{"id":17070,"date":"2024-02-11T07:00:54","date_gmt":"2024-02-11T07:00:54","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=17070"},"modified":"2024-02-12T10:57:27","modified_gmt":"2024-02-12T10:57:27","slug":"aveirenses-no-episcopado-i-d-frei-lourenco-de-santa-maria-e-melo-nascido-em-s-pedro-de-avelas-de-cima-anadia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/aveirenses-no-episcopado-i-d-frei-lourenco-de-santa-maria-e-melo-nascido-em-s-pedro-de-avelas-de-cima-anadia\/","title":{"rendered":"Aveirenses no Episcopado | 1 | D. frei Louren\u00e7o de Santa Maria e Melo &#8211; nascido em S. Pedro de Avel\u00e3s de Cima [Anadia]"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right;\">Aveirenses no Episcopado<\/h4>\n<h6 style=\"text-align: right; padding-left: 200px;\">Rubrica dedicada \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria de bispos nascidos no territ\u00f3rio da diocese de Aveiro, nas suas duas fases: entre 1774 e 1882 &#8211; 1.\u00aa fase | depois de 1938 &#8211; 2.\u00aa fase<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right; padding-left: 200px;\">Textos da autoria de Monsenhor Jo\u00e3o Gon\u00e7alves Gaspar, recolhidos do livro\u00a0<a href=\"https:\/\/bibliografia.bnportugal.gov.pt\/bnp\/bnp.exe\/registo?1877362\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Diocese de Aveiro: subs\u00eddios para a sua hist\u00f3ria<\/em>, Aveiro: Edi\u00e7\u00e3o da Diocese de Aveiro, 2014.<\/a><\/h6>\n<p style=\"text-align: center;\">Textos publicados nos dias 24 e 11 de cada m\u00eas | A diocese de Aveiro foi restaurada em 1938, com bula do Papa Pio XI, datada de 24 de agosto desse ano, e executada em 11 de dezembro.<\/p>\n<hr \/>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Jo\u00e3o Gon\u00e7alves Gaspar (Monsenhor)*<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><strong>D. frei Louren\u00e7o de Santa Maria e Melo<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Religioso franciscano, arcebispo de Goa e depois arcebispo-bispo do Algarve, D. frei Louren\u00e7o de Santa Maria e Melo nasceu na freguesia de S. Pedro de Avel\u00e3s de Cima, do concelho de Anadia, em janeiro de 1704. Foi-lhe oferecida a mitra de Aveiro e dele se fez refer\u00eancia quando se aludiu \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da diocese de Aveiro [Descrevemos, abaixo, essa refer\u00eancia.]<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Encontrava-se por esse tempo \u00e0 frente dos destinos religiosos da diocese do Algarve, residindo em Faro, um homem de Deus e benem\u00e9rito da p\u00e1tria, D. frei Louren\u00e7o de Santa Maria e Melo, que nascera na freguesia de S. Pedro de Avel\u00e3s de Cima, hoje do concelho da Anadia, onde foi batizado em 24 de janeiro de 1704 (ADistA, Avel\u00e3s de Cima. <em>Livro de Batismos<\/em>), sendo filho de Ant\u00f3nio Lu\u00eds de Melo, fidalgo da Casa Real, senhor do morgado do Ramir\u00e3o e da quinta da Graciosa, e de sua mulher D. Micaela de Sampaio Pereira. Frequentara a Universidade de Coimbra, na qual obteve o grau de mestre em artes e regeu a cadeira de decretos. A ida a essa cidade de uns mission\u00e1rios franciscanos do convento do Varatojo f\u00ea-lo inclinar-se para a vida religiosa, tomando o h\u00e1bito neste cen\u00f3bio; posteriormente, desempenhou com relev\u00e2ncia o minist\u00e9rio da prega\u00e7\u00e3o. A nomea\u00e7\u00e3o para arcebispo de Goa, em 02 de agosto de 1742, surpreendeu-o na ilha da Madeira. Confirmado pelo papa Bento XIV em 26 de novembro, foi ordenado em 09 de junho de 1743 e recebeu o p\u00e1lio metropolitano em 26 de outubro. Entrou solenemente na sua s\u00e9 em 04 de outubro de 1744 e logo iniciou com zelo a sua miss\u00e3o pastoral e executou s\u00e1bias reformas. Quebrantado de sa\u00fade, passados seis anos renunciou \u00e0 arquidiocese e voltou ao continente, chegando a Lisboa em princ\u00edpios de 1752. Como estivesse vago o bispado do Algarve, foi logo nomeado para Faro por