{"id":17210,"date":"2024-02-06T08:54:08","date_gmt":"2024-02-06T08:54:08","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=17210"},"modified":"2024-02-06T08:56:24","modified_gmt":"2024-02-06T08:56:24","slug":"ilda-da-fontoura-pires-meditar-porque-e-para-que","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/ilda-da-fontoura-pires-meditar-porque-e-para-que\/","title":{"rendered":"Ilda da Fontoura Pires | MEDITAR porqu\u00ea e para qu\u00ea?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Ilda da Fontoura Pires<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uns poucos anos viajei para o Tibete. Um dos meus objectivos era conhecer mais de perto o Budismo Tibetano nas suas diversas manifesta\u00e7\u00f5es. Visit\u00e1mos v\u00e1rios mosteiros todos na montanha, n\u00e3o fosse o Tibete uma imensa montanha. Tudo acontece para cima dos 3 mil metros onde fica Lassa e o Potala. Observei e tentei entrar por dentro de tudo o que presenciava. Todos os mosteiros abrem com uma grande sala, a sala de medita\u00e7\u00e3o, onde os monges meditam em conjunto, ou recitando mantras, \u00e0s vezes acompanhados com instrumentos musicais, ou em sil\u00eancio. Os monges tibetanos s\u00e3o verdadeiros profissionais da medita\u00e7\u00e3o. Meditam durante horas e horas e nem para tomar um ch\u00e1 ou comer uma tigela de sopa interrompem a \u00a0medita\u00e7\u00e3o. Outros tratam de lhes fazer chegar o alimento. De facto a fun\u00e7\u00e3o destes monges \u00e9 meditar. Nalguns mosteiros, a par da medita\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m se dedicam aos estudos filos\u00f3ficos, \u00e0 escrita e investiga\u00e7\u00e3o. Para al\u00e9m da medita\u00e7\u00e3o em grupo \u00e9 frequente encontramos, num qualquer cantinho dum mosteiro, por exemplo no Potala, monges solit\u00e1rios em total quietude e sil\u00eancio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A par da medita\u00e7\u00e3o, e \u00e0 volta da sala da mesma, muitas outras coisas acontecem. \u00c9 a religiosidade popular, tal como a conhecemos no ocidente, nas suas mais exuberantes manifesta\u00e7\u00f5es: pr\u00e1ticas sacrificiais tais como arrastar-se por um longo percurso, prostra\u00e7\u00f5es oferta de bandeiras, de cachec\u00f3is coloridos, cera, dinheiro e tantas outras coisas. Os monges permanecem alheios a todo este bul\u00edcio que acontece \u00e0 sua volta. Meditam simplesmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi o contacto com estes mosteiros que despertou no Ocidente o gosto pela medita\u00e7\u00e3o, como resposta \u00e0 necessidade de diminuir o ritmo acelerado em que se vive nesta parte do mundo. Aos poucos, pequenos grupos de medita\u00e7\u00e3o foram aparecendo, reunindo-se regularmente, geralmente sob a orienta\u00e7\u00e3o dum Mestre. A grande maioria s\u00e3o de inspira\u00e7\u00e3o budista, mas tamb\u00e9m os h\u00e1 de inspira\u00e7\u00e3o hindu\u00edsta. Hoje proliferam sobretudo nas cidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, nos mosteiros de inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3 foi-se tomando consci\u00eancia de que era importante ir mais al\u00e9m das ora\u00e7\u00f5es, das rezas e dos of\u00edcios. Era preciso, para al\u00e9m destas, cultivar a ora\u00e7\u00e3o silenciosa, a medita\u00e7\u00e3o, j\u00e1 n\u00e3o como exerc\u00edcio da raz\u00e3o, do pensamento como era tradi\u00e7\u00e3o, mas como experi\u00eancia de quietude e de sil\u00eancio. A partir desta tomada de consci\u00eancia, alguns monges \u00a0investigaram\u00a0 os in\u00edcios do Cristianismo, verificando que tamb\u00e9m nesses tempos primordiais tinha havido correntes de medita\u00e7\u00e3o e meditantes. Investigaram-se os Padres e Madres do deserto e seus ensinamentos sobre o assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John Main, monge beneditino, cria a Medita\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 e deixa-nos largas instru\u00e7\u00f5es sobre a mesma. \u201cMeditar, diz John Main, \u00e9 um caminho para chegarmos ao nosso pr\u00f3prio centro, ao mais fundo do nosso ser e a\u00ed permanecermos \u2013 parados, silenciosos, atentos\u201d \u00a0(John Main, em <em>Sil\u00eancio e quietude em todos os momentos, <\/em>p.14); e mais adiante referindo-se especificamente \u00e0 Medita\u00e7\u00e3o Crist\u00e3, diz: \u201cO objectivo mais importante da medita\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 permitir que a presen\u00e7a misteriosa e silenciosa de Deus, que est\u00e1 dentro de n\u00f3s, se torne cada vez mais, n\u00e3o apenas uma realidade, mas <em>a<\/em> realidade das nossas vidas; para que se torne essa realidade que d\u00e1 sentido, forma e prop\u00f3sito a tudo o que fazemos, a tudo o que somos\u201d (ibidem). Jean-Yves Leloup tendo passado por v\u00e1rias experi\u00eancias espirituais, entre as quais a viv\u00eancia entre os monges gregos do Monte Atos e pelo Budismo, funda, no sul de Fran\u00e7a um Mosteiro ortodoxo onde a medita\u00e7\u00e3o \u00e9 pr\u00e1tica fundamental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pablo d`Ors, um sacerdote galego, depois de, tamb\u00e9m ele, ter passado por v\u00e1rias experi\u00eancias de medita\u00e7\u00e3o cria o seu pr\u00f3prio m\u00e9todo meditativo e d\u00e1 corpo a um grupo \u201cOs Amigos do Deserto\u201d hoje espalhado por v\u00e1rias cidades espanholas e n\u00e3o s\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por influ\u00eancia de Pablo d\u2019Ors, que esteve v\u00e1rias vezes em Portugal, passando algumas dessas vezes por Aveiro, nasceu, na Par\u00f3quia da Vera Cruz, um grupo de Medita\u00e7\u00e3o Crist\u00e3. Como qualquer outro grupo, este teve um in\u00edcio t\u00edmido, mas foi-se afirmando e ganhando consist\u00eancia. Neste momento, o grupo re\u00fane todas as semanas \u00e0s segundas, 19.30 horas. Meditamos durante 20 minutos com esse ensejo de, na quietude e no sil\u00eancio, descermos at\u00e9 ao mais profundo de n\u00f3s mesmo e a\u00ed nos encontrarmos connosco e com o nosso Deus. Se ao princ\u00edpio parece dif\u00edcil, com a continua\u00e7\u00e3o, a medita\u00e7\u00e3o torna-se uma necessidade di\u00e1ria da qual j\u00e1 n\u00e3o abdicamos. No sil\u00eancio interior que vamos conseguindo acontece a abertura e encontro connosco pr\u00f3prios. Acontece a abertura aos outros. Acontece o encontro com o Deus que nos habita e nos ama. Acontece o abandono a Deus e \u00e0 sua vontade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E os frutos, poder\u00e1 algu\u00e9m perguntar? Bom, n\u00e3o meditamos com o objectivo de alcan\u00e7ar frutos, mas eles v\u00e3o aparecendo no quotidiano da nossa exist\u00eancia numa maior paz interior e serenidade, numa maior capacidade de discernimento e numa maior presen\u00e7a consciente nos afazeres do dia-a-dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00a0grupo, que conta hoje com cerca de 15 pessoas, \u00e9 um grupo aberto onde qualquer pessoa pode aparecer, se assim o entender, ainda que seja s\u00f3 para \u201cver\u201d e experimentar, sem qualquer esp\u00e9cie de compromisso.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/brenkee-2021352\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1350599\">Benjamin Balazs<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1350599\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ilda da Fontoura<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17211,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[207,14],"tags":[],"class_list":["post-17210","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ilda-da-fontoura-pires","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17210","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17210"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17210\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17212,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17210\/revisions\/17212"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17211"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17210"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17210"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17210"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}