{"id":15004,"date":"2022-10-11T07:00:34","date_gmt":"2022-10-11T06:00:34","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=15004"},"modified":"2022-10-10T15:48:31","modified_gmt":"2022-10-10T14:48:31","slug":"questoes-de-educacao-antonio-franco-alunos-sem-aulas-ou-vagas-por-ocupar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/questoes-de-educacao-antonio-franco-alunos-sem-aulas-ou-vagas-por-ocupar\/","title":{"rendered":"Quest\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o | Ant\u00f3nio Franco &#8211; Alunos sem aulas ou vagas por ocupar?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Quest\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Ant\u00f3nio Franco<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">H\u00e1 dias, o Facebook lembrou-me uma publica\u00e7\u00e3o feita por mim, em 30 de setembro de 2014, onde escrevi: \u201cPara que conste, h\u00e1 escolas que t\u00eam todos os professores desde o primeiro dia de aulas\u201d. Chegados a 2022, a publica\u00e7\u00e3o continua atual.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">\u00c9 um facto que, desde h\u00e1 dezenas de anos, o pa\u00eds se habituou a conviver com in\u00edcios de ano letivo em que a maioria dos agrupamentos\/escolas n\u00e3o t\u00eam professores para todas as disciplinas. Em alguns casos (escolas do 1.\u00ba Ciclo), n\u00e3o tem professores de todo, o que levou a que houvesse escolas ainda encerradas, nos finais de setembro. Chegamos ao ponto de, recentemente, o Ministro da Educa\u00e7\u00e3o se ter congratulado com o facto de apenas sessenta mil alunos estarem sem aulas, pelo menos a uma disciplina, na medida em que isto significava uma melhoria relativamente ao ano anterior.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">No final do m\u00eas de setembro, esse n\u00famero era j\u00e1 superior a cem mil alunos, visto que mais de dois mil professores entraram de baixa m\u00e9dica, desde o in\u00edcio do ano letivo. Acresce a isso, o facto de a lei, at\u00e9 in\u00edcio de setembro estipular que o atestado deve ser pelo menos de 30 dias para se poder dar in\u00edcio \u00e0 substitui\u00e7\u00e3o do professor. Entretanto, este prazo foi encurtado para 12 dias, tentando diminuir o tempo que os alunos est\u00e3o sem aulas. Agilizou-se, tamb\u00e9m, a possibilidade de as escolas poderem contratar diretamente professores, por o lugar ter continuado vago depois de sa\u00edrem as reservas de recrutamento semanais ou os colocados terem recusado a coloca\u00e7\u00e3o. Foi dada, ainda, a possibilidade de pessoas com licenciatura ou mestrado, sem ser na \u00e1rea pedag\u00f3gica, poderem concorrer a esses concursos abertos pelas escolas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Mesmo assim, e apesar de todos estes esfor\u00e7os, muitas vagas continuam por preencher. Havia, em finais de setembro, mais de 1500 hor\u00e1rios por preencher, por n\u00e3o terem tido professores interessados, ou por os colocados terem recusado a coloca\u00e7\u00e3o, ou, ainda, por a terem aceitado, renunciando ao contrato no dia seguinte, dado isto ter implica\u00e7\u00f5es diferentes na lista graduada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Quanto \u00e0 possibilidade de haver professores n\u00e3o profissionalizados a lecionarem, ela sempre existiu, embora fosse residual. Quando n\u00e3o havia professores de todo para uma dada disciplina, era poss\u00edvel ver um licenciado pr\u00e9-Bolonha a lecionar, pois continua(va) em vigor o diploma legal que estabelece(ia) as habilita\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias para lecionar (diferentes da habilita\u00e7\u00e3o profissional). No entanto, mal se falou da possibilidade de pessoas sem forma\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica poderem lecionar, \u201ccaiu o Carmo e a Trindade\u201d e logo apareceram relatos apocal\u00edpticos do que iria suceder ao sistema de ensino e aos alunos v\u00edtimas desses \u201cprofessores\u201d sem forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Como em tudo na vida, h\u00e1 que ter pondera\u00e7\u00e3o nestas discuss\u00f5es. A forma\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica \u00e9 importante, mas, durante a minha carreira de 36 anos de ensino, conheci excelentes professores que nunca a fizeram ao longo de toda a sua carreira. Vejamos dois casos concretos, de pessoas que conhe\u00e7o, para que nos apercebamos que cada caso \u00e9 um caso: 1) professor universit\u00e1rio, doutorado numa determinada \u00e1rea, foi respons\u00e1vel, durante alguns anos, pelo acompanhamento dos alunos do seu curso em est\u00e1gio pedag\u00f3gico. Por n\u00e3o ser profissionalizado, n\u00e3o pode lecionar nos 2.\u00ba, 3.\u00ba Ciclos e Secund\u00e1rio; 2) professor universit\u00e1rio com 3 licenciaturas e um doutoramento em Pedagogia, teve de deixar de lecionar num col\u00e9gio, h\u00e1 uns anos, por n\u00e3o ter a profissionaliza\u00e7\u00e3o feita. Entretanto leciona numa universidade. Algu\u00e9m pode dizer que estes professores n\u00e3o re\u00fanem condi\u00e7\u00f5es para lecionarem em escolas b\u00e1sicas ou secund\u00e1rias? Outro exemplo: nos Estados Unidos, h\u00e1 muitos casos de profissionais de excel\u00eancia que, a determinada altura das suas vidas, resolvem fazer uma pausa na carreira, dedicando-se \u00e0 leciona\u00e7\u00e3o nas escolas que frequentaram enquanto estudantes. Muitos fazem-no como forma de pagarem a \u201cd\u00edvida\u201d (de gratid\u00e3o) que sentem ter com a sua antiga escola. Isto permite a essas escolas, durante alguns anos, terem pessoas de topo em determinadas profiss\u00f5es entre os seus professores.