{"id":1584,"date":"2017-07-14T22:22:51","date_gmt":"2017-07-14T21:22:51","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=1584"},"modified":"2017-07-14T22:22:51","modified_gmt":"2017-07-14T21:22:51","slug":"rosto-de-misericordia-maria-do-carmo-vieira-torrao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/rosto-de-misericordia-maria-do-carmo-vieira-torrao\/","title":{"rendered":"Rosto de Miseric\u00f3rdia: Maria do Carmo Vieira Torr\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Rosto de Miseric\u00f3rdia<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0MARIA DO CARMO VIEIRA TORR\u00c3O<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Pe. Georgino Rocha<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria do Carmo Vieira Torr\u00e3o \u2013 conhecida por Maria do Carmo e assim nomeada em \u201cRosto de Miseric\u00f3rdia\u201d &#8211; nasce em Vale de \u00cdlhavo, par\u00f3quia de S\u00e3o Salvador de \u00cdlhavo, a 29 de Maio de 1934 e deixa-nos a 12 de Abril de 2003. Neste arco de tempo, quanta transforma\u00e7\u00e3o na Igreja e na sociedade! E quantos desafios a urgirem resposta envolvente de todos, sobretudo dos mais despertos e conscientes de que a f\u00e9 se \u201cjoga\u201d na vida e a credibilidade da Igreja se testa na aten\u00e7\u00e3o \u00e0 pessoa e \u00e0s suas preocupantes situa\u00e7\u00f5es. Os movimentos da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica surgem na dianteira deste despertar que, progressivamente, se vai enraizando a ponto de se fazer compromisso militante. Esta foi a primeira grande escola apost\u00f3lica da Maria do Carmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascida numa fam\u00edlia crist\u00e3 consistente, tem uma inf\u00e2ncia feliz na companhia dos cinco irm\u00e3os sob a guarda cuidadosa do pai e de uma tia, pois ficara \u00f3rf\u00e3 de m\u00e3e aos dois anos. O carinho de todos suaviza a perda e faz a fam\u00edlia \u201cdigerir\u201d a dor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As m\u00faltiplas facetas da vida da Maria do Carmo constituem um espelho polido do jeito cultivado de ser e de agir, revelando uma grandeza discreta e prestando um servi\u00e7o eficaz nas situa\u00e7\u00f5es que veio a encontrar no \u00e2mbito do trabalho profissional e apost\u00f3lico e a assumir com serena determina\u00e7\u00e3o. Neste jeito se rever\u00e3o muitas outras pessoas que fazem do sil\u00eancio a proclama\u00e7\u00e3o do bem feito e da doa\u00e7\u00e3o generosa a \u201csenha\u201d de cada dia. O seu jeito de ser e agir surge mais eloquente em testemunhos que a seguir se apresentam do que na narra\u00e7\u00e3o descritiva, por mais assertiva e clara que fosse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VIA JESUS CRISTO NOS POBRES<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sua sensibilidade a quem est\u00e1 em necessidade era constante. Dir-se-ia que vivia feliz quando podia ser prest\u00e1vel a algu\u00e9m. Em duas ocasi\u00f5es, pude confirmar esta sua predisposi\u00e7\u00e3o: no acolhimento aos retornados que ficaram a dormir no Centro de Pastoral &#8211; e foram dezenas &#8211; (ap\u00f3s o 25 de Abril de 1974, d\u00e1-se o grande \u00eaxodo de portugueses residentes em Angola, \u00eaxodo provocado pelas for\u00e7as revolucion\u00e1rias) e na campanha de solidariedade com as v\u00edtimas do terramoto dos A\u00e7ores e das cheias de Lisboa. Parece que se electrizava quando, perante a urg\u00eancia, ningu\u00e9m reagia. A Maria do Carmo era uma mulher de f\u00e9 alimentada no contacto di\u00e1rio com os pobres em que via Jesus Cristo, com a adora\u00e7\u00e3o ao Sant\u00edssimo que reconhecia presente no sacr\u00e1rio, com leituras acess\u00edveis, sobretudo da B\u00edblia e do Jornal do Gaiato. \u201c Os pobres s\u00e3o a minha consumi\u00e7\u00e3o e a minha alegria\u201d, dizia com frequ\u00eancia. (CV. 16.04.2003, p\u00e1g. 2.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BEM-DISPOSTA E DISPON\u00cdVEL<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Colabora no Secretariado Nacional de Liturgia a convite de Mons. An\u00edbal Ramos. Ajuda a organizar as primeiras semanas lit\u00fargicas e torna-se conhecida e apreciada pela boa disposi\u00e7\u00e3o e disponibilidade. Tamb\u00e9m ela, de algum modo, &#8220;ensinou Portugal a rezar&#8221; &#8211; como refere D. Manuel Trindade a respeito de Mons. An\u00edbal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Faz parte da equipa da C\u00e1ritas, onde assume inicialmente o papel de acolhimento e de atendimento. Revela um jeito especial para a ajuda espont\u00e2nea, a caridade informal. Ganha a amizade de quem &#8220;lhe bate \u00e0 porta&#8221;. Alguns chamam-lhe &#8220;a m\u00e3e dos pobres&#8221;. Visitas ass\u00edduas s\u00e3o os ciganos,; com que carinho os recebia! A princ\u00edpio, v\u00eam por roupa e alimento. Depois, por amizade ou para saberem como vai a sa\u00fade. Sentiam-se bem, apesar dos contratempos. Colabora generosamente no lan\u00e7amento e anima\u00e7\u00e3o dos grupos sociocaritativos. (CV. 16.04.2003, p\u00e1g. 2.