{"id":16732,"date":"2023-12-01T12:23:58","date_gmt":"2023-12-01T12:23:58","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=16732"},"modified":"2023-12-01T12:23:58","modified_gmt":"2023-12-01T12:23:58","slug":"modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao-p-pautado-pautado-pelo-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao-p-pautado-pautado-pelo-tempo\/","title":{"rendered":"Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o | &#8220;P&#8221;&#8230; [&#8220;Pautado&#8230;&#8221;] &#8211; Pautado pelo Tempo"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><strong><em>Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o\u00a0<\/em><\/strong><\/h5>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: right;\"><em>&#8220;P&#8221;&#8230; [&#8220;Pautado&#8230;&#8221;]<\/em><\/h2>\n<hr \/>\n<h1 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: center;\">Pautado pelo Tempo<\/h1>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Miguel Oliveira Pan\u00e3o<\/h4>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\">Blog<\/a> &amp; <a href=\"https:\/\/www.miguelpanao.com\/livros\/\">Autor<\/a> &amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Newsletter<\/a><\/h3>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Acordamos de manh\u00e3 e uma das primeiras coisas que fazemos \u00e9 olhar para as horas. Durante o dia ser\u00e3o in\u00fameras as vezes que olhamos para o rel\u00f3gio para nos situarmos no tempo. O tempo marcado pelas horas, minutos e segundos possui duas perspectivas: fragmenta; ou orienta a vida. Independentemente de qual a perspectiva que mais sentimos, certo ser\u00e1 que, aparentemente, e numa profunda aliena\u00e7\u00e3o relativa \u00e0 nossa vontade, a vida \u00e9 <em>pautada pelo tempo.<\/em><\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Se tivesses de representar o tempo com um desenho, o que farias? A maior parte das pessoas inclina-se para uma seta se pensar na unicidade da direc\u00e7\u00e3o e sentido do tempo. Outras poder\u00e3o desenhar um rel\u00f3gio por reconhecer o car\u00e1cter c\u00edclico do tempo. Os nossos computadores desenhavam uma ampulheta para alertar que esper\u00e1ssemos enquanto processam algum algoritmo, mas hoje optam pela vers\u00e3o circular quando nos fazem esperar. Raramente nos questionamos que no\u00e7\u00e3o de tempo estaremos a representar. Por\u00e9m, existem tr\u00eas e os Gregos criaram em torno dessas tr\u00eas perspectivas para o tempo, uma irmandade. A irmandade do tempo com o <em>Chronos<\/em> \u2014 irm\u00e3o do tempo sequencial \u2014, o <em>Kairos<\/em> \u2014 irm\u00e3o do tempo oportuno e o (esquecido) <em>Aion<\/em> \u2014 o irm\u00e3o do tempo c\u00edclico ou eterno. Sob qual destas tr\u00eas perspectivas deixamos que a nossa vida seja pautada pelo tempo?<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Quem vive para o tempo pauta a sua vida pelo <em>Chronos<\/em> ou tempo cronol\u00f3gico. Quem vive sem tempo pauta a sua vida pelo <em>Kairos<\/em>, ou tempo kairol\u00f3gico, a partir das oportunidades que se apresentam. Poucos s\u00e3o os que pensam em pautar a sua vida pelo <em>Aion<\/em> ou tempo aionol\u00f3gico por compreenderem pouco (ou de todo) como o grande arco da narrativa c\u00f3smica, cuja escala de tempo \u00e9 enorme, poder\u00e1 alguma vez interagir com a nossa finitude. Por\u00e9m, ser\u00e1 preciso actualizarmos a vis\u00e3o que temos desta irmandade do tempo \u00e0 cultura hodierna para compreendermos a raz\u00e3o de sermos pautados pelo tempo, sem que isso se torne num stress do tempo cronol\u00f3gico ou vida \u00e0 deriva do tempo kairol\u00f3gico, mas sintetizando a sequ\u00eancia de instantes com os instantes oportunos, e chegar a uma percep\u00e7\u00e3o experiencial do tempo que ofere\u00e7a uma tal profundidade que sintamos valer a pena que a nossa vida seja pautada por essa