{"id":16667,"date":"2023-11-21T09:51:55","date_gmt":"2023-11-21T09:51:55","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=16667"},"modified":"2023-11-21T09:51:55","modified_gmt":"2023-11-21T09:51:55","slug":"documentos-homilia-do-jubileu-das-instituicoes-de-solidariedade-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/documentos-homilia-do-jubileu-das-instituicoes-de-solidariedade-social\/","title":{"rendered":"Documentos | Homilia do Jubileu das Institui\u00e7\u00f5es de Solidariedade Social"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\" style=\"text-align: center;\"><strong>\u00abNunca afastes de algum pobre o teu olhar\u00bb<\/strong>\u00a0(Tb\u00a04, 7)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus, no cap\u00edtulo 25 do Evangelho de S. Mateus, apresenta tr\u00eas par\u00e1bolas sobre o tema da vigil\u00e2ncia, que n\u00e3o mostram uma ang\u00fastia perante o futuro, mas insistem na responsabilidade para enfrentar o momento presente: par\u00e1bola das virgens n\u00e9scias e prudentes (mt 25, 1-13; par\u00e1bola dos talentos (Mt 25, 14-30) que escut\u00e1mos no Evangelho e o Ju\u00edzo Final, ou as obras de miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A par\u00e1bola dos talentos fala-nos, com insist\u00eancia, da atitude da vigil\u00e2ncia. O trabalho intenso que deseja fazer frutificar os dons recebidos n\u00e3o nos deve afastar da atitude da vigil\u00e2ncia. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 essa a maneira de velar segundo a vontade do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dom recebido que temos de fazer produzir est\u00e1 expresso em termos materiais: o talento equivale a mais de 34 Kg. Embora se trate de um talento de prata e n\u00e3o de ouro, \u00e9 uma soma muito importante. O tesouro que Deus colocou nas nossas m\u00e3os \u00e9 a capacidade de trabalho. O nosso trabalho material, a nossa atividade na vida, mant\u00eam<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">vigilante o esp\u00edrito que espera o Senhor. A vigil\u00e2ncia converte-se, assim, num esfor\u00e7o, para que a nossa vida resulte frutuosa. O final da par\u00e1bola abre-nos o caminho para o tema seguinte, as obras de miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em toda a sua vida, Jesus identificou-se com aquelas pessoas cuja dignidade estava, por vezes, diminu\u00edda ou fragilizada. Ter miseric\u00f3rdia \u00e9 a configura\u00e7\u00e3o por excel\u00eancia do rosto dos seguidores e seguidoras de Jesus. Abrir o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 miseric\u00f3rdia \u00e9 viver \u201cas obras de miseric\u00f3rdia\u201d, fazer a experi\u00eancia do encontro, da \u2018peregrina\u00e7\u00e3o\u2019 pelas variadas periferias existenciais. A f\u00e9 crist\u00e3 sup\u00f5e a aten\u00e7\u00e3o ao outro. Quem se torna um disc\u00edpulo de Jesus deve ser um agente da miseric\u00f3rdia de Deus para com as pessoas, os pobres e os pecadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prega\u00e7\u00e3o de Jesus apresenta-nos as obras de miseric\u00f3rdia, para podermos perceber se vivemos ou n\u00e3o como seus disc\u00edpulos. Redescubramos as obras de\u00a0<em>miseric\u00f3rdia corporal<\/em>: dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assist\u00eancia aos enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos. E n\u00e3o esque\u00e7amos as obras de\u00a0<em>miseric\u00f3rdia espiritual<\/em>: aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paci\u00eancia as pessoas molestas, rezar a Deus pelos vivos e defuntos\u00bb (MV n\u00ba 15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja \u00e9 \u201ca casa e a escola da comunh\u00e3o\u201d que se edifica em torno da Eucaristia, sacramento da comunh\u00e3o eclesial onde, participando realmente do corpo do Senhor, somos elevados \u00e0 comunh\u00e3o com Ele e entre n\u00f3s. O p\u00e3o partido e repartido que celebramos em cada Eucaristia \u00e9 tamb\u00e9m compromisso pessoal de cada um de n\u00f3s em sermos testemunhas da Sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A simplicidade de vida, que o Evangelho nos prop\u00f5e, nasce do amor aos outros e traz algumas exig\u00eancias \u00e0 nossa vida de disc\u00edpulos de Jesus. Temos de tomar consci\u00eancia de que a rela\u00e7\u00e3o do homem com os bens materiais n\u00e3o \u00e9 de dom\u00ednio, mas sim de simples administra\u00e7\u00e3o (cf.\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a016,2), e n\u00e3o podemos chamar nosso \u00e0quilo que pertence a todos, tal como se afirma no Serm\u00e3o da Montanha: \u00ab<em>O que quiserdes que vos fa\u00e7am os homens, fazei-o tamb\u00e9m a ele<\/em>s\u00bb (<em>Mt<\/em>\u00a07,12). Jesus foi o rosto vis\u00edvel do Deus invis\u00edvel e aquele que melhor cultivou um estilo de vida simples e partilhada. A seu exemplo, recordemos que \u201ca felicidade est\u00e1 mais em dar do que em receber\u201d (<em>At\u00a0<\/em>20,35).