{"id":17699,"date":"2024-05-11T11:58:45","date_gmt":"2024-05-11T10:58:45","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=17699"},"modified":"2024-05-11T11:58:45","modified_gmt":"2024-05-11T10:58:45","slug":"documentos-carta-pastoral-de-d-antonio-moiteiro-bispo-de-aveiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/documentos-carta-pastoral-de-d-antonio-moiteiro-bispo-de-aveiro\/","title":{"rendered":"Documentos | Carta Pastoral de D. Ant\u00f3nio Moiteiro, Bispo de Aveiro"},"content":{"rendered":"<h3 class=\"blog-title\" style=\"text-align: center;\">Deus caminha connosco<\/h3>\n<p class=\"has-text-align-center\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diz-nos S. Paulo:\u00ab<em>Sois uma carta escrita n\u00e3o com tinta, mas com o Esp\u00edrito de Deus vivo<\/em>\u00bb (<em>2Cor<\/em>\u00a03,3). Com alegria e afeto, escrevo esta carta pastoral a todos os diocesanos, carta que recorda algumas convic\u00e7\u00f5es da nossa f\u00e9 e, ao mesmo tempo, encoraja a crescer na santidade e no compromisso a favor das nossas comunidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela surge como partilha do que foi feito nas visitas pastorais e constitui um desafio \u00e0 renova\u00e7\u00e3o e dinamiza\u00e7\u00e3o da vida das nossas par\u00f3quias, de uma forma mais org\u00e2nica e empenhada. A realidade que vivemos exige de todos n\u00f3s um conhecimento e discernimento \u00e0 luz do Evangelho vivo e pessoal de Jesus Cristo e com o dom do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus caminha connosco, segue os nossos passos. N\u00f3s procuramo-lo e Ele tamb\u00e9m vem ao nosso encontro. Perante a nossa caminhada, as interroga\u00e7\u00f5es que brotam do nosso cora\u00e7\u00e3o e face aos desafios que se nos colocam, Ele pede para n\u00e3o nos conformarmos. Procuremos ser uma carta escrita n\u00e3o com tinta, mas com o Esp\u00edrito de Deus vivo, isto \u00e9, procuremos encher-nos da for\u00e7a sempre nova da Palavra de Deus, da Eucaristia, da presen\u00e7a de Cristo e da for\u00e7a do seu Esp\u00edrito em cada dia, de modo a que renas\u00e7a o amor pelas comunidades e o ardor pelo an\u00fancio do Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1. A visita Pastoral<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As visitas pastorais, conforme exige o\u00a0<em>C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico<\/em>\u00a0(Can 396-397), s\u00e3o um sinal do amor e da solicitude de Deus para com a vida do seu povo e o bispo tem a obriga\u00e7\u00e3o de visitar toda a diocese cada cinco anos (cf.\u00a0<em>Apostolorum Successores<\/em>\u00a0678). N\u00e3o apenas como obriga\u00e7\u00e3o que o C\u00f3digo imp\u00f5e aos Bispos, mas como miss\u00e3o do pastor que vai ao encontro do rebanho que lhe foi confiado. A realiza\u00e7\u00e3o da Visita Pastoral a toda a diocese de Aveiro e a viv\u00eancia do Ano jubilar foram e s\u00e3o uma ocasi\u00e3o para pensarmos o que foi a nossa caminhada em Igreja nos \u00faltimos anos e para olharmos para o futuro com esperan\u00e7a, na certeza de que Deus caminha connosco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Visita Pastoral constitui-se um tempo privilegiado de contacto do bispo com as comunidades confiadas aos seus cuidados de pastor. Serve principalmente para conhecer a realidade das comunidades, n\u00e3o s\u00f3 quanto \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3, mas tamb\u00e9m quanto \u00e0s dimens\u00f5es sociais, culturais, econ\u00f3micas e associativas, para celebrar com o povo de Deus e para criar la\u00e7os e condi\u00e7\u00f5es para o encontro com Cristo. S\u00e3o, pois, momentos fortes de evangeliza\u00e7\u00e3o e anima\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria, ajudando as comunidades a crescer na f\u00e9 e no conhecimento e an\u00fancio do Evangelho, enquanto favorecem a proximidade do bispo como pastor das comunidades, onde a amizade se fortalece, a unidade se testemunha e a comunh\u00e3o se consolida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como pastor da diocese de Aveiro, procurei conhecer, acompanhar de perto as realidades e comprometer o povo de Deus na vida e na miss\u00e3o da Igreja. Em jeito de reflex\u00e3o, bem poderia dizer que as visitas pastorais que fiz aos arciprestados e a todas as par\u00f3quias foram uma oportunidade para fazermos um exame de consci\u00eancia, em primeiro lugar para mim e para todos os sacerdotes, depois para os crist\u00e3os mais comprometidos no servi\u00e7o e na vida da Igreja, e por \u00faltimo para todo e qualquer crist\u00e3o. Quando queremos caminhar juntos, exige-se que desenvolvamos uma atitude de escuta e de compromisso, que cada um n\u00e3o tenha em vista apenas os seus interesses, mas os interesses de todos \u2013 foi isto mesmo que se procurou p\u00f4r em pr\u00e1tica nas visitas efetuadas \u00e0s comunidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas visitas foram agendadas e programadas tendo presente a realidade e as particularidades pr\u00f3prias de cada comunidade paroquial, inserida e plenamente integrada num arciprestado e sentindo-se parte de uma Igreja particular \u2013 a Diocese.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O arciprestado de \u00c1gueda teve a sua visita de outubro de 2015 a abril de 2016; o arciprestado de \u00cdlhavo, de janeiro a mar\u00e7o de 2017; o arciprestado de Aveiro, de outubro de 2017 a maio de 2018; o arciprestado de Estarreja\/ Murtosa, de outubro de 2018 a maio de 2019; o arciprestado de Sever do Vouga, de outubro a dezembro de 2019; o arciprestado de Albergaria-A-Velha, de janeiro a mar\u00e7o de 2020, interrompendo a s\u00e9rie das visitas devido \u00e0 pandemia Covid-19; o arciprestado de Anadia, de outubro a dezembro de 2022; o arciprestado de Vagos, de janeiro a fevereiro de 2023; o arciprestado de Oliveira do Bairro, de outubro a dezembro de 2023.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agrade\u00e7o todo o esfor\u00e7o dos p\u00e1rocos e das pessoas que, nas diferentes par\u00f3quias, colaboraram para que a visita pastoral fosse, efetivamente, a presen\u00e7a do pastor diocesano no meio do seu povo. Sem a sua colabora\u00e7\u00e3o, muito do que foi realizado n\u00e3o teria sido poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2. Dinamismos e desafios lan\u00e7ados nos arciprestados<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos dias que passei em cada um dos arciprestados, pude verificar a riqueza de institui\u00e7\u00f5es que formam o tecido social e eclesial e tamb\u00e9m as mais variadas formas de compromisso na vida das par\u00f3quias: catequistas, cantores, ministros extraordin\u00e1rios da comunh\u00e3o, visitadores de doentes, movimentos apost\u00f3licos\u2026 Partilhei algumas das minhas preocupa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o dispensando uma an\u00e1lise de todos, em ordem a refletirmos nas necessidades e nos dinamismos pastorais que devem ser implementados pelas par\u00f3quias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Julgo que \u00e0 Igreja, implantada nas diferentes terras da nossa diocese, \u00e9 necess\u00e1ria uma consci\u00eancia cada vez maior de que a Igreja \u00e9 comunh\u00e3o de pessoas e de comunidades, e somente o refor\u00e7o dos