D. Jos\u00e9 I e confirmado pelo referido sumo-pont\u00edfice Bento XIV em 15 de mar\u00e7o do mesmo ano. A sua a\u00e7\u00e3o fez-se sentir, quer tomando en\u00e9rgicas provid\u00eancias por altura do terramoto de 1755, no aux\u00edlio \u00e0s v\u00edtimas, quer beneficiando as caldas de Monchique, quer dando nova forma ao pa\u00e7o episcopal e desobstruindo o largo da s\u00e9, quer estendendo a caridade at\u00e9 onde visse ou pressentisse necessidades materiais ou morais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Informou Jo\u00e3o Batista da Silva Lopes (<em>Memorias para a Historia Ecclesiastica do Bispado do Algarve, <\/em>Lisboa, 1848, pgs. 425-451) que, nos fins de maio de 1773, D. frei Louren\u00e7o recebeu uma carta assinada por el-rei, com ordem de se apresentar na Corte \u00abpara neg\u00f3cios do servi\u00e7o de Deus e do Estado.\u00bb Como estivesse um pouco doente, o arcebispo-bispo do Algarve s\u00f3 p\u00f4de partir em 10 de junho, chegando a Lisboa em 18. Passados dois dias, procurou o marqu\u00eas de Pombal que, recebendo-o muito bem, lhe declarou que o monarca desejava dividir o Algarve em dois bispados \u2013 um com a sede em Faro e outro em Portim\u00e3o; por tal motivo, Carvalho e Melo pediu-lhe que desistisse da sua s\u00e9, pois era inten\u00e7\u00e3o do Governo que ele fosse nomeado bispo de Aveiro, cuja diocese iria ser brevemente criada. A proposta seria com certeza agrad\u00e1vel a D. frei Louren\u00e7o, pois ficaria a residir perto da sua terra natal e dos seus familiares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O arcebispo-bispo do Algarve n\u00e3o se sujeitou, por\u00e9m, aos caprichos do marqu\u00eas, valendo-lhe essa atitude o ser tratado por imbecil em documento p\u00fablico; respondeu que prontamente se demitia, mas que n\u00e3o podia nem devia aceitar o novo encargo, por j\u00e1 n\u00e3o ter for\u00e7as nem coragem. O ministro n\u00e3o aceitou a escusa, e D. frei Louren\u00e7o de Santa Maria, ap\u00f3s v\u00e1rias vicissitudes e arbitrariedades do seu vig\u00e1rio-geral \u2013 talvez insinuado por Pombal \u2013 pediu a ren\u00fancia do Algarve em 24 de setembro de 1773, que D. Jos\u00e9 deferiu; a S\u00e9 Apost\u00f3lica, vendo as coisas de mais alto, nunca confirmou nem a demiss\u00e3o do prelado, nem a divis\u00e3o do Algarve, nem a nomea\u00e7\u00e3o dos dois bispos eleitos para Faro e para Portim\u00e3o. Apesar disso, o arcebispo partiu para o convento do Varatojo; mas, ap\u00f3s dez dias, recebeu ordem r\u00e9gia de se recolher ao pa\u00e7o da quinta da Graciosa, para viver na companhia dos parentes; n\u00e3o se demorou a\u00ed um ano porque, instando junto do rei, este lhe concedeu que voltasse ao convento, onde ficou at\u00e9 \u00e0 morte do monarca. Retomaria, em maio de 1777, o governo da diocese algarvia, acabando por falecer em 05 de dezembro de 1783; os seus restos mortais jazem no jazigo da catedral de Faro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Perante a recusa de D. frei Louren\u00e7o, teve o marqu\u00eas de Pombal de diligenciar no sentido da escolha de outro cl\u00e9rigo, que pudesse ser nomeado e apresentado pelo rei \u00e0 confirma\u00e7\u00e3o papal para bispo de Aveiro. As refer\u00eancias ca\u00edram no padre dr. Ant\u00f3nio Freire Gameiro de Sousa, de quarenta e seis anos de idade. Na mesma carta r\u00e9gia em que requereu a cria\u00e7\u00e3o da diocese de Aveiro, datada de 28 de setembro de 1773, j\u00e1 D. Jos\u00e9 I apresentara a Clemente XIV o nome do proposto (ASV, <em>processo consistorial <\/em>cit., 41v-48): &#8211; \u00abE, na confian\u00e7a daquela gra\u00e7a de Vossa Santidade, nomeio e apresento para primeiro prelado da dita nova diocese de Aveiro a Ant\u00f3nio Freire Gameiro, doutor da Faculdade de Leis, de\u00e3o da santa igreja catedral de Lamego e atual lente da Universidade de Coimbra, fazendo esperar das virtudes, letras e mais qualidades, que nele concorrem, que acudir\u00e1 \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es daquele bispado, como conv\u00e9m ao servi\u00e7o de Deus e ao bem espiritual das almas dele, para que Vossa Santidade lhe mande passar as suas \u2018letras apost\u00f3licas\u2019, nas quais se fa\u00e7a a expressa men\u00e7\u00e3o desta minha nomea\u00e7\u00e3o e apresenta\u00e7\u00e3o e se declare o direito de padroado que na mesma igreja me compete, na forma que da minha parte mais particularmente expor\u00e1 a Vossa Santidade o meu ministro plenipotenci\u00e1rio nessa Corte.