{"id":15862,"date":"2023-04-01T09:31:56","date_gmt":"2023-04-01T08:31:56","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=15862"},"modified":"2023-04-01T09:31:56","modified_gmt":"2023-04-01T08:31:56","slug":"modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao-%cf%80-8-edwards-e-a-proximidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao-%cf%80-8-edwards-e-a-proximidade\/","title":{"rendered":"Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o | \u03c0.8 ~ Edwards e a Proximidade"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><strong><em>Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o\u00a0<\/em><\/strong><\/h5>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: right;\"><em>\u03c0\u00a0[Pessoas &amp; Ideias]<\/em><\/h2>\n<hr \/>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: center;\">\u03c0.8 ~ Edwards e a Proximidade<\/h2>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Miguel Oliveira Pan\u00e3o<\/h4>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\">Blog<\/a> &amp; <a href=\"https:\/\/www.miguelpanao.com\/livros\/\">Autor<\/a> &amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Newsletter<\/a><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contemplar o universo numa noite de c\u00e9u limpo e sem ilumina\u00e7\u00e3o das ruas, abre o nosso olhar ao infinito das estrelas. Quem alguma vez contemplou a Via L\u00e1ctea j\u00e1 experimentou como o Universo \u00e9 incomensur\u00e1vel diante da nossa pequenez. Pensar que Deus tenha criado tudo o que existe, do nada e por amor, e mesmo assim o vasto Universo criado n\u00e3o pode conter Deus, como podemos conceber que Ele esteja mais pr\u00f3ximo de n\u00f3s do que n\u00f3s estamos de n\u00f3s pr\u00f3prios? Como podem os seres humanos, restos como s\u00e3o da poeira que se formou na morte de uma estrela, ser capazes de se tornarem o imenso universo que pensa sobre si mesmo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O P. Denis Edwards (1943-2019) foi um sacerdote australiano cujo pensamento teol\u00f3gico centralizado nos relacionamentos aproxima-nos de uma experi\u00eancia humana de Deus que se faz pr\u00f3ximo. Para Edwards, a natureza de uma experi\u00eancia \u2014<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00abenvolve tanto o encontro como a interpreta\u00e7\u00e3o do encontro. (&#8230;) A experi\u00eancia \u00e9 melhor vista como encontro com algo ou algu\u00e9m que se torna dispon\u00edvel \u00e0 consci\u00eancia atrav\u00e9s da consci\u00eancia reflexiva. Refere-se a um encontro interpretado no interior da consci\u00eancia humana.\u00bb<\/em> (Edwards, 1983)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As experi\u00eancias de vida que alimentam aquilo em que acreditamos parecem estar demasiadamente condicionadas \u00e0 materialidade inerente a essas experi\u00eancias. Se experimento fome, ingiro alimentos. Se experimento uma alegria interior, sorrio, independentemente daquilo que se passa \u00e0 minha volta. E mesmo que toda a l\u00f3gica, sentido e significado dos gestos ou palavras vis\u00edveis sejam uma experi\u00eancia sens\u00edvel e, por isso, consideramo-la verdadeira, a experi\u00eancia da consci\u00eancia \u00e9, tamb\u00e9m, ineg\u00e1vel. Todos a reconhecem porque a experimentam neles pr\u00f3prios. Apesar da experi\u00eancia da consci\u00eancia ser subjectiva, por ser \u00fanica em cada pessoa, como todos a experimentamos, reconhecemos a veracidade dessa experi\u00eancia no outro porque a reconhecemos em n\u00f3s. E para Edwards, a experi\u00eancia relacional presente em tudo no mundo prov\u00e9m da interpreta\u00e7\u00e3o feita com a consci\u00eancia reflexiva. Uma experi\u00eancia relacional que desafia a humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00abA humanidade est\u00e1 a ser desafiada a optar, conscientemente, por um modo de vida que respeite a interconectividade de todas as criaturas. (&#8230;) <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O relacionamento entre Deus e as criaturas n\u00e3o deve ser entendido em termos mecan\u00edsticos. (&#8230;) A cria\u00e7\u00e3o \u00e9 compreendida em termos de rela\u00e7\u00e3o.