{"id":17296,"date":"2024-02-16T11:13:54","date_gmt":"2024-02-16T11:13:54","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=17296"},"modified":"2024-02-16T11:14:23","modified_gmt":"2024-02-16T11:14:23","slug":"um-olhar-sobre-o-patrimonio-4-a-pretexto-dos-600-anos-da-catedral-antonio-leandro-d-pedro-o-infante-das-sete-partidas-duque-de-coimbra-senhor-de-aveiro-e-fundador-do-mosteiro-de-nossa-senho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/um-olhar-sobre-o-patrimonio-4-a-pretexto-dos-600-anos-da-catedral-antonio-leandro-d-pedro-o-infante-das-sete-partidas-duque-de-coimbra-senhor-de-aveiro-e-fundador-do-mosteiro-de-nossa-senho\/","title":{"rendered":"Um olhar sobre o patrim\u00f3nio | 4 | A pretexto dos 600 anos da Catedral &#8211; Ant\u00f3nio Leandro: D. PEDRO, O INFANTE DAS SETE PARTIDAS: DUQUE DE COIMBRA, SENHOR DE AVEIRO E FUNDADOR DO MOSTEIRO DE NOSSA SENHORA DA MISERIC\u00d3RIDIA DE AVEIRO PARTE II"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Um olhar sobre o patrim\u00f3nio<\/strong> | <em>A pretexto dos 600 anos da catedral\u00a0<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Ant\u00f3nio Leandro*<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o objetivo de se inteirar e conhecer as ideias mais modernas e as cidades mais promissoras, mormente a n\u00edvel pol\u00edtico e econ\u00f3mico, o Infante D. Pedro viajou, entre os anos de 1425 a 1428, por toda a Europa, n\u00e3o estando completamente esclarecidas, a n\u00edvel documental, as motiva\u00e7\u00f5es daquela prolongada viagem<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Contudo, visitou Inglaterra, Flandres (regi\u00e3o na qual percorreu as mais importantes cidades da Borgonha, nomeadamente Bruges, cidade de grande fluxo comercial internacional e de clara ascens\u00e3o burguesa), esteve em Nuremberga, Ratisbona e Viena. Lutou ao lado do Imperador Sigismundo contra os Hussitas e contra os Otomanos, tendo inclusive recebido o t\u00edtulo de Duque de Treviso<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> das m\u00e3os daquele imperador. Sigismundo nasceu em Nuremberga, Alemanha, a 14 de fevereiro de 1368 e faleceu a 9 de dezembro de 1437 em Znojmo, Rep\u00fablica Checa, e era filho do Imperador Carlos IV do Sacro Imp\u00e9rio Romano-Germ\u00e2nico. Era poliglota, tido como muito culto e de grande defensor da cren\u00e7a crist\u00e3. Foi rei da Germ\u00e2nia, Hungria, Cro\u00e1cia e Bo\u00eamia e sucedeu a seu pai como Imperador do Sacro Imp\u00e9rio Romano-Germ\u00e2nico de 1433 at\u00e9 ao dia da sua morte. Teve um importante papel no Conc\u00edlio de Constan\u00e7a (1414-1418) que levou ao fim do Cisma do Ocidente (1378-1417), o qual, por seu turno, levou \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de Martinho V como Sumo Sacerdote \u00fanico. No mesmo conc\u00edlio, as ideias reformadoras surgidas na Bo\u00eamia, regi\u00e3o tamb\u00e9m da atual Alemanha, por Jan Hus, Igreja Hussita, foram fortemente condenadas. O Imperador Sigismundo dedicou grande parte do seu reinado a combater os Hussitas e Otomanos, considerados inimigos da f\u00e9 crist\u00e3. D. Pedro demonstrou, neste apoio b\u00e9lico, ser um claro defensor do Cristianismo da linha vaticana e papal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s esta estada, ainda passou por Belgrado, Budapeste e pela Transilv\u00e2nia. De seguida realizou um p\u00e9riplo pelos reinos italianos, conhecendo as cidades de Veneza, cidade de ativo com\u00e9rcio e de grandes navegadores (rival de Treviso e com a qual fazia fronteira), P\u00e1dua, Ferrara, Bolonha e Roma, na qual, em Maio de 1428<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, foi recebido pelo Papa Martinho V, o mesmo que lhe concedera a autoriza\u00e7\u00e3o pontif\u00edcia para a funda\u00e7\u00e3o do Mosteiro de Nossa Senhora da Miseric\u00f3rdia na, ent\u00e3o, vila de Aveiro, no ano de 1423, ofertando