{"id":16582,"date":"2023-11-06T19:41:58","date_gmt":"2023-11-06T19:41:58","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=16582"},"modified":"2024-10-29T22:08:53","modified_gmt":"2024-10-29T22:08:53","slug":"luis-manuel-pereira-da-silva-fundamentos-para-uma-eco-teo-etica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/luis-manuel-pereira-da-silva-fundamentos-para-uma-eco-teo-etica\/","title":{"rendered":"Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva | Fundamentos para uma eco-teo-\u00e9tica"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\">Bio\u00e9tica e sociedade<br \/>\n(Parceria com o Centro de Estudos de Bio\u00e9tica)<\/h6>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Fundamentos para uma eco-<em>teo<\/em>-\u00e9tica<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Terap\u00eautica das enfermidades da quest\u00e3o ecol\u00f3gica<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva*<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right; padding-left: 320px;\">(Republica\u00e7\u00e3o de ensaio escrito em 2005 no contexto da investiga\u00e7\u00e3o em bio\u00e9tica realizada, pelo autor, no mestrado ministrado pelo Instituto de Bio\u00e9tica da UCP-Porto)<\/h6>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contrariamente ao que, pelo subt\u00edtulo, se poder\u00e1 pressupor, a nossa abordagem n\u00e3o pretende incidir sobre <em>os factos<\/em> em que, quando se fala de ecologia, toda a reflex\u00e3o ambientalista se debru\u00e7a. A nossa preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Constatando que a \u00abquest\u00e3o ecol\u00f3gica\u00bb \u00e9, na sociedade actual, tratada como um assunto entre os demais, confinando a tem\u00e1tica a um apartado das ci\u00eancias, particularmente das de teor biol\u00f3gico, propusemo-nos analisar as causas mais profundas desta \u00abdepartamenta\u00e7\u00e3o\u00bb da quest\u00e3o, que tem conduzido a uma inefic\u00e1cia das solu\u00e7\u00f5es propostas, dado que revelam um deficit de capacidade de se universalizarem. S\u00f3 na medida em que a \u00e9tica ambiental se afigurar como depreendida de raz\u00f5es mais profundas do que a mera resposta de urg\u00eancia \u00e9 que as suas reflex\u00f5es se revelar\u00e3o universaliz\u00e1veis, e, por isso, capazes de afectar a todo o indiv\u00edduo com consci\u00eancia moral. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, a pergunta que deveremos fazer-nos ser\u00e1 esta: porqu\u00ea respeitar a natureza? Se a pergunta se motiva apenas por raz\u00f5es conjunturais, a sua resposta extinguir-se-\u00e1 na conjunturalidade da sua pr\u00f3pria emerg\u00eancia e cumprimento. Se for este o motivo da \u00abquest\u00e3o ecol\u00f3gica\u00bb, a ecologia afundar-se-\u00e1 no ef\u00e9mero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resultado da nossa an\u00e1lise n\u00e3o pretende, nem o poderia ousar fazer &#8211; dado situar-se no \u00e2mbito de uma reflex\u00e3o em bio\u00e9tica &#8211; realizar apolog\u00e9tica teol\u00f3gica, para o que n\u00e3o bastaria a alus\u00e3o, de teor formal, \u00e0 \u00abcondi\u00e7\u00e3o de todas as hip\u00f3teses\u00bb, dito <em>Deus<\/em>. Um olhar atento ao nosso percurso, constatar\u00e1 estarmos diante de uma investiga\u00e7\u00e3o que pretende fazer a genealogia da \u00e9tica moderna, propondo-se apontar os seus limites e sua respectiva estrat\u00e9gia de supera\u00e7\u00e3o, tomando como referencial permanente esta quest\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica do homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que concerne \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o e titula\u00e7\u00e3o das sec\u00e7\u00f5es do trabalho, iremos tra\u00e7ar um percurso como se estiv\u00e9ssemos diante de uma enfermidade que urge tratar. E \u00e9-o, de facto, pois \u00e9-nos evidente que a abordagem sobre \u00aba quest\u00e3o ecol\u00f3gica\u00bb tem enfermado de limites que \u00e9 importante consciencializar e superar.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\">Sobre S. Francisco de Assis: \u00ab<em>Todo o universo de S. Francisco est\u00e1 cercado de infinita ternura e de tern\u00edssimo afecto de devo\u00e7\u00e3o a todas as coisas, sentia-se arrastado para elas com um singular e entranhado amor. Aqui, transparece um outro modo de ser-no-mundo, n\u00e3o mais sobre as coisas, mas junto com elas, como irm\u00e3os e irm\u00e3s sem casa. [\u2026] Por isso, o mundo franciscano \u00e9 cheio de magia, de rever\u00eancia e de respeito. N\u00e3o \u00e9 um universo morto e inanimado; as coisas n\u00e3o est\u00e3o jogadas a\u00ed, ao alcance da m\u00e3o apossadora do homem ou justapostas uma ao lado da outra. Elas s\u00e3o animadas e personalizadas; existem la\u00e7os de consanguinidade com o homem; convivem numa mesma casa paterna<\/em>.\u00bb<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Boff, Leonardo \u2013 <em>S\u00e3o Francisco de Assis: ternura e vigor<\/em>. Petr\u00f3polis: Editora Vozes, 1996<sup>6<\/sup>, 51.