{"id":16653,"date":"2024-01-07T07:00:46","date_gmt":"2024-01-07T07:00:46","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=16653"},"modified":"2024-01-12T20:23:12","modified_gmt":"2024-01-12T20:23:12","slug":"sabes-leitor-1-marca-de-agua-do-livro-de-johannes-hartl-la-cultura-del-eden","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/sabes-leitor-1-marca-de-agua-do-livro-de-johannes-hartl-la-cultura-del-eden\/","title":{"rendered":"Sabes, leitor&#8230; | 1 | Marca de \u00e1gua do livro de Johannes Hartl, &#8216;La cultura del Ed\u00e9n&#8217;"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\">Rubrica \u2018Sabes, leitor, que estamos ambos na mesma p\u00e1gina\u2019** | <em>Marca de \u00e1gua de livros que deixam marcas profundas<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Parceria:<a href=\"https:\/\/www.federacaopelavida.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> <em>Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa pela Vida<\/em><\/a> e<em> Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura<\/em><\/h6>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva*<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<pre style=\"padding-left: 80px;\"><strong>O autor e a obra<\/strong><\/pre>\n<h5 style=\"text-align: right; padding-left: 280px;\"><a href=\"https:\/\/johanneshartl.org\/en\/\">Johannes Hartl<\/a>, <em>La cultura del Ed\u00e9n: ecologia del coraz\u00f3n para un nuevo ma\u00f1ana<\/em>, Madrid, Ediciones Rialp, 2023.<\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Johannes Hartl [1979-\u2026] \u00e9 um fil\u00f3sofo e te\u00f3logo alem\u00e3o, requisitado um pouco por todo o mundo para proferir confer\u00eancias. Infelizmente, constata-se ser um ilustre desconhecido em Portugal. \u00c9 autor de \u2018Deus indom\u00e1vel\u2019, \u2018Fogo no meu cora\u00e7\u00e3o\u2019, etc., obras ainda n\u00e3o traduzidas em Portugal. Eu pr\u00f3prio s\u00f3 muito recentemente conheci este autor. Este livro foi-me apresentado pelos padres da Arquidiocese de Col\u00f3nia que acolhemos, na comunidade de Santiago de Bedu\u00eddo, nos <em>dias nas dioceses<\/em>, tempo preparat\u00f3rio da JMJ|Lisboa 2023.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<pre style=\"padding-left: 80px;\"><strong>Marcas de \u00e1gua<\/strong> <strong>(o que fica, depois de se deixar o livro)<\/strong><\/pre>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro <em>A cultura do \u00c9den<\/em> deixa em quem o l\u00ea um sabor a esperan\u00e7a, diante dos enormes desafios de um mundo que anseia pelo \u00c9den, mas que parece afastar-se constantemente de se encaminhar para ele. O autor enfrenta algumas das mais desafiantes quest\u00f5es da atualidade, com muita l\u00f3gica, argumenta\u00e7\u00e3o e sempre confirmada documenta\u00e7\u00e3o. Os desafios colocados \u00e0 fam\u00edlia, \u00e0 antropologia de pendor personalista, s\u00e3o encarados como interpela\u00e7\u00f5es diante das quais cabe perceber onde est\u00e3o os equ\u00edvocos e dar-lhes adequada resposta e proposta. O autor n\u00e3o teme, nunca, estar em contracorrente, certo da valia dos seus argumentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um livro a ter por perto, n\u00e3o como manual de receitas, mas como guia para condu\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es de denso nevoeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia fundamental deste livro decorre do desenvolvimento do axioma central de que uma vida realizada est\u00e1 assente em tr\u00eas pilares: v\u00ednculo, sentido e beleza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor n\u00e3o se basta em argumentar, de forma racional (ainda que tal j\u00e1 n\u00e3o fosse pouco e o autor n\u00e3o o dispense, quando necess\u00e1rio) e abstrata, a import\u00e2ncia de cada uma destas condi\u00e7\u00f5es (necess\u00e1rias). Evidencia-o, repercutindo estudos devidamente identificados que confirmam a sua leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, no que concerne \u00e0 condi\u00e7\u00e3o \u2018sentido\u2019, entre outras confirma\u00e7\u00f5es, o autor recorda que Estudos realizados por Aliya Alimujian e Ashley Wiensch, publicados, em 2019, no Jama network open, concluem que &#8216;as pessoas que consideram que a sua vida tem sentido t\u00eam duas vezes e meia menos probabilidades de sofrer derrames cerebrais e enfartes.