{"id":15296,"date":"2022-12-01T15:09:59","date_gmt":"2022-12-01T15:09:59","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=15296"},"modified":"2022-12-01T15:19:20","modified_gmt":"2022-12-01T15:19:20","slug":"modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao-%cf%80-4-elizabeth-e-o-feminino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao-%cf%80-4-elizabeth-e-o-feminino\/","title":{"rendered":"Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o | \u03c0.4 ~ Elizabeth e o Feminino"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><strong><em>Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o\u00a0<\/em><\/strong><\/h5>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: right;\"><em>\u03c0\u00a0[Pessoas &amp; Ideias]<\/em><\/h2>\n<hr \/>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: center;\">\u03c0.4 ~ Elizabeth e o Feminino<\/h2>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Miguel Oliveira Pan\u00e3o<\/h4>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\">Blog<\/a> &amp; <a href=\"https:\/\/www.miguelpanao.com\/livros\/\">Autor<\/a> &amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Newsletter<\/a><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante dos efeitos devastadores da intensifica\u00e7\u00e3o dos fen\u00f3menos clim\u00e1ticos, como os fura\u00e7\u00f5es, as chuvas e as secas, a ecologia \u00e9 um dos poucos t\u00f3picos que mais une a ci\u00eancia \u00e0 f\u00e9 e onde o di\u00e1logo mais se aprofundou nos \u00faltimos tempos. Embora a ci\u00eancia tenha surgido como a resposta do ser humano ao sentido curioso que prov\u00e9m da sua consci\u00eancia, o nascimento da ci\u00eancia moderna coincide com a invers\u00e3o do sentido da natureza como mestra e n\u00f3s seus aprendizes, para um sentido de n\u00f3s como seus mestres e a natureza como nossa serva. Elizabeth A. Johnson \u00e9 uma te\u00f3loga que oferece a ideia de um maior equil\u00edbrio entre a vis\u00e3o masculina e a feminina da realidade para compreender melhor as ra\u00edzes da crise ecol\u00f3gica que vivemos e da qual est\u00e1 a ser dif\u00edcil sair.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vis\u00e3o antropoc\u00eantrica do relacionamento entre o ser humano e a natureza foi identificada como uma das ra\u00edzes da crise ecol\u00f3gica, mas Elizabeth faz uma precis\u00e3o. O problema n\u00e3o \u00e9 a vis\u00e3o centrada na <em>humanidade<\/em> (antropo-), mas no <em>homem<\/em> (andro-), ou seja, o problema real est\u00e1 no <em>androcentrismo<\/em> que hierarquiza as vis\u00f5es masculina e feminina da realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na raiz de uma vida mais ecol\u00f3gica est\u00e3o tr\u00eas relacionamentos: 1) os seres humanos com a natureza; 2) os seres humanos entre si; 3) e os seres humanos com Deus. Mas quando dizemos &#8220;seres humanos&#8221; n\u00e3o podemos esquecer uma polaridade criativa entre o masculino e o feminino, que a nossa cultura explora ainda pouco pelo valor que realmente tem. Elizabeth diz que \u2014 <em>\u00abn\u00f3s procuramos uma vis\u00e3o unificante que n\u00e3o estratifica o que \u00e9 distinto em camadas superior-inferior, mas reconcili\u00e1-las em relacionamentos de mutualidade. Escutemos a sabedoria das mulheres, discernir o nosso parentesco com a terra, e recordar o Esp\u00edrito, como passos vitais na direc\u00e7\u00e3o de uma \u00e9tica ecol\u00f3gica e espiritual.\u00bb<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Elizabeth, a experi\u00eancia que as mulheres fazem de si mesmas tende a uma incorpora\u00e7\u00e3o fundamental com os outros, acentuando a relacionalidade como um aspecto fundamental na compreens\u00e3o que cada um de n\u00f3s tem de si pr\u00f3prio. O modo como nos vemos, e vemos os outros, est\u00e1 ainda demasiado estruturado. Basta pensar como nos v\u00e1rios COP (confer\u00eancia mundial dedica \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas) se evidenciam as diferen\u00e7as entre pol\u00edticos e o povo, quando os pol\u00edticos s\u00e3o tanto povo quanto todos os que n\u00e3o trabalham na pol\u00edtica. A realidade mais profunda \u00e9 a da <em>\u00abindepend\u00eancia relacional, liberdade na rela\u00e7\u00e3o, individualidade totalmente relacionada\u00bb<\/em> \u2014 diz Elizabeth, de tal forma que isso influi na vis\u00e3o que temos do mundo e respectivas implica\u00e7\u00f5es para a que temos de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abSe a rela\u00e7\u00e3o est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o do universo, se a mutualidade \u00e9 uma excel\u00eancia moral, ent\u00e3o, a divindade de Deus n\u00e3o consiste em ser superior ou estar contra, mas expressa-se em si mesma numa livre aproxima\u00e7\u00e3o e num conectar-se em rela\u00e7\u00e3o m\u00fatua.