{"id":16325,"date":"2023-08-05T16:10:48","date_gmt":"2023-08-05T15:10:48","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=16325"},"modified":"2023-08-05T16:10:48","modified_gmt":"2023-08-05T15:10:48","slug":"modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao-%cf%80-12-jesus-e-a-explicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao-%cf%80-12-jesus-e-a-explicacao\/","title":{"rendered":"Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o | \u03c0.12 ~ Jesus e a Explica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><strong><em>Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o\u00a0<\/em><\/strong><\/h5>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: right;\"><em>\u03c0\u00a0[Pessoas &amp; Ideias]<\/em><\/h2>\n<hr \/>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: center;\">\u03c0.12 ~ Jesus e a Explica\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Miguel Oliveira Pan\u00e3o<\/h4>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\">Blog<\/a> &amp; <a href=\"https:\/\/www.miguelpanao.com\/livros\/\">Autor<\/a> &amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Newsletter<\/a><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">A caminho de Ema\u00fas, Jesus <em>explica<\/em> as escrituras fazendo com os dois disc\u00edpulos um caminho interior, para al\u00e9m do exterior, que levaria os seus cora\u00e7\u00f5es a arder quando O reconheceram na fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o. Jesus falava atrav\u00e9s de par\u00e1bolas, n\u00e3o para entreter, mas <em>explicar<\/em> as coisas profundas. N\u00e3o sei se alguma vez nos demos conta da tremendamente dif\u00edcil miss\u00e3o de Jesus: a de <em>explicar<\/em> tudo, acess\u00edvel a todos e em t\u00e3o pouco tempo. Esta \u00e9 a ideia-\u00faltima que encontro em Jesus, e com a qual termino esta s\u00e9rie de reflex\u00f5es sobre Pessoas e Ideias (PI= \u03c0), sendo tamb\u00e9m o desejo-\u00faltimo de qualquer cientista que aspira comunicar aos outros o que compreende deste mundo complexo, e que se complexifica no tempo, atrav\u00e9s de palavras simples.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">A coisa mais dif\u00edcil para um cientista, e a mais necess\u00e1ria, \u00e9 saber <em>explicar<\/em> aquilo que estuda, o que compreende daquilo que estuda, e at\u00e9 aquilo que n\u00e3o compreende, mas explica atrav\u00e9s de quest\u00f5es. O <em>M\u00e9todo Feynman<\/em> usado pelo conhecido professor e f\u00edsico Richard Feynman era o que: 1) escolher um conceito; 2) explic\u00e1-lo a uma crian\u00e7a com palavras simples e ver se essa o entendia; 3) caso ela n\u00e3o entendesse significa que ainda n\u00e3o entendemos bem o conceito, levando-nos a estud\u00e1-lo melhor para identificar as lacunas no nosso conhecimento; 4) e, por fim, rever a nossa compreens\u00e3o do conceito at\u00e9 se atingir o grau de simplicidade na explica\u00e7\u00e3o que permita a crian\u00e7a compreender. Sabemos que as perguntas no \u00e2mbito cient\u00edfico s\u00e3o o caminho aut\u00eantico a seguir para entender as coisas profundas que se passam fora de n\u00f3s (<em>Ph\u00fdsis<\/em>) e dentro de n\u00f3s (<em>Psych\u00e9<\/em>). Jesus, como Filho de Deus, tinha a miss\u00e3o de explicar o que est\u00e1 <em>para al\u00e9m de n\u00f3s<\/em>. O m\u00e9todo de Feynman \u00e9 inovador, mas o m\u00e9todo de Jesus n\u00e3o parece ser semelhante ao de Feynman. Qual poderia ser a novidade da <em>explica\u00e7\u00e3o<\/em> em Jesus?<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">No seu livro, &#8220;O In\u00edcio do Infinito&#8221;, David Deutsch aborda a ideia de explica\u00e7\u00e3o de uma maneira profunda e \u00fanica. O ponto de partida que todos podemos imaginar sobre como definir <em>explica\u00e7\u00f5es<\/em> consiste em reconhecer serem tentativas de entender o mundo \u00e0 nossa volta e o poder ilimitado que t\u00eam para causar mudan\u00e7as e progresso. Deutsch argumenta que uma boa explica\u00e7\u00e3o \u00e9 aquela que se revela dif\u00edcil de variar. Ou seja, \u00e9 dif\u00edcil modificar uma boa explica\u00e7\u00e3o sem que essa perca o seu poder explicativo ou se torne falsa e deixe de ser o que pens\u00e1vamos ser como explica\u00e7\u00e3o. Deutsch contrasta as boas explica\u00e7\u00f5es com as menos boas quando estas \u00faltimas s\u00e3o facilmente ajust\u00e1veis, acabando por n\u00e3o fornecer uma compreens\u00e3o real do fen\u00f3meno que pretendem explicar. Deutsch discute ainda a ideia de que as explica\u00e7\u00f5es s\u00e3o ferramentas que usamos para manipular o mundo ao nosso redor. N\u00e3o no sentido negativo, mas pela capacidade que a cria\u00e7\u00e3o de boas explica\u00e7\u00f5es tem de nos permitir fazer coisas boas para melhorar a vida humana, como desenvolver tecnologia que cure e sociedades complexas onde todos t\u00eam lugar. \u00c9 verdade que as explica\u00e7\u00f5es de que Deutsch fala relacionam-se mais com o conhecimento exterior da realidade e, por isso, s\u00e3o sempre provis\u00f3rias e sujeitas a revis\u00e3o, como no M\u00e9todo Feynman. Ali\u00e1s, a procura por melhores explica\u00e7\u00f5es \u00e9 sempre um processo cont\u00ednuo e nunca podemos presumir chegarmos \u00e0 verdade final sobre qualquer coisa. Algo positivo pelo sentido que tem de manter a nossa mente sempre aberta. Ali\u00e1s, um efeito que Jesus conseguia sempre com as suas <em>explica\u00e7\u00f5es<\/em>.