{"id":15384,"date":"2022-12-15T09:53:57","date_gmt":"2022-12-15T09:53:57","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=15384"},"modified":"2022-12-15T10:01:48","modified_gmt":"2022-12-15T10:01:48","slug":"pe-georgino-rocha-natal-de-ontem-natal-de-hoje-a-maravilha-de-crescer-em-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/pe-georgino-rocha-natal-de-ontem-natal-de-hoje-a-maravilha-de-crescer-em-humanidade\/","title":{"rendered":"Pe. Georgino Rocha | Natal de ontem, natal de hoje &#8211; A maravilha de crescer em humanidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Pe. Georgino Rocha<\/strong><\/p>\n<p>O nascimento de Jesus suscita um dinamismo extraordin\u00e1rio que Lucas narra de forma s\u00f3bria e discreta. Maria e Jos\u00e9 aconchegam o Menino e v\u00eaem realizadas as promessas feitas h\u00e1 meses pelo enviado de Deus. Contemplam-no, mais com o cora\u00e7\u00e3o do que com os olhos, e deixam que seja o sil\u00eancio a falar. Acolhem quem O visita e ouvem quanto se diz a respeito do rec\u00e9m-nascido. Lc 2, 1-20.<br \/>\nOs pastores acorrem apressados e expectantes. Querem confirmar o que lhes havia sido anunciado. Os magos, despertos e orientados na sua curiosidade, p\u00f5em-se a caminho e, errantes, vagueiam at\u00e9 chegar ao local do encontro. Herodes e os seus conselheiros re\u00fanem de emerg\u00eancia e, temendo o pior, armam ciladas a quem os consulta e procuram eliminar a presumida amea\u00e7a ao poder. O C\u00e9u une-se \u00e0 terra em admir\u00e1vel exulta\u00e7\u00e3o festiva e maravilhosa coincid\u00eancia.<br \/>\nS\u00e3o Lucas n\u00e3o est\u00e1 a fazer hist\u00f3ria com esta narra\u00e7\u00e3o. Escrevendo \u00abo Evangelho da Inf\u00e2ncia\u00bb, depois de ocorrida a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, v\u00ea o nascimento \u00e0 luz da P\u00e1scoa e antecipa para os momentos iniciais a perspectiva do que vir\u00e1 a acontecer mais tarde. Elabora um texto, sobretudo, teol\u00f3gico que tem a for\u00e7a do acontecimento, o dinamismo da ac\u00e7\u00e3o e a densidade do s\u00edmbolo.<br \/>\nO s\u00edmbolo faz-nos captar a verdade de que \u00e9 portador: Deus faz-se ser humano, na condi\u00e7\u00e3o mais fr\u00e1gil da exist\u00eancia, confiando-se plenamente aos cuidados de uma fam\u00edlia. Vem ensinar, pelo exemplo e pela palavra, o que \u00e9 comum a todas as pessoas: a dignidade humana, o valor da vida, a import\u00e2ncia da rela\u00e7\u00e3o confiante e solid\u00e1ria, a esperan\u00e7a do futuro que chega em cada gesto de amor benevolente, o alcance de uma plenitude a que todos estamos chamados e se vai prosseguindo gradualmente, a certeza de que o tempo comporta nas suas entranhas sementes de eternidade, a beleza do C\u00e9u que beija a terra e lhe garante uma perspectiva de Infinito.<br \/>\nE os leitores que conseguirem penetrar no seu simbolismo, familiarizar-se com os sentimentos de Maria e de Jos\u00e9, \u201capoderar-se\u201d do Menino Jesus e de quanto habita o seu cora\u00e7\u00e3o?<br \/>\n\u00c9 indescrit\u00edvel a riqueza do s\u00edmbolo natal\u00edcio. Protagonizado pelo Menino Jesus \u2013 a face humana do nosso Deus. Configurado no epis\u00f3dio de Bel\u00e9m e nas suas v\u00e1rias encena\u00e7\u00f5es. Pressentido pelos pastores e pelos magos que nos deixam preciosos, ainda que breves, relatos a que Lucas d\u00e1 forma liter\u00e1ria. Temido por Herodes. Plasmado na atitude de Maria e de Jos\u00e9. Vivido gozosamente por Deus que todo se compraz na pessoa do seu Filho.<br \/>\nRealmente, est\u00e1 ali ao alcance dos nossos sentidos a imagem do Deus Invis\u00edvel que \u00abarmou a sua tenda\u00bb entre n\u00f3s; est\u00e1 ali, feito ser humano, Aquele que \u00e9 Deus e vem estabelecer uma parceria de alian\u00e7a com a humanidade; est\u00e1 ali, o Messias ansiado desde sempre, ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o do mundo, e aguardado em jubilosa esperan\u00e7a por todos quantos de algum modo vivem o n\u00facleo da sua mensagem: o amor feito servi\u00e7o, o amor expresso culturalmente nos valores fundamentais \u00e0 dignidade de ser humano.