{"id":1561,"date":"2017-07-12T17:54:55","date_gmt":"2017-07-12T16:54:55","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=1561"},"modified":"2017-07-12T17:54:55","modified_gmt":"2017-07-12T16:54:55","slug":"jesus-aos-discipulos-felizes-os-vossos-olhos-e-ouvidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/jesus-aos-discipulos-felizes-os-vossos-olhos-e-ouvidos\/","title":{"rendered":"Jesus aos disc\u00edpulos: felizes os vossos olhos e ouvidos"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">Jesus aos disc\u00edpulos<\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>FELIZES OS VOSSOS OLHOS E OUVIDOS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Pe. Georgino Rocha<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jesus declara felizes os disc\u00edpulos que prestam aten\u00e7\u00e3o ao que ele diz e faz. Mateus narra a par\u00e1bola da semente, do campo e do semeador em que, de forma sapiencial, apresenta as disposi\u00e7\u00f5es de quem ouve a Palavra de Deus e as atitudes consequentes que toma. Faz uma esp\u00e9cie de retrato exemplar que serve de refer\u00eancia para todos os tempos. Especialmente para o nosso em que tantos \u201csons e tons\u201d se repercutem nos ouvidos e invadem o cora\u00e7\u00e3o. Realmente Deus corre um grande risco ao confiar a sorte da sua Palavra \u00e0 liberdade humana, pronta para um generoso sim, mas capaz de dizer n\u00e3o: um n\u00e3o rotundo ou condicionado e mesmo adiado. Da\u00ed, a nossa responsabilidade pessoal e, tendo fun\u00e7\u00f5es educativas, sociais e comunit\u00e1rias.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jesus est\u00e1 em miss\u00e3o na zona do Mar de Tiber\u00edades. O seu estilo de vida e a sua linguagem tinham tal novidade que as multid\u00f5es acorriam a ouvi-lo. Chegavam a \u201capert\u00e1-lo\u201d tanto que teve de recorrer a novos espa\u00e7os e a servir-se de meios diferentes, \u00c9 o caso da barca que se distancia da margem como refere a leitura da liturgia de hoje (Mt 13, 1-23). Olhando as pessoas de frente, senta-se e come\u00e7a o seu ensinamento sobre o \u201csonho de Deus\u201d, a novidade do Reino, o sentido do que est\u00e1 a acontecer e que diz respeito a todos e a cada um. E como bom comunicador, conta a par\u00e1bola da semente e do que ela envolve. Usa uma linguagem acess\u00edvel, assertiva, interpelante, respeitosa, pass\u00edvel de ser interpretada de v\u00e1rios modos, apesar da sua clareza. A narra\u00e7\u00e3o deixa ver \u201cem pano de fundo\u201d o agir do pr\u00f3prio Jesus e da reac\u00e7\u00e3o dos seus ouvintes nas diversas atitudes bem espelhadas nas diferentes qualidades da terra onde cai a semente: O caminho \u00e1rido e sem h\u00famus, os s\u00edtios pedregosos sem recursos ou com espinhos sufocantes, a terra boa e produtiva. Retoma a tradi\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica da met\u00e1fora de Isa\u00edas, hoje proclamada, em que a palavra \u00e9 como a chuva e a neve que descem do c\u00e9u e realizam a sua miss\u00e3o, fecundando a terra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jesus, ao ver a preocupa\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos em captarem todo o alcance da par\u00e1bola, exclama: \u201cFelizes os vossos olhos porque v\u00eaem e os vossos ouvidos porque ouvem!\u201d E d\u00e1-lhes uma explica\u00e7\u00e3o exemplar. Centra a aten\u00e7\u00e3o em quem acolhe a semente, a Palavra. Real\u00e7a a import\u00e2ncia de cultivar as disposi\u00e7\u00f5es adequadas, deixando o elenco de outras menos indicadas. O caminho \u00e9 met\u00e1fora do cora\u00e7\u00e3o \u00e1rido, indiferente ao que acontece, satisfeito com o seu mundo de acomoda\u00e7\u00e3o aburguesada. Os s\u00edtios pedregosos n\u00e3o t\u00eam profundidade suficiente para garantir o vigor das ra\u00edzes da semente; por isso espelham as pessoas inconstantes e exibicionistas, que reagem com entusiasmo e alegria, mas desistem \u201csem pena nem gl\u00f3ria\u201d \u00e0 primeira contrariedade. Os espinhos do silvado deixam germinar e crescer a semente, mas acabam por a sufocar e secar, tais as feridas da vida, os cuidados do imediato, as sedu\u00e7\u00f5es da riqueza, do consumo e do prest\u00edgio. E ficam \u201ccongeladas\u201d as calorosas aspira\u00e7\u00f5es do cora\u00e7\u00e3o humano em que \u201cencaixa\u201d bem o \u201csonho de Deus\u201d. A terra boa \u00e9 o s\u00edmbolo de quem est\u00e1 dispon\u00edvel para acolher e pronto para corresponder \u00e0 Palavra escutada. Como Maria de Nazar\u00e9, a m\u00e3e de Jesus, a mulher do di\u00e1logo esclarecedor que liberta de receios e abre espa\u00e7o \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel. Como n\u00f3s, certamente.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O vigor da semente, a palavra, est\u00e1 condicionado pelo exerc\u00edcio da liberdade humana. \u201cEstamos chamados a ser \u00abterra boa\u00bb. \u00c9 urgente. O \u00absonho de Deus\u00bb pode diluir-se\u2026 \u00c9 o pre\u00e7o que Deus paga pela liberdade humana\u2026 Escutar a Palavra do Reino e entend\u00ea-la \u00e9 escutar a chamada interior que nos pergunta pela nossa responsabilidade no mundo que estamos a construir e sobre o nosso modo de nos realizarmos como pessoas\u201d, afirma Gutierrez de la Serna, na revista \u201cHomil\u00e9tica\u201d. E, no desejo de ajudar o leitor a sintonizar cada vez mais com o ritmo indicado, deixa-nos pistas indicativas muito \u00fateis. Mencionam-se algumas: \u201cCultivo-me como pessoa humana em toda a riqueza e dignidade? Preocupa-me o \u201csonho de Deus\u201d para este mundo ou s\u00f3 penso em mim? Pensando no futuro dos nossos filhos (e netos)\u2026, preocupa-me a educa\u00e7\u00e3o em valores e para os valores? Preocupa-me o futuro do nosso planeta e da possibilidade futura da vida? Escuto a palavra de Deus, procuro entend\u00ea-la e p\u00f4-la em pr\u00e1tica? Sou realmente \u201cterra boa\u201d?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A novidade de Jesus passa pela nossa felicidade, pela nossa liberdade, pela coopera\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria, pela coer\u00eancia de atitudes. Que alegria e responsabilidade!<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jesus aos disc\u00edpulos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1562,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,13,50,14],"tags":[],"class_list":["post-1561","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares","category-pe-georgino-rocha","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1561","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1561"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1561\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1563,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1561\/revisions\/1563"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1562"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1561"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1561"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1561"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}