{"id":15682,"date":"2023-02-25T12:48:19","date_gmt":"2023-02-25T12:48:19","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=15682"},"modified":"2023-02-25T12:48:19","modified_gmt":"2023-02-25T12:48:19","slug":"pe-georgino-rocha-aprecia-a-moeda-vive-a-quaresma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/pe-georgino-rocha-aprecia-a-moeda-vive-a-quaresma\/","title":{"rendered":"Pe. Georgino Rocha | Aprecia a moeda &#8211; Vive a quaresma!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Pe. Georgino Rocha<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p>A figura e a inscri\u00e7\u00e3o na moeda que os fariseus mostram a Jesus constituem o ponto de partida para o ensinamento que o Evangelho de Mt 22, 15-22 nos transmite. As autoridades queriam desforra pelos desafios que as atitudes de Jesus lhes lan\u00e7avam. Haviam tentado apanh\u00e1-lo j\u00e1 em alguma quest\u00e3o acusat\u00f3ria. Agora colocam-lhe a pergunta envenenada: \u201c\u00c9 l\u00edcito pagar o imposto a C\u00e9sar ou n\u00e3o?\u201d. S\u00e3o seus porta-vozes alguns fariseus e outros partid\u00e1rios de Herodes, aliados de circunst\u00e2ncia para a armadilha dar resultado.<\/p>\n<p>E QUEM ERAM AQUELAS GENTES?<\/p>\n<p>Aquelas gentes eram ca\u00e7adores que se traladavam de um a outro s\u00edtio para poderem governar a vida. Ter coisas era para eles um estorvo. Por isso,\u00a0 com raz\u00e3o que para aqueles seres gentes humanos e durante mais de noventa mil anos \u00abnenhum m\u00f3bil especificamente humano era econ\u00f3mico\u00bb. Uma economia bem gerida \u00e9 decisiva para o bem estar e a felicidade das pessoas e da sociedade\u2026 Uma economia mal gerida provoca a ruina das pessoas e das sociedades\u2026 A lei da selva \u00e9 um progresso ou retrocesso? Onde fica o ser humano com todas as suas capacidades? Faz pensar e muito. A Igreja e o dinheiro \u00e9 um problema delicada e interpelante.<\/p>\n<p>E t\u00eam tudo bem pensado. Procuram captar a benevol\u00eancia de Jesus, elogiando-o com men\u00e7\u00f5es honrosas verific\u00e1veis: Sabemos que \u00e9s verdadeiro, ensinas o caminho de Deus, n\u00e3o fazes acep\u00e7\u00e3o de pessoas porque vais para al\u00e9m das apar\u00eancias. Dir-se-ia que para come\u00e7ar n\u00e3o havia melhor entrada. Mas palavras s\u00e3o palavras que podem esconder a realidade. E esta era a inten\u00e7\u00e3o das \u201cinocentes louvaminhas\u201d, inten\u00e7\u00e3o que Mateus, o narrador do relato, apresenta de modo claro: Os fariseus fizeram um plano para apanhar Jesus.<\/p>\n<p>Plano bem urdido, temos de reconhecer. Logicamente qualquer resposta seria comprometedora. Se Jesus dissesse: N\u00e3o se deve pagar o imposto, seria acusado de subversivo; pelo contr\u00e1rio; se concordasse com o pagamento, n\u00e3o sintonizava com os gemidos do povo subjugado pelas for\u00e7as do Imp\u00e9rio Romano. De qualquer modo, ficava sempre mal visto e com provas condenat\u00f3rias. Que momento delicado vive Jesus. E tem de tomar uma decis\u00e3o urgente. Que ter\u00e1 sentido no seu cora\u00e7\u00e3o apertado? Que crit\u00e9rios se podem descortinar na sua atitude? Ela vai ser desconcertante e os seus advers\u00e1rios ficam espantados. De admiradores \u201clouvaminhas\u201d, passam a c\u00famplices acusados, de homens verdadeiros a hip\u00f3critas denunciados, de tentadores disfar\u00e7ados a gente desmascarada. E para c\u00famulo, dir\u00edamos com humor, a sua reac\u00e7\u00e3o a este \u201ctratamento de excel\u00eancia\u201d \u00e9 de admira\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de confus\u00e3o, como seria normal.<\/p>\n<p>\u201cMostrai-me a moeda do imposto. De quem \u00e9 a figuira e a inscri\u00e7\u00e3o?\u201d. \u201cDe C\u00e9sar\u201d, dizem. E Jesus olhando a efigie do imperador, responde: \u201cDai a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar, e a Deus o que \u00e9 de Deus\u201d.\u00a0 E eles ficam admirados. E nem era para menos. Como podiam fazer-lhe qualquer acusa\u00e7\u00e3o? A sabedoria triunfa sobre a artimanha e a verdade ilumina n\u00e3o apenas a rela\u00e7\u00e3o entre o poder civil e a autoridade religiosa, como alguns chegam a pensar, mas o rosto de Deus que deixa a sua imagem e semelhan\u00e7a no ser humano, homem e mulher, o reflexo da sua beleza no santu\u00e1rio da consci\u00eancia pessoal, os vest\u00edgios da sua impress\u00e3o digital nas criaturas e na cria\u00e7\u00e3o. O cunhar moeda, o pagar impostos, o regime fiscal e tudo o que se liga com esta rede deve estar em conson\u00e2ncia com aquela verdade primeira, e, sendo justos, isto \u00e9 servindo o bem comum ou, pelo menos da maioria necessitada, tornam-se obrigat\u00f3rios moralmente, e os prevaricadores, incluindo a pr\u00f3pria autoridade que os estabeleceu, s\u00e3o pass\u00edveis de penaliza\u00e7\u00e3o legal.