{"id":16764,"date":"2024-04-07T07:00:01","date_gmt":"2024-04-07T06:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=16764"},"modified":"2024-01-18T12:17:52","modified_gmt":"2024-01-18T12:17:52","slug":"sabes-leitor-3-marca-de-agua-do-livro-de-george-orwell-1984","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/sabes-leitor-3-marca-de-agua-do-livro-de-george-orwell-1984\/","title":{"rendered":"Sabes, leitor&#8230; | 4 | Marca de \u00e1gua do livro de George Orwell, &#8216;1984&#8217;"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\">Rubrica \u2018Sabes, leitor, que estamos ambos na mesma p\u00e1gina\u2019** | <em>Marca de \u00e1gua de livros que deixam marcas profundas<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Parceria:<a href=\"https:\/\/www.federacaopelavida.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> <em>Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa pela Vida<\/em><\/a> e<em> Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura<\/em><\/h6>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva*<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<pre style=\"padding-left: 80px;\"><strong>O autor e a obra\r\n<\/strong><\/pre>\n<h5 style=\"text-align: right;\">George Orwell, <em>1984<\/em>, Lisboa, Rel\u00f3gio D\u2019\u00c1gua, 2021.<\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">George Orwell \u00e9 o pseud\u00f3nimo de Eric Blair, nascido em junho de 1903, na \u00cdndia Brit\u00e2nica. \u20181984\u2019 representa, com \u2018o triunfo dos porcos\u2019, o seu principal legado para a hist\u00f3ria da literatura, ainda que n\u00e3o seja de descurar o seu contributo enquanto ensa\u00edsta. Nos seus ensaios, reflete-se a sua vis\u00e3o cr\u00edtica da sociedade, sempre bem documentada e sustentada em experi\u00eancia vivida. Preparava-se, com a dilig\u00eancia de um jornalista comprometido, para cada texto, como ocorreu com o seu \u2018como morrem os pobres\u2019, que nasce da sua experi\u00eancia de internamento hospitalar, por motivo de pneumonia. Assim tamb\u00e9m o seu \u2018na pen\u00faria em Paris e em Londres\u2019, publicado em 1933, sob o pseud\u00f3nimo que o eternizou, emergiu do seu conhecimento profundo da realidade dos pobres e vagabundos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lutou na guerra civil de Espanha, ao lado dos republicanos, vertendo essa sua experi\u00eancia para <em>Homenagem \u00e0 Catalunha<\/em> (1938).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo uma vis\u00e3o socialista da realidade, n\u00e3o deixou de se distanciar das experi\u00eancias do socialismo real, opondo-se, atrav\u00e9s das suas mais conhecidas obras, \u2018Triunfo dos porcos\u2019 (1945) e \u20181984\u2019 (1948), \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o totalitarista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 dos mais finos cr\u00edticos das ditaduras totalit\u00e1rias.<\/p>\n<pre style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\"><strong>Marcas de \u00e1gua\u00a0 <\/strong><strong>(o que fica depois de se deixar o livro)<\/strong><\/pre>\n<p style=\"text-align: justify;\">George Orwell mostra, neste livro, uma dupla liberdade: n\u00e3o s\u00f3 a que se revela no que diz, mas principalmente a que se revela por diz\u00ea-lo. Vale a pena lembrar que Orwell (Eric Blair, ali\u00e1s\u2026) escreve esta obra em 1948. A R\u00fassia sa\u00edra vencedora da Guerra e a Europa tornara-se russ\u00f3fila. Ela tinha, afinal, derrotado o inimigo comum, que era o nazismo! Ter a coragem de p\u00f4r em causa um regime de que pouco se sabia e que, afinal, derrotara o inimigo que ensombrara o mundo, era \u2018virtude\u2019 que lhe custaria s\u00e9rias adversidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u20181984\u2019 \u00e9 um livro inquietante. Pelo que diz e pelo que deixa subentendido. E, se o que anuncia se tem confirmado, esperemos, vividamente, que n\u00e3o se confirme o que nos reserva a \u00faltima linha do livro: a entrada em vigor da novil\u00edngua foi agendada pelo Partido para 2050\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao livro \u20181984\u2019, cujo