{"id":17646,"date":"2024-05-01T07:00:09","date_gmt":"2024-05-01T06:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=17646"},"modified":"2024-04-28T18:52:47","modified_gmt":"2024-04-28T17:52:47","slug":"modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao-p-pautado-pautado-pelo-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao-p-pautado-pautado-pelo-trabalho\/","title":{"rendered":"Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o | &#8220;P&#8221;&#8230; [&#8220;Pautado&#8230;&#8221;] &#8211; Pautado pelo Trabalho"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><strong><em>Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o\u00a0<\/em><\/strong><\/h5>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: right;\"><em>&#8220;P&#8221;&#8230; [&#8220;Pautado&#8230;&#8221;]<\/em><\/h2>\n<hr \/>\n<h1 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: center;\">Pautado pelo Trabalho<\/h1>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Miguel Oliveira Pan\u00e3o*<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo o ser humano que pode trabalha. O trabalho pauta a vida humana desde os seus prim\u00f3rdios. Por que raz\u00e3o pautar a nossa vida pelo trabalho? Curiosamente, aquilo que o ser humano tanto valoriza actualmente tem a sua raiz num instrumento de tortura: o <em>tripalium<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A origem da palavra \u201ctrabalho\u201d pode ser rastreada at\u00e9 o termo latino &#8220;tripalium&#8221;, que originalmente referia-se a um instrumento de tr\u00eas paus (tr\u00eas = &#8220;tri&#8221;, pau = &#8220;palus&#8221;) usado para prender animais ou escravos a serem torturados. Com o tempo, &#8220;tripalium&#8221; evoluiu para &#8220;trepalium&#8221; no latim vulgar, que por sua vez se desenvolveu para designar o acto de submeter-se a uma grande dificuldade ou sofrimento, similar ao que os animais ou pessoas experimentavam quando presos ao <em>tripalium<\/em>. Quando a palavra come\u00e7a a transformar-se para reflectir o conceito de &#8220;trabalho&#8221; no sentido de uma actividade que exige esfor\u00e7o f\u00edsico ou mental, seria o momento da mudan\u00e7a de perspectiva sobre o trabalho. Isto \u00e9, em vez de uma vida pautada pela tortura e sofrimento, uma vida pautada pelo trabalho pretendia ampliar a nossa vis\u00e3o desse acto humano num sentido mais positivo como empenho e labor produtivo. Se todos reconhecemos ainda hoje que a nossa vida de trabalho se associa, de certo modo, ao seu passado etimol\u00f3gico de dificuldade e esfor\u00e7o, e se dentro desse grupo de pessoas algumas sentem o trabalho como uma tortura, por que raz\u00e3o haver\u00edamos de alterar na hist\u00f3ria aquilo que significava trabalhar para uma vis\u00e3o mais positiva?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Termodin\u00e2mica, o trabalho \u00e9 uma forma de energia que resulta de uma for\u00e7a empregue num deslocamento que origina movimento. E a natureza de todo o movimento \u00e9 ser uma fonte transformadora da realidade. Por outro lado, apesar desta vis\u00e3o termodin\u00e2mica do trabalho ser exterior, poder\u00edamos aplic\u00e1-la como met\u00e1fora para desenvolver uma ideia de trabalho interior onde os pensamentos s\u00e3o a for\u00e7a motriz que num \u201cdeslocamento temporal\u201d origina crescimento e amadurecimento pessoal. Quando visto como gerador de movimento, o trabalho vai para al\u00e9m de ser um fim, tornando-se num processo. A maior parte da humanidade v\u00ea a sua vida pautada por este processo, mas quantos s\u00e3o aqueles que pensam profundamente na rela\u00e7\u00e3o que t\u00eam com o trabalho?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A raz\u00e3o de trabalharmos relaciona-se com a necessidade de sustento. N\u00e3o s\u00f3 pretendemos colocar p\u00e3o da mesa, mas tamb\u00e9m <em>smartphones<\/em> nas m\u00e3os, servi\u00e7os de <em>streaming<\/em> nos olhos e tudo tem um pre\u00e7o. Por isso, trabalhamos e queixamo-nos de n\u00e3o ter tempo para a fam\u00edlia se a quisermos sustentar, mas n\u00e3o estar\u00e1 esse lamento ligado \u00e0 actual vis\u00e3o obscura de trabalho que a sociedade moderna nos exige? Qual o pre\u00e7o do trabalho quando equiparado a uma necessidade? Tempo de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o importa tanto quanto ganhamos, quanto o tempo de vida que gastamos para chegar ao patamar que aspiramos. Quando compramos