{"id":16559,"date":"2023-11-01T07:00:21","date_gmt":"2023-11-01T07:00:21","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=16559"},"modified":"2023-10-31T16:07:22","modified_gmt":"2023-10-31T16:07:22","slug":"modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao-p-pautado-pautado-pela-tecnologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao-p-pautado-pautado-pela-tecnologia\/","title":{"rendered":"Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o | &#8220;P&#8221;&#8230; [&#8220;Pautado&#8230;&#8221;] &#8211; Pautado pela Tecnologia"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><strong><em>Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o\u00a0<\/em><\/strong><\/h5>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: right;\"><em>&#8220;P&#8221;&#8230; [&#8220;Pautado&#8230;&#8221;]<\/em><\/h2>\n<hr \/>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: center;\">Pautado pela Tecnologia<\/h2>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Miguel Oliveira Pan\u00e3o<\/h4>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\">Blog<\/a> &amp; <a href=\"https:\/\/www.miguelpanao.com\/livros\/\">Autor<\/a> &amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Newsletter<\/a><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marshall McLuhan disse uma vez que <em>\u00abn\u00f3s moldamos as nossas ferramentas e depois as nossas ferramentas moldam-nos.\u00bb<\/em> Quando Nietzsche teve um problema de sa\u00fade que o obrigava a usar uma m\u00e1quina de escrever, os amigos disseram-lhe que ele estava a escrever de um modo diferente. A m\u00e1quina come\u00e7aria a moldar o seu pensamento. Pensamos muito sobre o que queremos da tecnologia, mas talvez exista tamb\u00e9m a faceta daquilo que a tecnologia quer de n\u00f3s, ou n\u00e3o teria Kevin Kelly, um dos fundadores da revista <em>Wired<\/em> escrito um livro sobre esse assunto, <em>&#8220;What Technology Wants&#8221;<\/em>. Kelly inventa o termo <em>technium<\/em> para se referir ao conjunto interconectado de todas as tecnologias e inven\u00e7\u00f5es humanas, desde a roda at\u00e9 a internet, como uma esp\u00e9cie de &#8220;superorganismo&#8221; com necessidades e tend\u00eancias pr\u00f3prias. O technium tem uma dire\u00e7\u00e3o inerente de desenvolvimento que, em muitos aspectos, vai para al\u00e9m do controle humano. Ele sugere que as tecnologias evoluem de maneira semelhante aos seres vivos, seguindo padr\u00f5es e trajet\u00f3rias previs\u00edveis. E Kelly explora ainda a ideia de que o <em>technium<\/em> pode ter seus pr\u00f3prios &#8220;desejos&#8221; ou tend\u00eancias, e que a humanidade e a tecnologia est\u00e3o juntas a co-evoluir. A realidade \u00e9 que a nossa vida, hoje, \u00e9 mais <em>pautada pela tecnologia<\/em> do que a nossa vontade em admiti-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o somos uma esp\u00e9cie que voa. Por isso, invent\u00e1mos avi\u00f5es para voar. N\u00e3o somos t\u00e3o r\u00e1pidos como uma chita. Por isso, invent\u00e1mos autom\u00f3veis para correr ainda mais r\u00e1pido. N\u00e3o somos capazes de respirar no fundo do mar. Por isso, invent\u00e1mos fatos com bilhas de oxig\u00e9nio para sondar os mist\u00e9rios aqu\u00e1ticos. A tecnologia \u00e9 a nossa forma de co-criar com Deus. A tecnologia \u00e9 a forma de superarmos as nossas limita\u00e7\u00f5es e irmos mais longe, e al\u00e9m, daquilo que a biologia nos diz que devemos ser. Curiosamente, nos \u00faltimos anos, a pauta que soa na nossa vida com a tecnologia que desenvolvemos parece ser diferente porque a tecnologia quer sempre mais para sobreviver. E o que a tecnologia precisa para sobreviver entrela\u00e7a-se com a nossa capacidade de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa capacidade de sobreviver n\u00e3o est\u00e1 tanto na intelig\u00eancia, for\u00e7a ou engenho quanto na nossa capacidade de comunicar. Em &#8220;Walden e a vida nos bosques&#8221;, o escritor americano Henry David Thoreau comentava<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abOs nossos inventos costumam ser belos brinquedos que distraem a aten\u00e7\u00e3o das coisas s\u00e9rias. N\u00e3o passam de meios aperfei\u00e7oados para atingir um fim que n\u00e3o se aperfei\u00e7oou, um fim que j\u00e1 l\u00e1 estava e ao qual se chegava com facilidade (\u2026). Apressamo-nos a construir um tel\u00e9grafo magn\u00e9tico entre o Maine e o Texas, mas pode acontecer que o Maine e o Texas n\u00e3o tenham nada de importante a comunicar.\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunica\u00e7\u00e3o que nos permitiu sobreviver n\u00e3o assentava no que era banal, mas essencial para dar corpo, sentido e significado \u00e0 nossa vida. E o desenvolvimento tecnol\u00f3gico que acompanhou o crescente desejo de comunicar permitiu fazer do mundo uma aldeia global, mas o que fizemos disso?