<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I &#8211; <em>1\u00ba momento de diagn\u00f3stico<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando, em 16 de Julho de 1944, D. Bonhoeffer escreve, na pris\u00e3o Berlinense de Tegel, subjugado \u00e0s m\u00e3os da Alemanha Hitleriana (que o haver\u00e1 de enforcar, em 9 de Abril de 1945, j\u00e1 no campo de concentra\u00e7\u00e3o de Buchenwald), a paradoxal f\u00f3rmula segundo a qual h\u00e1 que \u00abviver no mundo <em>etsi Deus non daretur<\/em>\u00bb<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, estava tra\u00e7ado o mais acutilante diagn\u00f3stico sobre a modernidade: o homem moderno<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> pensara-se como se Deus n\u00e3o fosse dado, como se Deus n\u00e3o existisse. <em>Homem, ci\u00eancia, mundo<\/em>, haviam sido lidos nesta matriz estruturante. Havia que pens\u00e1-los \u00abcomo se Deus n\u00e3o fosse dado\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As consequ\u00eancias desta enfermidade, agora diagnosticada, s\u00e3o in\u00fameras, mas importa, \u00e0 partida, constatar que a emerg\u00eancia desta condi\u00e7\u00e3o moderna n\u00e3o ter\u00e1 sido de gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea. Em nosso entender, o homem moderno revolta-se contra a condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9-moderna, medieval, que, na sua convic\u00e7\u00e3o, sempre se estruturara \u00abquia Deus in facto est\u00bb &#8211; porque Deus de facto existe. Toda a reflex\u00e3o medieval fizera-se, no olhar do homem moderno, dando como certa a exist\u00eancia de Deus, sem admitir a suposi\u00e7\u00e3o da sua inexist\u00eancia e impondo um conte\u00fado preciso para a ideia de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Revoltando-se contra a hip\u00f3tese, o homem moderno rejeitara tudo o que se lhe associara e refizera toda a sua reflex\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um olhar atento (n\u00e3o precisar\u00e1 de o ser muito!) constatar\u00e1 que n\u00e3o estamos diante de um mero jogo de palavras bem sonante. As diferen\u00e7as fazem todo o sentido e afiguram-se particularmente significativas, na medida em que estamos situados ao n\u00edvel dos fundamentos estruturantes do pr\u00f3prio pensamento. Na linha de Hans K\u00fcng, aqui como adaptador do pensamento de Thomas Kuhn, estamos diante dos motivos mais profundos para a estrutura\u00e7\u00e3o dos paradigmas moderno e medieval<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com efeito, ser\u00e1, em nosso entender &#8211; e constitui, aqui, uma das nossas teses fundamentais \u2013 como efeito desta hip\u00f3tese rejeitada sistematicamente, isto \u00e9, como condi\u00e7\u00e3o de sobreviv\u00eancia do pr\u00f3prio sistema moderno, que se definir\u00e1 o paradigma da modernidade, com as caracter\u00edsticas que passamos a enunciar e que se reflectem, de forma particularmente significativa, na problem\u00e1tica ecol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pensamento moderno define-se, num primeiro momento, pelo seu car\u00e1cter de procura da especializa\u00e7\u00e3o que conduz \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio saber, da ci\u00eancia, da pr\u00f3pria verdade. O homem moderno, incapaz de pensar \u00e0 luz do a-categorial, do que est\u00e1 para al\u00e9m de toda a categoria (n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o o consegue como o rejeita fundamentalmente!), afunda-se no fragmento, no ef\u00e9mero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta nota tem, em nosso entender, uma origem gnoseol\u00f3gica<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. O sujeito moderno, que destitu\u00edra Deus, ocupa-lhe o lugar, concebendo-se como exterior ao pr\u00f3prio processo de conhecimento. Modelo \u00faltimo desta insufici\u00eancia moderna \u00e9 a concep\u00e7\u00e3o positivista da gnoseologia, que modelar\u00e1 muitas das concep\u00e7\u00f5es de ci\u00eancia ainda hoje vigentes. Esta ser\u00e1 uma concep\u00e7\u00e3o que o s\u00e9culo XX vir\u00e1 a destituir, muito gra\u00e7as ao contributo de homens provenientes do seio das pr\u00f3prias ci\u00eancias ditas exactas ou experimentais (F\u00edsica, Astronomia, etc.), em particular com a emerg\u00eancia da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica e com a formula\u00e7\u00e3o do <em>Princ\u00edpio da Incerteza<\/em>, por Heisenberg, que obrigam a repensar o sujeito como elemento activo e omni-presente, e fragilmente dependente, de todo o processo gnoseol\u00f3gico e, j\u00e1 n\u00e3o, exterior (demi\u00fargico, at\u00e9!) ao conhecimento, mas totalmente envolvido nele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Express\u00e3o evidente desta fragmenta\u00e7\u00e3o \u00e9 a reflex\u00e3o sobre a dita \u00abquest\u00e3o ecol\u00f3gica\u00bb, permanentemente concebida como um apartado de discuss\u00e3o entre tantos outros. Fragmento de fragmentos. Na sua g\u00e9nese, e na sua express\u00e3o fenomenol\u00f3gica, a quest\u00e3o ecol\u00f3gica aparece como um momento, um dado, um conte\u00fado de reflex\u00e3o, um departamento das ci\u00eancias, \u00e0 maneira de um assunto mais ou menos perif\u00e9rico a que importa dar voz como condi\u00e7\u00e3o de serenidade. Na sua<em> genealogia<\/em>, inclusive, a quest\u00e3o ecol\u00f3gica parece, mesmo, ter nascido, n\u00e3o da import\u00e2ncia de o homem se interrogar sobre a sua condi\u00e7\u00e3o no mundo, na hist\u00f3ria, na sua rela\u00e7\u00e3o com os demais seres, mas sim, muito mais, da urg\u00eancia de dar resposta a problemas emergentes e que se impunham. O homem moderno expressa-se, aqui, de forma modelar. N\u00e3o \u00e9 a pertin\u00eancia conseguida pela dist\u00e2ncia hermen\u00eautica, pela vis\u00e3o superior transcendente, que o mobiliza, mas sim a press\u00e3o do fragmento, a urg\u00eancia da efemeridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste quadro, vislumbramos um primeiro dado a reter no percurso mais longo que estamos a encetar: dever\u00e1 a \u00abquest\u00e3o ecol\u00f3gica\u00bb confinar-se ao estatuto de apartado, de assunto entre v\u00e1rios, circunscrevendo-se \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de definidora de um conjunto de respostas mais ou menos perempt\u00f3rias (conforme se trate de <em>deep ecology<\/em> ou de <em>shallow ecology<\/em>), esgotando-se na sua genealogia moderna?