v\u00ednculos que unem os membros dessas comunidades crist\u00e3s nos podem ajudar a ser \u201cluz e sal\u201d para todos quantos fazem parte desta por\u00e7\u00e3o do povo de Deus. O futuro do cristianismo est\u00e1 na capacidade de vivermos a comunh\u00e3o entre n\u00f3s e sermos fermento de Evangelho. Este foi o caminho das primeiras comunidades crist\u00e3s, onde os disc\u00edpulos de Jesus tinham \u00ab<em>um s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o e uma s\u00f3 alma<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o tr\u00eas os pilares sobre os quais assenta a Igreja: a Palavra, os sacramentos, sobretudo a Eucaristia, e a caridade\/amor. Foi isto mesmo que nos prop\u00f4s o Papa Bento XVI na sua primeira enc\u00edclica: \u00abToda a atividade da Igreja \u00e9 manifesta\u00e7\u00e3o dum amor que procura o bem integral do homem: procura a sua evangeliza\u00e7\u00e3o por meio da Palavra e dos Sacramentos, empreendimento este muitas vezes heroico nas suas realiza\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas; e procura a sua promo\u00e7\u00e3o nos v\u00e1rios \u00e2mbitos da vida e da atividade humana\u00bb (<em>DCE<\/em>\u00a019).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.1. Testemunhas de Cristo ressuscitado<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grande desafio \u00e9 ser testemunhas de Cristo ressuscitado. Seguir Jesus n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o cuja iniciativa seja nossa: os disc\u00edpulos s\u00e3o destinat\u00e1rios de um convite; \u00e9 Ele quem toma a iniciativa. O conte\u00fado do convite \u00e9 o pr\u00f3prio Jesus, por isso a resposta ao seu chamamento exige entrar na mesma din\u00e2mica que Ele imprimiu \u00e0 sua vida. A nossa identifica\u00e7\u00e3o com Cristo e os seus des\u00edgnios requerem o compromisso de construirmos, com Ele, o Reino de amor, justi\u00e7a e paz para todos. Atualmente, a proposta que deve ser feita a todos \u00e9 a de despertar o desejo do Evangelho para, depois, chegarmos \u00e0 maturidade crist\u00e3. Na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cA\u00a0<em>Alegria do Evangelho<\/em>\u201d, o Papa Francisco insiste que o\u00a0<em>an\u00fancio de Cristo vivo e ressuscitado<\/em>\u00a0deve ocupar o centro da atividade evangelizadora e de toda a tentativa de renova\u00e7\u00e3o eclesial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A autorrefer\u00eancia da Igreja \u00e9 talvez a maior das tenta\u00e7\u00f5es das nossas par\u00f3quias e dos nossos agentes de pastoral. Centrar a Igreja sobre si mesma e as par\u00f3quias n\u00e3o serem capazes de ver para al\u00e9m da torre das suas igrejas \u00e9 uma tenta\u00e7\u00e3o muito presente. Vemos isto frequentemente quando temos dificuldade em compreender a vida das pessoas, o seu trabalho e o pouco tempo que t\u00eam para a fam\u00edlia e para os filhos\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queremos uma Igreja n\u00e3o fechada em si mesma, mas em sa\u00edda. Da consulta sinodal realizada na nossa Diocese, h\u00e1 uma ideia sempre presente: n\u00e3o ter medo de arriscar quando se trata de fazer op\u00e7\u00f5es pastorais. Querer resultados diferentes com os mesmos processos, n\u00e3o \u00e9 o que o Esp\u00edrito pede \u00e0 Igreja e a cada um de n\u00f3s. Aquilo que hoje parece imposs\u00edvel, o Esp\u00edrito Santo se encarregar\u00e1 de abrir nos caminhos. Depois das tenta\u00e7\u00f5es, Jesus regressa \u00e0 Galileia. Com a sua prega\u00e7\u00e3o, Cafarnaum e arredores viram uma grande luz, era a Boa Nova pregada a todos. Sabemos n\u00f3s ver essa luz hoje nas nossas par\u00f3quias?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O modelo de Igreja que se vive e experimenta em muitas comunidades, par\u00f3quias e movimentos n\u00e3o favorece a participa\u00e7\u00e3o e a miss\u00e3o, nomeadamente dos leigos. Transparece uma Igreja com um rosto ainda muito clerical, sobretudo na tomada de decis\u00f5es. Esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 causa de empobrecimento e demiss\u00e3o na corresponsabilidade e participa\u00e7\u00e3o como Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.2. A corresponsabilidade na Igreja<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A corresponsabilidade e a comunh\u00e3o de todos na vida da Igreja constroem-se em processo, no modo como se tomam determinadas atitudes e como se decide. A tomada de decis\u00e3o sobre as op\u00e7\u00f5es pastorais de uma par\u00f3quia deve ser feita com as estruturas de participa\u00e7\u00e3o e corresponsabilidade: conselho econ\u00f3mico e conselho pastoral, escutando e refletindo os contributos de todos os seus membros e n\u00e3o apenas do p\u00e1roco. Onde n\u00e3o existem estes conselhos, \u00e9 urgente que se criem. Dar mais import\u00e2ncia e voz aos conselhos pastorais \u00e9 uma prioridade pastoral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para isso, tais conselhos devem ser express\u00e3o da diversidade da comunidade paroquial e humana. Formar comunidades que sejam aut\u00eanticas escolas de viv\u00eancia da f\u00e9 e da comunh\u00e3o, gerando entre todos os seus membros la\u00e7os de fidelidade, de proximidade e de confian\u00e7a, que se traduzam no servi\u00e7o humilde da caridade fraterna. \u00c9 este o caminho para avivar o sentido de perten\u00e7a \u00e0 comunidade e para fortalecer os la\u00e7os da comunh\u00e3o, que s\u00e3o a primeira forma de miss\u00e3o, de acordo com a Palavra de Jesus, Bom Pastor: \u00ab<em>Nisto todos saber\u00e3o que sois meus disc\u00edpulos: se vos amardes uns aos outros<\/em>\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a013,35) e de acordo tamb\u00e9m com a forma de viver das primeiras comunidades crist\u00e3s, que eram ass\u00edduas \u00ab<em>ao ensinamento dos ap\u00f3stolos, \u00e0 comunh\u00e3o fraterna, \u00e0 fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e \u00e0s ora\u00e7\u00f5es<\/em>\u00bb (<em>At<\/em>\u00a02,42).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Verifiquei que h\u00e1 comunidades dentro da mesma par\u00f3quia que precisam crescer ainda mais nesta comunh\u00e3o e partilha de vida e, ao mesmo tempo, terem a consci\u00eancia de que s\u00e3o muito importantes em ordem a uma presen\u00e7a significativa da Igreja nesses bairros ou zonas da par\u00f3quia. A comunh\u00e3o n\u00e3o anula a diferen\u00e7a, antes pelo contr\u00e1rio, quando bem entendida, refor\u00e7a-a e valoriza-a ainda mais. A comunh\u00e3o nos v\u00e1rios servi\u00e7os e minist\u00e9rios \u00e9 fundamental para o todo da comunidade crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>A pastoral em chave mission\u00e1ria exige o abandono deste c\u00f3modo crit\u00e9rio pastoral: fez-se sempre assim. Convido todos a serem ousados e criativos nesta tarefa de repensar objetivos, as estruturas, o estilo e os m\u00e9todos evangelizadores das respetivas comunidades<\/em>\u00bb (<em>EG<\/em>\u00a033). \u00c9 fundamental tomar o cuidado de construir comunidades fervorosas e aut\u00eanticas, ao mesmo tempo que acolhedoras e mission\u00e1rias; oferecer caminhos de Evangelho que sejam de inicia\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, que fa\u00e7am apelo aos recursos profundos da pessoa ou que a conduzam \u00e0quilo que