protagonista (e v\u00edtima) \u00e9 Winston, devemos algumas das express\u00f5es que se incrustaram, como lapas, na linguagem cr\u00edtica das tenta\u00e7\u00f5es totalit\u00e1rias. Ideias e termos como \u2018pol\u00edcia do pensamento\u2019, \u2018minist\u00e9rio da verdade\u2019, \u2018big brother\u2019, \u2018novil\u00edngua\u2019, \u2018duplipensar\u2019, \u2018patofalar\u2019, \u2018pensacrime\u2019 (crime do pensamento), ou o reconhecimento de que \u2018quem controla o passado controla o futuro\u2019 perpassam esta obra, surpreendendo a incisividade com que se retrata uma realidade feita, toda ela, de ilus\u00e3o e manipula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lemos, hoje, \u20181984\u2019 com uma surpresa in\u00e9dita, pois descobrimos, em cada p\u00e1gina, j\u00e1 n\u00e3o o retrato de uma realidade pol\u00edtica que julg\u00e1vamos ultrapassada, mas com a perplexidade de quem vislumbra, ao espelho, as manchas do pr\u00f3prio rosto. Num tempo da cultura woke, manipuladora, revisionista e negadora da liberdade de pensar, a leitura de \u20181984\u2019 faz doer a alma. As personagens de 1984 poderiam ser substitu\u00eddas pelos nomes de todas as v\u00edtimas contempor\u00e2neas da ousadia de pensar por si, v\u00edtimas de processos de \u2018remiss\u00e3o da verdade\u2019, transformadas em \u2018impessoas\u2019, desaparecidas para sempre do conv\u00edvio dos vivos, por terem ousado pensar por si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u20181984\u2019 \u00e9 um livro de g\u00e9nio e de um g\u00e9nio que alertou e continua a alertar para a vulnerabilidade da verdade e para como, manipulando as massas, atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o de inimigos (virtuais e inexistentes, mas omnipresentes), e promovendo uma cultura do medo, se pode perpetuar a posse do poder, distraindo e alienando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A verdade, como nos leva a concluir, \u00e9 um fruto vulner\u00e1vel, nunca imunizado \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o de quem comanda as leituras do passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1984 \u00e9 um alerta e devia ser obra de leitura obrigat\u00f3ria, antecedida da de \u2018o triunfo dos porcos\u2019. 1984 podia bem ser \u20182023\u2019 ou \u20182024\u2019 ou qualquer outra data de hoje em que se pretende sumir a verdade \u00e0s manipula\u00e7\u00f5es da leitura da verdade, que chegam a fundir, na impessoalidade, indiv\u00edduos que, por se pretender esquecer e a obra que deixaram, se considera nunca terem existido. Nunca existiram, mesmo, diria o \u2018Grande Irm\u00e3o\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Medo, omnivis\u00e3o do grande irm\u00e3o, manipula\u00e7\u00e3o s\u00e3o os condimentos da ditadura. E que maior ditadura do que a que se faz de poderes cuja sede \u00e9 imposs\u00edvel determinar?<\/p>\n<pre style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\"><strong>Na mesma p\u00e1gina que o autor (cita\u00e7\u00f5es)<\/strong><\/pre>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018As pessoas tinham de viver \u2013 e viviam, por um h\u00e1bito tornado instinto \u2013 no pressuposto de que todos os seus ru\u00eddos eram escutados e, exceto \u00e0s escuras, todos os seus movimentos eram escrutinados.\u2019 (p. 18)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Escrever ABAIXO O GRANDE IRM\u00c3O ou abster-se de o escrever n\u00e3o fazia qualquer diferen\u00e7a. Prosseguir com o di\u00e1rio ou n\u00e3o prosseguir, n\u00e3o fazia qualquer diferen\u00e7a. A Pol\u00edcia do Pensamento iria apanh\u00e1-lo na mesma. Havia cometido \u2013 e t\u00ea-lo-ia feito mesmo que n\u00e3o escrevesse nada no papel \u2013 o delito fundamental, que continha em si todos os outros. O pensacrime, como lhe chamavam.\u2019 (p. 32)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A pessoa simplesmente desaparecia, sempre durante a noite. O seu nome era eliminado dos registos, tudo o que essa pessoa alguma vez fizera era apagado, toda a sua exist\u00eancia era negada e depois esquecida. A pessoa era abolida, aniquilada: o ermo mais usado era <em>vaporizada<\/em>.