{"id":17063,"date":"2024-01-31T01:00:48","date_gmt":"2024-01-31T01:00:48","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=17063"},"modified":"2024-01-26T01:11:23","modified_gmt":"2024-01-26T01:11:23","slug":"semana-do-consagrado-vi-edith-stein-teresa-benedicta-da-cruz-viver-no-carmelo-e-viver-no-santuario-mais-intimo-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/semana-do-consagrado-vi-edith-stein-teresa-benedicta-da-cruz-viver-no-carmelo-e-viver-no-santuario-mais-intimo-da-igreja\/","title":{"rendered":"Semana do Consagrado | VI | Edith Stein [Teresa Benedicta da Cruz]: &#8220;Viver no Carmelo \u00e9 viver no santu\u00e1rio mais \u00edntimo da Igreja&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>Semana do Consagrado | 2024<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Parceria com <strong>Irm\u00e3s do Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A 14 de Outubro de 1933, a Doutora Edith Stein, entra no Carmelo de Col\u00f3nia. Para tr\u00e1s ficou a oferta de ensino numa Universidade Americana e a dolorosa separa\u00e7\u00e3o da m\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abUma dezena de dias depois do meu regresso de Beuron, apresentou-se-me com for\u00e7a, na mente, esta ideia: \u2018N\u00e3o chegou j\u00e1 o momento de entrar no Carmelo? \u2018O que eu pensava desde h\u00e1 12 anos, daquele famoso dia de 1921, quando a vida de santa Teresa me veio para \u00e0s m\u00e3os, pondo fim \u00e1 minha longa peregrina\u00e7\u00e3o na procura da verdadeira f\u00e9. No primeiro de Janeiro de 1922, no momento do meu baptismo, senti que n\u00e3o era mais que uma etapa, uma prepara\u00e7\u00e3o para a minha entrada na Ordem do Carmelo\u2026\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abNo domingo do Bom Pastor, pela tarde, regressei \u00e0 Igreja dizendo a mim mesma: que n\u00e3o sairia dali sem saber se tinha ou n\u00e3o chegado o momento de entrar no Carmelo. E quando o sacerdote, ao encerrar a festa do dia, deu a b\u00ean\u00e7\u00e3o do Sant\u00edssimo Sacramento, recebi interiormente o assentimento do Bom Pastor.\u00bb \u00abPara mim era claro que o Senhor me tinha reservado no Carmelo qualquer coisa, qualquer coisa que eu n\u00e3o poderia encontrar em mais nenhum lugar\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi recebida pela comunidade como qualquer outra postulante. A maioria das Irm\u00e3s ignorava o seu passado e os seus escritos. Mas ela \u00e9 consciente de no Carmelo ocupar o lugar que Deus lhe destinou na Igreja para se realizar plenamente: \u00abSempre me pareceu que o Senhor tinha reservado qualquer coisa para mim que s\u00f3 a poderia encontrar no Carmelo\u00bb. A consci\u00eancia da sua posi\u00e7\u00e3o privilegiada na Igreja como carmelita leva-a a afirmar que: \u00abViver no Carmelo \u00e9 viver no santu\u00e1rio mais \u00edntimo da Igreja\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desejo de corresponder totalmente \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o leva-a a questionar-se a si mesma: O que \u00e9 a vida consagrada? O que \u00e9 uma carmelita?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 primeira pergunta responde: \u00abNa uni\u00e3o com o Senhor tamb\u00e9m tu te tornas omnipotente, estando ao Seu lado. N\u00e3o podes oferecer a tua ajuda apenas num lugar, a assist\u00eancia dum m\u00e9dico, a ajuda de uma enfermeira ou de um sacerdote. Na for\u00e7a da cruz podes estar presente em todas as frentes, em todos os lugares de dor\u00bb. Estar em medita\u00e7\u00e3o diante de Deus, seja interiormente ou exteriormente, constitui a ocupa\u00e7\u00e3o principal dos seus membros. Este recolhimento n\u00e3o encontra em si o seu fim; mas \u00e9 s\u00faplica, louvor e compaix\u00e3o pela mis\u00e9ria da Igreja e do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 segunda ela responde desde a sede de Deus por cada ser humano, partindo aquilo que \u00e9 vis\u00edvel aos nossos olhos. Na realidade, os sinais exteriores, como a clausura, a austeridade, a pobreza\u2026 mais do que exprimir a vida de uma carmelita transcendem-na. O desejo fundamental de despojamento que invade a alma duma carmelita, manifesta a separa\u00e7\u00e3o com o mundo vis\u00edvel, o gosto pelo deserto, mas n\u00e3o revela a presen\u00e7a escondida no cora\u00e7\u00e3o do deserto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus escava na alma sulcos imensos e at\u00e9 dolorosos para os saciar com a sua pr\u00f3pria presen\u00e7a, com a abund\u00e2ncia incompreens\u00edvel do seu amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A