de mais profundo a pessoa possui; p\u00f4r em a\u00e7\u00e3o o Evangelho da bondade, pois foi a caridade dos crist\u00e3os que lhes conferiu a sua credibilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste campo de repensarmos a pastoral das nossas comunidades, \u00e9 necess\u00e1rio assumir que a assiduidade \u00e0 Eucaristia dominical \u2013 dia da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor \u2013 \u00e9 indispens\u00e1vel para fortalecer a f\u00e9 pessoal e o sentido de comunidade, sentida esta como \u201cFam\u00edlia das fam\u00edlias crist\u00e3s\u201d. Comunidades que rezam e, ao mesmo tempo, s\u00e3o ber\u00e7o de novas voca\u00e7\u00f5es \u00e0 vida matrimonial, \u00e0 vida sacerdotal e de consagra\u00e7\u00e3o, s\u00e3o for\u00e7as vivas de evangeliza\u00e7\u00e3o. A vitalidade de uma comunidade crist\u00e3 tamb\u00e9m se mede pela capacidade de viver a vida crist\u00e3 como um caminho a percorrer, descobrindo o que Deus quer de cada um de n\u00f3s. O despertar de novas voca\u00e7\u00f5es na Igreja n\u00e3o pode ser tarefa apenas dos sacerdotes e di\u00e1conos, mas tem de ser de todos os membros de uma par\u00f3quia, dos movimentos apost\u00f3licos e das fam\u00edlias crist\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.3. A forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senti que, embora todos colaborem o melhor que sabem para o bem da sua comunidade, na forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3, especialmente dos adultos e jovens, ainda temos um longo caminho a percorrer. Em todas as Eucaristias de encerramento da visita pastoral referi a necessidade de uma forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 mais profunda, de modo que cada um de n\u00f3s saiba dar as raz\u00f5es da sua f\u00e9. Sem uma paix\u00e3o pela Palavra de Deus \u2013 a pessoa de Jesus \u2013 n\u00e3o teremos o fogo necess\u00e1rio para sermos evangelizadores. E isto nasce da forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3. N\u00f3s temos de saber dar as raz\u00f5es da nossa f\u00e9. Num tempo em mudan\u00e7a, como \u00e9 o nosso tempo, sentimos que a ignor\u00e2ncia religiosa \u00e9 algo que prolifera, a todos os n\u00edveis, nas nossas comunidades crist\u00e3s. Temos de apostar intensamente na forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Sinal disto mesmo, \u00e9 a dificuldade que temos tido de as par\u00f3quias sintonizarem com a forma\u00e7\u00e3o proposta nos nossos Programas de Pastoral. Houve par\u00f3quias que se empenharam, mas muitas delas ficaram aqu\u00e9m daquilo que podiam fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 necess\u00e1rio criar e implementar projetos de catequese para todas as idades da vida. A catequese de adultos \u00e9 residual e desadequada. A catequese infantil precisa de ter um estilo menos escolar, menos colada ao ano letivo das escolas e com a fam\u00edlia mais empenhada na educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 dos seus filhos. A forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica tem de ser uma prioridade e n\u00e3o apenas fruto de eventos pontuais e sem crit\u00e9rio. \u00c9 necess\u00e1rio combater a ignor\u00e2ncia religiosa em ordem a um maior revigoramento no compromisso crist\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os desafios que atualmente se nos apresentam requerem uma identidade crist\u00e3 mais pessoal e fundamentada. Os nossos crist\u00e3os, na sua maioria, ainda pedem o Batismo para os seus filhos e a presen\u00e7a do sacerdote ou do di\u00e1cono no momento da morte, participam na Eucaristia dominical ou nas festas religiosas, mas a forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 um desafio ainda n\u00e3o assumido pela maioria. S\u00e3o Pedro pede aos crist\u00e3os da \u00c1sia Menor, e hoje a cada um de n\u00f3s, \u00ab<em>Confessai Cristo como Senhor, sempre dispostos a dar a raz\u00e3o da vossa esperan\u00e7a a todo aquele que vo-la pe\u00e7a<\/em>\u00bb (<em>1Pe<\/em>\u00a03,15). Somos todos convidados \u2013 bispo, sacerdotes, di\u00e1conos, consagrados, leigos empenhados \u2013 a travar esta batalha na qual a forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 seja fruto do empenhamento de todos. N\u00e3o basta dizer que somos crist\u00e3os, \u00e9 fundamental dar raz\u00f5es da nossa f\u00e9 no local de trabalho, no ambiente familiar, nos momentos de lazer ou divers\u00e3o\u2026 somos crist\u00e3os e, por isso, disc\u00edpulos mission\u00e1rios em qualquer lugar em que nos encontremos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A evangeliza\u00e7\u00e3o dos que andam afastados da f\u00e9, ou mesmo dos n\u00e3o crentes, passa pela vitalidade da f\u00e9 dos crist\u00e3os e das par\u00f3quias no an\u00fancio da Boa Nova de Jesus. Urge renovar a nossa pastoral dando mais voz aos jovens, de modo que eles sejam os evangelizadores de outros jovens. \u00c9 necess\u00e1rio revitalizar a pastoral juvenil, dedicando tempo e energias atrav\u00e9s de retiros, encontros sistem\u00e1ticos de forma\u00e7\u00e3o, dire\u00e7\u00e3o espiritual\u2026 N\u00e3o podemos esquecer o que nos prop\u00f5e o Papa Francisco na Exorta\u00e7\u00e3o Pastoral<em>\u00a0Cristo Vive<\/em>, dirigida aos jovens: A pastoral juvenil sup\u00f5e duas grandes linhas de a\u00e7\u00e3o: uma \u00e9\u00a0<em>a busca<\/em>, a convoca\u00e7\u00e3o, a chamada que atraia novos jovens para a experi\u00eancia do Senhor; a outra \u00e9 o\u00a0<em>crescimento<\/em>, o desenvolvimento dum percurso de matura\u00e7\u00e3o para quantos j\u00e1 fizeram essa experi\u00eancia. Sobre isto, insisti muito na Exorta\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Evangelii Gaudium<\/em>\u00a0e acho que seria oportuno lembr\u00e1-lo. Por um lado, seria um erro grave pensar que, na pastoral juvenil, o querigma \u00e9 deixado de lado em favor duma forma\u00e7\u00e3o supostamente mais \u201cs\u00f3lida\u201d. Por isso, a pastoral juvenil deveria incluir sempre momentos que ajudem a renovar e a aprofundar a experi\u00eancia pessoal do amor de Deus e de Jesus Cristo vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.4. Verdadeira cultura vocacional<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos de empenhar as nossas par\u00f3quias numa verdadeira cultura vocacional: promo\u00e7\u00e3o de voca\u00e7\u00f5es \u00e0 vida matrimonial, sacerd\u00f3cio e de consagra\u00e7\u00e3o. Pessoalmente, congratulo-me com a sincera, humilde e sacrificada dedica\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o do Evangelho. Mas senti que as comunidades devem ser conscientemente alertadas para a necessidade de se empenharem em responder ao apelo de Jesus: \u00ab<em>A messe \u00e9 grande, pedi ao Senhor da messe que mande oper\u00e1rios para a sua messe<\/em>\u00bb. Este \u00abpedi ao Senhor da messe\u00bb inclui a ora\u00e7\u00e3o, o chamamento pessoal e um estilo de vida que leve os jovens a aproximarem-se de Cristo. Ele continua a olhar-nos com amor e conta com o nosso testemunho e o nosso compromisso transformador. Levemos Jesus, fonte da caridade e rosto do amor, a todos os \u201cferidos da vida\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maior tenta\u00e7\u00e3o que podemos ter, n\u00f3s, os agentes de pastoral,\u00e9 pensarmos que s\u00f3 n\u00f3s sabemos o que fazer, que os outros t\u00eam de acatar o que eu disser e todos temos de pensar da mesma maneira e quem n\u00e3o pensar assim n\u00e3o \u00e9 dos nossos. Todos somos necess\u00e1rios no an\u00fancio do Evangelho. O Papa Francisco, ao refletir na exig\u00eancia de cada crist\u00e3o ser evangelizador e portador de boas not\u00edcias, afirma que \u00abem virtude do Batismo recebido, cada membro do povo de Deus tornou-se disc\u00edpulo mission\u00e1rio (cf.