{"id":17202,"date":"2024-02-01T14:10:13","date_gmt":"2024-02-01T14:10:13","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=17202"},"modified":"2024-02-01T14:10:13","modified_gmt":"2024-02-01T14:10:13","slug":"modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao-p-pautado-pautado-pelo-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao-p-pautado-pautado-pelo-amor\/","title":{"rendered":"Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o | &#8220;P&#8221;&#8230; [&#8220;Pautado&#8230;&#8221;] &#8211; Pautado pelo Amor"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><strong><em>Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o\u00a0<\/em><\/strong><\/h5>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: right;\"><em>&#8220;P&#8221;&#8230; [&#8220;Pautado&#8230;&#8221;]<\/em><\/h2>\n<hr \/>\n<h1 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: center;\">Pautado pelo Amor<\/h1>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Miguel Oliveira Pan\u00e3o*<\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 um somente um sentimento? Poder\u00e1 ser uma decis\u00e3o? <em>Amor<\/em> \u00e9 uma palavra que possui tantos contornos e pontos de vista quantas as pessoas que existiram \u00e0 face da Terra, existem ainda e existir\u00e3o. O <em>amor<\/em> \u00e9 uma fonte inesgot\u00e1vel de inspira\u00e7\u00e3o, mas reconhe\u00e7o ser, tamb\u00e9m, uma fonte de tens\u00e3o. Por\u00e9m, uma tens\u00e3o criativa quando vivida na reciprocidade. E se desde o nascer ao p\u00f4r-do-sol da nossa vida, as nossas hist\u00f3rias fossem pautadas pelo <em>amor<\/em>?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <em>amor<\/em> \u00e9 indefin\u00edvel, mas se n\u00e3o formos claros sobre o que o <em>amor<\/em> significa para n\u00f3s, ser\u00e1 dif\u00edcil entender o que se quer dizer com pautar a vida pelo <em>amor<\/em>. Assim, considera a seguinte possibilidade: <em>o amor \u00e9 ser dom-de-si-mesmo<\/em>. Imagina aqueles amigos capazes de fazer coisas por ti sem esperar nada em troca. Tu sabes que nada tens para dar em troca sen\u00e3o am\u00e1-los, mesmo se eles n\u00e3o esperam que os ames. Esses amigos s\u00e3o dom-de-si-mesmos e impulsionam-te a seres dom-de-ti-mesmo. Neste sentido, um acto de doa\u00e7\u00e3o do nosso tempo, intelig\u00eancia, arte, torna-se num acto de amor. O <em>amor<\/em> como dom impele-nos a um movimento que parte da nossa interioridade e se dirige a algo concreto exterior a n\u00f3s. \u00c9 como se sa\u00edsse de n\u00f3s ao encontro da interioridade do outro ou de algo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem actos de paix\u00e3o e sensualidade que vemos nos filmes que podem ser inspirados na vida real, mas n\u00e3o s\u00e3o aut\u00eanticos actos de amor pela sua efemeridade e transitoriedade. Pois, aos actos de amor associa-se habitualmente um car\u00e1cter perene e transformativo. Por outro lado, existem actos mais simples entre dois namorados que se olham, tocam, trocam sorrisos, que demonstram menos efusividade do que vemos nos filmes, mas n\u00e3o menos paix\u00e3o. Por\u00e9m, ser\u00e3o esses actos de amor? Recordo quando namorava e estava para casar. No dia 14 de fevereiro, dia dos namorados, a minha namorada (hoje esposa) apanhou uma gastroenterite e precisou de ir para o hospital. Havia um ensaio importante do coro do nosso casamento nesse dia, sendo necess\u00e1rio acompanhar esse ensaio, mas a minha escolha era \u00f3bvia. S\u00f3 podia ser dom-de-mim-mesmo se estivesse junto da minha namorada e sofrer com ela num corredor do hospital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A emerg\u00eancia da gratifica\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea atrav\u00e9s das redes sociais tem pautado mais a nossa vida pela emo\u00e7\u00e3o do que pelo <em>amor<\/em>, confundindo os <em>likes<\/em> (gostos) como actos de amor dos outros em rela\u00e7\u00e3o a n\u00f3s, quando n\u00e3o o s\u00e3o necessariamente. Recordo de ver os <em>likes<\/em> \u00e0 partilha dos textos que escrevia e quando confrontava algu\u00e9m com o seu <em>like<\/em> para perceber melhor o que tinha \u201cgostado\u201d, fiquei in\u00fameras vezes a saber que n\u00e3o o tinha lido. O <em>like<\/em> (gosto) teria sido fruto de uma reac\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de um gesto de retorno