\u00bb<\/em> (Edwards, 1992)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Denis Edwards considerava que no cora\u00e7\u00e3o da f\u00e9 estava a ci\u00eancia dos relacionamentos: a ecologia (Edwards, 2006). N\u00e3o nos podemos relacionar com insectos, um c\u00e3o ou um crocodilo, do mesmo modo com que nos relacionamentos com outras pessoas. Por\u00e9m, observar as abelhas vai para al\u00e9m de consumir o seu mel. Brincar com um c\u00e3o vai para al\u00e9m da sua utilidade em nos proteger. E at\u00e9 nos podemos relacionar com os crocodilos, sorrindo para eles e eles para n\u00f3s, desde que haja uma janela de vidro refor\u00e7ado pelo meio. Brinco, mas reconhe\u00e7o que sem encontrar no outro uma consci\u00eancia com a qual possa interagir, o ser humano tem ainda alguma dificuldade em estabelecer os relacionamentos com o mundo natural que poderia ter. Por\u00e9m, segundo o pensamento de Denis Edwards,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00abo Esp\u00edrito transforma este mundo a partir do interior.\u00bb<\/em> (Edwards, 2006)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O poder de Deus na vis\u00e3o de Edwards manifesta-se na proximidade dos relacionamentos impulsionada pelo amor. \u2014 <em>\u00abO poder de Deus \u00e9 revelado em Cristo como um poder-no-amor, como um poder relacional.\u00bb<\/em> Mas Edwards n\u00e3o esconde a dor dizendo que \u2014 <em>\u00aba natureza do poder revelado na cruz de Cristo deveria ser o que governa todo o pensamento Crist\u00e3o sobre o Deus todo-poderoso.\u00bb<\/em> \u2014 Pois, \u2014 <em>\u00abna cruz de Jesus, os Crist\u00e3os encontram um Deus que entra na dor do mundo e sofre com o sofrimento da cria\u00e7\u00e3o. Na ressurrei\u00e7\u00e3o, eles encontram a promessa de que a morte n\u00e3o tem a \u00faltima palavra.\u00bb<\/em> \u2014 A cria\u00e7\u00e3o de Deus no amor, emergente do amor e como acto de amor, n\u00e3o est\u00e1 isenta de dor. E parece-me que Deus se fez homem e n\u00e3o macaco, para nos mostrar o valor da consci\u00eancia-de-si-mesmo como forma de nos colocarmos no lugar do outro, conhecer a sua experi\u00eancia e cuidar dessa. N\u00e3o por acaso que S\u00e3o Paulo escreveu que \u2014 <em>\u00abat\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o se encontra em expectativa ansiosa, aguardando a revela\u00e7\u00e3o dos filhos de Deus. De facto, a cria\u00e7\u00e3o foi sujeita \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o &#8211; n\u00e3o voluntariamente, mas por disposi\u00e7\u00e3o daquele que a sujeitou &#8211; na esperan\u00e7a de que tamb\u00e9m ela ser\u00e1 libertada da escravid\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o, para alcan\u00e7ar a liberdade na gl\u00f3ria dos filhos de Deus. Bem sabemos como toda a cria\u00e7\u00e3o geme e sofre as dores de parto at\u00e9 ao presente.\u00bb<\/em> (Rm 8, 19-22) A nossa consci\u00eancia \u00e9 o poder relacional que Deus nos deu e atrav\u00e9s da qual podemos ser criativos nos relacionamentos de proximidade a estabelecer com o mundo natural. Por que raz\u00e3o est\u00e1 a demorar tanto para colocar a consci\u00eancia ao servi\u00e7o da fam\u00edlia da Cria\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bibliografia de Denis Edwards<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li style=\"text-align: justify;\">&#8220;The Human Experience of God&#8221;, Paulist press, 1983.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">\u201cMade from stardust \u2014 Exploring the place of human beings within creation&#8221;, Collins Dove, 1992<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ecology at the hearth of faith&#8221;, Orbis Books, 2006<\/li>\n<\/ul>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/geralt-9301\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=622904\">Gerd Altmann<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=622904\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modos de intera\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":15864,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57,62,180],"tags":[],"class_list":["post-15862","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-miguel-oliveira-panao","category-modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao","category-pi-pessoas-ideias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15862","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15862"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15862\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15865,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15862\/revisions\/15865"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15864"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15862"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15862"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15862"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}