. J. 8 de outubro de 1991.\u2019<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Parece uma mensagem de amor. O pai n\u00e3o te disse que era um bilhete que tinha a ver com ele? Queres ver que o pai teve uma hist\u00f3ria de que nunca nos falou?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os passos de regresso pareciam entre o chumbo e o voo de ave. Ora velozes, ora temerosos, J. e M. n\u00e3o pareciam conseguir decidir-se sobre se acelerar ou retardar o passo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegaram silenciosos\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esperavam-nos a m\u00e3e, com um bolo de noz acabado de sair do forno. O pai, de olhar sobre o vale, permanecia de costas para eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O corpo parecia denunci\u00e1-lo\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Pai, pode vir aqui?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem se voltar, disse-lhes:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; V\u00e3o ao cemit\u00e9rio de baixo, ao cemit\u00e9rio velho. Procurem a correspond\u00eancia \u00e0 \u00faltima linha da mensagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De novo um temor se apoderou deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas obedientes, partiram, em corrida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cemit\u00e9rio distava uns quinze minutos, a correr. A estrada, interior \u00e0 povoa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o era perigosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Procuraram, mas n\u00e3o se conseguiam entender com aqueles dados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que seriam o P., o S., o J.?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o seria um \u2018post scriptum?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teriam de encontrar um J.?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seria \u2018Joana\u2019, \u2018Joaquina\u2019 (\u2018Joaquina\u2019 parecia esquisito\u2026).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O melhor era come\u00e7arem pela data. Seria uma data de nascimento?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a mensagem dizia \u2018os m\u00e9dicos dizem que \u00e9 hoje\u2019\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Espera, J. Parece-me que seria a not\u00edcia da morte de algu\u00e9m. Vamos procurar a data do falecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7aram a saga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Havia um outubro, mas de 1992. Em 1991, s\u00f3 um jovem rapaz de 18 anos. Um \u2018Paulo S\u00e9rgio\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Ui. \u2018Paulo S\u00e9rgio\u2019? \u2018P.S.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, e o \u2018J.\u2019?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; \u2018Falecido na \u00c1frica do Sul\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; N\u00e3o seria o \u2018J\u2018, \u2018Joanesburgo\u2019?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Regressaram, at\u00f3nitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os quinze minutos pareceram dois\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pai permanecia de costas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; O que descobriram?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; \u2018Paulo S\u00e9rgio\u2019, falecido em Joanesburgo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Fomos grandes amigos, na escola prim\u00e1ria (era assim que se chamava o \u2018primeiro ciclo\u2019.). Separ\u00e1mo-nos, no final do terceiro ano. Ele foi para a \u00c1frica do Sul, com os pais, e nunca mais voltou. N\u00e3o mais nos vimos. Um dia, no meio do zapping de televis\u00e3o vazia, escrevi-lhe uma carta. A av\u00f3 tinha-me dito que ele estava doente. A carta chegou no dia em que ele morreu. Ditou \u00e0 irm\u00e3 um pequeno bilhete (esse que encontrastes), que ela me trouxe, no dia do funeral. Depositei-o na casa onde tantas vezes brinquei com ele. N\u00e3o consegui traz\u00ea-lo quando partimos de c\u00e1. Era uma mem\u00f3ria dos dois. Devia permanecer onde os dois t\u00ednhamos sido felizes. Valia-me a lembran\u00e7a de ter sido seu amigo, no \u00faltimo dia da sua vida. No dia do funeral, a irm\u00e3 trouxera-mo e recordara-me a alegria que fora ler que eu me lembrava dele. A vida dele tinha valido a pena porque a amizade tinha permanecido para al\u00e9m dos longes e dist\u00e2ncias da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pai voltou-se para o vale. As l\u00e1grimas corriam-lhe, abafadas, dos olhos ao cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; N\u00e3o podemos guardar este bilhete para n\u00f3s. Tem de regressar ao lugar onde \u00e9 mem\u00f3ria do vivido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda hoje, as heras s\u00e3o mais verdes, na Quinta do Monte.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/tumisu-148124\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=4203628\">Tumisu<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=4203628\">Pixabay<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align: justify;\">*Alberto Ferreyra diz que as suas letras habitam a mente e saem da m\u00e3o de algu\u00e9m nascido em terras gaulesas, ainda que afirme, em sussurro, que o seu real nascimento ocorreu nas margens do Antu\u00e3, em abril de 2024. \u00c9, por isso, um prematuro autor liter\u00e1rio, germinado da inspira\u00e7\u00e3o que a realidade proporciona quando se tem a companhia, nos livros, de g\u00e9nios como Jorge Luis Borges, Miguel Torga, Gabriel Garc\u00eda Marquez ou personagens como Poirot ou Padre Brown.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Na sua escrita, cruzam-se o real e o imaginado, o fict\u00edcio e o hist\u00f3rico, numa embrenhada teia em que o leitor continua a ler, mesmo j\u00e1 depois de fechado o conto. O real continua a fecundar hist\u00f3rias na mente de quem l\u00ea Ferreyra. Cada conto, feito dos mist\u00e9rios desvelados, aproxima o tempo e distancia o espa\u00e7o, esticando-o at\u00e9 ao eterno e ao infinito. Ao ler Ferreyra, faz-se &#8216;sil\u00eancio&#8217; (&#8216;myst\u00e9rio&#8217; alude \u00e0 etimologia grega da palavra, que remete para o &#8216;fazer sil\u00eancio&#8217;, &#8216;emudecer-se&#8217;&#8230;) para que possam ecoar as palavras, para que possa desenovelar-se o enredo sucintamente desvelado.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">J. e M., protagonistas de cada um dos contos, acompanhados, em alguns deles, pelo seu periquito &#8216;branquinho&#8217;, fazem emergir, do real em que se enredam, hist\u00f3rias que, nascendo da imagina\u00e7\u00e3o de Ferreyra, permanecem como realidades poss\u00edveis, deixando a suspeita de terem mesmo ocorrido.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Se n\u00e3o foi real, Ferreyra o criar\u00e1, inspirado numa cosmovis\u00e3o que tanto deve \u00e0quela religi\u00e3o que fez do encarnado a condi\u00e7\u00e3o fundamental do existir.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A vinte e tr\u00eas (23) de cada m\u00eas, habitaremos o mundo pelo imagin\u00e1rio de Alberto Ferreyra&#8230;<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Myst\u00e9rios lusitanos |<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17814,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[208,209],"tags":[],"class_list":["post-17866","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alberto-ferreyra","category-mysterios-lusitanos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17866","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17866"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17866\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20087,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17866\/revisions\/20087"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17814"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17866"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17866"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17866"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}