ao infante \u201c&#8230; como presente da sua visita a bula que concedia aos reis de Portugal o serem ungidos na sua coroa\u00e7\u00e3o, como os de Fran\u00e7a e de Inglaterra, e o poderem os infantes reger o reino como filhos primog\u00e9nitos e haver coroa de rei\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. No retorno desta enriquecedora e prof\u00edcua aventura, que lhe conferiu o seu ep\u00edteto, aproveitou para uma nova estada em Castela, Barcelona e Val\u00eancia, cidade onde conheceu e acordou, com o rei Afonso V de Arag\u00e3o, o seu casamento com D. Isabel de Urgel, filha de D. Jaime II de Urgel e de Isabel de Arag\u00e3o<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Neste ano j\u00e1 D. Jaime II de Urgel se encontrava preso por se ter revoltado, em 1412, contra o reconhecido novo rei de Arag\u00e3o, Fernando de Ataquera, apesar de Jaime ser o mais leg\u00edtimo na sucess\u00e3o na Casa de Arag\u00e3o, vindo a falecer em 1433 na pris\u00e3o de X\u00e0tiva. Este aparente inocente casamento acabaria por ser um fator influente na discuss\u00e3o da reg\u00eancia na menoridade do pr\u00edncipe herdeiro de Portugal, D. Afonso, na medida em que Isabel de Urgel era filha de Jaime II, pretendente ao trono de Arag\u00e3o, e D. Leonor, esposa de D. Duarte, casados em 22 de setembro de 1428, era filha de Fernando de Ataquera e irm\u00e3 do rei Afonso V de Arag\u00e3o, o mesmo com quem D. Pedro tinha contratado, a 13 de setembro de 1428, o seu pr\u00f3prio casamento, isto \u00e9, as cunhadas aragonesas pertenciam a fam\u00edlias inimigas na luta pelo poder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano seguinte \u00e0 chegada ao seu pa\u00eds casou com a dita D. Isabel, ligada \u00e0 Casa real de Arag\u00e3o, de quem obteve seis filhos: D. Pedro &#8211; <em>O Condest\u00e1vel<\/em>, que lutou a seu lado em Alfarrobeira e viria a ser Rei da Catalunha; D. Isabel que foi rainha e esposa de D. Afonso V, rei de Portugal, sobrinho do pr\u00f3prio D. Pedro; D. Jaime, Bispo de Arras e Cardeal de Santo Eust\u00e1quio; D. Jo\u00e3o que seria Rei de Chipre; e ainda D. Brites, ou Beatriz na ortografia atual, e D. Filipa. Nesse mesmo ano casaria a sua irm\u00e3, a Infanta D. Isabel, com Filipe III, O Bom, da Borgonha, fundador, a 10 de janeiro de 1429, da famosa e misteriosa Ordem do Tos\u00e3o de Ouro e com o qual o Infante tinha privado numa passagem durante a sua delonga caminhada. A Ordem do Tos\u00e3o de Ouro \u00e9 uma ordem de cavalaria fundada pelo Duque da Borgonha a 10 de janeiro de 1429 para celebrar o seu casamento com D. Isabel de Portugal, filha de D. Jo\u00e3o I.\u00a0 O ato de funda\u00e7\u00e3o ocorreu na Catedral de Bruges e tinha como objetivo restabelecer as liga\u00e7\u00f5es inter-religiosas entre Oriente e Ocidente. Esta ideia \u00e9 descendente das premissas desenvolvidas pela Ordem do Templo, a qual tinha sido extinta em 22 de mar\u00e7o de 1312, ap\u00f3s enorme controv\u00e9rsia entre o Vaticano e o rei de Fran\u00e7a, Filipe IV, <em>O Belo<\/em>, por ordem do Papa Clemente V, decis\u00e3o sa\u00edda do Conc\u00edlio de Vienne e redigida nas Bulas <em>Vox in Excelso<\/em> e <em>Vox Clamentis<\/em>. A Ordem do Tos\u00e3o de Ouro \u00e9 consagrada \u00e0 Virgem Maria e ao ap\u00f3stolo Santo Andr\u00e9 e o seu Cap\u00edtulo Geral anual realizava-se a 30 de novembro, dia de Santo Andr\u00e9. Inicialmente a ordem assentava na tradi\u00e7\u00e3o herm\u00e9tica, especialmente na alquimia, inspirada no mito hel\u00e9nico do argonauta Jas\u00e3o. Os seus membros procuravam o tesouro espiritual e a sabedoria divina de forma a descobrir a Pedra Filosofal e, assim, obter a quintess\u00eancia da mat\u00e9ria e atrav\u00e9s dela iluminarem-se f\u00edsica e espiritualmente. A ordem entrou em decad\u00eancia ap\u00f3s a morte do rei de Espanha, Carlos II (1661-1700) e a consequente Guerra de Sucess\u00e3o, levando \u00e0 sua divis\u00e3o. Atualmente, ainda existem os dois ramos da ordem, o espanhol e o austr\u00edaco, mas ambos celebram na l\u00edngua francesa. Filipe VI de Espanha \u00e9 o atual soberano da fa\u00e7\u00e3o espanhola da ordem e no dia 30 de janeiro de 2018 entregou o colar da ordem \u00e0 sua filha, princesa Leonor de Borbon. J\u00e1 o anterior rei de Espanha, Juan Carlos, tinha entregado outros colares, destacando-se o \u00faltimo, a 16 de janeiro de 2012, ao ex-Presidente da Rep\u00fablica de Fran\u00e7a, Nicolas Sarkozy. Os s\u00edmbolos da Ordem do Tos\u00e3o de Ouro e o da Ordem de Jarrateira encontram-se esculpidos na chamada Janela da Casa do Cap\u00edtulo no Convento de Cristo em Tomar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os filhos de D. Pedro tiveram uma grande forma\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o de acordo com os conhecimentos adquiridos na prolongada viagem que lhe valeu o cognome de <em>Infante das Sete Partidas<\/em>, pois &#8220;\u2026 custumava mandar ler proveitosos lyvros, e ter praticas e disputa, de que se tomava muyto ensyno e doutrina\u2026&#8221;<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> e foi ainda o promotor da tradu\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias obras modernas, como por exemplo <em>De ingenuis moribus et liberalibus studiis adulenscentiae<\/em>, da autoria de Pier Paolo Verg\u00e9rio e traduzida por Vasco Fernandes de Lucena, obra destinada a ensinar jovens pr\u00edncipes e outros fidalgos da elite social, a qual D. Pedro, durante a sua reg\u00eancia, quis que fosse utilizada para educar o imberbe futuro monarca D. Afonso V<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>. O pr\u00f3prio duque de Coimbra chegou a traduzir algumas obras e at\u00e9 a escrever outras. Ter\u00e1 iniciado a tradu\u00e7\u00e3o da obra de S\u00e9neca, <em>De Beneficiis<\/em>, eventualmente em 1418, mas acabou por se transformar numa obra pr\u00f3pria escrita por si em coautoria com o seu confessor, o dominicano Frei Jo\u00e3o Verba. Este frade acabou por finalizar a obra, porventura, no m\u00e1ximo, no ano de 1433, ano de entroniza\u00e7\u00e3o do segundo monarca da dinastia avisina, D. Duarte, n\u00e3o havendo entre os investigadores consenso nesta data, obra que viria a intitular-se <em>Da Vertuosa Benfeytoria<\/em>. Frei Jo\u00e3o Verba, Bacharel em Teologia, era de tal forma primordial na vida de D. Pedro que, por expresso pedido do duque de Coimbra, o Papa Martinho V passou uma Bula, datada de 18 de fevereiro de 1423, a nomear o frade dominicano, ent\u00e3o professo do Mosteiro de S\u00e3o Domingos de Lisboa, pelo menos desde 1412, como Prior do Mosteiro de S\u00e3o Jorge, em Coimbra. De real\u00e7ar que a Bula de Martinho V a nomear Frei Jo\u00e3o Verba como Prior do Mosteiro de S\u00e3o Jorge de Coimbra antecede apenas num dia o Breve que Frei Lu\u00eds de Sousa refere como a autoriza\u00e7\u00e3o papal para a funda\u00e7\u00e3o do Mosteiro de Nossa Senhora da Miseric\u00f3rdia de Aveiro<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>. Esta situa\u00e7\u00e3o comprova a enorme proximidade entre D. Pedro e os frades da Ordem de S\u00e3o Domingos e a vontade em ter nas suas terras, como por exemplo em Aveiro, aqueles que considerava de mais elevada cultura e da sua estrita confian\u00e7a. Frei Jo\u00e3o Verba ter\u00e1 falecido no ano de 1435.