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na pr\u00f3pria pergunta, de car\u00e1cter quase ret\u00f3rico, se vislumbra o rumo. Circunscrev\u00ea-la \u00e0 genealogia \u00e9 retirar \u00e0 pr\u00f3pria ecologia a sua for\u00e7a, e reduzi-la a uma s\u00e9rie de iniciativas bem intencionadas, mas sem o car\u00e1cter universal que se espera de qualquer reflex\u00e3o \u00e9tica. A possibilidade de universaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das condi\u00e7\u00f5es da legitimidade e oportunidade da reflex\u00e3o \u00e9tica. No quadro que temos vindo a tra\u00e7ar, \u00e9 not\u00f3rio que a modernidade limitou seriamente tal possibilidade, urgindo, por isso, em nosso entender, o dever de identificar sendas por onde assegurar tal condi\u00e7\u00e3o, superando os limites do pensamento moderno, n\u00e3o por um recuo ao paradigma medieval, mas sim, integrando as virtualidades que a hist\u00f3ria j\u00e1 nos ensinou que um e outro paradigma inclu\u00edam, procurando ultrapassar as suas insufici\u00eancias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II<em> &#8211; 2\u00ba momento de diagn\u00f3stico<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que correndo o risco de parecermos cair em paradoxo, ousamos afirmar que, tal qual a \u00abquest\u00e3o ecol\u00f3gica\u00bb \u00e9 hoje colocada (enquanto um apartado das ci\u00eancias e do saber com que se pretende dar respostas \u00e0 urg\u00eancias de crise ambiental) constitui, no seio da pr\u00f3pria modernidade, uma resposta com os seus pr\u00f3prios instrumentos. Na verdade, a modernidade que fragmentou a verdade, foi a mesma que fragmentou o homem, a natureza, o mundo. Pelo s\u00e9rio contributo de Descartes, que matematizou o mundo e dividiu a natureza e homem em <em>res cogitans<\/em> e <em>res extensa<\/em>, o dever de respeitabilidade foi-se confinando, progressivamente, ao homem interior, ficando toda a dimens\u00e3o da <em>res extensa<\/em>, vulner\u00e1vel \u00e0s investidas de toda e qualquer investiga\u00e7\u00e3o laboratorial e escalpelizadora<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. A quest\u00e3o ecol\u00f3gica parece constituir-se, neste quadro, como um \u00faltimo reduto da unidade perdida. A pr\u00f3pria modernidade parece criar, com as armas que constru\u00edra, balsas de socorro para um modelo que se afunda, a cada passo. F\u00e1-lo, compondo, na efemeridade do tempo, uma esp\u00e9cie de monismo incapaz de se transcender, quer porque n\u00e3o o pretende, quer porque \u00e9 incapaz de o fazer. A modernidade j\u00e1 matara a transcend\u00eancia para ousar procur\u00e1-la como socorro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O paradoxo s\u00f3 n\u00e3o existe porque, efectivamente, o que aqui acontece \u00e9 que a modernidade construiu, para si pr\u00f3pria, um alter-ego, agora de teor monista, com que pretendia superar as insufici\u00eancias do seu dualismo cong\u00e9nito. Mas, neste monismo (particularmente not\u00f3rio nas \u00abecologias\u00bb bioc\u00eantricas ou ecoc\u00eantricas<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>), pela sua incapacidade de se estruturar em sistema e pela sua debilidade fundamentadora e de fundamenta\u00e7\u00e3o, continuam a manifestar-se todos os sinais da modernidade. Toda a resposta \u00e9 de fragmento, pois \u00e9 pensada <em>etsi deus non daretur<\/em>, e se Deus n\u00e3o \u00e9 dado, nada mais resta que acudir a cada emerg\u00eancia de ang\u00fastia, fazendo o respectivo paleativo, mas sem acudir \u00e0 causa do sofrimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste segundo momento do nosso diagn\u00f3stico, a quest\u00e3o ecol\u00f3gica j\u00e1 n\u00e3o nos aparece s\u00f3 como uma quest\u00e3o entre outras, mas sim como uma insuficiente resposta, tal qual tem sido tratada, por ser, ela mesma, manifesta\u00e7\u00e3o da insufici\u00eancia de fundamenta\u00e7\u00e3o da modernidade. A sua actua\u00e7\u00e3o confina-se, m\u00faltiplas vezes, \u00e0 possibilidade de se constituir como um report\u00f3rio de solu\u00e7\u00f5es \u00abde data limitada\u00bb assegurada. O nosso desafio pretende apontar para mais longe, propondo-se ir \u00e0 g\u00e9nese \u00faltima destes limites j\u00e1 anteriormente diagnosticados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>III<em> &#8211; An\u00e1lise da enfermidade<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 nossa compreens\u00e3o que a \u00abquest\u00e3o ecol\u00f3gica\u00bb enferma de um limite vislumbr\u00e1vel no caminho j\u00e1 feito at\u00e9 aqui: reflectir sobre a problem\u00e1tica da \u00aboikos\u00bb &#8211; da casa-mundo \u2013 n\u00e3o poder\u00e1 nunca ser feito apesar de, sem ou a despeito do homem e da reflex\u00e3o sobre a sua condi\u00e7\u00e3o <em>mundana<\/em>. N\u00e3o se trata, neste ponto, de qualquer antropocentrismo, mas de um realismo de total evid\u00eancia. O dito antropocentrismo s\u00f3 existe na medida em que nos confinarmos aos limites que temos vindo a enunciar, em que a \u00abquest\u00e3o ecol\u00f3gica\u00bb aparece como uma resposta de urg\u00eancia e n\u00e3o como o resultado de uma reflex\u00e3o que incide sobre a pr\u00f3pria quest\u00e3o fundante e fontal da condi\u00e7\u00e3o do homem como ser-no-mundo<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal qual a quest\u00e3o tem sido colocada, em nosso entender, a reflex\u00e3o sobre os problemas do ambiente <em>substantivou<\/em> o assunto, o que redundou no limite que temos vindo a apontar. Esta <em>substantiva\u00e7\u00e3o<\/em> confinou o problema a um apartado. A supera\u00e7\u00e3o deste erro s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel pela <em>adjectiva\u00e7\u00e3o<\/em> da problem\u00e1tica. N\u00e3o mais se tratar\u00e1 da quest\u00e3o ecol\u00f3gica fora de uma vis\u00e3o mais global sobre a condi\u00e7\u00e3o do homem no mundo, com o mundo, sendo mundo. Esta adjectiva\u00e7\u00e3o repercutir-se-\u00e1 em todos os \u00e2mbitos da reflex\u00e3o, podendo-se considerar que j\u00e1 n\u00e3o