{"id":14814,"date":"2022-08-01T11:59:13","date_gmt":"2022-08-01T10:59:13","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=14814"},"modified":"2022-08-01T11:59:53","modified_gmt":"2022-08-01T10:59:53","slug":"modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao-ponte-xii-morte-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao-ponte-xii-morte-vida\/","title":{"rendered":"Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o | Ponte (XII) Morte\u2014Vida"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><strong><em>Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o<\/em><\/strong><\/h5>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: right;\"><em>Pontes<\/em><\/h2>\n<hr \/>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: center;\">Ponte (XII) Morte\u2014Vida<\/h2>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Miguel Oliveira Pan\u00e3o<\/h4>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\">Blog<\/a> &amp; <a href=\"https:\/\/www.miguelpanao.com\/livros\/\">Autor<\/a> &amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Newsletter<\/a><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o duas realidades antag\u00f3nicas que vivemos dentro de n\u00f3s e fora de n\u00f3s. N\u00e3o h\u00e1 morte sem vida, nem vida sem morte. Para que uma esp\u00e9cie possa evoluir \u00e9 preciso gerar nova vida e morrer. E s\u00f3 podemos experimentar a morte se estivermos vivos, assim como s\u00f3 podemos experimentar a vida verdadeira quando nos confrontamos com a morte. Por\u00e9m, entre a morte e a vida existe um abismo que parece intranspon\u00edvel. Que ponte poder\u00e1 unir a morte \u00e0 vida?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO que \u00e9 a vida?\u201d \u00e9 o t\u00edtulo de um pequeno livro do f\u00edsico Erwin Schr\u00f6dinger que explora a emerg\u00eancia material de organiza\u00e7\u00e3o a partir da complexidade que dinamiza a mat\u00e9ria e por emerg\u00eancia confere-lhe vida. N\u00e3o me recordo de nenhum t\u00edtulo que se assemelhe a \u201cO que \u00e9 a morte?\u201d que tenha tanto interesse como aquele centrado na vida. Mas ser\u00e1 que a vida e morte se restringem a realidades no plano f\u00edsico da exist\u00eancia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem pessoas vivas fisicamente e mortas espiritualmente, assim como pessoas mortas fisicamente e vivas espiritualmente. Mas enquanto podemos conhecer e interagir com as primeiras atrav\u00e9s da realidade f\u00edsica acess\u00edvel a todo o ser \u201cvivo\u201d, as segundas conhecemos e interagimos apenas por acolhimento da realidade a um plano existencial que est\u00e1 para al\u00e9m da manifesta\u00e7\u00e3o f\u00edsica. E quanto mais vivermos o abismo entre morte e vida, mais dif\u00edcil ser\u00e1 acolher a possibilidade de uma ponte que una estas duas realidades da experi\u00eancia humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem o relacionamento da mat\u00e9ria entre si, a vida n\u00e3o seria poss\u00edvel. Nesse sentido, a morte expressa-se frequentemente como a quebra dos relacionamentos. Mas se formos em profundidade, esses relacionamentos n\u00e3o s\u00e3o apenas exteriores, mas tamb\u00e9m interiores. Separamos muitas vezes a morte da vida, e talvez seja essa a raz\u00e3o de muitos pensarem a morte quando deixam de ter sentido para a vida, ou muitos outros abdicarem de viver plenamente quando deixam de ter sentido para a morte. A vida e a morte entrela\u00e7am-se num permanente sentimento de <em>expectativa<\/em> diante das mudan\u00e7as que se geram \u00e0 nossa volta e nos fazem experimentar o que \u00e9 o tempo. Quer isso dizer que a <em>expectativa<\/em> ser\u00e1 a ponte entre morte e vida? A expectativa toca naquele \u201cj\u00e1, mas n\u00e3o ainda\u201d como dimens\u00e3o escatol\u00f3gica da realidade, mas n\u00e3o consigo compreender como possa unir morte e vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escrevo este texto dentro de um avi\u00e3o e contemplo as nuvens. A turbul\u00eancia faz-me pensar como, dentro desta m\u00e1quina de metal, a minha vida \u00e9 fr\u00e1gil e \u00e0 merc\u00ea de tanta coisa menos da minha vontade. Os acidentes de avia\u00e7\u00e3o na Europa s\u00e3o raros, mas algu\u00e9m prev\u00ea que sofrer\u00e1 um acidente quando entra num avi\u00e3o? Nada mais posso fazer sen\u00e3o <em>esperar<\/em> aterrar em seguran\u00e7a. A minha fam\u00edlia vive a expectativa da minha chegada ao destino, mas no fundo vivem a <em>esperan\u00e7a<\/em> de que tudo corra bem. Quem se constitui na esperan\u00e7a n\u00e3o receia viver ou morrer porque na esperan\u00e7a estas duas realidades s\u00e3o uma s\u00f3. A esperan\u00e7a parece-me ser a ponte que une morte e vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem vive realmente, morre para si mesmo um pouco todos os dias e, por vezes, v\u00e1rias vezes ao dia. Quem morre realmente, vive para si mesmo o tempo todo. A morte que nos separa da vida \u00e9 o buraco negro de um cora\u00e7\u00e3o que deixa de acolher a luz dos outros que ilumina e impede a partilha da luz dentro de si que quer iluminar o mundo \u00e0 sua volta. A esperan\u00e7a leva-nos pacientemente pelo caminho da morte do eu para nos abrir aos relacionamentos que nos devolvem um eu transformado e vivificado relacionalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vida e morte unidas pela esperan\u00e7a revelam-se como um ciclo evolutivo nas realidades f\u00edsicas e espirituais. S\u00e3o como o dia e a noite unidas pela esperan\u00e7a de que o planeta continuar\u00e1 a rodar. Quem perde a esperan\u00e7a diante da mais atroz adversidade quebra este ciclo que faz parte do sentido e significado da nossa exist\u00eancia. Quem perde a esperan\u00e7a deixa, ou nunca chega a acreditar na vida ap\u00f3s a morte, limitando a sua vis\u00e3o do mundo \u00e0 morte no fim da vida. N\u00e3o tem de ser assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dizem que a esperan\u00e7a \u00e9 a \u00faltima a morrer, mas sob o prisma da ponte que essa se revela entre morte e vida, a esperan\u00e7a n\u00e3o morrer\u00e1 mais enquanto houver morte e vida. A esperan\u00e7a \u00e9 o fio de ouro que une a escurid\u00e3o \u00e0 luz, fazendo-nos descobrir a luz no meio da maior escurid\u00e3o, ou fazendo sombra que permita ver quando a luz cega.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos seres de esperan\u00e7a que t\u00eam diante de si uma escolha: descobrir as pontes que unem as margens mais distantes; ou negar a sua exist\u00eancia. Temos sempre diante de n\u00f3s a escolha da morte e da vida. \u201cEscolhe a vida\u201d (Deut 30, 19) unida \u00e0 morte pela esperan\u00e7a de um novo amanh\u00e3 pleno de momentos surpreendentes de unidade das v\u00e1rias realidades deste mundo. Momentos inesperados onde o finito e o infinito se tocam nessa ponte de esperan\u00e7a entre a morte e a vida.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/fotorech-5554393\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2743468\">Daniel Reche<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2743468\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modos de intera\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14815,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57,62],"tags":[],"class_list":["post-14814","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-miguel-oliveira-panao","category-modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14814","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14814"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14814\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14816,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14814\/revisions\/14816"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14815"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14814"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14814"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14814"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}