{"id":14792,"date":"2022-07-28T07:00:50","date_gmt":"2022-07-28T06:00:50","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=14792"},"modified":"2022-07-26T11:00:17","modified_gmt":"2022-07-26T10:00:17","slug":"tiago-ramalho-xvi-ivan-illich-e-a-escolarizacao-i-10","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/tiago-ramalho-xvi-ivan-illich-e-a-escolarizacao-i-10\/","title":{"rendered":"Tiago Ramalho | XVI | Ivan Illich e a Escolariza\u00e7\u00e3o (I-10)"},"content":{"rendered":"<div dir=\"ltr\">\n<h6 style=\"text-align: right;\"><strong>GLOSAS<\/strong> &#8211; <em>Espa\u00e7o de coment\u00e1rio a obras que interpelam o tempo presente<\/em><\/h6>\n<hr \/>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Tiago Azevedo Ramalho<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u2013 Fenomenologia da escola \u2013<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0[<em>Introdu\u00e7\u00e3o geral: <\/em>nn.\u00ba <a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/tiago-ramalho-ivan-illich-uma-apresentacao\/\">1<\/a> a <a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/tiago-ramalho-vi-ivan-illich-uma-apresentacao-conclusao\/\">8<\/a>\/ I. <em>Ivan Illich e a Escolariza\u00e7\u00e3o: <\/em>nn.\u00ba <a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/tiago-ramalho-vii-i-ivan-illich-e-a-escolarizacao\/\">9<\/a> e ss.]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; 21. <em><u>Fenomenologia da escola<\/u>. <\/em>\u2013 Por for\u00e7a da respectiva descren\u00e7a no funcionamento do sistema de escolariza\u00e7\u00e3o, Ivan Illich prop\u00f5e-se a descrev\u00ea-lo de modo objectivo, para compreender as raz\u00f5es das suas insufici\u00eancias. A singularidade do respectivo modo de abordagem est\u00e1 em abstrair da pretens\u00e3o do sistema escolar de \u00abeducar\u00bb, optando antes por uma leitura \u00abrealista\u00bb do modo como ele funciona (cap. 2 da obra <em>Deschooling<\/em>). A escola ser\u00e1 por si definida como um \u00abprocesso dirigido a pessoas de certa idade, relacionado com um professor, requerendo presen\u00e7a a tempo integral e com um curriculum obrigat\u00f3rio\u00bb (<em>Deschooling, <\/em>pp. 26-27). S\u00e3o assim quatro os atributos da escola: (i) a idade dos seus destinat\u00e1rios; (ii) a presen\u00e7a de um professor; (iii) o seu tendencial consumo da totalidade do tempo de quem a frequente; (iv) um <em>curriculum<\/em> obrigat\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; 22. <em><u>Idade.<\/u> <\/em>\u2013 A escola dirige-se a uma parte da popula\u00e7\u00e3o escolhida em fun\u00e7\u00e3o da idade: \u00aba escola agrupa pessoas de acordo com a sua idade. Este agrupamento assente em tr\u00eas premissas inquestionadas. As crian\u00e7as pertencem \u00e0 escola. As crian\u00e7as aprendem \u00e0 escola. As crian\u00e7as devem ser ensinadas apenas na escola.\u00bb (<em>Deschooling, <\/em>p. 27)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1, desta forma, uma rela\u00e7\u00e3o de correspond\u00eancia constitutiva entre ser crian\u00e7a e a escola. A escola dirige-se \u00e0 fase da vida em que os seres humanos s\u00e3o crian\u00e7as, e esta fase \u00e9 caracterizada pela sua perten\u00e7a \u00e0 escola: \u00abA sabedoria institucional diz-nos que as crian\u00e7as precisam da escola. A sabedoria institucional diz-nos que as crian\u00e7as aprendem na escola. Mas esta sabedoria institucional \u00e9 ela pr\u00f3pria o produto das escolas, porque o senso comum diz-nos que apenas crian\u00e7as podem ser ensinadas na escola. S\u00f3 segregando seres humanos na categoria da inf\u00e2ncia podemos conseguir submet\u00ea-los \u00e0 autoridade de um professor de escola.\u00bb (<em>Deschooling, <\/em>p. 28) A moldagem das crian\u00e7as pelo sistema escolar torna-se certamente maior no \u00e2mbito da cultura urbana em que, \u00absob o impacto da urbaniza\u00e7\u00e3o intensa, as crian\u00e7as se tornaram um recurso natural a ser moldado pelas escolas e a alimentar a m\u00e1quina industrial.\u00bb (<em>Deschooling, <\/em>p. 66)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; 23. <em><u>Professor<\/u>. <\/em>\u2013 Se, do lado do <em>consumo, <\/em>se encontra a crian\u00e7a, do lado do respectivo fornecimento encontra-se o <em>professor. <\/em>A centralidade do professor \u00e9 elemento caracter\u00edstico da escola. Mas n\u00e3o decorre de ser reconhecido como um \u00abmestre\u00bb, mas de gozar de uma autoridade delegada, por parte do poder p\u00fablico, para ensinar. \u00c9 um imagin\u00e1rio de autoridade \u2013 a autoridade de avaliar, de mensurar, de licenciar, etc. \u2013, e n\u00e3o de saber, que estrutura org\u00e2nica escolar; e que, da org\u00e2nica escolar, constr\u00f3i o imagin\u00e1rio pol\u00edtico. Vemo-lo especialmente bem num pa\u00eds como Portugal, em que Chefes de Estado ou de Governo, se o podem, procuram estilizar-se como \u00abProfessores\u00bb. \u00c9 a tentativa de transposi\u00e7\u00e3o para a esfera pol\u00edtica, que se pretendia de cidad\u00e3os aut\u00f3nomos, da l\u00f3gica escolar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A figura do professor torna-se ent\u00e3o um eixo do sistema escolar \u2013 o poder do professor contrap\u00f5e-se \u00e0 impot\u00eancia da inf\u00e2ncia. \u00abPor defini\u00e7\u00e3o, as crian\u00e7as s\u00e3o pupilos. A procura para o meio da inf\u00e2ncia cria um mercado ilimitado para professores acreditados. A escola \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o que se constr\u00f3i no axioma de que aprender \u00e9 o resultado do ensino. E a sabedoria institucional continua a aceitar o axioma, apesar da esmagadora prova em sentido contr\u00e1rio\u00bb (<em>Deschooling, <\/em>p. 28).<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/12019-12019\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=79612\">David Mark<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=79612\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GLOSAS &#8211; Espa\u00e7o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14793,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[161,144],"tags":[],"class_list":["post-14792","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-glosas","category-tiago-azevedo-ramalho"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14792","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14792"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14792\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14794,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14792\/revisions\/14794"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14793"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14792"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14792"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14792"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}