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Os tempos mudam com a evolu\u00e7\u00e3o cultural, mas as explica\u00e7\u00f5es de Jesus permanecem intemporais. Permeadas pelo amor como energia base de tudo quanto existe, diria Teilhard de Chardin, as explica\u00e7\u00f5es de Jesus renovam-se continuamente. N\u00e3o s\u00e3o explica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, mas antes para as quest\u00f5es do sentido e significado da nossa exist\u00eancia. O que no mundo est\u00e1 ainda por descobrir \u00e9 a Ci\u00eancia da Exist\u00eancia, cuja vers\u00e3o mais pr\u00f3xima talvez fosse a &#8220;Ontologia&#8221; que estuda a natureza da exist\u00eancia. Por\u00e9m, a Ci\u00eancia da Exist\u00eancia para a qual Jesus oferece explica\u00e7\u00f5es n\u00e3o se restringe \u00e0s coisas mais profundas, como serve tamb\u00e9m para as coisas mais banais. A amplitude das explica\u00e7\u00f5es de Jesus \u00e9, por assim dizer, infinita. Algo que pode apresentar algum problema para as mentes mais c\u00e9pticas.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Quando queremos explicar tudo com a limitada linguagem que temos dispon\u00edvel, corremos o s\u00e9rio risco de vaguear e de acabarmos por explicar muito pouco. Por isso, as explica\u00e7\u00f5es de Jesus sobre o amor, o perd\u00e3o, a justi\u00e7a e tantas outras coisas, tornaram-se intemporais por exigirem a experi\u00eancia daquilo que explicam para serem compreendidas e neste ponto, parece-me, reside o valor universal e ins\u00f3lito da <em>explica\u00e7\u00e3o<\/em> em Jesus.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">A <em>explica\u00e7\u00e3o em Jesus<\/em> prov\u00e9m da vida e gera vida para ser compreendida. Significa isso que o processo de compreender uma explica\u00e7\u00e3o de Jesus exige a viv\u00eancia, em cada tempo presente, daquilo que essa explica\u00e7\u00e3o sugere ao cora\u00e7\u00e3o de cada pessoa. Por exemplo, ao vivermos o amor como dom-total-de-n\u00f3s-mesmos (amor-\u00e1gape), criamos ordem a partir do caos da nossa exist\u00eancia. Ordem porque o amor-\u00e1gape liga o que (e quem) toca, gerando novos padr\u00f5es relacionais que continuam a complexificar o universo e a perme\u00e1-lo de novidade.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">A ideia \u00faltima da <em>explica\u00e7\u00e3o-vivificante<\/em> que Jesus oferece com tudo o que explicou e foi captado nos Evangelhos, liga de forma surpreendente a raz\u00e3o \u00e0 rela\u00e7\u00e3o, a morte \u00e0 vida, o finito ao infinito. E por mais diferente que seja a nossa cultura, p\u00f4r em pr\u00e1tica as explica\u00e7\u00f5es de Jesus, se as quisermos compreender profundamente, implica a exist\u00eancia de uma infinidade de vias poss\u00edveis, como se fossem infinitas linguagens. E a \u00fanica forma de as traduzir ser\u00e1 atrav\u00e9s da vida em n\u00f3s e entre n\u00f3s. Em Jesus, a explica\u00e7\u00e3o vive-se.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/lilologi-15126060\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=4827558\">Lizeth Lopez<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=4827558\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modos de intera\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16326,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57,62,180],"tags":[],"class_list":["post-16325","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-miguel-oliveira-panao","category-modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao","category-pi-pessoas-ideias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16325","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16325"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16325\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16327,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16325\/revisions\/16327"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16326"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16325"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16325"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16325"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}