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Constru\u00edmos aeronaves cheias de defeitos que nos levaram at\u00e9 \u00e0 Lua, mas abandon\u00e1mos a explora\u00e7\u00e3o de outros mundos, e a compreens\u00e3o do nosso planeta, para abra\u00e7armos com toda a alegria as tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o sem fric\u00e7\u00e3o como as redes sociais. \u00c9 compreens\u00edvel porque nem todos conseguem ou t\u00eam a capacidade humana de ir \u00e0 Lua, mas todos podemos comunicar. E ao longo da convers\u00e3o do nosso mundo real para uma vers\u00e3o digital fascinante, abrimos a porta do bar onde existe o n\u00e9ctar irresist\u00edvel da informa\u00e7\u00e3o. Estar informado tornou-se na forma de atingirmos um certo tipo de plenitude interior que preenche o nosso ser como jamais na hist\u00f3ria humana. E ainda por cima, parece gr\u00e1tis. E como o manancial de informa\u00e7\u00e3o parece ser inesgot\u00e1vel, sem que nos d\u00e9ssemos conta disso, a capacidade de pensar e o gosto de o fazer tem diminu\u00eddo. Deixamos que a tecnologia pense por n\u00f3s. Se quiser saber seja o que for, j\u00e1 nem pergunto ou penso por mim. Clico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ser humano n\u00e3o vai muito longe com a energia que o corpo consome. Mas se colocarmos esse ser humano em cima de uma bicicleta, a capacidade de ir mais longe aumenta em 85% segundo S.S. Wilson num artigo que publicou em 1973 na <em>Scientific American<\/em>. Foi essa conclus\u00e3o que levou Steve Jobs, co-fundador da Apple que faz os nossos iPhones, a dizer que o computador \u00e9 a &#8220;bicicleta da mente&#8221; que leva o ser humano mais longe do que alguma vez foi. Mas o consumo excessivo da nossa aten\u00e7\u00e3o que n\u00e3o consegue encontrar rumo no mural infinito de informa\u00e7\u00e3o que tem \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o. Esse mural, subtilmente, aprisionar a mente com a <em>sensa\u00e7\u00e3o de saber<\/em> atrav\u00e9s da gratifica\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea que um simples deslizar do dedo pelo ecr\u00e3 proporciona. Ainda te lembras do cheiro de um livro? Ainda te lembras de escrever com a m\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem rege a pauta tocada pela tecnologia que est\u00e1 sempre presente em tudo, em todo o lado e a qualquer instante? Dev\u00edamos ser n\u00f3s a pautar a tecnologia com os nossos valores, tornando-a nos meios e ferramentas que melhoram a nossa vida e o relacionamento com a casa comum atrav\u00e9s de um contacto profundo com o mundo ao nosso redor. Em vez disso, pusemos fim a tanta coisa que poder\u00edamos fazer (ou n\u00e3o fazer) com as nossas m\u00e3os e pensamento. Uma vida pautada pela tecnologia parece ter-se tornado num destino incontorn\u00e1vel a cada ser humano que nasce. E se n\u00e3o o podemos negar sem regredir, podemos sempre acolher para compreender como prosseguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O violino ser\u00e1 sempre um instrumento que n\u00e3o toca por si mesmo. Precisa da m\u00e3o humana para dar vida e melodia ao deslizar o arco pelas cordas. Ser pautado pela tecnologia n\u00e3o significa deixar-se dominar pelo que ela quer, mas distinguir os \u00f3culos que nos permitem ver, dos olhos de abelha das realidades aumentada ou virtual que apenas aproximam, ainda mais, o ecr\u00e3 da nossa face. Como disse o jornalista Walter Mossberg no seu \u00faltimo artigo para a <em>The Verge<\/em> \u2014 <em>\u00abEu espero que um resultado final de todo este trabalho seja que a tecnologia, o computador dentro de todas essas coisas, se torne secund\u00e1ria. Em alguns casos, pode at\u00e9 desaparecer completamente.\u00bb<\/em> \u2014 Ser pautado pela tecnologia, destinada a desaparecer, \u00e9 redescobrir como pode a nossa vida ser pautada pelo que gera tecnologia: o gosto de pensar e ser criativo.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/thedigitalartist-202249\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=3794375\">Pete Linforth<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=3794375\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modos de intera\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16560,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[196,57,62],"tags":[],"class_list":["post-16559","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-p-pautado","category-miguel-oliveira-panao","category-modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16559","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16559"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16559\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16562,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16559\/revisions\/16562"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16560"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16559"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16559"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16559"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}