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A import\u00e2ncia da obra <em>Da Vertuosa Benfeytoria<\/em> assenta na modernista ideia de um novo padr\u00e3o sociocultural e, principalmente, na nova conce\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que o Infante D. Pedro germinara, fruto do contacto com sociedades, culturas e conhecimentos diversos e durante as suas viagens, numa clara oposi\u00e7\u00e3o ao tradicionalismo portugu\u00eas. Defendeu a centraliza\u00e7\u00e3o do poder real e a aceita\u00e7\u00e3o do Direito Natural dos monarcas, teoria em voga e muito praticada durante o s\u00e9culo XV europeu, e tamb\u00e9m na cent\u00faria seguinte, levando o seu potencial ao absolutismo seiscentista, a qual preconizava a submiss\u00e3o dos s\u00fabditos ao poder do rei, poder este que era recebido por via divina. Nesta vasta obra de seis volumes \u201c\u2026 encontramos as linhas fundamentais desta conce\u00e7\u00e3o do rei como investido do poder soberano no reino ou na\u00e7\u00e3o, conceito este, ali\u00e1s, perfeitamente assimilado no Portugal que D. Jo\u00e3o I, o fundador da nova dinastia, conheceu e que tem express\u00e3o significativa na pena de D. Pedro\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>. Nos seis livros que comp\u00f5em a obra tamb\u00e9m h\u00e1 um conjunto de escritos dedicados a um novo comportamento do rei, ou pr\u00edncipe, perante a sociedade e todos os seus s\u00fabditos. Na realiza\u00e7\u00e3o desta obra ter\u00e1 tido, igualmente, influ\u00eancia outra obra cl\u00e1ssica, <em>De Officis<\/em>, da autoria de C\u00edcero. D. Pedro ter\u00e1 conhecido esta obra cl\u00e1ssica, eventualmente, em Floren\u00e7a, cidade j\u00e1 bastante classicista e humanista, aquando da sua longa viagem<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>. Todavia, o irm\u00e3o de D. Pedro, o rei D. Duarte, pai do futuro monarca D. Afonso V, o qual ficaria cognominado como <em>O Africano<\/em> devido \u00e0 sua aposta pol\u00edtica de conquistas de pra\u00e7as mu\u00e7ulmanas no norte de \u00c1frica, tinha iniciado a escrita d\u2019 <em>O<\/em> <em>Livro da ensinan\u00e7a de bem cavalgar toda a sela<\/em> e ainda uma outra obra intitulada <em>Leal Conselheiro<\/em>. A primeira \u00e9 uma obra incompleta devido \u00e0 morte prematura de Duarte em 1438 e a segunda \u00e9 uma obra de \u00e9tica e moral dedicada aos membros da corte que defende uma nova forma de estar coligida e conclu\u00edda em 1438. Ter\u00e1 sido escrita devido a um pedido da rainha D. Leonor de Arag\u00e3o e trata-se de uma compila\u00e7\u00e3o de diversos apontamentos escritos ao longo de v\u00e1rios anos. Nos cento e tr\u00eas cap\u00edtulos da obra existe uma carta que D. Duarte ter\u00e1 escrito, em 1425, ao seu irm\u00e3o, o infante D. Pedro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ambas as obras abordam uma nova postura cultural, de conhecimento, de \u00e9tica e de moral n\u00e3o s\u00f3 dos monarcas e infantes, mas tamb\u00e9m dos elementos da corte, ou seja, das elites. Para al\u00e9m daquelas asser\u00e7\u00f5es \u201cum trecho do <em>Leal Conselheiro <\/em>de D. Duarte serviu para um elogio descritivo dos infantes, que tamb\u00e9m faz refer\u00eancia a uma carta de Petrarca\u201d<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>, um dos principais fundadores do humanismo renascentista e verdadeiro \u201cculpado\u201d pelo ideal de beleza feminino do renascimento, bem patente na pintura \u201cNascimento de V\u00e9nus\u201d das m\u00e3os de Sandro Botticelli. Estas obras eduardinas de clara express\u00e3o moderna v\u00e3o, assim, permitir que D. Duarte j\u00e1 se situe \u201c\u2026 num dos degraus dessa escalada que vai conduzir \u00e0 eclos\u00e3o do Homem e dos Tempos Modernos\u201d<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltando \u00e0 obra <em>Da Vertuosa Benfeytoria<\/em>, poderemos, assim, ousar afirmar que esta obra petrina est\u00e1 para os futuros monarcas portugueses, mormente para D. Afonso V, como a obra <em>O Pr\u00edncipe<\/em>, do florentino Nicolau Maquiavel, est\u00e1 para Louren\u00e7o II de M\u00e9dicis, Duque de Urbino, escrita em 1513 e publicada pela primeira vez apenas em 1532, com a singularidade da obra de D. Pedro ter antecedido a reda\u00e7\u00e3o italiana em cerca de oitenta anos, demonstrando a sua vis\u00e3o vanguarda para a sua \u00e9poca. A marca desta obra ficou