\u00a0<em>Mt\u00a0<\/em>28,19). Cada um dos batizados, independentemente da pr\u00f3pria fun\u00e7\u00e3o na Igreja e do grau de instru\u00e7\u00e3o da sua f\u00e9, \u00e9 um sujeito ativo de evangeliza\u00e7\u00e3o; cada crist\u00e3o \u00e9 mission\u00e1rio na medida em que se encontrou com o amor de Deus em Cristo Jesus; n\u00e3o digamos mais que somos \u00abdisc\u00edpulos\u00bb e \u00abmission\u00e1rios\u00bb, mas sempre que somos \u00abdisc\u00edpulos mission\u00e1rios\u00bb. Se n\u00e3o estivermos convencidos disto, olhemos para os primeiros disc\u00edpulos, que logo depois de terem conhecido o olhar de Jesus, sa\u00edram proclamando cheios de alegria: \u00abEncontr\u00e1mos o Messias\u00bb (<em>Jo\u00a0<\/em>1,41)\u00bb (<em>EG\u00a0<\/em>210).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.5. A Liturgia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 urgente olhar a liturgia que temos e que se faz nas comunidades. N\u00e3o pode haver uma liturgia de modelo \u00fanico. A grande maioria das propostas dos grupos de consulta sinodal reclama uma outra liturgia, pois a que temos \u00e9 cada vez mais est\u00e9tica e est\u00e1tica. \u00c9 preciso pensar a celebra\u00e7\u00e3o para as pessoas que temos e n\u00e3o haver apenas a preocupa\u00e7\u00e3o de cumprir as orienta\u00e7\u00f5es do missal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 que preparar melhor as atuais celebra\u00e7\u00f5es em termos de acolhimento, canto, proclama\u00e7\u00e3o da palavra, s\u00edmbolos, sil\u00eancio, gestos\u2026 Isto vale para a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia e demais sacramentos, mas tamb\u00e9m para outras celebra\u00e7\u00f5es. Abundam os pedidos de celebra\u00e7\u00f5es mais alegres, com c\u00e2nticos mais adequados \u00e0s linguagens de hoje, menos leituras, mais sil\u00eancios. As homilias devem ser preparadas e pensadas de acordo com a assembleia; devem melhorar na linguagem e no conte\u00fado; devem fazer a ponte entre o Evangelho e temas atuais e devem promover o encontro \u00edntimo com Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Pastoral dos funerais foi um tema muito presente durante as visitas pastorais. Diz-nos o documento final da nossa caminhada sinodal: \u00ab<em>\u00c9 pedido, com insist\u00eancia, um maior cuidado com a celebra\u00e7\u00e3o dos funerais. As ex\u00e9quias devem ser preparadas e adequadas \u00e0 fam\u00edlia enlutada com palavras de conforto e esperan\u00e7a e aproveitadas como an\u00fancio e evangeliza\u00e7\u00e3o dos \u201cocasionais\u201d que acompanham o defunto, sem cair numa evangeliza\u00e7\u00e3o \u201c\u00e0 for\u00e7a\u201d, mas n\u00e3o desperdi\u00e7ando o momento para dar raz\u00f5es da f\u00e9<\/em>\u00bb. Temos aqui um caminho \u00e1rduo a fazer. Dei conta que nos funerais, em muitas par\u00f3quias, o defunto vem para a Igreja uma hora antes das ex\u00e9quias e n\u00e3o se faz o vel\u00f3rio, que \u00e9 t\u00e3o importante em momentos como estes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sofrimento provocado pela morte de um familiar ou de um amigo n\u00e3o pode ficar sem a ilumina\u00e7\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3. O\u00a0<em>Ritual da Celebra\u00e7\u00e3o das Ex\u00e9quias<\/em>\u00a0prev\u00ea tr\u00eas momentos diferentes que devemos ter em conta: na casa mortu\u00e1ria, na igreja e no cemit\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 aos familiares e n\u00e3o \u00e0s Ag\u00eancias funer\u00e1rias que pertence organizar o vel\u00f3rio do seu ente querido que faleceu. Devemos desaconselhar vivamente a pr\u00e1tica que se vai estabelecendo, onde o defunto fica ao cuidado das funer\u00e1rias e os familiares recebem o corpo do defunto alguns momentos antes da celebra\u00e7\u00e3o religiosa. O vel\u00f3rio \u00e9 um momento de ora\u00e7\u00e3o pelo defunto e de comunh\u00e3o fraterna entre familiares e amigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3. O Ano Jubilar<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os desafios deixados no Ano Jubilar da nossa Catedral, ao celebrarmos os 600 anos do in\u00edcio da sua constru\u00e7\u00e3o, \u00e9 sermos \u201cteia de esperan\u00e7a\u201d. \u00c9 preciso pensar novos caminhos, escutar o que o Esp\u00edrito Santo diz \u00e0s Igrejas, reconhecer os problemas que existem. Todos os membros do Povo de Deus (leigos, religiosos e sacerdotes) s\u00e3o necess\u00e1rios numa comunidade evangelizadora. Todos est\u00e3o chamados a ser membros ativos e respons\u00e1veis. Somos \u201cteia de esperan\u00e7a\u201d em que cada um participa com os seus dons e talentos. A Igreja \u00e9 chamada a ser, antes de mais, a Igreja da santidade, da ora\u00e7\u00e3o, do sil\u00eancio, da vida interior, da contempla\u00e7\u00e3o do rosto de Cristo, antes de anunci\u00e1-lo. O rosto de Cristo sofredor presente nos pobres, imigrantes, doentes, exclu\u00eddos, sem casa e sem sa\u00fade\u2026 s\u00e3o rosto da Igreja e de cada um de n\u00f3s no an\u00fancio de Jesus Cristo. A op\u00e7\u00e3o pelos mais pobres, sejam quais forem as formas de pobreza, \u00e9 fundamental para a credibilidade do Evangelho e das nossas par\u00f3quias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sinodalidade implica recetividade \u00e0 mudan\u00e7a, forma\u00e7\u00e3o e aprendizagem permanente. Todos temos de ser parte ativa dos processos de mudan\u00e7a do presente. \u00ab<em>Vinde e vede<\/em>\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a01,38-39) \u00e9 a resposta-convite de Jesus a dois disc\u00edpulos de Jo\u00e3o Batista \u00e0 pergunta: \u00ab<em>onde moras?<\/em>\u00bb. Jesus chama-os a um percurso interior e, ao mesmo tempo, a uma disponibilidade a colocar-se concretamente em movimento, sem saber bem onde \u00e9 que isto os levar\u00e1. Como nos recomenda o Papa Francisco, \u00e9 bom e desej\u00e1vel ter as portas das igrejas abertas, mas de pouco servir\u00e1 se as portas da Igreja-comunidade, que \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o de cada de um de n\u00f3s, n\u00e3o se abrirem tamb\u00e9m para acolher. \u00c9 fundamental aprender a ouvir-nos uns aos outros \u2013 bispos, padres, religiosos e leigos; todos, todos os batizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Precisamos de comunidades que cres\u00e7am numa l\u00f3gica de corresponsabilidade eclesial e de impulso mission\u00e1rio. A miss\u00e3o tornou-se o paradigma da vida e da atua\u00e7\u00e3o da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A miss\u00e3o da Igreja \u00e9 realizar a miss\u00e3o de Jesus. Estar ao servi\u00e7o da Igreja requer anunciar Jesus Cristo como \u00fanico Salvador; formar e ajudar a crescer comunidades crist\u00e3s, e realizar uma aut\u00eantica promo\u00e7\u00e3ohumana, pondo em pr\u00e1tica os valores evang\u00e9licos (cf.