percep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Nos prim\u00f3rdios da humanidade, a ocasi\u00e3o preenchia a nossa percep\u00e7\u00e3o do tempo. O tempo n\u00e3o se media pelos rel\u00f3gios, mas pelos momentos oportunos que a vida suscitava no nosso caminho pela hist\u00f3ria. Vivia-se no <em>Kairos<\/em>. Depois, os fil\u00f3sofos gregos quiseram compreender que tipo de experi\u00eancia era a do tempo e definiram-no como a medida da mudan\u00e7a. Pois, s\u00f3 quando algo mudava \u00e9 que t\u00ednhamos a percep\u00e7\u00e3o da &#8220;passagem&#8221; do tempo. Ao notarem que a mudan\u00e7a era c\u00edclica com os dias e as esta\u00e7\u00f5es, abriu-se a estrada para que um dia se constru\u00edsse um instrumento que medisse a mudan\u00e7a: o rel\u00f3gio. A partir desse momento e da possibilidade de sincronizarmos as nossas vidas com os rel\u00f3gios, pass\u00e1mos todos a viver no <em>Chronos<\/em>. Por\u00e9m, n\u00e3o sei se alguma vez nos apercebemos de que viver no <em>Chronos<\/em> teria um pre\u00e7o.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Tudo o que temos como fruto do nosso trabalho foi pago por um pre\u00e7o. Quando trabalhamos para pagar as nossas contas, vivemos literalmente a frase de Benjamin Franklin de que <em>o tempo \u00e9 dinheiro<\/em>. Por isso, a vida acelerou-se e pauta-se pelo controlo do nosso tempo na tentativa de poder pagar aquilo que lhe traz algum conforto e realiza\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, qual o pre\u00e7o real de tudo aquilo que pagamos? N\u00e3o \u00e9 dinheiro, mas <em>tempo de vida que gastamos<\/em> para ganhar esse dinheiro. Perdemos a no\u00e7\u00e3o de tempo e quando envelhecemos e olhamos para aquilo que fizemos com o tempo que nos foi dado, poderemos sentir o remorso. O pre\u00e7o de uma vida pautada somente pelo <em>Chronos<\/em> \u00e9 o dom\u00ednio do tempo sequencial sobre as restantes duas percep\u00e7\u00f5es do tempo (oportuno e &#8230;?).<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">\u00c9 urgente actualizarmos a vers\u00e3o que temos da vida pautada pela sequ\u00eancia de instantes. Actualizar para alargar o sentimento da necessidade de gerir cada vez mais e melhor o tempo cronol\u00f3gico. Precisamos de uma vers\u00e3o n\u00e3o restrita \u00e0 cronologia, nem restrita pela oportunidade da &#8220;kairologia&#8221;, mas uma vers\u00e3o onde pud\u00e9ssemos equilibrar as diferentes percep\u00e7\u00f5es do tempo. Vi no <em>Aion<\/em> como <em>tempo profundo<\/em> essa possibilidade. Uma vida pautada somente pelos tempos cronol\u00f3gico e kairol\u00f3gico \u00e9 uma vida bi-dimensional. O <em>tempo profundo<\/em> estende a temporalidade da vida a uma terceira dimens\u00e3o onde a hora e a oportunidade se <em>harmonizam<\/em>.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/israeljam22-1523949\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2324118\">Israel Trejo<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2324118\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modos de intera\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16733,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[196,57,62],"tags":[],"class_list":["post-16732","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-p-pautado","category-miguel-oliveira-panao","category-modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16732","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16732"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16732\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16734,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16732\/revisions\/16734"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16733"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16732"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16732"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16732"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}