bem patente nas <em>Ordena\u00e7\u00f5es Afonsinas<\/em>, \u201c\u2026 compila\u00e7\u00e3o conclu\u00edda em 1446, ainda durante a reg\u00eancia petrina e por mandato de D. Pedro, se bem que acrescentada, posteriormente, por alguns diplomas reais de 1450 a 1454\u201d<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>. Por outro lado, a obra petrina demonstra, igualmente, o impulsionamento da l\u00edngua portuguesa por se tratar de uma obra em prosa escrita em portugu\u00eas e ainda devido aos novos voc\u00e1bulos criados a partir da etimologia original greco-latina, com destaque particular para a reda\u00e7\u00e3o, pela primeira vez na nossa l\u00edngua materna, da bel\u00edssima palavra poesia<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1426, D. Pedro j\u00e1 tinha enviado uma extensa missiva a seu irm\u00e3o D. Duarte (apesar do governo ter estado na m\u00e3o do rei D. Jo\u00e3o I at\u00e9 1433, ano da sua morte, o pr\u00edncipe herdeiro j\u00e1 participava do governo da na\u00e7\u00e3o) que ficou conhecida como <em>Carta de Bruges<\/em>, por ter sido manuscrita nesta cidade durante o seu p\u00e9riplo europeu. \u00a0Esta carta acabou por se revestir de capital import\u00e2ncia por expressar o pensamento de D. Pedro sobre a governa\u00e7\u00e3o, a justi\u00e7a social, a igualdade, a exig\u00eancia e o rigor de conhecimentos por parte daqueles que exercem cargos importantes, demonstrando, ent\u00e3o, a sua vis\u00e3o moderna e de clara integra\u00e7\u00e3o na mentalidade renascentista<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a>. Nesta carta, entre outros assuntos, aconselha o irm\u00e3o a reformar a Universidade, a criar col\u00e9gios, a formar um clero com conhecimentos mais profundos e mais adequados a esta nova \u00e9poca, e defende que a fam\u00edlia real, os pr\u00edncipes e todos os fidalgos deveriam ter menos pessoas ao seu servi\u00e7o, diminuindo as despesas de Estado, mas serem bem mais esclarecidas sobre governa\u00e7\u00e3o e cultura moderna<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a>. Esta obra de grande profundidade expressa j\u00e1 um novo pensamento ligado \u00e0 mentalidade fini-medieva de transi\u00e7\u00e3o para a humanista, conseguindo ligar as ideias de grandes te\u00f3logos, como S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino ou Santo Agostinho, com o pensamento cl\u00e1ssico de Plat\u00e3o, Arist\u00f3teles, C\u00edcero e S\u00e9neca, este \u00faltimo, principalmente, bem patente na outra obra supra referida, o que demonstrou o seu neoplatonismo<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>, pensamento que ganhou grande for\u00e7a nas cent\u00farias de quinhentos e seiscentos no classicismo da avan\u00e7ada Europa do Renascimento. Por outro lado, os escritos de D. Pedro s\u00e3o deveras importantes \u201c\u2026 para se compreender o valor permanente do seu pensamento portugu\u00eas e o alto significado que a sua cria\u00e7\u00e3o teve no momento hist\u00f3rico em que foi realizada\u2026<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>\u201d, contudo, em plena primeira metade do s\u00e9culo XV, as suas ideias parecem j\u00e1 plasmar o que Nair Nazar\u00e9 Soares afirma para a cent\u00faria quinhentista da literatura portuguesa: \u201cconhecida \u00e9 a atitude do pensamento portugu\u00eas no s\u00e9culo XVI, a n\u00edvel filos\u00f3fico e doutrin\u00e1rio, que privilegia o sentido valorativo da exist\u00eancia e se compraz no observar do acto humano, sua an\u00e1lise e compreens\u00e3o\u201d<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De facto, a educa\u00e7\u00e3o que os filhos do casal real, D. Jo\u00e3o I e Filipa de Lencastre, a <em>\u00cdnclita Gera\u00e7\u00e3o<\/em>, receberam ter\u00e1 sido profundamente esmerada e de acordo com preceitos \u00e0 imagem da modernidade europeia, bem espelhado no elevado grau cultural como acima ficou demonstrado