falamos, aqui, da \u00abquest\u00e3o ecol\u00f3gica\u00bb, isolada de tudo o mais, como se a <em>res extensa<\/em> pudesse ser reflectida sem a omnipresen\u00e7a da <em>res cogitans (<\/em>aqui o dualismo ter\u00e1 de ser superado pela mera dualidade heur\u00edstica, que serve apenas em fases de investiga\u00e7\u00e3o mas que dever\u00e1 ser reintegrada numa unidade din\u00e2mica), mas sim da quest\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica da humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1, nesta primeira orienta\u00e7\u00e3o do rumo do nosso trabalho, qualquer resqu\u00edcio de antropocentrismo, que entendemos como a reserva, ao homem, da centralidade de toda a reflex\u00e3o, na procura do maior usufruto de esp\u00e9cie. Nada mais distante da nossa inten\u00e7\u00e3o e, mesmo, da nossa leitura. Seria regressar ao fragmento que a modernidade \u00ababsolutizou\u00bb. O fragmento seria, agora, ocupado pelo homem. Pois bem, do que se trata, neste passo, \u00e9 de constatar que a reflex\u00e3o sobre problem\u00e1ticas da oikos n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel sem se abordar no quadro mais global, hol\u00edstico, da reflex\u00e3o sobre a condi\u00e7\u00e3o humana no mundo. As rela\u00e7\u00f5es daqui depreendidas ter\u00e3o de representar vantagem e virtualidades, assim como desafios para o homem na sua rela\u00e7\u00e3o com os demais seres. A execu\u00e7\u00e3o de tal constata\u00e7\u00e3o s\u00f3 poder\u00e1 dar-se, em nosso entender, pela configura\u00e7\u00e3o de direitos e deveres do homem, na sua rela\u00e7\u00e3o com o todo de que ele mesmo \u00e9 parte, com particular aten\u00e7\u00e3o aos deveres do homem para com a \u00aboikos\u00bb, uma vez que, em rigor, n\u00e3o poderemos falar de direitos por parte dos seres n\u00e3o dotados de consci\u00eancia moral, mas antes, de deveres incontorn\u00e1veis do sujeito moral que \u00e9 o pr\u00f3prio homem<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois bem, \u00e9 neste ponto que a quest\u00e3o se torna circular e nos obriga a um salto que constitui a nossa proposta mais espec\u00edfica, nesta abordagem. A constata\u00e7\u00e3o dos limites da modernidade conduziu-nos \u00e0 convic\u00e7\u00e3o de que o homem moderno estruturara o seu pensamento, a sua reflex\u00e3o, a sua \u00e9tica, <em>como se deus n\u00e3o fosse dado<\/em>, fragmentando as quest\u00f5es, confinando a quest\u00e3o ecol\u00f3gica a um apartado, sem efic\u00e1cia porque incapaz de atingir e fazer-se compreendido pelo todo da humanidade. Verific\u00e1mos, ainda, que esta sua estrutura\u00e7\u00e3o reagia \u00e0 articula\u00e7\u00e3o medieval que tudo reflectia com a certeza da exist\u00eancia de Deus, e de um Deus concreto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De todas estas conclus\u00f5es o nosso caminho parece recolher uma tremenda d\u00favida sobre se ser\u00e1 poss\u00edvel reestruturar um pensamento com capacidade de universaliza\u00e7\u00e3o, de se configurar como condi\u00e7\u00e3o de possibilidade de toda a reflex\u00e3o \u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o desafio que nos propomos enfrentar, no pr\u00f3ximo apartado do nosso estudo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>IV \u2013 Terap\u00eautica de uma enfermidade anunciada<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande interpela\u00e7\u00e3o com que nos deparamos, nesta fase da nossa an\u00e1lise \u00e9 a de encontrar, j\u00e1 sem os erros da certeza sistem\u00e1tica da pr\u00e9-modernidade, ou a d\u00favida met\u00f3dica da modernidade, um eixo articulador da reflex\u00e3o que permita encontrar fundamenta\u00e7\u00e3o para uma reflex\u00e3o \u00e9tica sobre as rela\u00e7\u00f5es do homem com o mundo do qual \u00e9, ele mesmo parte (esta ter\u00e1 de ser uma afirma\u00e7\u00e3o verificada em etapa posterior, pois, mesmo dando-a como assente, ela ter\u00e1 um car\u00e1cter meramente heur\u00edstico, a analisar no quadro mais global de um novo paradigma nem moderno nem pr\u00e9-moderno) capaz de n\u00e3o se bastar com reflex\u00f5es atom\u00edsticas, fragment\u00e1rias, e, por isso, n\u00e3o universaliz\u00e1veis, incapazes de mobilizar todo e cada ser \u00e9tico e moral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Convictos que estamos de que a modernidade reagira \u00e0 seguran\u00e7a inabal\u00e1vel da medievalidade, importa encontrar um fundamento que, formalmente, sirva de estrutura\u00e7\u00e3o, respeitando as diversidades, mas revelando as grandes virtualidades de ser integrado no pensamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste contexto, julgamos poder arriscar que a supera\u00e7\u00e3o dos limites de um e outro paradigma (pr\u00e9-moderno e moderno) se poder\u00e1 dar, superando a <em>certeza sistem\u00e1tica<\/em> da medievalidade e a <em>d\u00favida met\u00f3dica<\/em> da modernidade pela <em>certeza<\/em> ou <em>confian\u00e7a met\u00f3dica<\/em> de um paradigma que se estruture, agora, j\u00e1 n\u00e3o <em>\u00abetsi Deus non daretur\u00bb,<\/em> mas sim <em>\u00abetsi deus vero daretur\u00bb. <\/em>A novidade n\u00e3o reside no jogo de palavras. Est\u00e1 na profundidade de se aceitar Deus como condi\u00e7\u00e3o de possibilidade de todas as hip\u00f3teses. Afirmar que se reflecte \u00abcomo se Deus verdadeiramente existisse\u00bb (que aqui propomos) nada tem a ver com a afirma\u00e7\u00e3o de que se deve reflectir de um determinado modo \u00abporque Deus de facto existe\u00bb (paradigma pr\u00e9-moderno). Bem certo que este Deus n\u00e3o poder\u00e1 ser, aqui, numa reflex\u00e3o de teor bio\u00e9tico, o deus de uma determinada confiss\u00e3o religiosa ou o deus \u00abcriado\u00bb para efeitos de l\u00f3gica, mas sim, Deus como horizonte de realiza\u00e7\u00e3o da verdade, como condi\u00e7\u00e3o formal de