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ano jubilar que estamos a viver e que esta peregrina\u00e7\u00e3o \u00e9 exemplo disso mesmo, \u00e9 um tempo para pormos em pr\u00e1tica valores sociais e religiosos, louvarmos a Deus, celebrando com alegria os seus gestos salvadores, reconhecendo que tudo recebemos das suas m\u00e3os e que n\u00f3s n\u00e3o passamos de administradores dos seus bens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunh\u00e3o eclesial \u00e9 comunh\u00e3o de vida, de caridade e de verdade e, enquanto liga\u00e7\u00e3o do homem com Deus, cria uma nova rela\u00e7\u00e3o entre os pr\u00f3prios seres humanos e manifesta a natureza sacramental da Igreja. Para que a comunh\u00e3o n\u00e3o seja algo abstrato \u00e9 necess\u00e1rio que se estimule a comunica\u00e7\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o interpessoal e de grupo, o trabalho em equipa, a colabora\u00e7\u00e3o\u2026, evitando tudo aquilo que leve \u00e0 dispers\u00e3o, ao isolamento, \u00e0 divis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa Francisco, na Mensagem para este Dia Mundial do Pobre, afirma: \u00abHoje damos gra\u00e7as ao Senhor porque h\u00e1 tantos homens e mulheres que vivem a dedica\u00e7\u00e3o aos pobres e exclu\u00eddos e a partilha com eles; pessoas de todas as idades e condi\u00e7\u00f5es sociais que praticam a hospitalidade e se empenham junto daqueles que se encontram em situa\u00e7\u00f5es de marginaliza\u00e7\u00e3o e sofrimento. N\u00e3o s\u00e3o super-homens, mas \u00abvizinhos de casa\u00bb que encontramos cada dia e que, no sil\u00eancio, se fazem pobres com os pobres. N\u00e3o se limitam a dar qualquer coisa: escutam, dialogam, procuram compreender a situa\u00e7\u00e3o e as suas causas, para dar conselhos adequados e indica\u00e7\u00f5es justas. Est\u00e3o atentos tanto \u00e0 necessidade material como \u00e0 espiritual, ou seja, \u00e0 promo\u00e7\u00e3o integral da pessoa. O Reino de Deus torna-se presente e vis\u00edvel neste servi\u00e7o generoso e gratuito; \u00e9 realmente como a semente que caiu na boa terra da vida destas pessoas, e d\u00e1 fruto (cf.\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a08, 4-15). A gratid\u00e3o a tantos volunt\u00e1rios deve fazer-se ora\u00e7\u00e3o para que o seu testemunho possa ser fecundo\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Carta Pastoral para o Ano Jubilar diz-se que a \u00abcredibilidade da Igreja passa pela estrada do amor misericordioso e compassivo; pratiquemos gestos de miseric\u00f3rdia para com todos os que necessitam de ser acolhidos e ajudados nas suas fragilidades, sobretudo os mais pobres. Uma palavra especial merecem os imigrantes, que em grande n\u00famero procuram as nossas terras para viver. A sua inser\u00e7\u00e3o e as suas convic\u00e7\u00f5es religiosas s\u00e3o outro desafio ao qual devemos estar atentos\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que Nossa Senhora da Assun\u00e7\u00e3o, titular da nossa Catedral, e a Princesa Santa Joana, nossa padroeira, nos ajudem a viver e a dar frutos de santidade neste Jubileu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\"><em>Senhor Jesus, Bom Pastor,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\"><em>n\u00f3s te agradecemos a Igreja que somos,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\"><em>com as suas luzes, as suas sombras,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\"><em>e o desejo de fidelidade ao Evangelho.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\"><em>Ensina-nos a ver os sinais da tua presen\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\"><em>Ajuda-nos a viver o amor e a comunh\u00e3o, marcas da tua Igreja.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\"><em>Faz-nos sentir a necessidade de edificar a Igreja pela ora\u00e7\u00e3o,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\"><em>pela colabora\u00e7\u00e3o e pela partilha de bens,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\"><em>para construir a nossa Igreja de Aveiro sobre rocha firme.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\"><em>Acendei no nosso cora\u00e7\u00e3o um zelo ardente que nos entusiasme a anunciar a Boa Nova a todos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\"><em>Amen.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u00a0Aveiro, 19 de novembro de 2023.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-center\" style=\"text-align: center;\">+ Ant\u00f3nio Manuel Moiteiro Ramos, bispo de Aveiro<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-16669 aligncenter\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/dmpOBRE_IMG-460x1024-1.jpg\" alt=\"\" width=\"460\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/dmpOBRE_IMG-460x1024-1.jpg 460w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/dmpOBRE_IMG-460x1024-1-135x300.jpg 135w\" sizes=\"auto, (max-width: 460px) 100vw, 460px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abNunca afastes de<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16668,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47,12],"tags":[],"class_list":["post-16667","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-d-antonio-manuel-moiteiro-ramos","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16667","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16667"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16667\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16670,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16667\/revisions\/16670"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16668"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16667"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16667"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16667"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}