e, portanto, \u201cos filhos de D. Jo\u00e3o I tiveram tamb\u00e9m o seu papel na instru\u00e7\u00e3o p\u00fablica e leiga\u201d<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a>. Esta pedagogia foi igualmente transmitida na forma\u00e7\u00e3o dos seus descendentes e foi tamb\u00e9m aquela que o duque D. Pedro ministrou ao seu sobrinho, o futuro D. Afonso V, pois a forma\u00e7\u00e3o do jovem rei foi entregue ao seu tio atrav\u00e9s de decis\u00e3o das Cortes de Torres Novas, em 1438, e confirmada no mesmo conselho de Lisboa, em 1439. A educa\u00e7\u00e3o do futuro rei, da responsabilidade de D. Pedro, foi regida &#8220;\u2026por conceituados mestres estrangeiros, e para a escolha destes ter\u00e1 usado como crit\u00e9rio a preocupa\u00e7\u00e3o de abertura que manifestavam os ideais humanistas&#8221;<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a>. Explica-se, assim, facilmente a escolha de v\u00e1rios pedagogos, tutores e\/ou precetores da confian\u00e7a do infante, por um lado, e, por outro, que comungassem dos novos ventos da mentalidade moderna, entre os quais: o aio D. \u00c1lvaro Gon\u00e7alves de Ata\u00edde, o confessor Frei Gil Lobo de Tavira, frade franciscano, o cardeal D. Jorge da Costa, o frade da Congrega\u00e7\u00e3o dos L\u00f3ios<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a>, Jo\u00e3o Rodrigues, o pedagogo Est\u00eav\u00e3o de N\u00e1poles e, porventura o mais destacado de todos, Mateus Pisano principal precetor do futuro monarca<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a>. Desta cuidada forma\u00e7\u00e3o nascer\u00e1, ent\u00e3o, um rei com \u201c\u2026 um esp\u00edrito culto que dominava muito bem os princ\u00edpios eruditos que se poderiam esperar de um pr\u00edncipe do primeiro Renascimento europeu quatrocentista\u201d<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a>.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right; padding-left: 160px;\">Imagem: Nossa Senhora com o Menino, s\u00e9c. XV em alabastro de Nottingham, eventualmente oferecida por D. Pedro ao Mosteiro de Nossa Senhora da Miseric\u00f3rdia de Aveiro. Encontra-se no interior do templo catedral\u00edcio, nas paredes originais, do lado do Evangelho (lado esquerdo de quem est\u00e1 virado para o altar-mor.<\/h6>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Douglas Mota Xavier Lima apresenta v\u00e1rias hip\u00f3teses na sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, <em>O Infante D. Pedro e as alian\u00e7as externas de Portugal (1425-1449)<\/em>.\u00a0 Para al\u00e9m destas hip\u00f3teses analisa em pormenor toda a viagem do Infante D. Pedro. Consultar estes aspetos em LIMA, Douglas Mota Xavier \u2013 <em>O Infante D. Pedro e as alian\u00e7as externas de Portugal (1425-1449)<\/em>. Disserta\u00e7\u00e3o de mestrado em Hist\u00f3ria apresentado no Departamento de Hist\u00f3ria do Instituto de Ci\u00eancias Humanas e Filosofia da Universidade Federal Fluminense. Niter\u00f3i: S\/E; 2012, pp. 120-196. Retirado de http:\/\/www.historia.uff.br\/stricto\/td\/1590.pdf.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Treviso \u00e9 uma cidade italiana situada no nordeste de It\u00e1lia junto ao Mar Adri\u00e1tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> MARTINS, Oliveira \u2013 <em>Os filhos de D. Jo\u00e3o I<\/em>. Lisboa: Editora Ulisseia; 1998, p. 116.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> MARTINS, Oliveira \u2013 <em>Os filhos de D. Jo\u00e3o I<\/em>\u2026 pp. 116-117.