toda a possibilidade de unidade, de sistema. S\u00f3 a suposi\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica da possibilidade de uma unidade \u00faltima pode assegurar legitimidade \u00e0 expectativa de n\u00e3o reduzir tudo ao fragmento. De outro modo, tudo n\u00e3o passar\u00e1 da efemeridade. Reparemos que as conquistas da modernidade continuam, aqui, a ser garantidas, mas j\u00e1 sem os limites do afundamento a que o paradigma moderno conduziu o pensamento. O homem continua a ser respeitado, inclusive na sua postura de n\u00e3o crente, mas \u00e9 suscitada a condi\u00e7\u00e3o de possibilidade porque Deus \u00e9 afirmado n\u00e3o no plano da certeza, mas da confian\u00e7a, em f\u00f3rmula condicional \u00abcomo se\u00bb, o que se diferencia, de forma inequ\u00edvoca, de toda a imposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, para a \u00abquest\u00e3o ecol\u00f3gica\u00bb, que implica\u00e7\u00f5es se depreendem daqui?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeir\u00edssima \u00e9 a de que ser\u00e1 redutor, como j\u00e1 v\u00ednhamos a deixar perceber, que a reflex\u00e3o \u00e9tica sobre o ambiente se fa\u00e7a como se o ambiente ou o meio fosse um algo dualisticamente exterior ao homem. O homem \u00e9, neste novo quadro paradigm\u00e1tico, parte de um todo no qual se realiza e constitui factor de hetero-realiza\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>. Mais ainda, neste contexto, n\u00e3o s\u00f3 o objecto da reflex\u00e3o ecol\u00f3gica n\u00e3o \u00e9 apenas um fragmento do mundo como tamb\u00e9m a pr\u00f3pria reflex\u00e3o em si j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um substantivo (ecologia) confinado a um apartado do saber. O novo paradigma, que, aqui, estruturamos, adjectiva a ecologia, obrigando a orientar toda a reflex\u00e3o a partir da articula\u00e7\u00e3o entre o homem e a sua condi\u00e7\u00e3o terrena (mais do que de ecologia, neste novo paradigma, haver\u00e1 que falar da condi\u00e7\u00e3o <em>ecol\u00f3gica<\/em> do homem). Esta \u00e9 uma conclus\u00e3o simultaneamente imediata e mediata, pois, dimana da reflex\u00e3o sobre a \u00abquest\u00e3o ecol\u00f3gica\u00bb em si, mas tamb\u00e9m da conflu\u00eancia entre a condi\u00e7\u00e3o de possibilidade (como se deus verdadeiramente existisse) e a reflex\u00e3o sobre a provisoriedade do homem, que este novo paradigma obrigar\u00e1 a ter em conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta mesma provisoriedade situa o homem numa tens\u00e3o que a modernidade n\u00e3o podia vislumbrar, pelo seu afundamento no ef\u00e9mero: o homem vive a din\u00e2mica da realiza\u00e7\u00e3o sempre em caminho. Uma realiza\u00e7\u00e3o que, no que concerne \u00e0 sua rela\u00e7\u00e3o com os demais seres, significa o reconhecimento de um caminho comum, n\u00e3o marcado pela competi\u00e7\u00e3o mas pelo desejo de consuma\u00e7\u00e3o plena. Assim, ficam aqui asseguradas a interdepend\u00eancia e a din\u00e2mica de plena realiza\u00e7\u00e3o comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais ainda, constata-se que, neste paradigma que reflecte \u00abetsi Deus vero daretur\u00bb, o homem-no-mundo n\u00e3o \u00e9 ser sem projecto nem mem\u00f3ria. \u00c9 a recupera\u00e7\u00e3o de toda a mais profunda tradi\u00e7\u00e3o sapiencial de rela\u00e7\u00e3o de homem e cria\u00e7\u00e3o em que a humanidade perscrutava os sons da natureza e lia os sinais dos tempos, percebendo as mem\u00f3rias escondidas no tempo e no mundo e antecipando os rumos que ainda mal despontavam. O homem deste paradigma n\u00e3o se resume ao presente, nem vive ang\u00fastias de futuro. Ele \u00e9 um todo unido, de passado-presente-futuro. Este \u00e9 um paradigma verdadeiramente integrador. Nele, d\u00e1-se a integra\u00e7\u00e3o do homem (que assume os tempos cronol\u00f3gicos e a sua unidade entit\u00e1ria), deste com o mundo, do mundo com o tempo, em torno de uma atitude permanente do homem que se definir\u00e1, neste quadro, como cuidador, como aquele que se disp\u00f5e a \u00abocupar-se, a preocupar-se, a responsabilizar-se e envolver-se afectivamente com o outro\u00bb<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>, porque o outro n\u00e3o lhe \u00e9 indiferente, mas um c\u00famplice numa casa comum, n\u00e3o apenas, nem principalmente, porque a urg\u00eancia de conservar a casa se imp\u00f5e, mas sim porque a natureza de um ser que se projecta para um horizonte de permanente realiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o se esgota no ef\u00e9mero, no fragmento<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>. O homem \u00e9, no seu seio, atra\u00eddo por um dinamismo interior que o projecta sempre a n\u00e3o se esgotar, realizando-se j\u00e1 n\u00e3o contra ou apesar da natureza, mas com a pr\u00f3pria natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isto, em nosso entender, s\u00f3 \u00e9 assegurado e compreendido se se sistematizar em torno da condi\u00e7\u00e3o de toda a realiza\u00e7\u00e3o, de toda a hip\u00f3tese, que \u00e9 reflectir \u00abcomo se Deus verdadeiramente existisse\u00bb.