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Isto remete-nos novamente para a quest\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica que sem d\u00favidas \u00e9 muito importante. N\u00e3o podemos \u00e9 pensar que ela \u00e9 mais importante que a forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Um bom pedagogo, se for mau a matem\u00e1tica, nunca poder\u00e1 ser um bom professor dessa disciplina.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Mas voltando \u00e0 quest\u00e3o inicial: por que motivos h\u00e1 escolas que iniciam o ano letivo com todos os professores?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Se virmos quais s\u00e3o, verificamos que, quase todas elas, s\u00e3o particulares e cooperativas. Refira-se que, no ensino particular, as tabelas salariais s\u00e3o inferiores \u00e0s da escola p\u00fablica, n\u00e3o h\u00e1 redu\u00e7\u00f5es de hor\u00e1rio com a idade e os tempos letivos, em muitas delas, s\u00e3o de 60 minutos e n\u00e3o de 45 ou 50 minutos o que, num hor\u00e1rio completo (22 horas), faz com que lecionem, no m\u00ednimo, mais 3h40m por semana que os seus colegas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">A principal diferen\u00e7a tem a ver com a forma como \u00e9 efetuada a contrata\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 feita diretamente pela Dire\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de entrevistas, o que permite contratar rapidamente professores, fazendo com que os alunos n\u00e3o fiquem sem aulas. Quando o professor \u00e9 entrevistado, \u00e9-lhe dito logo que o hor\u00e1rio \u00e9 de X horas. Por sua vez, quando um professor \u00e9 colocado numa escola p\u00fablica que levou a concurso nacional um hor\u00e1rio de 22 horas, pode l\u00e1 ser colocado um professor do Quadro Distrital de Vincula\u00e7\u00e3o, com 60 anos e 30 anos de servi\u00e7o que tem direito a redu\u00e7\u00e3o de 8 horas letivas. Neste caso, se o professor aceitar a coloca\u00e7\u00e3o, 8 horas ir\u00e3o ficar sem professor atribu\u00eddo, ou seja, 1\/3 dos alunos daquele hor\u00e1rio v\u00e3o continuar sem professor.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Poder-se-\u00e1 dizer: se as escolas puderem contratar diretamente os docentes, as contrata\u00e7\u00f5es passar\u00e3o a ser feitas por cunha.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Realmente esse perigo poder\u00e1 existir, mas n\u00e3o acredito que, no ensino particular, dependendo a viabilidade econ\u00f3mica das escolas dos alunos que as frequentam, se possam dar ao luxo de contratar um professor incapaz, apenas por ser amigo do Diretor, correndo o risco de poder perder alunos por esse facto.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Por outro lado, no ensino p\u00fablico a contrata\u00e7\u00e3o pelas escolas deveria ser acompanhada pela possibilidade de os alunos poderem verdadeiramente escolher a escola que querem frequentar (falo apenas de escolas p\u00fablicas) e n\u00e3o estarem limitados pela sua morada. Em \u00faltima an\u00e1lise, o Minist\u00e9rio deveria ter a coragem de fechar as escolas que n\u00e3o tivessem procura, deixando de l\u00e1 colocar administrativamente alunos como atualmente acontece. Se o fizesse, os professores a contratar diretamente pelas escolas, s\u00ea-lo-iam apenas pelas suas capacidades e n\u00e3o por serem amigos de Y ou X, pois a escola n\u00e3o poderia perder alunos, sob pena de ter de despedir professores, ou estes, tratando-se de funcion\u00e1rios p\u00fablicos que n\u00e3o podem ser despedidos, terem de mudar de escola.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">H\u00e1, ainda, um outro entrave \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o pelas escolas: os sindicatos, especialmente a Frenprof, uma vez que a sua grande for\u00e7a reside no facto de terem apenas um interlocutor, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, podendo concentrar a\u00ed toda a sua press\u00e3o, o que n\u00e3o aconteceria se as escolas pudessem contratar diretamente os seus educadores.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Termino este artigo com outra mem\u00f3ria mais recente: &#8220;As aulas come\u00e7aram h\u00e1 quase tr\u00eas semanas, mas h\u00e1 muitos professores e alunos que vivem na anormalidade. O P\u00daBLICO vai acompanhar estas pessoas num dia de escola\u00a0<em>normal<\/em>.&#8221;, in P\u00fablico. Normal (sem it\u00e1lico) era terem todos os professores. Essas escolas \u00e9 que mereciam uma visita. Os bons exemplos deveriam ser divulgados e servir de inspira\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/wokandapix-614097\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2093743\">Wokandapix<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2093743\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":15005,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[184,183],"tags":[],"class_list":["post-15004","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-antonio-franco","category-questoes-de-educacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15004","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15004"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15004\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15007,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15004\/revisions\/15007"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15005"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15004"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15004"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15004"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}