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> DIAS, Pedro \u2013 &#8220;Escultores e pintores que trabalharam para o Infante D. Pedro, Duque de Coimbra\u201d. in<em> Biblos<\/em>, vol. LXIX. Coimbra: Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra; 1993, pp. 491-492 e FERREIRA, Maria Em\u00edlia Cordeiro \u2013 &#8220;Pedro, Infante D&#8221;, em <em>Dicion\u00e1rio de Hist\u00f3ria de Portugal<\/em>. Vol. V. Dire\u00e7\u00e3o de Joel Serr\u00e3o. Porto: Livraria Figueirinhas; 1985, pp. 29-30. Ambos os autores defendem que a viagem do Infante durou apenas tr\u00eas anos (provavelmente o primeiro autor apoiou-se no segundo), ideia partilhada por Sa\u00fal Ant\u00f3nio Gomes (citado mais adiante). Todavia, Oliveira Martins em <em>Os filhos de D. Jo\u00e3o I<\/em> (pp. 90-117) descreve as suas viagens, estendendo-as por um per\u00edodo de dez anos. Cremos que os tr\u00eas primeiros autores estar\u00e3o corretos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> PINA, Ruy \u2013 <em>Chronica do senhor Rey D. Affonso V<\/em>. Lisboa: Academia Real das Sciencias; 1901, p. 434.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> GOMES, Saul Ant\u00f3nio \u2013 <em>Reis de Portugal. D. Afonso V<\/em>. Dire\u00e7\u00e3o de Roberto Carneiro. Coordena\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de Artur Teodoro de Matos e Jo\u00e3o Paulo Oliveira e Costa. Mem Martins: C\u00edrculo de Leitores e Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Express\u00e3o Portuguesa; 2006, p. 58.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> SOUSA, Frei Lu\u00eds de \u2013 <em>Hist\u00f3ria de S\u00e3o Domingos<\/em>. Porto: Lello &amp; Irm\u00e3o. 1977, p. 928. Sobre esta quest\u00e3o da data da autoriza\u00e7\u00e3o de Martinho V consultar LEANDRO, Ant\u00f3nio Cruz \u2013 \u201cO Mosteiro de Nossa Senhora da Miseric\u00f3rdia\u201d em <em>Mem\u00f3rias gr\u00e1ficas dos antigos conventos e mosteiros de Aveiro<\/em>. Dire\u00e7\u00e3o de Francisco Messias Trindade Ferreira e Porf\u00edrio Ant\u00f3nio Correia. Aveiro: Edi\u00e7\u00e3o do Arquivo Distrital; 2017, p. 52.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> GOMES, Saul Ant\u00f3nio \u2013 <em>Reis de Portugal. D. Afonso V<\/em>\u2026 p. 35.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Confirmar esta ideia em BUESCU, Maria Leonor Carvalh\u00e3o \u2013 <em>Aspectos da heran\u00e7a cl\u00e1ssica na cultura portuguesa<\/em>. Lisboa: Instituto de Cultura e L\u00edngua Portuguesa \/ Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o; 1992. 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o, p. 23.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> AMADO, Teresa \u2013 \u201cCr\u00f3nica de D. Jo\u00e3o I\u201d. em <em>Hist\u00f3ria e antologia da literatura portuguesa. S\u00e9culo XV<\/em>. Coordena\u00e7\u00e3o de Isabel Allegro Magalh\u00e3es e Cristina Monteiro. Lisboa: Edi\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian; 1998, pp. 77-78.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> BUESCU, Maria Leonor Carvalh\u00e3o \u2013 <em>Aspectos da heran\u00e7a cl\u00e1ssica na cultura portuguesa<\/em>\u2026 p. 22.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> GOMES, Saul Ant\u00f3nio \u2013 <em>Reis de Portugal. D. Afonso V<\/em>\u2026 p. 37.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Sobre este assunto consultar ERMIT\u00c3O, Jos\u00e9 N. R. \u2013 <em>O Infante D. Pedro das Sete partidas<\/em>. Compulsado em http:\/\/cfidp.esgc.pt\/file.php\/1\/Microsoft_Word_-_INFANTE_D_PEDRO.pdf, p. 2.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Sobre este assunto consultar SHIBATA, Ricardo Hiroyuki \u2013 \u201cA Carta de Bruges e a tradi\u00e7\u00e3o do conselho aos reis\u201d, em <em>S\u00ednteses \u2013 Revista dos Cursos de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00f5es<\/em>, vol. XI Campinas: Edi\u00e7\u00e3o da Universidade de Campinas; 2006, pp. 491-500. Compulsado em http:\/\/revistas.iel.unicamp.br\/index.php\/sinteses\/article\/viewFile\/179\/152.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> SHIBATA, Ricardo Hiroyuki \u2013 \u201cA Carta de Bruges e a tradi\u00e7\u00e3o do conselho aos reis\u201d\u2026 pp. 492-495.