{"id":17859,"date":"2024-07-23T07:00:49","date_gmt":"2024-07-23T06:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=17859"},"modified":"2025-12-16T13:38:07","modified_gmt":"2025-12-16T13:38:07","slug":"mysterios-lusitanos-contos-1-misterio-na-vila-de-sintra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/mysterios-lusitanos-contos-1-misterio-na-vila-de-sintra\/","title":{"rendered":"2 | Myst\u00e9rios lusitanos [contos &#8211; texto e locu\u00e7\u00e3o] | Mist\u00e9rio na Vila de Sintra"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\"><em>Myst\u00e9rios lusitanos<\/em> | A vinte e tr\u00eas (23) de cada m\u00eas, habitamos o mundo pelo imagin\u00e1rio de Alberto Ferreyra&#8230;<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Nos ramos da escrita, repousam, vezes sem conta, as gralhas da distra\u00e7\u00e3o, ocultas, sob m\u00faltiplos disfarces, at\u00e9 que algu\u00e9m as enxote. Alberto Ferreyra contou com o fino olhar da sua amiga Teresa Correia, detentora do segredo da sua identidade, para afastar ou ca\u00e7ar o grasnar das gralhas. Est\u00e1-lhe, por isso, muito grato&#8230;)<\/h6>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Alberto Ferreyra*<\/strong><\/p>\n<p><iframe title=\"Mist\u00e9rio na Vila de Sintra\" width=\"640\" height='360' src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/z1DKesmoGCY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J. e M. est\u00e3o em Sintra.<br \/>\nOs dias de interrup\u00e7\u00e3o letiva criaram o quadro prop\u00edcio para umas curtas f\u00e9rias na Serra onde \u2018O inverno vem fazer ver\u00e3o \u00e0s nossas praias\u2019.<br \/>\nAguardam pelo jantar, enquanto apreciam as paredes \u2018Vintage\u2019 da \u2018Casa\u2019.<br \/>\nO acaso (esse interst\u00edcio onde Deus se esconde) levou-os \u00e0 \u2018Casa\u2019, o lugar onde se quer voltar sempre que se parte.<br \/>\nNa mesa ao lado, discute-se gen\u00e9tica. N\u00e3o \u00e9 bem um tema comum para quem quer aconchegar o est\u00f4mago, mas uma manchete do jornal do dia dera o pretexto: \u2018Pedro, o ministro, descobre que os seus pais n\u00e3o s\u00e3o quem sempre pensara\u2019.<br \/>\nAs conversas daquele dia andaram todas \u00e0 volta do tema. Pedro, ministro das finan\u00e7as, descobrira, fortuitamente, que a sua vida andara enredada numa trama mentirosa.<br \/>\nO encontro dos seus pais, na sua tomada de posse como ministro, dera-lhe a certeza.<br \/>\nHavia, agora, que descobrir o que aconteceu.<br \/>\nO jantar, entretanto, dera o aconchego necess\u00e1rio, entre batatas bravas e um bife de novilho em molho \u00e0 chefe.<br \/>\nA conversa n\u00e3o se fechara ali, por\u00e9m. O mist\u00e9rio assomara \u00e0 janela das mentes, naquela estrada de Sintra.<br \/>\nRegressaram ao hotel Vila Gal\u00e9. O seu n\u00famero 905 abria cen\u00e1rio para se somar mist\u00e9rio ao mist\u00e9rio. Da janela do quarto voltado a norte, via-se uma casa amarela a encimar a colina, de onde se percebia o tremeluzir de uma pequena luz, uma esp\u00e9cie de sinal de socorro podia n\u00e3o ser mais do que uma vela, mas M. n\u00e3o era de se ficar pela presun\u00e7\u00e3o da d\u00favida. Gostava de a alimentar.<br \/>\nChamou J., pousou Branquinho (o seu \u2018luminoso\u2019 periquito de penas brancas) e partiu em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 fonte da luz.<br \/>\nOs pais n\u00e3o se deram conta da sua sa\u00edda. S\u00f3 quando chamaram por eles \u00e9 que a aus\u00eancia se fez notada.<br \/>\n-Entrem! Entrem!-disse-lhes uma bela idosa, muito perto de cumprir um s\u00e9culo. -Dei sinal, na esperan\u00e7a de algu\u00e9m me ver. Estardes aqui \u00e9 sinal de que seguistes a luz. Tenho um segredo para vos contar, respeitante a uma not\u00edcia que a televis\u00e3o n\u00e3o se cansa de dar. Pedro \u00e9 meu filho! A m\u00e3e que pensa ser de Pedro n\u00e3o o \u00e9 e perdeu o filho na noite em que o meu Pedro nasceu. Troquei-o, pois temi que, na minha solid\u00e3o, n\u00e3o o pudesse sustentar.<br \/>\nO enigma parecia estar desvendado, mas faltava perceber porque descobrira Pedro que a sua vida fora uma mentira.<br \/>\nEntusiasmados com a descoberta, J. e M. e Branquinho regressaram ao hotel onde j\u00e1 todos andavam em alvoro\u00e7o.<br \/>\n-N\u00e3o se zanguem connosco. Lembram-se da conversa ao jantar?<br \/>\nOs pais pareciam aturdidos e sem entender do que falavam.<br \/>\n-Descobrimos quem \u00e9 a m\u00e3e de Pedro, o ministro. S\u00f3 ainda n\u00e3o percebemos como descobriu a mentira da sua vida.