{"id":1686,"date":"2017-07-31T10:42:02","date_gmt":"2017-07-31T09:42:02","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=1686"},"modified":"2017-07-31T10:42:02","modified_gmt":"2017-07-31T09:42:02","slug":"festa-da-transfiguracao-do-senhor-ano-a","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/festa-da-transfiguracao-do-senhor-ano-a\/","title":{"rendered":"Festa da Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor (Ano A)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">Pe. Franclim Pacheco<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1687 aligncenter\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Transfigura\u00e7\u00e3o.jpg\" alt=\"\" width=\"816\" height=\"640\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Transfigura\u00e7\u00e3o.jpg 641w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Transfigura\u00e7\u00e3o-300x235.jpg 300w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Transfigura\u00e7\u00e3o-600x471.jpg 600w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Transfigura\u00e7\u00e3o-382x300.jpg 382w\" sizes=\"auto, (max-width: 816px) 100vw, 816px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Breve coment\u00e1rio<br \/>\nPara melhor entendermos o texto deste domingo, que nos apresenta a transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus, devemos situ\u00e1-lo no seu contexto. Antes da transfigura\u00e7\u00e3o \u00e9 referida a confiss\u00e3o de Pedro (16,13-20) com a inser\u00e7\u00e3o do dito de Jesus sobre o primado, seguindo-se a predi\u00e7\u00e3o da paix\u00e3o e ressurrei\u00e7\u00e3o (16,21-23), \u00e0 qual Pedro reage, sendo chamado \u00abSatan\u00e1s\u00bb, o convite \u00e0 ren\u00fancia de si mesmo, a tomar a sua cruz e a seguir Jesus no seu caminho de amor e de entrega da vida (Mt 16,24-28). O que se segue, at\u00e9 Mt 20,34, continua a ser uma catequese sobre o discipulado, apresentando mais dois an\u00fancios da paix\u00e3o.<br \/>\nA transfigura\u00e7\u00e3o aparece colocada pouco depois do primeiro an\u00fancio e est\u00e1 imediatamente antes do segundo. Nela o tema da gl\u00f3ria prevalece; mas tamb\u00e9m est\u00e1 aqui presente o tema da dor: o pressentimento da morte serve de fundo \u00e0 per\u00edcopa. Nos an\u00fancios da paix\u00e3o o tema do sofrimento e da morte prevalece mas n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3, pois todos os an\u00fancios terminam sempre com uma refer\u00eancia \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO Pai confirma os actos realizados por Jesus antes de subir ao monte: ele \u00e9 o Cristo e o Filho de Deus (16,16), \u00e9 o servo sofredor que Pedro n\u00e3o aceita (16,21-23), aquele que chama a segui-lo no seu caminho (16,24) e se declara como juiz do mundo (16,27). Diante de tr\u00eas homens, o Filho do Homem \u00e9 proclamado pelo Pai como Filho de Deus. \u00c9 o final da discuss\u00e3o sobre quem \u00e9 Jesus, \u00e9 o in\u00edcio da viagem para Jerusal\u00e9m, com a sua morte e glorifica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nCom a transfigura\u00e7\u00e3o, Pedro, Tiago e Jo\u00e3o t\u00eam uma antecipa\u00e7\u00e3o da gl\u00f3ria que Jesus ter\u00e1 depois da sua ressurrei\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m n\u00f3s seremos transfigurados como ele, se o escutarmos e cumprirmos a sua palavra.<br \/>\nLiterariamente, a narra\u00e7\u00e3o da transfigura\u00e7\u00e3o \u00e9 uma teofania, isto \u00e9, uma manifesta\u00e7\u00e3o de Deus, apresentada com os elementos t\u00edpicos que encontramos no Antigo Testamento para apresentar as manifesta\u00e7\u00f5es de Deus: o monte, a voz do c\u00e9u, as apari\u00e7\u00f5es, as vestes brilhantes, a nuvem e mesmo o medo e a perturba\u00e7\u00e3o daqueles que presenciam o encontro com o divino.