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo correndo o terr\u00edvel risco de parecer adoptar um lugar comum, parece-nos ser evidente que n\u00e3o poder\u00e1 considerar-se conclu\u00eddo um trabalho que se propunha diagnosticar, analisar e propor uma terapia para uma enfermidade. Principalmente porque a terapia s\u00f3 poder\u00e1 considerar-se adequada tendo em conta a efectiva supera\u00e7\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es patol\u00f3gicas. S\u00f3 pelo efectivo confronto, com outras abordagens, da proposta de uma \u00e9tica da condi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica do homem, que reflicta sobre o estar do homem no mundo, tendo em conta a suporte de fundamenta\u00e7\u00e3o aqui sustentado, se poder\u00e1 retirar conclus\u00f5es irrefut\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, n\u00e3o poderemos deixar de anotar que procur\u00e1mos seguir um caminho l\u00f3gico e coerente, suscept\u00edvel, certamente, de oposi\u00e7\u00e3o, mas formulado com a permanente inten\u00e7\u00e3o de ir ao \u00faltimo fundamento, na senda da \u00faltima condi\u00e7\u00e3o de todas as possibilidades de reflex\u00e3o. Depois de uma longa era (ainda n\u00e3o conclu\u00edda, bem certo, pois os paradigmas n\u00e3o s\u00e3o sistemas blindados, mas constela\u00e7\u00f5es de ideias que sofrem a eros\u00e3o, mas que podem permanecer mesmo quando j\u00e1 outro est\u00e1 vigente), marcada pela d\u00favida met\u00f3dica de que Deus n\u00e3o existiria, em reac\u00e7\u00e3o \u00e0 certeza sistem\u00e1tica da sua exist\u00eancia, formul\u00e1mos uma nova proposta, respeitadora da possibilidade da recusa da Sua exist\u00eancia, mas estabelecendo-a como condi\u00e7\u00e3o \u2018heur\u00edstica\u2019 de possibilidade de uma reflex\u00e3o n\u00e3o fragment\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Partindo desta fundamenta\u00e7\u00e3o, depreendemos os mais fortes desafios a uma \u00e9tica que reflicta sobre a condi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica do homem, assegurando que esta n\u00e3o seja uma abordagem meramente sectorizada, mas capaz de dar uma vis\u00e3o de sistema, suscept\u00edvel de ser universaliz\u00e1vel, repercutindo-se num agir coerente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pela multiplicidade dos recursos bibliogr\u00e1ficos de que nos socorremos, \u00e9-nos claro que o caminho n\u00e3o est\u00e1 a ser feito solitariamente, mas as possibilidades ainda s\u00e3o um horizonte a explorar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Bibliografia:<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alemany, Jos\u00e9 Joaqu\u00edn &#8211; \u00abDietrich Bonhoeffer: responsabilidad Cristiana en un mundo adulto\u00bb in <em>Sal Terrae<\/em> 1004 (1997) 675-685.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Beckert, Cristina &#8211; \u00abDilemas da \u00e9tica ambiental: estudo de um caso\u00bb in <em>Revista Portuguesa de Filosofia<\/em> LIX (2003) 675-687.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boff, Leonardo \u2013 <em>La voz del arco \u00edris<\/em>. Madrid: Ed. Trotta, 2003, 227pp.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boff, Leonardo \u2013 <em>Saber cuidar: \u00e9tica do humano \u2013 compaix\u00e3o pela terra<\/em>. Petr\u00f3polis: Editora Vozes, 2002<sup>8<\/sup>, 199pp.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boff, Leonardo \u2013 <em>S\u00e3o Francisco de Assis: ternura e vigor<\/em>. Petr\u00f3polis: Editora Vozes, 1996<sup>6<\/sup>, 197pp.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Castro, Paula M. Lima e, Malcata, F. Xavier \u2013 \u00abEco\u00e9tica ou responsabilidade humana para com o ambiente\u00bb in AA.VV. \u2013 <em>Novos desafios \u00e0 bio\u00e9tica<\/em>. Porto: Porto Editora, 2001, pp.277-300.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernandez, Javier Gafo \u2013 <em>10 palavras chave em Bio\u00e9tica. Coimbra: Gr\u00e1fica de Coimbra, 1996, 400pp. (em concreto, sobre ecologia, consultar pp. 357-393. Uma abordagem interessante, pois faculta uma boa s\u00edntese sobre o assunto, mas incapaz de resolver a acusa\u00e7\u00e3o, feita ao cristianismo, de ser respons\u00e1vel pela crise ambiental. A perspectiva b\u00edblica da cria\u00e7\u00e3o, aqui presente, \u00e9, em nosso entender, insuficiente.)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ferry, Luc \u2013 <em>A nova ordem ecol\u00f3gica<\/em>. Porto: Edi\u00e7\u00f5es Asa, 1996, 210pp.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Galindo, \u00c1ngel \u2013 <em>Moral socioecon\u00f3mica<\/em>. Madrid: BAC, 1996, 483pp.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gama, Manuel &#8211; \u00abO homem no mundo: a vis\u00e3o ecol\u00f3gica\u00bb in <em>Brot\u00e9ria<\/em> 138 (1994) 588-591.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gibellini, Rosino \u2013 <em>La teologia del siglo XX<\/em>. Santander: Sal terrae, 1998, 629pp.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">G\u00f3mez-Heras, Jos\u00e9 M.\u00aa G.\u00aa &#8211; \u00abLa ecolog\u00eda: nuevo paradigma hermen\u00eautico?\u00bb in <em>Revista Portuguesa de Filosofia<\/em> LIX (2003) 651-674.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Heidegger, Martin \u2013 <em>Ser e tempo<\/em> I. Petr\u00f3polis: Ed. Vozes, 1999<sup>8<\/sup>, 325pp.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">K\u00fcng, Hans \u2013 <em>Proyecto de una \u00e9tica mundial<\/em>. Madrid: Ed. Trotta, 1992, 174pp.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">K\u00fcng, Hans \u2013 <em>Teologia para la postmodernidad: fundamentaci\u00f3n ecum\u00e9nica<\/em>. Madrid: Alianza editorial, 1989, 203pp.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marques-Teixeira, Jo\u00e3o &#8211; \u00abEcologia e cuidados de sa\u00fade\u00bb in <em>Brot\u00e9ria<\/em> 140 (1995) 573-587.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelizzoli, Marcelo L. &#8211; \u00ab\u00c9tica ambiental e epistemologia desde uma postura hermen\u00eautica\u00bb in <em>Revista Portuguesa de Filosofia<\/em> LIX (2003) 823-840.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pereira, Miguel Baptista &#8211; \u00abDo biocetrismo \u00e0 bio\u00e9tica ou da urg\u00eancia de um paradigma hol\u00edstico\u00bb in <em>Revista Filos\u00f3fica de Coimbra<\/em> 1(1992) 5-50.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Renaud, Isabel Carmelo Rosa &#8211; \u00ab\u00c9tica e ecologia\u00bb in AA.VV. \u2013 <em>Novos desafios \u00e0 bio\u00e9tica<\/em>. Porto: Porto Editora, 2001, pp.272-276.