<br \/>\nSintra n\u00e3o era longe de onde poderiam dar nota da sua descoberta. Partiram em dire\u00e7\u00e3o ao Terreiro do Pa\u00e7o.<br \/>\nHaveriam de os deixar entrar\u2026<br \/>\nAs \u2018finan\u00e7as\u2019 eram castelo bem trancado, mas l\u00e1 conseguiram entrar. A convic\u00e7\u00e3o com que garantiam ter informa\u00e7\u00e3o que interessaria ao ministro abriu-lhes as portas.<br \/>\nPedro sentou-os \u00e0 sua mesa.<br \/>\n-&#8230;que sabeis quem \u00e9 a minha m\u00e3e!- disse.<br \/>\n-Antes, por\u00e9m, quer\u00edamos perceber como compreendeu que andara enganado.<br \/>\n-Estudei economia e finan\u00e7as j\u00e1 tarde na minha vida, pois, antes, tinha-me dedicado \u00e0 gen\u00e9tica. Sabia que a cor azul dos olhos era, geneticamente, recessiva. Como podeis ver, sou um homem de olhos castanhos. Os da minha m\u00e3e, com quem sempre vivi, eram de um azul deslumbrante. Na tomada de posse, reencontrei o meu pai, que me abandonara ainda beb\u00e9. Quando o vi, e encontrei o azul profundo do seu olhar, percebi que n\u00e3o eram meus pais aqueles que eu sempre tomara por tal.<br \/>\n-Temos a chave para o enigma que o atormenta. A sua m\u00e3e vive na casa amarela. Ver\u00e1 que o amor foi o que justificou toda a mentira da sua vida\u2026<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/tumisu-148124\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=4203628\">Tumisu<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=4203628\">Pixabay<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align: justify;\">*Alberto Ferreyra diz que as suas letras habitam a mente e saem da m\u00e3o de algu\u00e9m nascido em terras gaulesas, ainda que afirme, em sussurro, que o seu real nascimento ocorreu nas margens do Antu\u00e3, em abril de 2024. \u00c9, por isso, um prematuro autor liter\u00e1rio, germinado da inspira\u00e7\u00e3o que a realidade proporciona quando se tem a companhia, nos livros, de g\u00e9nios como Jorge Luis Borges, Miguel Torga, Gabriel Garc\u00eda Marquez ou personagens como Poirot ou Padre Brown.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Na sua escrita, cruzam-se o real e o imaginado, o fict\u00edcio e o hist\u00f3rico, numa embrenhada teia em que o leitor continua a ler, mesmo j\u00e1 depois de fechado o conto. O real continua a fecundar hist\u00f3rias na mente de quem l\u00ea Ferreyra. Cada conto, feito dos mist\u00e9rios desvelados, aproxima o tempo e distancia o espa\u00e7o, esticando-o at\u00e9 ao eterno e ao infinito. Ao ler Ferreyra, faz-se &#8216;sil\u00eancio&#8217; (&#8216;myst\u00e9rio&#8217; alude \u00e0 etimologia grega da palavra, que remete para o &#8216;fazer sil\u00eancio&#8217;, &#8216;emudecer-se&#8217;&#8230;) para que possam ecoar as palavras, para que possa desenovelar-se o enredo sucintamente desvelado.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">J. e M., protagonistas de cada um dos contos, acompanhados, em alguns deles, pelo seu periquito &#8216;branquinho&#8217;, fazem emergir, do real em que se enredam, hist\u00f3rias que, nascendo da imagina\u00e7\u00e3o de Ferreyra, permanecem como realidades poss\u00edveis, deixando a suspeita de terem mesmo ocorrido.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Se n\u00e3o foi real, Ferreyra o criar\u00e1, inspirado numa cosmovis\u00e3o que tanto deve \u00e0quela religi\u00e3o que fez do encarnado a condi\u00e7\u00e3o fundamental do existir.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A vinte e tr\u00eas (23) de cada m\u00eas, habitaremos o mundo pelo imagin\u00e1rio de Alberto Ferreyra&#8230;<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Myst\u00e9rios lusitanos |<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17814,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[208,209],"tags":[],"class_list":["post-17859","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alberto-ferreyra","category-mysterios-lusitanos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17859","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17859"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17859\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20084,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17859\/revisions\/20084"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17814"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17859"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17859"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17859"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}