\u00a0<em>RM<\/em>\u00a030). A recente JMJ (Jornada Mundial da Juventude) provou que onde h\u00e1 forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e movimentos apost\u00f3licos \u00e9 poss\u00edvel renovar a Igreja. S\u00f3 na presen\u00e7a destas exig\u00eancias b\u00e1sicas: o servi\u00e7o, o di\u00e1logo, o an\u00fancio mission\u00e1rio, a ora\u00e7\u00e3o e o testemunho de comunh\u00e3o eclesial \u00e9 que o crist\u00e3o se pode identificar com Cristo. A transmiss\u00e3o da f\u00e9 deve estar associada, sobretudo, ao testemunho vivo de uma comunidade crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4. O caminho pastoral percorrido<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo dos \u00faltimos dez anos, a diocese de Aveiro procurou sintonizar com o magist\u00e9rio do Papa Francisco, uma vez que o Bispo diocesano iniciou aqui o seu minist\u00e9rio episcopal em setembro de 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vivemos j\u00e1 dois tri\u00e9nios pastorais, a pandemia nos anos 2020-2022, e atualmente estamos a terminar o Jubileu da Catedral da Diocese, com a celebra\u00e7\u00e3o dos 600 anos do in\u00edcio da sua constru\u00e7\u00e3o como Igreja do convento dominicano de S\u00e3o Domingos, em Aveiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No<strong>\u00a0primeiro tri\u00e9nio pastoral<\/strong>, 2015-2018, tivemos como tema a \u201c<em>Igreja de Aveiro, vive a alegria da miseric\u00f3rdia<\/em>\u201d, centrando a vida diocesana na pr\u00e1tica das virtudes teologais. Celebr\u00e1mos o<em>\u00a0Jubileu Extraordin\u00e1rio da Miseric\u00f3rdia<\/em>, convocado pelo Papa Francisco entre 8 de dezembro de 2015 e 20 de novembro de 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Promover uma Igreja Diocesana que vive a caridade na alegria da miseric\u00f3rdia, consciente de que o exerc\u00edcio da caridade \u00e9 pr\u00f3prio do ser da Igreja e est\u00e1 alicer\u00e7ado no seguimento de Jesus, foi o objetivo geral do programa pastoral 2017-2018, com o lema \u201c<em>Dai-lhes v\u00f3s mesmos de comer<\/em>\u201d (<em>Mc<\/em>\u00a06,37).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final do tri\u00e9nio celebr\u00e1mos um Congresso Eucar\u00edstico Diocesano. A miseric\u00f3rdia \u00e9, tamb\u00e9m, crit\u00e9rio para tornar cred\u00edvel a f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na homilia do Congresso Eucar\u00edstico (3-6-2018), coincidente com o Dia da Igreja Diocesana, exortei a todos que Deus deve ocupar o primeiro lugar no cora\u00e7\u00e3o e na vida de cada um de n\u00f3s. Toda a lei est\u00e1 ao servi\u00e7o do homem, n\u00e3o como o jugo que o oprime e o escraviza: \u00ab<em>O s\u00e1bado foi feito para o homem e n\u00e3o o homem para o s\u00e1bado<\/em>\u00bb. A lei tem uma finalidade libertadora e n\u00e3o opressora. Qualquer lei que resulte em preju\u00edzo do homem fica sem valor, porque deixou de cumprir a sua finalidade. \u201cComo distintivo dos seus disc\u00edpulos, Cristo p\u00f4s sobretudo a lei do amore do dom de si mesmo aos outros\u201d (<em>AL<\/em>\u00a027). \u00c9 no amor e na entrega de quem serve humildemente os irm\u00e3os que Deus oferece a vida verdadeira. Diante de muitas dificuldades e barreiras, Jesus compadece-se das nossas fraquezas, presta especial aten\u00e7\u00e3o aos \u201cseparados\u201d de Deus e aos \u201cdescartados\u201d pela comunidade e sem exclus\u00f5es e ace\u00e7\u00e3o de pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reforcei o que referi na apresenta\u00e7\u00e3o do Plano Diocesano de Pastoral: \u00ab<em>S\u00e3o v\u00e1rios os desafios que emergem da situa\u00e7\u00e3o em que vivemos: A fragilidade de tantas fam\u00edlias, a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, a \u201cturbul\u00eancia\u201d dos jovens sem horizontes de esperan\u00e7a para o futuro imediato, o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o e a solid\u00e3o dos idosos, e tantos outros. Estes desafios v\u00eam alertar-nos para a alegria da miss\u00e3o, para a for\u00e7a da miseric\u00f3rdia vivida com f\u00e9, esperan\u00e7a e caridade. Desafios que exigem um redobrado esfor\u00e7o da sociedade e das suas institui\u00e7\u00f5es, a que a Igreja se associa por dever de miss\u00e3o solid\u00e1ria em prol do bem comum<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este Plano foi sendo vivido, com mais ou menos intensidade, com maior ou menor empenhamento, por toda a Diocese, tentando ver caminhos de futuro e procurando a chamada convers\u00e3o pastoral a que o Papa Francisco nos tinha interpelado na sua Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica\u00a0<em>A Alegria do Evangelho.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pod\u00edamos ter feito mais e melhor, mas convosco quero dar gra\u00e7as a Deus por tantos colaboradores que meteram m\u00e3os ao trabalho e fomos crescendo na convic\u00e7\u00e3o de que sozinhos nenhuma comunidade ou agente de pastoral cresce no dinamismo de ser disc\u00edpulo mission\u00e1rio. Isto significa olhar mais para fora de n\u00f3s mesmos e n\u00e3o nos enredarmos em quest\u00f5es que n\u00e3o nos deixam ver o conjunto da nossa Igreja Diocesana e a sua miss\u00e3o de anunciar a Boa Nova de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso Congresso Eucar\u00edstico Diocesano quis ser isto mesmo: centrar a vida da Diocese no an\u00fancio de Cristo vivo e ressuscitado, presente na Eucaristia. A morte de Cristo n\u00e3o deixou a comunidade dos disc\u00edpulos desamparada: o Deus invis\u00edvel tornou-se presente, ainda que o mundo O ignore.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Eucaristia une-nos, em primeiro lugar, a Cristo, que se nos oferece como alimento:\u00a0<em>\u201cO que come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele\u201d<\/em>\u00a0(Jo 6, 56). Mas tamb\u00e9m nos une a todos os irm\u00e3os:\u00a0<em>\u201cFormamos um s\u00f3 corpo os que participamos do mesmo p\u00e3o\u201d<\/em>\u00a0(1Cor 10, 17). Por isso, a Eucaristia \u00e9 um compromisso com Cristo, que nos exige uma uni\u00e3o real com Ele; uma uni\u00e3o de cora\u00e7\u00e3o e de obras; uma aceita\u00e7\u00e3o do Seu amor, que se manifesta no cumprimento dos seus mandamentos. E \u00e9 tamb\u00e9m um compromisso com os irm\u00e3os. Se formamos um s\u00f3 corpo, temos de nos ajudar uns aos outros; precisamos de estar ao servi\u00e7o dos irm\u00e3os. Receber o seu Corpo e o seu Sangue como alimento significa sermos disc\u00edpulos de Jesus, seguirmos os seus passos, mas tamb\u00e9m um compromisso com o mundo em que vivemos. Quando Jesus diz \u201cTomai e comei\u201d quer afirmar que tomemos a vida nas nossas m\u00e3os, e receb\u00ea-lO na Eucaristia exige luta e esfor\u00e7o para sair do pecado e superar as situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis que n\u00e3o est\u00e3o de acordo com o projeto crist\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O p\u00e3o partido e repartido \u00e9 tamb\u00e9m compromisso pessoal de cada um de n\u00f3s em sermos testemunhas da sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. Jesus parte o p\u00e3o e oferece-o aos seus disc\u00edpulos e, com este gesto, convida-nos a assumir um compromisso, integrando-nos na sua obra redentora