<\/p>\n<p>Em coment\u00e1rio a este epis\u00f3dio, afirma Frei Raimundo de Oliveira, op: \u201cO imposto era o sinal da domina\u00e7\u00e3o romana; os fariseus rejeitavam-na, mas os partid\u00e1rios de Herodes aceitavam-na. Se Jesus responde \u00absim\u00bb, os fariseus desacredit\u00e1-Lo-iam diante do povo; se diz \u00abn\u00e3o\u00bb, os partid\u00e1rios de Herodes poder\u00e3o acus\u00e1-lo de subvers\u00e3o. Mas Jesus n\u00e3o discute a quest\u00e3o do imposto. Ele s\u00f3 se preocupa com o povo: A moeda \u00e9 \u00abde C\u00e9sar\u00bb, mas o povo \u00e9 \u00abde Deus\u00bb. O imposto s\u00f3 \u00e9 justo quando reverte em benef\u00edcio do bem comum. Jesus condena a transforma\u00e7\u00e3o do povo em mercadoria que enriquece e fortalece tanto a domina\u00e7\u00e3o interna como a estrangeira\u201d. (B\u00edblia Pastoral, Ed. S\u00e3o Paulo Lisboa 1993, p. 1380, em nota de roda-p\u00e9).<\/p>\n<p>\u201cDar a Deus o que \u00e9 de Deus\u201d \u00e9 consigna para todo o sempre porque o homem realizar-se-\u00e1 no seu melhor: ama sem acep\u00e7\u00e3o de pessoas nem fronteiras de tempo; vive e convive amigavelmente com todos os humanos e com respeito pela cria\u00e7\u00e3o inteira; situa-se na hist\u00f3ria como agente respons\u00e1vel na escuta dos gemidos das criaturas oprimidas e na sua liberta\u00e7\u00e3o integral; aspira a que os direitos b\u00e1sicos sejam assegurados a todos, designadamente o da dignidade, da alimenta\u00e7\u00e3o, do vestu\u00e1rio, da sa\u00fade e de tantos outros. O contr\u00e1rio ser\u00e1 o drama da humanidade, sempre poss\u00edvel!<\/p>\n<p>\u201cDar a Deus o que \u00e9 de Deus\u201d \u00e9 ver respeitada a liberdade de consci\u00eancia e poder express\u00e1-la pessoalmente e de forma associada, na rua e nos templos, dentro de um quadro legal que facilite a harmonia de cidad\u00e3os que vivem numa sociedade plural. \u00c9 sentir-se reconhecido nesta rela\u00e7\u00e3o com a fonte original de todos os bens e ver facilitada, mediante a cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis, a transmiss\u00e3o dos valores correspondentes a educa\u00e7\u00e3o nas fam\u00edlias, nas escolas de servi\u00e7o p\u00fablico, na comunica\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>\u201cDar a Deus o que \u00e9 de Deus\u201d \u00e9 dar largas ao cora\u00e7\u00e3o que exulta de alegria e convida a terra inteira a associar-se a este louvor, \u00e9 publicar entre as na\u00e7\u00f5es as suas maravilhas, \u00e9 anunciar a todos os povos a novidade do amor revigorante que o Senhor nos tem. O salmista da liturgia de hoje convida-nos a alargar horizontes.<\/p>\n<p>Hoje \u00e9 o Dia Mundial das Miss\u00f5es. O Papa Francisco dirige-nos uma mensagem e um veemente apelo: \u201cA miss\u00e3o da Igreja, destinada a todos os homens de boa vontade, funda-se sobre o poder transformador do Evangelho. Este \u00e9 uma Boa Nova portadora duma alegria contagiante, porque cont\u00e9m e oferece uma vida nova: a vida de Cristo ressuscitado, o qual, comunicando o seu Esp\u00edrito vivificador, torna-Se para n\u00f3s Caminho, Verdade e Vida. Jo 14, 6<\/p>\n<p>\u2026 Promovido pela Obra da Propaga\u00e7\u00e3o da F\u00e9, o Dia Mundial das Miss\u00f5es \u00e9 a ocasi\u00e3o prop\u00edcia para o cora\u00e7\u00e3o mission\u00e1rio das comunidades crist\u00e3s participar, com a ora\u00e7\u00e3o, com o testemunho da vida e com a comunh\u00e3o dos bens, na resposta \u00e0s graves e vastas necessidades da evangeliza\u00e7\u00e3o\u2026 Que a Virgem nos ajude a dizer o nosso \u00absim\u00bb \u00e0 urg\u00eancia de fazer ressoar a Boa Nova de Jesus no nosso tempo; nos obtenha um novo ardor de ressuscitados para levar, a todos, o Evangelho da vida que vence a morte; interceda por n\u00f3s, a fim de podermos ter uma santa ousadia de procurar novos caminhos para que chegue a todos o dom da salva\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/rabenspiegel-4499966\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2183470\">Christian Bueltemann<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2183470\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. Georgino Rocha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":15683,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,14],"tags":[],"class_list":["post-15682","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-pe-georgino-rocha","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15682","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15682"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15682\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15684,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15682\/revisions\/15684"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15683"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15682"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15682"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15682"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}