&#8217; (p.195).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que se refere \u00e0 condi\u00e7\u00e3o \u2018v\u00ednculo\u2019, Este autor recorda, nas p\u00e1ginas 90 e 91, dois estudos de 2019 que evidenciam que os adolescentes sem v\u00ednculo s\u00f3lido ao pai custam ao Estado em m\u00e9dia cerca de 15 mil euros, muito mais do que os 1450 que custa um adolescente com v\u00ednculo seguro ao pai. Autores desses estudos: Christian bachmann, jennifer beecham e thomas o&#8217;connor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, ao refletir sobre a beleza, n\u00e3o deixa de recordar como esta serviu, na Alb\u00e2nia contempor\u00e2nea, para diminuir a criminalidade, quando Edi Rama chegou a presidente da capital, Tirana, e decidiu empreender uma densa obra de requalifica\u00e7\u00e3o e embelezamento que se repercutiu na diminui\u00e7\u00e3o da delinqu\u00eancia, pela via da arquitetura e da cria\u00e7\u00e3o de parques verdes e com presen\u00e7a de arte. (p. 329)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<pre style=\"padding-left: 80px;\"><strong>Na mesma p\u00e1gina que o autor (cita\u00e7\u00f5es)<\/strong><\/pre>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cS\u00f3 os seres humanos se interessam com a morte, s\u00f3 os seres humanos s\u00e3o religiosos.\u201d (p. 38)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO amor \u00e9 o mais importante da vida. A desvincula\u00e7\u00e3o faz com que se adoe\u00e7a.\u201d (p. 58)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cUma an\u00e1lise de 2010 dos dados de mais de catorze mil estudantes universit\u00e1rios dos \u00faltimos trinta anos mostra que, desde o ano de 2000, os jovens evidenciaram uma dr\u00e1stica descida do seu interesse pelas outras pessoas. [\u2026]\u201d (Nota 29, p. 68)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO v\u00ednculo, e n\u00e3o a luta pela sobreviv\u00eancia, \u00e9 a for\u00e7a motriz.\u201d (p. 73)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNumerosos estudos demonstram o que sempre se soube intuitivamente: os homens criam as crian\u00e7as de modo diferente das mulheres e uma crian\u00e7a necessita tanto de um pai como de uma m\u00e3e.\u201d (p. 78)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO v\u00ednculo com a m\u00e3e e o v\u00ednculo com o pai s\u00e3o diferentes: ambos t\u00eam efeitos extremamente duradouros e bem diferentes. [\u2026] A separa\u00e7\u00e3o dos pais tem um efeito t\u00e3o grande em 43% das crian\u00e7as que o seu mundo interior se desmorona.\u201d (p. 79)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cUma sociedade n\u00e3o \u00e9 mais do que uma grande rede de rela\u00e7\u00f5es.\u201d (p. 89)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOs estudos demonstram que a exclus\u00e3o social d\u00f3i ao n\u00edvel cerebral tanto como a dor f\u00edsica.\u201d (p. 98)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO cultor do corpo \u00e9 uma tend\u00eancia que infelizmente tem muito futuro. O melhoramento humano ser\u00e1 a etapa seguinte. No futuro, as componentes manom\u00e9tricas, a estimula\u00e7\u00e3o seletiva de determinadas zonas do c\u00e9rebro e a manipula\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica molecular far\u00e3o com que as pessoas sejam mais r\u00e1pidas, mais bem-sucedidas, mais s\u00e3s e perfeitas. No entanto, o cora\u00e7\u00e3o humano nutre-se dos v\u00ednculos. Por isso, tratar a vergonha e o perfecionismo \u00e9 uma quest\u00e3o chave para o futuro. As pessoas que puderem criar uma proximidade profunda e vulner\u00e1vel consigo mesmas e com as demais ter\u00e3o um tesouro que ser\u00e1 cada vez mais pretendido.\u201d (p. 100)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOs seres humanos podem viver uma vida emocionalmente s\u00e3 sem sexo, mas n\u00e3o sem proximidade f\u00edsica. O tato sens\u00edvel n\u00e3o sexual chama-se sensualidade.\u201d (p. 121)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO eu n\u00e3o s\u00f3 tem um corpo, o eu \u00e9 um corpo.\u201d (p. 121)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNecessitamos de uma revolu\u00e7\u00e3o da sensualidade. Porque a conex\u00e3o com o nosso corpo e o contacto sens\u00edvel com os demais \u00e9 o que nenhuma intelig\u00eancia artificial poder\u00e1 proporcionar nunca.