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MARIA DO CARMO ERA ASSIM<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo do tempo que nos dedicou, aprendi muito com ela, troc\u00e1vamos experi\u00eancias, fal\u00e1vamos de Deus e da vida, era muito amiga e capaz de encher a nossa casa de uma alegria imensa (os Natais com ela, eram simplesmente inesquec\u00edveis). Quando ria tinha um sorriso meigo \u2026 fazia-nos bem, estar junto dela\u2026 a qualquer pedido nosso a resposta era sempre \u201cest\u00e1 bem\u201d\u2026 Adoeceu\u2026 depressa demais \u2026 aceitou tudo com um sorriso \u2026 estava sempre tudo bem \u2026 transmitiu-me valores muito importantes para a minha vida e mostrou-me que \u00e9 poss\u00edvel fazermos tudo pelos outros\u2026temos sempre tempo\u2026 e que s\u00f3 somos felizes quando podemos ser prest\u00e1veis aos outros. Obrigada titi do Carmo por teres feito parte da minha vida, e me teres ensinado a dizer \u201cEst\u00e1 bem\u201d\u2026 Maria Lu\u00edza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VENCIDA PELO AMOR DE DEUS<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSempre que conversava com ela ficava-me a sensa\u00e7\u00e3o de estar perante um ser c\u00e2ndido, tal era a sua simplicidade e capacidade de desvalorizar o que poderia ofuscar a rela\u00e7\u00e3o com os outros&#8221;, diz o Presidente da C\u00e1ritas Portuguesa, Eug\u00e9nio da Fonseca, adiantando querer testemunhar pessoalmente e, em nome da C\u00e1ritas Portuguesa, &#8220;manifestar a nossa sentida homenagem a quem, durante 30 anos, se dedicou a este servi\u00e7o da ac\u00e7\u00e3o social e caritativa da Diocese de Aveiro, em \u00e1reas t\u00e3o determinantes e exigentes como s\u00e3o o acolhimento e atendimento e a anima\u00e7\u00e3o de grupos sociocaritativos nas par\u00f3quias, servi\u00e7o que foi interrompido pela falta de sa\u00fade que teimou em persistir e que foi agora vencida pelo Amor de Deus que, estou certo, j\u00e1 envolveu eternamente a Maria do Carmo na caridade plena.&#8221; (CV. 28.V.2003, p\u00e1g. 2.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">OBRIGADO, MARIA DO CARMO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Est\u00e1 bem&#8221; \u2013 responde-me com voz suave que tende a sumir-se. &#8220;Molhem os l\u00e1bios&#8221; &#8211; pede quase a seguir. Sorve rapidamente a humidade e volta a mergulhar na zona da tranquilidade em que vivia os momentos prestes a findaram-se. \u00c9 a \u00faltima palavra que me deixa como testamento espiritual e define a sua atitude de vida. &#8220;Est\u00e1 bem&#8221; \u00e9 resposta ao apelo que lhe havia feito no decurso da visita. Ao longo de trinta anos, fui testemunha desta ades\u00e3o sol\u00edcita, ap\u00f3s informa\u00e7\u00e3o adequada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A nossa diocese continua a precisar de si&#8221; &#8211; tinha-lhe segredado. Eu sabia que a &#8220;coisa&#8221; era grave, irrevers\u00edvel e de evolu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida. Por isso, abrindo a ponta do v\u00e9u, insinuava outra forma de poder vir a ser \u00fatil. As necessidades da nossa Igreja s\u00e3o evidentes: S\u00ednodo dos Jovens, renova\u00e7\u00e3o do clero e das par\u00f3quias, forma\u00e7\u00e3o dos leigos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 vivida \u00e9 agora vis\u00e3o contemplada. Que a Maria do Carmo saboreie a comunh\u00e3o ardentemente desejada! Que a nossa Diocese possa contar com o seu valimento perante o Senhor da miss\u00e3o! (CV 16.04.2003, p\u00e1g. 2.) E miseric\u00f3rdia irradia novas facetas de um estilo de vida admir\u00e1vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rosto de Miseric\u00f3rdia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1588,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,13,50,15],"tags":[],"class_list":["post-1584","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares","category-pe-georgino-rocha","category-rostos-de-misericorida"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1584","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1584"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1584\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1589,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1584\/revisions\/1589"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1588"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1584"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1584"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1584"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}