e continuando a sua miss\u00e3o. Assim o entenderam os primeiros disc\u00edpulos, dando testemunho da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, assumiram todas as suas consequ\u00eancias, como s\u00e3o as persegui\u00e7\u00f5es, as incompreens\u00f5es dos seus contempor\u00e2neos e at\u00e9 o mart\u00edrio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0<strong>segundo tri\u00e9nio pastoral<\/strong>, 2018-2021, baseado na voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3, teve como lema \u201c<em>Jesus chamou os que Ele quis\u2026 eles foram\u2026 e ficaram<\/em>\u201d. Pretendeu-se descobrir o dom da voca\u00e7\u00e3o como seguimento de Jesus, como resposta ao seu chamamento. Foi dedicado \u00e0 voca\u00e7\u00e3o batismal, sacerdotal e matrimonial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 o caminho da santidade, como nos recorda o Papa Francisco: \u00ab<em>Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o pr\u00f3prio testemunho nas ocupa\u00e7\u00f5es de cada dia, onde cada um se encontra. \u00c9s uma consagrada ou um consagrado? S\u00ea santo, vivendo com alegria a tua doa\u00e7\u00e3o. Est\u00e1s casado? S\u00ea santo, amando e cuidando do teu marido ou da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. \u00c9s um trabalhador? S\u00ea santo, cumprindo com honestidade e compet\u00eancia o teu trabalho ao servi\u00e7o dos irm\u00e3os. \u00c9s progenitor, av\u00f3 ou av\u00f4? S\u00ea santo, ensinando com paci\u00eancia as crian\u00e7as a seguirem Jesus. Est\u00e1s investido em autoridade? S\u00ea santo, lutando pelo bem comum e renunciando aos teus interesses pessoais<\/em>\u00bb (<em>G et Ex<\/em>\u00a015)<em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cA voca\u00e7\u00e3o batismal, caminho de santidade\u201d<\/em>\u00a0foi assunto marcante no primeiro ano. Baseados na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica\u00a0<em>Gaudete et Exsultate<\/em>\u00a0(n\u00ba 15), procur\u00e1mos impulsionar e promover a inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 como a maneira normal de fazer disc\u00edpulos mission\u00e1rios de Jesus, que com Ele se identificam, O seguem, dando frutos de santidade. O documento \u201c<em>Orienta\u00e7\u00f5es para a celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3<\/em>\u201d \u00e9 fruto do estudo e da reflex\u00e3o sobre a voca\u00e7\u00e3o batismal. A sua implementa\u00e7\u00e3o em todas as par\u00f3quias \u00e9 uma urgente necessidade, se queremos construir a identidade crist\u00e3 nas nossas comunidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo ano, 2019-2020, foi dedicado \u00e0 fam\u00edlia, comunidade com um papel muito amplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Baseados na\u00a0<em>Amoris laetitia<\/em>\u00a0(n\u00ba 72 e 88), procur\u00e1mos: dar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia como Igreja dom\u00e9stica, para que possa cumprir a sua miss\u00e3o de ser a primeira escola onde, com amor se acolha a vida, se celebre a f\u00e9 e se promova o desenvolvimento social;promover itiner\u00e1rios de forma\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o para o amor humano integral; divulgar e incentivar a catequese familiar atrav\u00e9s de itiner\u00e1rios de inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 que permitam \u00e0s fam\u00edlias celebrar a f\u00e9 no lar e na comunidade paroquial. Fruto deste ano pastoral, foi publicado o documento \u201c<em>Acolher, discernir e integrar<\/em>\u201d, para responder aos apelos do Papa Francisco, sobre a integra\u00e7\u00e3o dos recasados na vida da Igreja, com possibilidade de acesso aos sacramentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Afirmei, insistentemente, que h\u00e1 necessidade de estimular uma pastoral de aten\u00e7\u00e3o integral \u00e0 fam\u00edlia, para que esta esteja no centro das nossas preocupa\u00e7\u00f5es pastorais, quer diocesanas quer paroquiais. Estou convicto que \u00e9 cada vez mais urgente criar a cultura de fam\u00edlia:desenvolver uma cultura assente nos valores da fam\u00edlia, onde se conhecem, promovem e defendem os direitos da fam\u00edlia e dos seus membros, sobretudo nas situa\u00e7\u00f5es de maior vulnerabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m neste per\u00edodo, foram analisados e interpretados, a n\u00edvel arciprestal e paroquial, os dados do recenseamento \u00e0 pr\u00e1tica dominical, feito no m\u00eas de mar\u00e7o de 2019, tendo delineado algumas linhas de a\u00e7\u00e3o. Num universo de 309.027 habitantes, contabilizaram-se 37.916 presen\u00e7as na missa dominical (12,3%), prevalecendo a faixa et\u00e1ria de +70 anos (9.918) = 26,4%. De um modo geral, as mulheres est\u00e3o em maior n\u00famero e h\u00e1 2.144 indiv\u00edduos que n\u00e3o foi poss\u00edvel incluir em faixa et\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes dados s\u00e3o uma interpela\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja de Aveiro, ao seu agir pastoral, aos processos de discernimento e reclamam uma recupera\u00e7\u00e3o da frescura original do Evangelho. A realidade apontou para a perda do sentido comunit\u00e1rio da f\u00e9 e da vida crist\u00e3, requerendo da nossa parte um modelo de pastoral mais centrado na miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O terceiro ano, 2020-2021, teve como lema \u201c<em>Enviados para anunciar o Evangelho de Jesus<\/em>\u201d, dedicando especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0 voca\u00e7\u00e3o ao sacerd\u00f3cio ministerial, divulgando o papel do Semin\u00e1rio diocesano e a Pastoral Vocacional; renovar as estruturas eclesiais de acompanhamento, discernimento e forma\u00e7\u00e3o, a fim de que as pessoas, segundo as diversas voca\u00e7\u00f5es, possam viver o discipulado mission\u00e1rio de Jesus; promover as voca\u00e7\u00f5es de consagra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este ano j\u00e1 foi vivido em plena pandemia do Covid-19, o que impediu o desenrolar das a\u00e7\u00f5es pastorais previstas e fez com que toda a programa\u00e7\u00e3o pastoral tivesse de ser adaptada a esta nova realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar dos constrangimentos, foi feito um inqu\u00e9rito a todo o presbit\u00e9rio diocesano sobre a sua vida espiritual, pastoral e comunh\u00e3o presbiteral. O total de inqu\u00e9ritos respondidos foi 37, ou seja, cerca de 50% dos padres responderam. Conseguiu-se apurar o grau de satisfa\u00e7\u00e3o ou insatisfa\u00e7\u00e3o perante determinadas realidades e identificar algumas necessidades de renova\u00e7\u00e3o na vida da Igreja diocesana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A solenidade do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus deste ano marcou um momento de gra\u00e7a para o nosso presbit\u00e9rio e, nele, para todo o povo de Deus. Tal como se concluiu nas respostas ao inqu\u00e9rito feito ao presbit\u00e9rio, cada vez mais se torna imprescind\u00edvel fazer um caminho em conjunto, em colegialidade. A sinodalidade, como dimens\u00e3o constitutiva da Igreja, oferece-nos a possibilidade de compreendermos a vida da Igreja como um \u201ccaminhar juntos\u201d, onde todos temos o nosso lugar e ningu\u00e9m pode ser exclu\u00eddo. Todos est\u00e3o