\u201d (P. 122)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSegundo [Viktor] Frankl, a busca de sentido \u00e9 a principal motiva\u00e7\u00e3o de uma pessoa na vida.\u201d (p. 168)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSem sentido, a vida humana \u00e9 inumana.\u201d (P. 170)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFazer sempre o que \u00e9 agrad\u00e1vel \u00e9 o caminho seguro para uma vida sem sentido.\u201d (p. 173)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSempre que o homem se encarrega de definir o bem e o mal com a sua pr\u00f3pria autoridade, torna-se perigoso. Sempre que o homem come\u00e7a a tergiversar a verdade, torna-se mortal. Porque nada destr\u00f3i mais o sentido do que a mentira.\u201d (p. 182)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO sentido n\u00e3o se constr\u00f3i, mas sim encontra-se.\u201d (p. 215)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO sentido tamb\u00e9m tem que ver com o facto de que uma pessoa sinta o que \u00e9 correto fazer. O sentido n\u00e3o s\u00f3 tem que ver com o pr\u00f3prio eu, mas tamb\u00e9m com a constata\u00e7\u00e3o de que algo representa um valor em si mesmo que me obriga a viver de acordo com isso.\u201d (p. 216)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c[\u2026] continua a ser verdade que s\u00e3o as coisas belas que resistem \u00e0 passagem do tempo.\u201d (p. 267)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA beleza \u00e9 um lugar do qual n\u00e3o queres sair.\u201d (P. 275)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO que s\u00f3 se cria para uma fun\u00e7\u00e3o, tarde ou cedo se torna obsoleto.\u201d (p. 299)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cS\u00f3 quando aprendermos a ver algo profundamente digno no pobre, em quem sofre, no incapacitado, no n\u00e3o nascido e no moribundo, sentiremos o nosso pr\u00f3prio e inquebrant\u00e1vel valor como seres humanos.\u201d (p. 339)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAmar uma pessoa significa am\u00e1-la pelo que \u00e9. Como uma unidade de corpo, mente e alma.\u201d (p. 342)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuanto menos sabe uma pessoa quem \u00e9, de mais coisas necessita, segundo Fromm.\u201d (p. 364)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEnquanto a humanidade investiga a IA e os rob\u00f4s, cresce paralelamente o anseio de um futuro que continue sendo humano.\u201d (p. 375)<\/p>\n<hr \/>\n<h5 style=\"text-align: right;\">**T\u00edtulo retirado de Daniel Faria, <em>Dos l\u00edquidos<\/em>, Porto, Edi\u00e7\u00e3o Funda\u00e7\u00e3o Manuel Le\u00e3o, 2000, p. 137<\/h5>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">*Professor, Presidente da Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Autor de &#8216;Ensaios <em>de<\/em> liberdade&#8217;, &#8216;Bem-nascido&#8230; Mal-nascido&#8230; Do &#8216;filho perfeito&#8221; ao filho humano&#8217; e de &#8216;Teologia, ci\u00eancia e verdade: fundamentos para a defini\u00e7\u00e3o do estatuto epistemol\u00f3gico da Teologia, segundo Wolfhart Pannenberg&#8217;<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rubrica \u2018Sabes, leitor,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16654,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,55,198],"tags":[],"class_list":["post-16653","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-programa-diocesano-de-livros-e-leituras","category-luis-manuel-pereira-da-silva","category-sabes-leitor-que-estamos-ambos-na-mesma-pagina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16653","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16653"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16653\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16978,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16653\/revisions\/16978"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16654"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16653"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16653"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16653"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}