{"id":15234,"date":"2022-11-13T15:37:33","date_gmt":"2022-11-13T15:37:33","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=15234"},"modified":"2022-11-13T15:37:33","modified_gmt":"2022-11-13T15:37:33","slug":"questoes-de-educacao-antonio-franco-educacao-o-elevador-social-avariado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/questoes-de-educacao-antonio-franco-educacao-o-elevador-social-avariado\/","title":{"rendered":"Quest\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o | Ant\u00f3nio Franco &#8211; Educa\u00e7\u00e3o, o elevador social avariado"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Quest\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Ant\u00f3nio Franco<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao fim de tr\u00eas anos, voltei ao ensino, ou melhor, voltei a trabalhar numa escola.<br \/>\nAp\u00f3s o Col\u00e9gio onde lecionei trinta e um anos ter encerrado, na sequ\u00eancia dos cortes feitos nos Contratos de Associa\u00e7\u00e3o, estive tr\u00eas anos afastado das escolas, mas atento ao que ia acontecendo no sistema educativo portugu\u00eas.<br \/>\nMuita coisa mudou nestes \u00faltimos tr\u00eas anos, a come\u00e7ar pela forma de avaliar.<br \/>\nAgora sim, finalmente est\u00e1 no terreno o pin\u00e1culo das avalia\u00e7\u00f5es que d\u00e1 pelo nome de MAIA. Com este nome, j\u00e1 conhecia uma &#8220;vidente&#8221; e tamb\u00e9m uma abelha, agora um sistema de avalia\u00e7\u00e3o&#8230;<br \/>\nN\u00e3o necessitamos de possuir grandes dotes de adivinha\u00e7\u00e3o para antecipar as consequ\u00eancias de todo este experimentalismo que utiliza crian\u00e7as e jovens como cobaias, sem que qualquer resultado positivo seja vis\u00edvel em termos de aprendizagens. H\u00e1, no entanto, quem insista em confundir as altas taxas de aprova\u00e7\u00e3o da\u00ed resultantes, que, a meu ver, se justificam pelo facilitismo reinante em termos de avalia\u00e7\u00e3o e pela falta de rigor na marca\u00e7\u00e3o e justifica\u00e7\u00e3o de faltas, com progressos not\u00e1veis em termos educativos.<br \/>\nO Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o teima em continuar a ser uma esp\u00e9cie de laborat\u00f3rio social onde, \u00e0 semelhan\u00e7a do Metro de Lisboa, as escadas rolantes e os elevadores est\u00e3o avariados. H\u00e1 muito que o elevador social que a escola devia ser deixou de funcionar, com os respons\u00e1veis ministeriais a falar de taxas de abandono e de reten\u00e7\u00e3o reduzidas,\u00a0que existem, n\u00e3o porque os alunos sejam mais ass\u00edduos e estudiosos, mas porque o sistema est\u00e1 montado para que a passagem seja quase administrativa.<br \/>\nEmbora deseje estar enganado, acredito que os pr\u00f3ximos testes de Pisa e do TIMSS a\u00ed estar\u00e3o para o demonstrar. A pandemia ir\u00e1 servir de desculpa para os fracos resultados que se adivinham, esquecendo-se que esta tamb\u00e9m atingiu os restantes pa\u00edses e que os \u00faltimos testes realizados j\u00e1 indiciavam essa descida, tendo a culpa sido, rapidamente, atirada para o anterior Ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Nuno Crato. Isto apesar de, por exemplo, as provas do TIMSS terem sido realizadas por alunos do 4.\u00ba ano que entraram para o 1.\u00ba ano j\u00e1 no tempo de Tiago Brand\u00e3o Rodrigues, tendo feito todo o 1.\u00ba Ciclo durante o seu mandato.<br \/>\nAli\u00e1s, recentemente, o P\u00fablico noticiou que o n\u00famero de alunos que terminaram o Secund\u00e1rio sem nunca terem reprovado bateu todos os recordes, esquecendo-se de referir que o fim dos exames obrigat\u00f3rios a quatro disciplinas contribuiu decisivamente para isso, bem como o novo modelo de exames. S\u00f3 faltou acrescentar que as m\u00e9dias bateram, tamb\u00e9m, recordes, o que prova que atualmente se estuda mais e melhor do que h\u00e1 40 anos, per\u00edodo onde se contavam pelos dedos de uma m\u00e3o os alunos com m\u00e9dias superiores a catorze em cada turma. E isto numa altura em que apenas uma &#8220;elite&#8221; frequentava o Secund\u00e1rio.<br \/>\nO Ministro da Educa\u00e7\u00e3o veio tamb\u00e9m contentar-se com os resultados das Provas de Aferi\u00e7\u00e3o de 2022, acrescentando que tinha havido um trambolh\u00e3o nos resultados ao n\u00edvel da Leitura, entre os alunos do 2.\u00ba ano, mas que nas restantes \u00e1reas os &#8220;resultados s\u00e3o animadores&#8221;. Deixou, ainda, escapar que &#8220;Embora haja melhorias de resultados, as taxas de acerto dos alunos s\u00e3o ainda muito baixas&#8221;. Traduzindo: um aluno que tenha passado a acertar 20% das respostas depois de, no teste anterior, ter acertado apenas 10%, revela um progress\u00e3o de 100%.. Mas qual ter\u00e1 sido a verdadeira progress\u00e3o. se os resultados foram apenas animadores? E qual o termo de compara\u00e7\u00e3o? E que diferen\u00e7as existem entre escolas situadas em diferentes zonas de uma mesma cidade? E que conclus\u00f5es se podem tirar se relacionarmos os resultados com o facto de a escola frequentada estar dependente da morada dos pais do discente? E entre ensino particular e estatal? E entre escolas estatais?<br \/>\nVivemos num mundo de espelhos e de ilus\u00e3o. Independentemente dos discursos, o fosso entre as boas escolas (incluindo muitas estatais) e as restantes vai-se aprofundando e o elevador social, para a maioria, deixou de funcionar, comprometendo, de forma tr\u00e1gica, o futuro de muitos jovens.<br \/>\n\u00c0 semelhan\u00e7a do Metro de Lisboa, apenas se far\u00e1 alguma coisa, quando algu\u00e9m constatar que o rei vai nu. At\u00e9 l\u00e1, contentar-nos-emos com estat\u00edsticas para estrangeiro ver.<br \/>\nComo diz o povo: &#8220;Quem vive no convento \u00e9 que sabe o que l\u00e1 vai dentro&#8221;, o que, de certeza, n\u00e3o \u00e9 o caso de Jo\u00e3o Costa.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/tama66-1032521\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=3299456\">Peter H<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=3299456\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":15235,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[184,183],"tags":[],"class_list":["post-15234","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-antonio-franco","category-questoes-de-educacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15234","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15234"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15234\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15406,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15234\/revisions\/15406"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15235"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15234"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15234"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15234"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}