<br \/>\nA f\u00e9 crist\u00e3 \u2013 afirma Bento XVI \u2013 leva-nos a proclamar: \u00abDeus \u00e9 t\u00e3o grande que pode fazer-se pequeno. Deus \u00e9 t\u00e3o potente que pode fazer-se inerme e vir ao nosso encontro como crian\u00e7a indefesa, a fim de podermos am\u00e1-lo. \u00c9 t\u00e3o bom que pode renunciar ao seu esplendor divino e descer a um est\u00e1bulo para podermos encontr\u00e1-lo e, deste modo, a sua bondade nos toque, nos seja comunicada e continue actuando por nosso interm\u00e9dio\u00bb.<br \/>\nA express\u00e3o original do s\u00edmbolo vem sendo revestida ao longo da hist\u00f3ria de v\u00e1rias formas que pretendem sublinhar o que se valora mais nessa \u00e9poca. O povo simples antecipou-se aos grandes artistas no jeito de cantar e representar a maravilha do Natal. Mas a arte, em todos os seus estilos, procura tamb\u00e9m dizer o indiz\u00edvel e encontrar formas que facilitem o acesso ao grande Mist\u00e9rio: melodias admir\u00e1veis, textospo\u00e9ticos e narrativas liter\u00e1rias, composi\u00e7\u00f5es musicais, obras art\u00edsticas em estilos amaneirados ou com uma sobriedade espantosa,<br \/>\ndeixando em realce o Menino e sua M\u00e3e; enfim nada a que \u00abo engenho humano\u00bb possa lan\u00e7ar m\u00e3o fica de fora neste hino universal da cria\u00e7\u00e3o e das criaturas perante o seu Senhor que vem ser um de n\u00f3s para nos elevar at\u00e9 Ele.<br \/>\nA cultura hegem\u00f3nica actual tende a valorizar outras roupagens do Natal e a provocar atitudes humanas mais agitadas. De h\u00e1 uns tempos a esta parte, a sociedade civil por meio das suas m\u00faltiplas associa\u00e7\u00f5es marca o estilo das festas natal\u00edcias. A comunica\u00e7\u00e3o social, as ag\u00eancias publicit\u00e1rias e os comentadores aven\u00e7ados pretendem criar e imprimir o ritmo e exibir formas sedutoras que preencham o vazio de tantas vidas e satisfa\u00e7am, do melhor modo, os anseios leg\u00edtimos do cora\u00e7\u00e3o humano.<br \/>\nE surgem figurinos de toda a esp\u00e9cie que coexistem com as formas mais genu\u00ednas da celebra\u00e7\u00e3o natal\u00edcia. E tomam-se as decis\u00f5es mais bizarras, chegando a proibir a celebra\u00e7\u00e3o do Natal, a prop\u00f3sito do respeito devido a quem n\u00e3o \u00e9 crist\u00e3o \u2013 ainda que seja apenas um ou outro cidad\u00e3o. Deste modo cai-se no caricato, preferindo sacrificar a generalidade da popula\u00e7\u00e3o e anular elementos constitutivos da sua identidade cultural e religiosa. (Esta proibi\u00e7\u00e3o foi decidia numa escola em Espanha, mas os pais das crian\u00e7as souberam afirmar-se e levaram \u00e0 anula\u00e7\u00e3o dessa medida).<br \/>\nEstas roupagens podem ocultar o Menino e a sua mensagem, esvaziando por completo a maravilha suprema do Natal. Podem igualmente constituir uma esp\u00e9cie de \u201c\u00e1rea aberta\u201d para a evangeliza\u00e7\u00e3o das aspira\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas docora\u00e7\u00e3o humano. Podem constituir um repto enorme \u00e0 capacidade dos crist\u00e3os para irem ao essencial e relativizar o acess\u00f3rio.<br \/>\nEvangelizar o Natal \u00e9 \u201cmergulhar\u201d na gruta de Bel\u00e9m, deixar-se embeber pelo seu mist\u00e9rio, acolher e transmitir os valores da mensagem do Deus Menino, dando-lhes \u201crosto\u201d humano em todas as partes, sobretudo na organiza\u00e7\u00e3o da sociedade e nas rela\u00e7\u00f5es sociais.<br \/>\nF\u00e9 que n\u00e3o se faz cultura n\u00e3o chega a ser f\u00e9 crist\u00e3. Festa que n\u00e3o ajuda a crescer em humanidade, n\u00e3o \u00e9 festa crist\u00e3.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/sweetaholic-296788\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=4699361\">Julia Schwab<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=4699361\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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