qualificados com a dignidade da fun\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica de Jesus, de modo a poderem discernir quais s\u00e3o os caminhos do Evangelho no presente, sem deixar ningu\u00e9m para tr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 22 de maio de 2020 foi criada a Comiss\u00e3o Diocesana de Aveiro para a Prote\u00e7\u00e3o de Menores e Pessoas Vulner\u00e1veis com o objetivo de contribuir e difundir uma cultura de preven\u00e7\u00e3o, dando instrumentos de informa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o, seguindo as normativas civis e can\u00f3nicas, bem como as orienta\u00e7\u00f5es da Santa S\u00e9 e da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa. Aquando da apresenta\u00e7\u00e3o do Relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Independente, a nossa diocese afirmou, num comunicado p\u00fablico de 10 de mar\u00e7o de 2023, o compromisso de tudo fazer para que estas situa\u00e7\u00f5es dolorosas n\u00e3o voltem a acontecer no seio da comunidade crist\u00e3 e reafirma, mais uma vez, \u201ctoler\u00e2ncia zero\u201d para os abusos de menores e pessoas vulner\u00e1veis. O empenhamento de todos nesta causa \u00e9 fundamental para erradicarmos este flagelo terr\u00edvel do seio da Igreja e da sociedade civil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No\u00a0<strong>ano pastoral de 2022<\/strong>, vivido sob o lema \u201c<em>Sonhemos juntos o caminho<\/em>\u201d,fizemos a caminhada sinodal proposta pelo Papa Francisco. Foi feito um balan\u00e7o positivo sobre a forma como decorreu a consulta sinodal na Diocese.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Constitu\u00edmos 281 grupos sinodais, integrando 4.875 pessoas, leigos, consagrados e sacerdotes. Deste trabalho resultou a s\u00edntese sinodal da diocese de Aveiro, que foi integrada na s\u00edntese nacional enviada para Roma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O documento diocesano sobre o S\u00ednodo, cuja s\u00edntese foi posteriormente discutida e assumida pelo conselho presbiteral e pelo conselho diocesano de pastoral, alertou-nos que \u00e9 urgente aprender a fazer este caminho e fazer dele crit\u00e9rio de a\u00e7\u00e3o e de vida. A sinodalidade tem de ser crit\u00e9rio maior nos processos a implementar. Se a Igreja \u00e9 povo de Deus, ent\u00e3o, o que a todos diz respeito, por todos deve ser refletido em ordem ao discernimento e \u00e0 tomada de decis\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A a\u00e7\u00e3o pastoral de muitas comunidades \u00e9 pouco mais que cumprir o calend\u00e1rio lit\u00fargico, sem novidade, sem interpela\u00e7\u00e3o pessoal e sem relev\u00e2ncia cultural e social. A Igreja, na sua rela\u00e7\u00e3o com o mundo e cultura atuais, enfrenta grandes desafios e reclama-se um outro modo de presen\u00e7a, onde se acolha e se escute. Acolher, escutar, integrar e acompanhar a todos os que se identificam com Jesus, sem fazer ace\u00e7\u00e3o de pessoas, de grupos ou movimentos e procurar ir ao encontro das suas reais necessidades, deve ser crit\u00e9rio pastoral fundamental. H\u00e1 que assumir que a renova\u00e7\u00e3o, para chegar a todos e mais longe, sem perder a ess\u00eancia e a alegria do Evangelho, por todos tem de ser assumida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No\u00a0<strong>ano pastoral de 2023<\/strong>\u00a0come\u00e7\u00e1mos a viver, a partir de 12 de maio, e que culminar\u00e1 em 13 de maio de 2024, um Ano Jubilar, a prop\u00f3sito da celebra\u00e7\u00e3o dos 600 anos do in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o da Igreja catedral, concedido pelo Papa Francisco, sob o lema:\u00a0<em>\u201cIgreja de Aveiro peregrina na esperan\u00e7a\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao vivermos o Ano Jubilar da nossa Catedral, quisemos tomar consci\u00eancia de quem somos, para onde queremos caminhar, e do que falamos quando nos referimos \u00e0 catedral como Igreja-M\u00e3e. Para melhor vivermos este acontecimento, a todos convidei a refletir sobre o sentido de um jubileu. Tratou-se de uma iniciativa que constituiu, para os diocesanos, uma ocasi\u00e3o de crescimento na f\u00e9 e na comunh\u00e3o eclesial. Porque o crist\u00e3o nasce da Igreja e para a Igreja, o grande desafio \u00e9 testemunhar a alegria e a vontade em viver os desafios do Evangelho num mundo que n\u00e3o se conhece e numa cultura que n\u00e3o se compreende. Mediante a experi\u00eancia de f\u00e9 de tantos crist\u00e3os do nosso tempo, desenvolvemos um Programa cujas atividades, eclesiais e culturais, congregaram pessoas das diferentes par\u00f3quias e comunidades, para celebra\u00e7\u00f5es, confer\u00eancias, reflex\u00f5es, momentos de ora\u00e7\u00e3o, concertos\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As peregrina\u00e7\u00f5es arciprestais \u00e0 Catedral, com iniciativas de encontro, di\u00e1logo e colabora\u00e7\u00e3o, foram momentos de escuta da Palavra e lugar de eleva\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito e de encontro com Deus. Sempre que um arciprestado peregrina at\u00e9 \u00e0 Igreja-M\u00e3e, vemos reunida uma Igreja\/ Diocese que anuncia, celebra e vive a sua f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o podemos esquecer a viv\u00eancia pastoral que sup\u00f4s a Jornada Mundial da Juventude na diocese de Aveiro e em todo o nosso pa\u00eds. Serviu como uma oportunidade para unir a comunidade diocesana e fortalecer o seu compromisso com a miss\u00e3o de anunciarmos o Evangelho. Tivemos, em mar\u00e7o de 2023, a peregrina\u00e7\u00e3o dos s\u00edmbolos da JMJ \u2013 Cruz e \u00cdcone de Nossa Senhora \u2013 e os dias nas dioceses, no fim de julho, que envolveram 5.000 jovens estrangeiros, que foram acolhidos em 1.945 fam\u00edlias, real\u00e7ando a participa\u00e7\u00e3o e a beleza da Eucaristia do dia 30 de julho, onde estiveram mais de 10.000 pessoas: jovens e fam\u00edlias. Organizados pela diocese, foram ao encontro do Santo Padre, a Lisboa, cerca de 2.000 jovens. Agora, o grande desafio \u00e9 que criemos condi\u00e7\u00f5es, com a ajuda de todos, para integrar os jovens nas nossas comunidades paroquiais e as fam\u00edlias de acolhimento, de modo a motivar e envolver mais agentes pastorais e lideran\u00e7as, vendo a lideran\u00e7a como um servi\u00e7o, n\u00e3o como um estatuto e privil\u00e9gio, para promover a diversidade de dons entre os membros e trabalhar pela unidade. O objetivo \u00e9 proteger e guiar \u00ab<em>at\u00e9 que cheguemos todos \u00e0 unidade da f\u00e9 e do conhecimento do Filho de Deus, ao homem adulto, \u00e0 medida completa da plenitude de Cristo<\/em>\u00bb (<em>Ef<\/em>\u00a04,13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos a projetar um novo tri\u00e9nio pastoral, coincidindo com o Jubileu do Ano 2025, proposto pelo Papa Francisco a toda a Igreja. A nossa diocese n\u00e3o pode ficar alheia \u00e0 exig\u00eancia que o Santo Padre faz a toda a Igreja no sentido de nos prepararmos para este jubileu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5. Perspetivas de futuro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 que assumir que a renova\u00e7\u00e3o para chegar a todos e mais longe, sem perder a ess\u00eancia e a alegria do Evangelho, por todos tem