um amigo que se mostra renitente em compreender as raz\u00f5es de uma voca\u00e7\u00e3o consagrada a Deus ela dir\u00e1 que: \u00abO melhor ser\u00e1 que lhe conte algo da minha vida. N\u00f3s acreditamos que apraz a Deus escolher um pequeno n\u00famero de pessoas, que devem participar mais intimamente na sua vida(\u2026) N\u00e3o sabemos como \u00e9 feita a elei\u00e7\u00e3o. Em todo caso n\u00e3o \u00e9 por dignidade ou m\u00e9rito nosso, e com a gra\u00e7a da voca\u00e7\u00e3o n\u00e3o nos tornamos soberbos mas, pequenos e gratos. A nossa ocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 amar e servir\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus n\u00e3o abandona o mundo que Ele mesmo criou e, sobretudo, porque ama tanto o ser humano, para n\u00f3s \u00e9 naturalmente imposs\u00edvel desprezar o mundo e o ser humano. N\u00e3o o deixamos porque o consideramos sem valor, mas para estar livres para Deus. E, quando Deus quiser, devemos restabelecer novamente a liga\u00e7\u00e3o com as coisas que est\u00e3o para al\u00e9m das nossas grades. Assim, para n\u00f3s tem o mesmo valor se uma descasca batatas, limpa janelas ou escreve livros\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sua experi\u00eancia de Carmelo lev\u00e1-la-\u00e1 a concluir que: \u00abOs muros dos nossos mosteiros reservam um espa\u00e7o muito limitado. Quem dentro deles deseja elevar o edif\u00edcio da santidade, deve escavar profundamente e construir em direc\u00e7\u00e3o ao alto: descer profundamente at\u00e9 \u00e0 noite obscura do pr\u00f3prio Nada, para ser elevado at\u00e9 \u00e0 luz solar do divino Amor e da divina Miseric\u00f3rdia\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abS\u00f3 quem aprecia o seu lugar no coro diante do Tabern\u00e1culo mais do que toda a gl\u00f3ria do mundo, pode viver no Carmelo e encontra, naturalmente, uma felicidade, como n\u00e3o pode oferecer nenhuma gl\u00f3ria do mundo. O nosso hor\u00e1rio garante-nos horas de di\u00e1logo a s\u00f3s com o Senhor, e sobre elas se fundamenta a nossa vida. (\u2026) Para as carmelitas, nas suas condi\u00e7\u00f5es da vida quotidiana, n\u00e3o existe outra possibilidade de responder ao amor de Deus para al\u00e9m do cumprimento das suas obriga\u00e7\u00f5es di\u00e1rias, at\u00e9 as mais pequenas, com fidelidade; como um pequeno sacrif\u00edcio, que exige de um esp\u00edrito vital a estrutura\u00e7\u00e3o dos dias e de toda a vida, at\u00e9 nos seus detalhes mais pequenos, e isto levado com alegria dia a dia e ano ap\u00f3s ano; apresentando ao Senhor todas as renuncias que exige a conviv\u00eancia constante com pessoa totalmente distintas, com um sorriso de amor; n\u00e3o deixando escapar nenhuma ocasi\u00e3o de servir os demais com amor. A tudo isso h\u00e1 que juntar, finalmente, o que o Senhor pede a cada alma como sacrif\u00edcio pessoal.\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abQuem entra no Carmelo n\u00e3o deixou os seus, mais verdadeira e amplamente os possui, dado que a nossa voca\u00e7\u00e3o-profiss\u00e3o consiste no estar diante de Deus por todos\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida no Carmelo \u00e9 um puro mist\u00e9rio de amor. Esta foi a sua grande descoberta: \u00abA maior maravilha \u00e9 que o esp\u00edrito do Carmelo seja amor, e que este esp\u00edrito esteja completamente vivo nesta casa\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Teresa Benedicta da Cruz<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem:<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Edith_Stein#\/media\/Ficheiro:Edith_Stein_(ca._1938-1939).jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> Teresa Benedicta da Cruz [Edith Stein] &#8211; [1891-1942]<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Semana do Consagrado<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17064,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-17063","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-acontece"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17063","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17063"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17063\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17067,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17063\/revisions\/17067"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17064"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17063"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17063"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17063"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}