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Serr\u00e3o, Adriana Ver\u00edssimo &#8211; \u00abO habitar \u00e9tico na natureza segundo Ludwig Feuerbach\u00bb in <em>Revista Portuguesa de Filosofia<\/em> LIX (2003) 689-711.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Silva, Lu\u00eds Manuel Pereira da &#8211; \u00abDa d\u00favida \u00e0 certeza met\u00f3dica: um novo paradigma teol\u00f3gico em Hans K\u00fcng\u00bb in <em>Signum<\/em> 2 (1998) 245-264.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Silva, Lu\u00eds Manuel Pereira da \u2013 <em>Teologia, Ci\u00eancia e Verdade: fundamentos para uma defini\u00e7\u00e3o do estatuto cient\u00edfico da Teologia, segundo W. Pannenberg<\/em>. Coimbra: Gr\u00e1fica de Coimbra, 2004, 113pp.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Umbelino, Lu\u00eds Ant\u00f3nio &#8211; \u00abA Natureza em merleau-Ponty: proleg\u00f3menos a uma leitura das <em>Notes de Cours du Coll\u00e8ge de France, 1956-1960\u00bb<\/em> in <em>Revista Portuguesa de Filosofia<\/em> LIX (2003) 713-739.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vidal, Marciano \u2013 <em>Moral Social: Moral de Actitudes III<\/em>. Madrid: Editorial P. S., 1995, 1015pp.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Cfr. Alemany, Jos\u00e9 Joaqu\u00edn &#8211; \u00abDietrich Bonhoeffer: responsabilidad Cristiana en un mundo adulto\u00bb in <em>Sal Terrae<\/em> 1004 (1997) 675-685; Gibellini, Rosino \u2013 <em>La teologia del siglo XX<\/em>. Santander: Sal terrae, 1998, 115-132.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Muito do que iremos referir como tratando-se de caracter\u00edsticas da modernidade ir\u00e1 repercutir-se na p\u00f3s-modernidade. Todavia, dado que esta discuss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 objecto deste nosso trabalho, remetemos para outras abordagens j\u00e1 por n\u00f3s realizadas: Silva, Lu\u00eds Manuel Pereira da \u2013 <em>Teologia, Ci\u00eancia e Verdade: fundamentos para uma defini\u00e7\u00e3o do estatuto cient\u00edfico da Teologia, segundo W. Pannenberg<\/em>. Coimbra: Gr\u00e1fica de Coimbra, 2004, pp. 25-29; Silva, Lu\u00eds Manuel Pereira da &#8211; \u00abDa d\u00favida \u00e0 certeza met\u00f3dica: um novo paradigma teol\u00f3gico em Hans K\u00fcng\u00bb in <em>Signum<\/em> 2 (1998) 245-264.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Cfr. K\u00fcng, Hans \u2013 <em>Teologia para la postmodernidad: fundamentaci\u00f3n ecum\u00e9nica<\/em>. Madrid: Alianza editorial, 1989. Nesta obra, o te\u00f3logo su\u00ed\u00e7o assume uma tarefa de epistem\u00f3logo, encetando um esfor\u00e7o que nos parece ser de uma pertin\u00eancia que transvaza para al\u00e9m dos limites da teologia. A sua leitura da evolu\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia teol\u00f3gica, por paradigmas, e a defini\u00e7\u00e3o dos elementos caracter\u00edsticos de cada paradigma s\u00e3o suscept\u00edveis de se aplicar a qualquer ci\u00eancia, em particular, \u00e0s ci\u00eancias ditas explicativas ou humanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> N\u00e3o estamos s\u00f3s, nesta considera\u00e7\u00e3o, pois constitui uma das teses fundamentais de G\u00f3mez-Heras, Jos\u00e9 M.\u00aa G.\u00aa &#8211; \u00abLa ecolog\u00eda: nuevo paradigma hermen\u00eautico?\u00bb in <em>Revista Portuguesa de Filosofia<\/em> LIX (2003) 651-674, que se prop\u00f5e superar estes limites da gnoseologia moderna, pelo recurso \u00e0s conquistas da fenomenologia, com que se procede a um \u00abvoltar \u00e0s pr\u00f3prias coisas\u00bb. Refere Gom\u00e9z-Heras, em certo passo, que \u00aba ruptura com o quadro convencional de reflex\u00e3o filos\u00f3fica e a instaura\u00e7\u00e3o de um novo paradigma tornam-se inevit\u00e1veis. A mudan\u00e7a de horizonte na compreens\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o da natureza pressup\u00f5e a percep\u00e7\u00e3o e reconhecimento dos seus valores. Consegue-se, \u00e0 partida, um conhecimento do particular concreto a parte de um enquadramento global, que desmarcara as car\u00eancias do m\u00e9todo emp\u00edrico. Por outro lado, fica erodido o esquema sujeito-objecto t\u00e3o enraizado nos h\u00e1bitos epistemol\u00f3gicos. Habilitam-se, pelo contr\u00e1rio, espa\u00e7os para viv\u00eancias emotiva no sujeito humano, ao possibilitar sentimentos de empatia, conviv\u00eancia e experi\u00eancia est\u00e9tica e moral. Desaparecem, numa palavra, a neutralidade axiol\u00f3gica da ci\u00eancia e a estranheza entre a natureza e o homem.\u00bb (G\u00f3mez-Heras, 667)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> \u00abA oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza como esfera dos seres m\u00f3veis ou do seu fundamento ideal jamais foi considerada pelos gregos um predicado do homem, ao contr\u00e1rio de Descartes que, na ant\u00edtese <em>res-cogitans-res extensa<\/em> situou o fundamento do conceito moderno de Ci\u00eancia da Natureza. Em Descartes, a subjectividade apartada do mundo torna-se na sua iman\u00eancia ponto inconcusso e absoluto de certeza em detrimento do ser de Deus, da natureza e do mundo intersubjectivo. Oposta \u00e0 <em>res cogitans<\/em>, que \u00e9 consci\u00eancia sem qualquer fundo inconsciente, a natureza, como res extensa, inicia o seu processo de desvaloriza\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 crise ecol\u00f3gica actual. M\u00e1quinas como o nosso corpo e o mundo, os animais n\u00e3o s\u00e3o sujeitos de dor ou de prazer, o que permite toda a experimenta\u00e7\u00e3o com animais. A este predom\u00ednio absoluto da quantidade com repress\u00e3o de todo o elemento qualitativo fica indissociavelmente ligado o mecanicismo e a insensibilidade da raz\u00e3o perante o mundo das qualidades e da vida, por um lado, e a eleva\u00e7\u00e3o da F\u00edsica a paradigma das ci\u00eancias, por outro.