{"id":16794,"date":"2023-12-21T21:44:18","date_gmt":"2023-12-21T21:44:18","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=16794"},"modified":"2023-12-22T14:34:04","modified_gmt":"2023-12-22T14:34:04","slug":"pe-pedro-miranda-sequencias-marianas-do-mosteiro-de-jesus-a-proposito-do-2-o-concerto-do-jubileu-da-catedral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/pe-pedro-miranda-sequencias-marianas-do-mosteiro-de-jesus-a-proposito-do-2-o-concerto-do-jubileu-da-catedral\/","title":{"rendered":"Pe. Pedro Miranda | Sequ\u00eancias Marianas do Mosteiro de Jesus [A prop\u00f3sito do 2.\u00ba Concerto do Jubileu da Catedral]"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: center;\"><strong>A prop\u00f3sito do 2.\u00ba Concerto do ciclo de concertos do Jubileu da Catedral de Aveiro<\/strong><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: center;\">Grupo Vocal An\u00e7\u00e3ble | S\u00e9 de Aveiro | 15 de dezembro de 2023<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right; padding-left: 400px;\">Leia, aqui, as <a href=\"https:\/\/www.calameo.com\/read\/00550561566bf2e1807b8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sequ\u00eancias Marianas do Mosteiro de Jesus, em latim, e as respetivas tradu\u00e7\u00f5es<\/a> | Por Jos\u00e9 Carlos de Miranda<\/h6>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Pe. Pedro Carlos Lopes de Miranda<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">As sequ\u00eancias foram um g\u00e9nero po\u00e9tico-musical surgido como rebento do canto jubiloso muito desenvolvido e estendido do Aleluia\u2014 aplicando ao melisma final da \u00faltima s\u00edlaba do Aleluia um texto po\u00e9tico de coment\u00e1rio ao mist\u00e9rio celebrado\u2014 que surgiu no s\u00e9c. XI e se expandiu e floresceu por toda a baixa Idade M\u00e9dia, at\u00e9 ser muito contido na \u201creforma it\u00fargica\u201d de pendor uniformizador do Conc\u00edlio de Trento. Na liturgia reformada pelo Conc\u00edlio Vaticano II sobreviveram 5 sequ\u00eancias: duas obrigat\u00f3rias, a da P\u00e1scoa (Victima Paschali Laudes) e a do Pentecostes (Veni creator Spiritus), duas facultativas, a do Corpo de Deus e a da Senhora das Dores (Stabat Mater) e uma que \u00e9 assumida como Hino do Of\u00edcio de Leitura para a XXXIV semana do Tempo Comum, n\u00e3o como sequ\u00eancia, propriamente dita, que \u00e9 a <em>Dies irae<\/em>, da antiga liturgia dos Defuntos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e9c. XV, de que datam os c\u00f3dices do Mosteiro de Jesus de Aveiro, que se inscrevem perfeitamente na tradi\u00e7\u00e3o do corpus lit\u00fargico especificamente dominicano, circulava j\u00e1 por toda a Europa um corpo de textos po\u00e9ticos e de melodias surgidos a partir do sec. XI, que se inspiravam e suscitavam consecutivamente, num processo de cria\u00e7\u00e3o po\u00e9tico-musical inicialmente totalmente livre, mas depois cada vez mais de \u201creciclagem criativa\u201d de material preexistente\u2014 tanto musical como liter\u00e1rio. Do estudo do conjunto das sequ\u00eancias deste fundo lit\u00fargico, o Sr Pe Arm\u00e9nio retirou muito amplamente as seguintes conclus\u00f5es:<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><em>J\u00e1 n\u00e3o se pode falar das sequ\u00eancias em Portugal como algo de raro e sem qualquer significado entre n\u00f3s;<\/em><\/li>\n<li><em>Esta forma po\u00e9tico-lit\u00fargica estava bastante difundida no tempo e no espa\u00e7o do territ\u00f3rio portugu\u00eas, tal como acontecia no resto da Europa;<\/em><\/li>\n<li><em>As ordens dominicana e franciscana foram as que mais contribu\u00edram para a implanta\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o das sequ\u00eancias em Portugal;<\/em><\/li>\n<li><em>O mosteiro de Jesus em Aveiro, na medida em que foi chamado a reformar e a reformar novos mosteiros, ocupou um lugar privilegiado na difus\u00e3o desta tradi\u00e7\u00e3o lit\u00fargico musical, que era a sua pr\u00f3pria tradi\u00e7\u00e3o;<\/em><\/li>\n<li><em>A riqueza de informa\u00e7\u00e3o, oferecida pelos c\u00f3dices analisados\u00ad\u00ad, permitiu vislumbrar a import\u00e2ncia do recheio aveirense.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">As sequ\u00eancias, especialmente do ponto de vista musical, s\u00e3o um produto genu\u00edno, embora ser\u00f4dio, da \u00e9poca cl\u00e1ssica do canto chamado gregoriano, de quando ele come\u00e7ou a ser escrito. Considerado pelos cultores do canto gregoriano p\u00f3s-restaura\u00e7\u00e3o oitocentista e novecentista, de que S. Pio X \u00e9 o papa de refer\u00eancia, um canto gregoriano tardio, tem sido desde ent\u00e3o menos cultivado e praticado do que o corpus de repert\u00f3rio mais antigo do Kyriale, do Gradual e do Antifon\u00e1rio. Mas o contacto com esta pr\u00e1tica a que se pode chamar de \u201creciclagem criativa\u201d de textos e cantos j\u00e1 ent\u00e3o, no s\u00e9c. XV, tradicionais, \u00e9 uma experi\u00eancia surpreendente e aliciante. Foi o que nos propusemos com a execu\u00e7\u00e3o de tr\u00eas sequ\u00eancia marianas \u2014 Da Natividade, da Anuncia\u00e7\u00e3o e da Assun\u00e7\u00e3o, numa alus\u00e3o aos tr\u00eas dogmas marianos da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, da Maternidade Divina e da Assun\u00e7\u00e3o\u2014 integradas no fio condutor das Ant\u00edfonas marianas do actual Of\u00edcio de Completas, Salve Regina, Alma Redemptoris Mater, Ave Regina Caelorum e Regina Caeli laetare.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, propusemos, em leitura no concerto antes da<a href=\"https:\/\/www.calameo.com\/read\/00550561566bf2e1807b8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> execu\u00e7\u00e3o de cada uma das sequ\u00eancias<\/a>, uma tradu\u00e7\u00e3o do respectivo texto, da responsabilidade de Jos\u00e9 Carlos de Miranda, pela qual se pode apreender a riqueza teol\u00f3gica e po\u00e9tica das mesmas.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Pe Arm\u00e9nio Alves da COSTA J\u00daNIOR, <em>Mosteiro de Jesus de Aveiro, Tesouros musicais\u2026 nos c\u00f3dices quatrocentistas, <\/em>Vol. I, Universidade de Aveiro, 1996, p. 406<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A prop\u00f3sito do<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16801,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[201,162,163],"tags":[],"class_list":["post-16794","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-jubileu-da-catedral","category-pe-pedro-miranda","category-teofonias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16794","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16794"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16794\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16797,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16794\/revisions\/16797"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16801"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16794"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16794"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16794"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}