\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As testemunhas ouvidas em 17 de janeiro de 1774 para o processo de confirma\u00e7\u00e3o \u2013 dr. Jos\u00e9 de Arriaga Brum da Silveira, dr. Estanislau da Cunha Coelho e padre dr. Bernardo de Nossa Senhora da Porta \u2013 disseram que era filho leg\u00edtimo de pais cat\u00f3licos e not\u00e1veis em religi\u00e3o e piedade, frequentador ass\u00edduo dos sacramentos que recebia com ex\u00edmia devo\u00e7\u00e3o, exemplar na f\u00e9 de que jamais se afastara, \u00edntegro em costumes, dotado de honestidade de vida, insigne em seriedade, prud\u00eancia e experi\u00eancia que manifestava de muitas maneiras, perito em direito e erudito em todos os conhecimentos eclesi\u00e1sticos, de tal sorte que \u00abn\u00e3o se pode duvidar que o promovendo n\u00e3o tenha a ci\u00eancia e a doutrina que se requerem no bispo para ensinar os outros.\u00bb Os deponentes, interrogados pelo cardeal Inoc\u00eancio Conti, continuaram as suas declara\u00e7\u00f5es: &#8211; O dr. Ant\u00f3nio Freire Gameiro de Sousa n\u00e3o tinha qualquer defeito f\u00edsico ou ps\u00edquico nem qualquer impedimento can\u00f3nico; apenas subdi\u00e1cono, nunca exercera a cura de almas nem o regime de qualquer igreja, mas consideravam-no id\u00f3neo e sumamente h\u00e1bil para o of\u00edcio proposto pela sua \u00absagacidade, vigil\u00e2ncia, paci\u00eancia, caridade e outras virtudes\u00bb (ASV, id., fls. 42v-44v). O que as testemunhas n\u00e3o declararam foi que o indigitado havia jurado, como lente de Coimbra, a interpreta\u00e7\u00e3o sect\u00e1ria do marqu\u00eas de Pombal sobre a palavra \u2018constitutiones\u2019 da profiss\u00e3o de f\u00e9 do papa Pio IV, segundo o esp\u00edrito deturpado das \u2018liberdades da Igreja Lusitana\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0O bispo indigitado e apresentado \u00e0 confirma\u00e7\u00e3o nasceu em Lisboa no dia 06 de fevereiro de 1727 e foi batizado na igreja das Merc\u00eas em 22 seguinte, sendo filho de Domingos Freire Gameiro e de sua esposa D. Teresa Isabel. Doutorado em direito pela Universidade de Coimbra, em 26 de julho de 1746 recebeu as respetivas ins\u00edgnias; em 1762, foi nomeado lente da segunda cadeira sint\u00e9tica de direito; em 1769, era de\u00e3o da s\u00e9 de Lamego; em 13 de dezembro de 1772, recebeu as quatro ordens menores e o subdiaconado.&#8221;<\/p>\n<hr \/>\n<h5 style=\"text-align: right;\">*Academia Portuguesa da Hist\u00f3ria<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aveirenses no Episcopado<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14162,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204,201,67],"tags":[],"class_list":["post-17070","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-aveirenses-no-episcopado","category-jubileu-da-catedral","category-mons-joao-gaspar"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17070","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17070"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17070\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17277,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17070\/revisions\/17277"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14162"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17070"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17070"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17070"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}