\u2019 (p. 32)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Era quase normal as pessoas com mais de trinta anos terem medo dos seus filhos. E com bons motivos, pois rara era a semana em que o <em>Times<\/em> n\u00e3o trouxesse a descri\u00e7\u00e3o de como um pequeno delator \u2013 \u2018her\u00f3i infantil\u2019 era a express\u00e3o normalmente usada \u2013 ouvira \u00e0s escondidas uma observa\u00e7\u00e3o comprometedora e denunciara os pais \u00e0 Pol\u00edcia do Pensamento.\u2019 (p. 37)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018\u201dAten\u00e7\u00e3o. A vossa aten\u00e7\u00e3o, por favor! Acaba de nos chegar uma not\u00edcia sobre a frente do Malabar. As nossas for\u00e7as no Sul da \u00cdndia alcan\u00e7aram uma vit\u00f3ria gloriosa. Estou autorizado a dizer que a a\u00e7\u00e3o militar que estamos a noticiar pode ter contribu\u00eddo para tornar mais pr\u00f3ximo o final da guerra. Segue-se o <em>flash<\/em> informativo\u2026\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V\u00eam a\u00ed m\u00e1s not\u00edcias, pensou Winston. E, de facto, ap\u00f3s uma v\u00edvida descri\u00e7\u00e3o da aniquila\u00e7\u00e3o dum ex\u00e9rcito eurasi\u00e1tico, com prodigiosos n\u00fameros relativos a inimigos mortos e capturados, veio o an\u00fancio de que a partir da semana seguinte a ra\u00e7\u00e3o de chocolate seria reduzida de trinta para vinte gramas.\u2019 (p. 38)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Em baixo, na rua, o vento sacudia dum lado para o outro o cartaz rasgado, com o que a palavra SOCING ia aparecendo e desaparecendo. Socing. Os princ\u00edpios sagrados do Socing, Novil\u00edngua, duplipensar, a alterabilidade do passado. Winston sentiu como se caminhasse nas florestas do fundo do mar, perdido num mundo monstruoso onde o monstro era ele pr\u00f3prio. Estava sozinho. O passado estava morto, o futuro era inimagin\u00e1vel. Que certeza tinha de ter do seu lado um \u00fanico ser humano? E como podia saber se o dom\u00ednio do Partido n\u00e3o iria durar para sempre?\u2019 (p. 38)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018[\u2026] se toda a gente aceitava a mentira que o Partido impunha \u2013 uma vez que todos os registos a repetiam -, ent\u00e3o a mentira passava \u00e0 hist\u00f3ria e tornava-se verdade. \u201cQuem controla o passado\u201d, dizia o lema do Partido, \u201ccontrola o futuro; quem controla o presente controla o passado.\u201d\u2019 (p. 46)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Esta era a grande subtileza: induzir conscientemente a inconsci\u00eancia [\u2026]\u2019 (p. 46)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Toda a hist\u00f3ria era um palimpsesto, raspado e reescrito tantas vezes quantas fosse necess\u00e1rio.\u2019 (p. 51)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018O camarada Ogilvy, que h\u00e1 uma hora n\u00e3o existia, era agora um facto. Winston pensou em como era curioso que se pudesse criar homens mortos, mas n\u00e3o vivos. O camarada Ogilvy, que nunca existira no presente, existia agora no passado, e, quando este ato de contrafa\u00e7\u00e3o fosse esquecido, a exist\u00eancia dele seria t\u00e3o aut\u00eantica, e documentalmente t\u00e3o fundamentada, como as de Carlos Magno ou de J\u00falio C\u00e9sar.\u2019 (p. 58)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018\u201dN\u00e3o percebes que todo o prop\u00f3sito da novil\u00edngua \u00e9 encurtar o alcance do pensamento? No final vamos tornar o pensacrime literalmente imposs\u00edvel, porque n\u00e3o haver\u00e1 palavras para o exprimir.\u2019 (p. 62)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A filosofia do Partido negava n\u00e3o s\u00f3 a validade da experi\u00eancia, mas a pr\u00f3pria exist\u00eancia da realidade externa. A maior heresia era o senso comum. [\u2026] O Partido dizia \u00e0s pessoas para recusarem as evid\u00eancias que lhes entravam pelos olhos e pelos ouvidos.\u2019 (p. 89)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Muitas vezes estava disposta a aceitar os mitos oficiais simplesmente porque a diferen\u00e7a entre verdade e mentira n\u00e3o lhe parecia importante.