<br \/>\nAntes deste epis\u00f3dio, Jesus tinha exclamado: \u00abH\u00e1 aqui alguns presentes que n\u00e3o experimentar\u00e3o a morte antes de verem o Filho do Homem vir no seu reino\u00bb (16,28). No contexto do evangelho de Mateus este vers\u00edculo refere-se \u00e0 transfigura\u00e7\u00e3o a seguir narrada como um saborear antecipado da gl\u00f3ria do Filho do Homem.<br \/>\nA indica\u00e7\u00e3o de \u00abseis dias\u00bb, no pensamento de Mateus pode referir-se ao testemunho de Pedro e \u00e0 discuss\u00e3o que se lhe seguiu, sobretudo a oposi\u00e7\u00e3o de Jesus a Pedro, mas tamb\u00e9m \u00e0 recorda\u00e7\u00e3o da manifesta\u00e7\u00e3o de Deus no monte Sinai (Ex 24,16). De facto, seis dias \u00e9 o tempo exacto que a gl\u00f3ria do Senhor, isto \u00e9, a nuvem, cobriu o monte Sinai. No s\u00e9timo dia o Senhor chamou Mois\u00e9s do meio da nuvem. O monte alto \u00e9 identificado pela tradi\u00e7\u00e3o com o monte Tabor, na plan\u00edcie de Jezrael. Jesus leva consigo apenas tr\u00eas disc\u00edpulos. Tamb\u00e9m isto nos recorda o Sinai, pois Mois\u00e9s subiu ao monte juntamente com Aar\u00e3o e os seus dois filhos, Nadab e Abi\u00fa.<br \/>\nPara Mateus, o monte \u00e9 lugar de revela\u00e7\u00e3o: Jesus sobe a um monte para apresentar a sua Lei (Mt 5\u20137); sobre um monte far\u00e1 a sua manifesta\u00e7\u00e3o como Ressuscitado (Mt 28,16-20).<br \/>\nO verbo usado por Mateus para apresentar a transfigura\u00e7\u00e3o \u00e9 <em>metamorph\u00f2the<\/em> (mudou de aspecto). O evangelista sublinha este efeito sobretudo no rosto de Jesus. Temos aqui uma refer\u00eancia a Mois\u00e9s que, ao descer do monte Sinai n\u00e3o se tinha dado conta que a pele do seu rosto resplandecia depois de ter falado com Deus\u00bb (Ex 34,29). O juda\u00edsmo esperava para a era escatol\u00f3gica uma transforma\u00e7\u00e3o dos justos (cf. tamb\u00e9m Paulo, 1Co 15,35-54). As suas vestes tornaram-se brancas como a luz: uma express\u00e3o quase id\u00eantica descreve o anjo da ressurrei\u00e7\u00e3o (28,3).<br \/>\nAo lado de Jesus surgem duas figuras: Mois\u00e9s e Elias. Estas duas personagens s\u00e3o extremamente significativos. N\u00e3o s\u00e3o apenas as duas personagens mais importantes do Antigo Testamento, mas ambas estiveram no monte Sinai e tiveram uma vis\u00e3o de Deus. Al\u00e9m disso, a sua morte foi particular: Mois\u00e9s morreu antes de entrar na terra prometida, mas o seu t\u00famulo nunca foi encontrado (Dt 34,5-6); Elias foi arrebatado num carro de fogo (2Rs 2). Eles falam com Jesus precisamente da sua morte, como especifica o texto paralelo de Lucas (Lc 9,31). A fun\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s e Elias parece ser a de quem presta homenagem a Jesus e d\u00e1 testemunho da voz do c\u00e9u.<br \/>\nA proposta de Pedro em fazer tr\u00eas tendas \u00e9 um servi\u00e7o oferecido; \u00e9 tamb\u00e9m uma manifesta\u00e7\u00e3o de alegria e de assombro. Talvez ele queira prolongar este momento de glorifica\u00e7\u00e3o, pois revolta-se contra a ideia do sofrimento messi\u00e2nico.<br \/>\nAgora Jesus tem o aspecto daqueles que Deus j\u00e1 glorificou com a vida imortal (luz e brancura das vestes). Paix\u00e3o e ressurrei\u00e7\u00e3o, humilha\u00e7\u00e3o e gl\u00f3ria est\u00e3o entrela\u00e7adas. Deste modo, a transfigura\u00e7\u00e3o torna-se ela mesma um an\u00fancio, uma profecia dos factos. O que por agora domina sobre o monte, diante dos olhos estupefactos de Pedro, Tiago e Jo\u00e3o \u00e9 sobretudo a gl\u00f3ria. Por um breve momento, Jesus oferece aos seus disc\u00edpulos mais pr\u00f3ximos uma ilumina\u00e7\u00e3o sobre o seu futuro e o deles, um press\u00e1gio do al\u00e9m. O sofrimento, para o qual ele est\u00e1 a caminhar com l\u00facida consci\u00eancia e para o qual caminhar\u00e3o os seus disc\u00edpulos, \u00e9 um press\u00e1gio, n\u00e3o \u00e9 definitivo. O seu desembocar natural, inevit\u00e1vel, ser\u00e1 a gl\u00f3ria; a qual ent\u00e3o manifesta o secreto valor do presente sofrimento: \u00abPorque quem quiser salvar a pr\u00f3pria vida, h\u00e1-de perd\u00ea-la; mas, quem perder a pr\u00f3pria vida por minha causa, salv\u00e1-la-\u00e1\u00bb.