um <em>smartphone<\/em> por um determinado montante, raramente pensamos no tempo de vida que consumimos para adquirir determinado bem. Sacrificamos o tempo 2.0 (cronol\u00f3gico) que temos, sem pensar no modo como o trabalho afecta o &#8220;Tempo 3.0&#8221;, isto \u00e9, o tempo epocal associado \u00e0 nossa presen\u00e7a \u00fanica neste universo como exploro no meu livro com esse t\u00edtulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vida pautada pelo trabalho no tempo 2.0 orienta-nos em fun\u00e7\u00e3o da necessidade de ser produtivo. Por\u00e9m, uma vida pautada pelo trabalho no tempo 3.0 orienta-nos na direc\u00e7\u00e3o de uma vida plena (<em>lifulness<\/em>) onde os &#8220;tr\u00eas-paus&#8221; (<em>tripalium<\/em>) n\u00e3o torturam, mas sustentam o lugar onde nos sentamos para contemplar a vida que nos \u00e9 dada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recordo-me de em jovem ouvir falar sobre o trabalho como um mal necess\u00e1rio. \u00c0 minha volta, pai, m\u00e3e e outros familiares, viviam em fun\u00e7\u00e3o do trabalho e questionava-me se esse era o meu destino. Quando tinha 10 anos e apare\u00e7o no jantar de natal em casa da minha prima Palmira com uma pasta na m\u00e3o, espelhava a imagem do mundo que via \u00e0 minha volta. Todos pautavam a sua vida pelo trabalho e levar aquela pasta expressava o desejo de fazer parte do mundo adulto. Hoje, trabalhando como professor universit\u00e1rio, sinto a tens\u00e3o entre um trabalho que exige liberdade criativa para inventar coisas novas e um trabalho que exige o t\u00e9dio da correc\u00e7\u00e3o de testes, respostas a emails com solicita\u00e7\u00f5es de in\u00fameras esp\u00e9cies e muitos de n\u00f3s, trabalhadores do conhecimento, temos a impress\u00e3o de viver como previa Proust \u2014 em busca do tempo perdido. N\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel que assim seja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00abPelos frutos, pois, os conhecereis.\u00bb<\/em> (Mt 7, 20) \u2014 Se a rela\u00e7\u00e3o com o trabalho se equilibrar com uma vida que n\u00e3o perde o sentido contemplativo da exist\u00eancia humana, pautar a vida pelo trabalho pode expressar o cuidado que temos em garantir que os frutos produzidos prov\u00eam de uma \u00e1rvore boa. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, essa \u00e1rvore somos n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">*Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> em  &#8211; &#8220;<a href=\"https:\/\/cordeldeprata.pt\/produto\/tempo-3-0-uma-visao-revolucionaria-da-experiencia-mais-transformativa-do-mundo\/\">Tempo 3.0 &#8211; Uma vis\u00e3o revolucion\u00e1ria da experi\u00eancia mais transformativa do mundo<\/a>&#8221; (<a href=\"https:\/\/www.bertrand.pt\/livro\/tempo-3-0-uma-visao-revolucionaria-da-experiencia-mais-transformativa-do-mundo-miguel-oliveira-panao\/29562630\">Bertrand<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.wook.pt\/livro\/tempo-3-0-uma-visao-revolucionaria-da-experiencia-mais-transformativa-do-mundo-miguel-oliveira-panao\/29562630\">Wook<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.fnac.pt\/Tempo-3-0-Uma-Visao-Revolucionaria-da-Experiencia-Mais-Transformativa-do-Mundo-Miguel-Panao\/a11534362\">FNAC<\/a>)<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/cdd20-1193381\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=5831258\">\u611a\u6728\u6df7\u682a Cdd20<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=5831258\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modos de intera\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17648,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[196,57,62],"tags":[],"class_list":["post-17646","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-p-pautado","category-miguel-oliveira-panao","category-modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17646","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17646"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17646\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17649,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17646\/revisions\/17649"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17648"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17646"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17646"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17646"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}