\u00bb Pereira, Miguel Baptista &#8211; \u00abDo biocetrismo \u00e0 bio\u00e9tica ou da urg\u00eancia de um paradigma hol\u00edstico\u00bb in <em>Revista Filos\u00f3fica de Coimbra<\/em> 1(1992) 43.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> A possibilidade de se falar de um monismo depreende-se da verifica\u00e7\u00e3o de \u00e0 naturezase conferir, em particular, nas ditas manifesta\u00e7\u00f5es da ecologia profunda, uma condi\u00e7\u00e3o de eticidade, como se de um sujeito \u00e9tico se tratasse. Cfr. Beckert, Cristina &#8211; \u00abDilemas da \u00e9tica ambiental: estudo de um caso\u00bb in <em>Revista Portuguesa de Filosofia<\/em> LIX (2003) 675-687.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Na vis\u00e3o hol\u00edstica que vimos apontando, pouco a pouco, o antropocentrismo s\u00f3 poderia ser tido como antag\u00f3nico de tudo o que nos propomos formular. Contudo, a leitura ser\u00e1 sempre tendo em conta a raz\u00e3o humana, as suas categorias e a sua perspectiva, ainda que superando os limites que vimos enunciando. O erro fatal da modernidade foi a absolutiza\u00e7\u00e3o do fragmento perspectivista, por falta de um horizonte que procuramos recuperar, sem incorrer nos erros de outros esfor\u00e7os. O erro do antropocentrismo est\u00e1, precisamente, em n\u00e3o conseguir superar os limites da fragmenta\u00e7\u00e3o, pois basta-se com absolutizar o homem. A nossa vis\u00e3o adopta como que uma postura em espiral que n\u00e3o se confina mas se encaminha para um horizonte sempre em din\u00e2mica de alargamento, fazendo jus, ali\u00e1s, \u00e0 \u00abvoca\u00e7\u00e3o hol\u00edstica [da raz\u00e3o], pensando e sentindo, conhecendo e reconhecendo a alteridade do ser da natureza e da vida.\u00bb Pereira, Miguel Baptista &#8211; \u00abDo biocetrismo \u00e0 bio\u00e9tica ou da urg\u00eancia de um paradigma hol\u00edstico\u00bb in <em>Revista Filos\u00f3fica de Coimbra<\/em> 1(1992) 50.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Isabel Renaud deixa esta perspectiva muito clara, com a qual nos identificamos, em absoluto. \u00abSe a ecologia profunda significa que \u2018o mundo natural e nele pr\u00f3prio digno de respeito, independentemente de toda a considera\u00e7\u00e3o dos seres humanos\u2019, a articula\u00e7\u00e3o entre Natureza e Homem dissolve-se de modo dialecticamente tem\u00edvel.\u00bb &#8211; Renaud, Isabel Carmelo Rosa &#8211; \u00ab\u00c9tica e ecologia\u00bb in AA.VV. \u2013 <em>Novos desafios \u00e0 bio\u00e9tica<\/em>. Porto: Porto Editora, 2001, 276.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> \u00abA ecologia integral procura habituar o ser humano a esta vis\u00e3o integral e hol\u00edstica. O holismo n\u00e3o \u00e9 a soma das partes mas captar a totalidade org\u00e2nica, una e diversa nas suas partes, articuladas sempre entre si, dentro da totalidade e constituindo essa totalidade. Esta cosmovis\u00e3o desperta no ser humano a consci\u00eancia da sua miss\u00e3o dentro dessa imensa totalidade. Ele \u00e9 um ser que pode captar todas essas dimens\u00f5es, alegrar-se com elas, louvar e agradecer \u00e0 Intelig\u00eancia que ordena tudo e ao Amor que move tudo, sentir-se um ser \u00e9tico, respons\u00e1vel pela parte do universo que lhe cabe habitar, a Terra.\u00bb &#8211; Boff, Leonardo \u2013 <em>La voz del arco \u00edris<\/em>. Madrid: Ed. Trotta, 2003, 132-133.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Boff, Leonardo \u2013 <em>Saber cuidar: \u00e9tica do humano \u2013 compaix\u00e3o pela terra<\/em>. Petr\u00f3polis: Editora Vozes, 2002<sup>8<\/sup>, 33.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Julgamos encontrar, aqui, o fundamento \u00faltimo para a afirma\u00e7\u00e3o de M. Heidegger de que \u00aba express\u00e3o \u2018cura\u2019 (cuidado) significa um fen\u00f3meno ontol\u00f3gico-existencial b\u00e1sico [\u2026]\u00bb &#8211; Heidegger, Martin \u2013 <em>Ser e tempo<\/em> I. Petr\u00f3polis: Ed. Vozes, 1999<sup>8<\/sup>, 261.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">*Professor, Presidente da Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Autor de &#8216;Bem-nascido&#8230; Mal-nascido&#8230; Do &#8216;filho perfeito&#8221; ao filho humano&#8217;, &#8216;Ensaios <em>de<\/em> liberdade&#8217; e de &#8216;Teologia, ci\u00eancia e verdade: fundamentos para a defini\u00e7\u00e3o do estatuto epistemol\u00f3gico da Teologia, segundo Wolfhart Pannenberg&#8217;<\/h6>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem: <a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/illustrations\/ai-gerado-arvores-perfil-lateral-8166130\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/pixabay.com\/pt\/illustrations\/ai-gerado-arvores-perfil-lateral-8166130\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bio\u00e9tica e sociedade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16583,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[72,155,55],"tags":[],"class_list":["post-16582","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-bioetica-e-sociedade","category-casa-comum-por-uma-ecologia-integral","category-luis-manuel-pereira-da-silva"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16582","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16582"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16582\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18393,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16582\/revisions\/18393"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16583"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16582"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16582"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16582"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}