\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A intui\u00e7\u00e3o da interconectividade entre todas as coisas \u00e9 um contributo fundamental da experi\u00eancia feminina de vida que desconstr\u00f3i os dualismos hier\u00e1rquicos que t\u00eam dominado o nosso modo de pensar ecol\u00f3gico, em vez de dar lugar a um c\u00edrculo de m\u00fatua interconex\u00e3o entre tudo o que se relaciona no mundo. Ali\u00e1s, as reservas que sempre tive em rela\u00e7\u00e3o ao modelo do ser humano com &#8220;administrador respons\u00e1vel&#8221; (ainda presente na <em>Laudato Si&#8217;<\/em> n. 116), devem-se ao facto de ser uma express\u00e3o que mant\u00e9m a estrutura hier\u00e1rquica, em vez da comunit\u00e1ria que mais se aproxima da realidade e que uma vis\u00e3o feminina pode ajudar a interiorizar. Como afirma Elizabeth \u2014<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abSe a separa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o ideal, mas a conex\u00e3o; se o dualismo n\u00e3o \u00e9 o ideal, mas o abra\u00e7o relacional da diversidade; se a hierarquia n\u00e3o \u00e9 o ideal, mas o mutualismo; ent\u00e3o, o modelo de parentesco \u00e9 o que mais se aproxima da realidade. Esse v\u00ea os seres humanos e a terra, com todas as suas criaturas, intrinsecamente relacionados como companheiros numa comunidade de vida. Pela raz\u00e3o de estarmos todos mutuamente interconectados, o florescimento ou dano feito a um, em \u00faltima an\u00e1lise, afecta todos. Esta atitude de parentesco n\u00e3o mede as diferen\u00e7as numa escala de dignidade ontol\u00f3gica mais elevada ou mais baixa, mas aprecia-as como elementos integrais no robusto prosperar do todo.\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sentido de comunidade que prov\u00e9m da vis\u00e3o feminina est\u00e1 inscrito na realidade ao seu n\u00edvel mais profundo. Todos provimos do mesmo p\u00f3 das estrelas (at\u00e9 Deus quando se faz homem em Jesus). Todos somos irm\u00e3os, n\u00e3o apenas os que pertecem \u00e0 mesma esp\u00e9cie. Todos perfazemos uma comunidade de vida mutuamente interdependente que impulsiona a evolu\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do planeta e do universo. A ideia de Elizabeth de reconhecer e explorar a vis\u00e3o do feminino para melhorar o di\u00e1logo entre ci\u00eancia e f\u00e9 \u00e9 t\u00edpico do ser materno. Aquele timbre feminino que procura sempre reconciliar os que, por vezes, esquecem serem irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Bibliografia:<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elizabeth A. Jonhson, &#8220;Women, Earth, and Creator Spirit&#8221;, Paulist Press, 1993.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/elg21-3764790\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=5356009\">Enrique<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=5356009\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modos de intera\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":15297,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57,62,180],"tags":[],"class_list":["post-15296","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-miguel-oliveira-panao","category-modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao","category-pi-pessoas-ideias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15296","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15296"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15296\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15347,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15296\/revisions\/15347"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15297"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15296"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15296"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15296"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}