<br \/>\nA nuvem luminosa interrompe o discurso de Pedro. Trata-se dum contrassenso que se encontra somente em Mateus (como pode uma nuvem fazer luz?). Neste elemento encontramos ainda o influxo do \u00caxodo: a nuvem da gl\u00f3ria do Senhor \u00abaparecia como fogo devorador aos olhos dos filhos de Israel no cimo da montanha\u00bb (Ex 24,17). Tamb\u00e9m a nuvem cobria a Tenda da Reuni\u00e3o em Ex 40,34-35. Agora j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 necessidade de fazer tendas, pois a revela\u00e7\u00e3o da gl\u00f3ria do Senhor foi agora encerrada no cora\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos!<br \/>\nEste \u00e9 o meu Filho Predilecto, em quem me comprazo &#8211; A frase \u00e9 a mesma que se ouviu na narra\u00e7\u00e3o do baptismo e que condensa, aprofundando-as, diversas express\u00f5es do Antigo Testamento. O Pai apresenta agora o Filho predilecto, o seu unig\u00e9nito, aos tr\u00eas disc\u00edpulos: \u00abEste \u00e9 o meu Filho\u00bb. Como Yahweh no Sinai tinha falado ao povo por meio de Mois\u00e9s, oferecendo-lhe o poder tornar-se sua na\u00e7\u00e3o predilecta, sua propriedade santa, assim agora o pr\u00f3prio Deus fala aos tr\u00eas disc\u00edpulos, apresentando-lhes o seu Filho predilecto.<br \/>\nEscutai-O! Todas as palavras de Jesus s\u00e3o autenticadas, aprovadas e defendidas por Deus. No pensamento de Mateus, a voz do c\u00e9u pede que seja escutada sobretudo e em particular a palavra de Jesus sobre a sua pr\u00f3pria paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, objecto j\u00e1 da repulsa por parte do mais importante disc\u00edpulo, e destinada a permanecer pelos s\u00e9culos futuros como motivo de esc\u00e2ndalo.<br \/>\nO texto fala do grande temor dos tr\u00eas disc\u00edpulos, mas a descri\u00e7\u00e3o que d\u00e1 \u00e9, uma vez mais, convencional. O temor e a perturba\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos s\u00e3o a reac\u00e7\u00e3o natural de qualquer pessoa perante a manifesta\u00e7\u00e3o da grandeza, da omnipot\u00eancia e da majestade de Deus.<br \/>\nJesus toca os disc\u00edpulos, com um gesto que lhe \u00e9 habitual e que traz a salva\u00e7\u00e3o aos doentes. Encoraja-os, dizendo: \u00abLevantai-vos e n\u00e3o tenhais medo\u00bb. Tamb\u00e9m esta dupla ordem \u00e9 habitual em Jesus. Jesus \u00e9 familiar, amigo; ao mesmo tempo ele \u00e9 o Senhor, cuja palavra traz a tranquilidade e seguran\u00e7a.<br \/>\nO retorno de Jesus \u00e0 condi\u00e7\u00e3o habitual da sua exist\u00eancia terrena \u00e9 enunciado sem \u00eanfase, como a constata\u00e7\u00e3o dum facto de que foram testemunhas, mas de que n\u00e3o se saberia dizer nada mais. Como aconteceu? Como coment\u00e1-lo? Eles viram Jesus sem gl\u00f3ria, no fim, isto \u00e9, s\u00f3 Jesus. O acontecimento conclui-se com a mesma simplicidade e falta de prepara\u00e7\u00e3o com que tinha come\u00e7ado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. Franclim Pacheco<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1688,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,18,13,54],"tags":[],"class_list":["post-1686","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhar-sobre-os-evangelhos","category-olhares","category-pe-julio-franclim-do-couto-e-pacheco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1686","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1686"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1686\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1690,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1686\/revisions\/1690"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1688"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1686"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1686"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1686"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}