de ser assumida. Desejo que nos sintamos sempre mais\u00a0<em>Igreja em caminho de renova\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja \u00e9 de Cristo \u2013 daqui a necessidade, para todos, de uma convers\u00e3o a Ele como \u00fanico Senhor. S\u00e3o Paulo convida-nos a preparar a vinda do Senhor, assumindo tr\u00eas atitudes: a alegria constante, a ora\u00e7\u00e3o perseverante e a a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as cont\u00ednua. Todos somos chamados a olhar o presente e o futuro da Igreja. Guiados pelo Esp\u00edrito Santo, queremos ser \u201cteia de esperan\u00e7a\u201d, com a qual Cristo edifica a Igreja diocesana de Aveiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 agora, foi uma visita territorial mas, neste momento, parece-me que devo dar mais aten\u00e7\u00e3o aos diferentes setores da pastoral: evangeliza\u00e7\u00e3o e as suas diferentes formas, a liturgia e os minist\u00e9rios laicais e a caridade, a qual est\u00e1 na base do mandamento novo do amor. N\u00e3o ser\u00e3o esquecidos os setores fora da comunidade eclesial, como por exemplo a sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, servi\u00e7o social, migra\u00e7\u00e3o, inova\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As estruturas de participa\u00e7\u00e3o s\u00e3o convidadas a ajudar o bispo diocesano nesta sua obriga\u00e7\u00e3o, enquanto pastor desta Igreja Particular de Aveiro. Para al\u00e9m das visitas pastorais, agora organizadas de outra forma, a vida diocesana, no seu conjunto, continua a desenvolver-se e a caminhar segundo os programas e os planos de pastoral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Imbu\u00eddo deste mesmo esp\u00edrito, o pr\u00f3ximo tri\u00e9nio pastoral vai lan\u00e7ar-nos desafios que tendo presente a realidade da Igreja de hoje e, concretamente, a Igreja diocesana de Aveiro, quer construir o futuro, fi\u00e9is a uma nova presen\u00e7a e de an\u00fancio do Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A convers\u00e3o pastoral \u00e9 o caminho de renova\u00e7\u00e3o da Igreja, de mudan\u00e7a estrutural e metodol\u00f3gica. \u00abA Igreja deve aprofundar a consci\u00eancia de si mesma, meditar sobre o seu pr\u00f3prio mist\u00e9rio (\u2026). Desta consci\u00eancia esclarecida e operante deriva espontaneamente um desejo de comparar a imagem ideal da Igreja, tal como Cristo a viu, quis e amou, ou seja, como sua Esposa santa e imaculada (<em>Ef\u00a0<\/em>5,27), com o rosto real que a Igreja apresenta hoje. (\u2026) Em consequ\u00eancia disso, surge uma necessidade generosa e quase impaciente de renova\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, de emenda dos defeitos, que aquela consci\u00eancia denuncia e rejeita, como se fosse um exame interior ao espelho do modelo que Cristo nos deixou de si mesmo\u00bb (<em>EG<\/em>\u00a026).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ano 2024-2025 ser\u00e1 dedicado \u00e0 corresponsabilidade ministerial e sinodal no seio da Igreja povo de Deus. Pretendemos refletir na fun\u00e7\u00e3o e lugar dos minist\u00e9rios laicais e a reforma da C\u00faria diocesana. Ser\u00e1 tamb\u00e9m um tempo de vivermos o S\u00ednodo dos Bispos e o Jubileu do ano 2025.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ano 2025-2026 ser\u00e1 dedicado a um novo estilo de ser Igreja atrav\u00e9s da sinodalidade, dinamizando a vida das comunidades num tempo com menos clero e minist\u00e9rios laicais mais presentes. A realidade pastoral que estamos a viver n\u00e3o est\u00e1 adequada \u00e0s necessidades e \u00e0s exig\u00eancias pastorais que a atualidade requer \u2013 da\u00ed a necessidade de procedermos a uma nova forma de presen\u00e7a da Igreja no territ\u00f3rio diocesano e a respetiva reestrutura\u00e7\u00e3o pastoral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A celebra\u00e7\u00e3o dos 75 anos do nosso Semin\u00e1rio de Aveiro apela a um maior compromisso no envolvimento de uma renovada pastoral vocacional, reconhecendo e confiando que, apesar do n\u00famero cada vez menor de sacerdotes, o Esp\u00edrito de Deus n\u00e3o deixar\u00e1 de nos iluminar nos caminhos que vamos percorrer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ano 2026-2027 coloca no centro da vida diocesana a identidade crist\u00e3 num mundo que pede disc\u00edpulos militantes e mission\u00e1rios, promovendo a fraternidade sem fronteiras, cuidando da casa comum e valorizando o domingo. Toda a vida do crist\u00e3o e das par\u00f3quias deve caminhar na e para a santidade. Esta consiste no an\u00fancio de Jesus Ressuscitado, centro da nossa f\u00e9, e na celebra\u00e7\u00e3o do domingo, dia do Ressuscitado. A exemplo dos primeiros crist\u00e3os, para n\u00f3s crist\u00e3os, o domingo \u00e9 o dia do Senhor e da caridade fraterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo de constru\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o exige participa\u00e7\u00e3o consciente e respons\u00e1vel. Procuremos estar em di\u00e1logo cont\u00ednuo uns com os outros sob a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo. Todos devem assumir que a renova\u00e7\u00e3o exige convers\u00e3o das pessoas e das comunidades. N\u00e3o tenhamos medo de arriscar quando se trata de fazer op\u00e7\u00f5es pastorais. A diocese de Aveiro sonha com comunidades crist\u00e3s que coloquem Cristo ressuscitado no centro da sua vida, vivam a comunh\u00e3o como o sinal vis\u00edvel dessa presen\u00e7a e formem disc\u00edpulos mission\u00e1rios que saibam dar raz\u00f5es da sua f\u00e9. Abrace cada um o caminho do renovamento conforme lhe for inspirado pela gra\u00e7a do Esp\u00edrito de Deus, lembrando que para um conhecimento mais profundo da palavra de Deus \u00e9 fundamental a ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que Nossa Senhora da Assun\u00e7\u00e3o, titular da nossa Catedral, e a Princesa Santa Joana, nossa padroeira, e cada um dos padroeiros das nossas par\u00f3quias, nos ajudem a trilhar caminhos de renova\u00e7\u00e3o, a viver e a dar frutos de santidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aveiro, 11 de maio de 2024<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2020 Ant\u00f3nio Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro<\/em><\/p>\n<div class=\"bizberg_user_comment_wrapper\">\n<div class=\"bizberg_detail_user_wrapper\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deus caminha connosco<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17700,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47,12],"tags":[],"class_list":["post-17699","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-d-antonio-manuel-moiteiro-ramos","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17699","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17699"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17699\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17701,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17699\/revisions\/17701"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17700"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17699"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17699"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17699"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}