\u2019 (p. 157)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Um membro do Partido vive do nascimento at\u00e9 \u00e0 morte sob o olhar da Pol\u00edcia do Pensamento.\u2019 (p. 210)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018P\u00e1ra-crime significa a faculdade de interromper abruptamente, como por instinto, qualquer in\u00edcio de pensamento perigoso.\u2019 (p. 211)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018A palavra-chave aqui \u00e9 pretobranco. Tal como muitas palavras de novil\u00edngua, esta encerra dois significados mutuamente contradit\u00f3rios. Aplicada a um advers\u00e1rio, significa o insolente costume de afirmar que o preto \u00e9 branco, contrariando a evid\u00eancia dos factos. Aplicada a um membro do Partido, significa a leal disposi\u00e7\u00e3o para dizer que o preto \u00e9 branco quando assim o exige a disciplina partid\u00e1ria. Mas tamb\u00e9m significa a capacidade de acreditar que o preto \u00e9 branco, e, mais at\u00e9, de saber que o preto \u00e9 branco e de esquecer que alguma vez se acreditou no contr\u00e1rio. Isso exige uma altera\u00e7\u00e3o permanente do passado, tornada poss\u00edvel pelo sistema de pensamento, que realmente abrange tudo o resto, conhecido em novil\u00edngua como duplipensar.\u2019 (p. 211)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018O Minist\u00e9rio da Paz ocupa-se da guerra, o da Verdade ocupa-se da mentira, o do Amor encarrega-se da tortura, e o da Fartura lida com a fome.\u2019 (p. 215)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018O que quer que o Partido considere ser a verdade \u00e9 a verdade.\u2019 (p. 248)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Cort\u00e1mos as liga\u00e7\u00f5es entre pais e filhos, e entre um homem e outro, e entre os homens e as mulheres. J\u00e1 ningu\u00e9m se atreve a confiar na sua mulher, nos seus filhos, nos seus amigos. Mas no futuro n\u00e3o haver\u00e1 esposas nem amigos. As crian\u00e7as ser\u00e3o tiradas \u00e0s m\u00e3es \u00e0 nascen\u00e7a, tal como se tiram os ovos \u00e0s galinhas.\u2019 (p. 265)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018Fora principalmente para dar tempo a esse trabalho preliminar de tradu\u00e7\u00e3o que a ado\u00e7\u00e3o definitiva da novil\u00edngua fora fixada para uma data t\u00e3o long\u00ednqua como 2050.\u2019 (p. 307 \u2013 \u00faltima frase do livro).<\/p>\n<h5 style=\"text-align: right;\">**(T\u00edtulo retirado de Daniel Faria, Dos l\u00edquidos, Porto, Edi\u00e7\u00e3o Funda\u00e7\u00e3o Manuel Le\u00e3o, 2000, p. 137)<\/h5>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">*Professor, Presidente da Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Autor de &#8216;Ensaios <em>de<\/em> liberdade&#8217;, &#8216;Bem-nascido&#8230; Mal-nascido&#8230; Do &#8216;filho perfeito&#8221; ao filho humano&#8217; e de &#8216;Teologia, ci\u00eancia e verdade: fundamentos para a defini\u00e7\u00e3o do estatuto epistemol\u00f3gico da Teologia, segundo Wolfhart Pannenberg&#8217;<\/h6>\n<pre style=\"padding-left: 80px;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rubrica \u2018Sabes, leitor,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16765,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,55,198],"tags":[],"class_list":["post-16764","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-programa-diocesano-de-livros-e-leituras","category-luis-manuel-pereira-da-silva","category-sabes-leitor-que-estamos-ambos-na-mesma-pagina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16764","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16764"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16764\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16997,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16764\/revisions\/16997"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16765"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16764"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16764"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16764"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}