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> CALAFATE, Pedro \u2013 <em>O Infante D. Pedro<\/em>. Compulsado em http:\/\/cvc.instituto-camoes.pt\/filosofia\/m7.html.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> OS\u00d3RIO, Jo\u00e3o de Castro \u2013 <em>Idearium. Antologia do pensamento portugu\u00eas \u2013 \u00cdnclita Gera\u00e7\u00e3o. Dom Duarte. Dom Pedro<\/em>. Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es SNI; 1945, p. 39.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> SOARES, Nair de Nazar\u00e9 Castro \u2013 \u201cMito, imagens e motivos cl\u00e1ssicos na poesia tr\u00e1gica renascentista em Portugal\u201d. em <em>A mitologia cl\u00e1ssica e a sua recep\u00e7\u00e3o na literatura portuguesa. Actas do Symposivm Classicvm I Bracarense<\/em>. Coordena\u00e7\u00e3o de Ant\u00f3nio Maria Martins Melo. Braga: Centro de Estudos Cl\u00e1ssicos da Faculdade de Filosofia de Braga da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa; 2000, p. 71.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> BUESCU, Maria Leonor Carvalh\u00e3o \u2013 <em>Aspectos da heran\u00e7a cl\u00e1ssica na cultura portuguesa<\/em>\u2026 p. 16.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> MACEDO, Francisco Pato De \u2013 &#8220;O Infante D. Pedro. Patrono e Mecenas&#8221;. in <em>Biblos, <\/em>Vol. LXIX. Coimbra: F.L.U.C.; 1993, p. 460.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> Os frades l\u00f3ios eram conhecidos como Congrega\u00e7\u00e3o dos L\u00f3ios por terem recebido a Igreja de Santo El\u00f3i em Lisboa. Tamb\u00e9m eram conhecidos como C\u00f3negos Azuis ou C\u00f3negos de S\u00e3o Salvador de Vilar devido ao nome da casa-m\u00e3e mon\u00e1stica da ordem se situar em Vilar de Frades. O nome oficial era Congrega\u00e7\u00e3o dos C\u00f3negos Seculares de S\u00e3o Jo\u00e3o Evangelista e as suas principais fun\u00e7\u00f5es ligavam-se \u00e0 assist\u00eancia e administra\u00e7\u00e3o hospitalar, tendo sido fundados cerca de 1420 em pleno reinado de D. Jo\u00e3o I.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> FERREIRA, Maria Em\u00edlia Cordeiro \u2013 &#8220;Pedro, Infante D&#8221;\u2026 p. 29. Sobre a educa\u00e7\u00e3o de Afonso V consultar GOMES, Saul Ant\u00f3nio \u2013 <em>Reis de Portugal. D. Afonso V<\/em>\u2026 pp. 56-59.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> GOMES, Saul Ant\u00f3nio \u2013 <em>Reis de Portugal. D. Afonso V<\/em>\u2026 p. 59.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"padding-left: 240px; text-align: justify;\">*Licenciado em Hist\u00f3ria de Arte pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra: Mestre em Patrim\u00f3nio e Turismo pela Universidade do Minho; Professor; Formador de professores na \u00e1rea da Hist\u00f3ria de Arte; Investigador de hist\u00f3ria e patrim\u00f3nio local, nomeadamente de Arte Sacra, escrevendo assiduamente artigos para diversas publica\u00e7\u00f5es, como as revistas Terras de Antu\u00e3, Albergue e Cucujanis.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um olhar sobre<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17297,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[200,201,199],"tags":[],"class_list":["post-17296","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-antonio-leandro","category-jubileu-da-catedral","category-um-olhar-sobre-o-patrimonio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17296","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17296"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17296\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17549,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17296\/revisions\/17549"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17297"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17296"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17296"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17296"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}