desinteressado e por <em>amor<\/em>. Depois dessa experi\u00eancia, al\u00e9m de deixar as redes sociais, de cada vez que gostava de um texto de algu\u00e9m, fazia quest\u00e3o de lhe enviar uma mensagem pessoal como agradecimento pelo seu pensamento ter sido um acto de amor que me tocou interiormente. As suas palavras tinham pautado a minha vida de <em>amor<\/em> e, na reciprocidade, um retorno seria a minha resposta a pautar tamb\u00e9m a sua vida de <em>amor<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos maiores perigos a deixarmos que a nossa vida seja pautada pelo amor parece-me ser o tempo cada vez menor que dedicamos a pensar nos nossos actos. A raz\u00e3o de pensarmos pouco naquilo que fazemos pode ser por termos tantas coisas para fazer, que vivemos a apagar fogos exteriores, em vez de acedermos fogos interiores com gestos de amor. Por vezes esquecemos o quanto pensar \u00e9 realmente um acto de amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensar \u00e9 deixar que o sentido e significado das coisas encontre eco dentro de n\u00f3s. Pode ter l\u00f3gica ou n\u00e3o ter. Pode at\u00e9 acontecer ter l\u00f3gica \u201ce\u201d n\u00e3o ter. Isso \u00e9 um resultado directo de pensar como acto de amor porque o amor \u00e9 na sua ess\u00eancia paradoxal. Viver o paradoxo pode ser como um <em>qubit<\/em> que \u00e9 1 e 0 ao mesmo tempo na vis\u00e3o qu\u00e2ntica da realidade. Somos zero, 0, para criarmos espa\u00e7o \u00e0 realidade de poss\u00edvel convers\u00e3o. Somos um, 1, quando levados a descobrir o que une os opostos, expandindo os nossos n\u00edveis de interpreta\u00e7\u00e3o da realidade a outros que promovem a unidade do conhecimento. Ainda, quando \u00e9 zero, faz do desligar um tempo de pausa que muitas vezes precisamos para deixar assentar a poeira levantada por tudo aquilo que gera disson\u00e2ncia e nos impede de ser pautados pela melodia que o <em>amor<\/em> sugere. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, quem se deixar pautar pelo <em>amor<\/em> permite a Algu\u00e9m em quem podemos assentar a nossa exist\u00eancia, e que se chama Amor, a possibilidade de fazer-nos tomar consci\u00eancia de sermos parte de uma grande narrativa universal, onde a parte encontra o seu lugar no todo e todo encontra a sua riqueza na parte.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>*Miguel Oliveira Pan\u00e3o<\/em> \u00e9 autor de &#8220;<a href=\"https:\/\/cordeldeprata.pt\/produto\/tempo-3-0-uma-visao-revolucionaria-da-experiencia-mais-transformativa-do-mundo\/\">Tempo 3.0 &#8211; Uma vis\u00e3o revolucion\u00e1ria da experi\u00eancia mais transformativa do mundo<\/a>&#8221; (<a href=\"https:\/\/www.bertrand.pt\/livro\/tempo-3-0-uma-visao-revolucionaria-da-experiencia-mais-transformativa-do-mundo-miguel-oliveira-panao\/29562630\">Bertrand<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.wook.pt\/livro\/tempo-3-0-uma-visao-revolucionaria-da-experiencia-mais-transformativa-do-mundo-miguel-oliveira-panao\/29562630\">Wook<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.fnac.pt\/Tempo-3-0-Uma-Visao-Revolucionaria-da-Experiencia-Mais-Transformativa-do-Mundo-Miguel-Panao\/a11534362\">FNAC<\/a>) e para acompanhar o que escreve pode subscrever \u00e0 sua Newsletter <em>Escritos<\/em> em <\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">https:\/\/pixabay.com\/pt\/photos\/polegares-para-cima-positivo-gesto-4589867\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modos de intera\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17203,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[196,57,62],"tags":[],"class_list":["post-17202","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-p-pautado","category-miguel-oliveira-panao","category-modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17202","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17202"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17202\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17405,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17202\/revisions\/17405"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17203"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17202"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17202"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17202"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}