{"id":14676,"date":"2022-06-20T18:04:16","date_gmt":"2022-06-20T17:04:16","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=14676"},"modified":"2022-06-20T10:07:48","modified_gmt":"2022-06-20T09:07:48","slug":"bioetica-e-sociedade-o-estado-da-saude-em-portugal-os-deputados-em-vez-de-preocuparem-com-a-vida-andam-preocupados-com-a-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/bioetica-e-sociedade-o-estado-da-saude-em-portugal-os-deputados-em-vez-de-preocuparem-com-a-vida-andam-preocupados-com-a-morte\/","title":{"rendered":"Bio\u00e9tica e sociedade | O \u201cestado\u201d da sa\u00fade em Portugal: Os deputados em vez de preocuparem com a vida andam preocupados com a morte."},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\">Bio\u00e9tica e sociedade<br \/>\n(Parceria com o Centro de Estudos de Bio\u00e9tica)<\/h6>\n<hr \/>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Carlos Costa Gomes*<\/h4>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-8127\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Carlos-Costa-Gomes.jpg\" alt=\"\" width=\"192\" height=\"250\" \/>Escrevo esta cr\u00f3nica depois da aprova\u00e7\u00e3o da lei da Eutan\u00e1sia pelos deputados da Assembleia de Rep\u00fablica cujo resultado foi sufragado por maioria dos deputados.\u00a0 A corrida desenfreada sobre a elabora\u00e7\u00e3o desta lei, que \u00e9 eticamente inaceit\u00e1vel, ultrapassou o limite razo\u00e1vel no sentido em que se construiu uma norma jur\u00eddica sobre enunciados \u00e9ticos errados.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">A pressa de depressa aprovar a lei que permite a uma\u00a0 pessoa fazer o pedido para ser morta, mas que n\u00e3o pode decidir sobre a sua morte \u2013 encapotada de Morte Medicamente Assistida &#8211; \u00a0revela contradi\u00e7\u00f5es insan\u00e1veis que s\u00f3 o fervor pol\u00edtico foi capaz de ver o que os portugueses n\u00e3o viram \u2013 a cria\u00e7\u00e3o de uma lei que n\u00e3o \u00e9, manifestamente, uma preocupa\u00e7\u00e3o nacional; revela contradi\u00e7\u00f5es que pol\u00edticos n\u00e3o quiseram ver nem ler os pareceres negativos das Ordens Profissionais da Sa\u00fade, entre outras entidades. Tudo isto em nome da evolu\u00e7\u00e3o civilizacional apresentando a Eutan\u00e1sia como uma evolu\u00e7\u00e3o social e cultural da sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">No entanto, enquanto os nossos deputados consideravam a lei a Eutan\u00e1sia um des\u00edgnio nacional, os notici\u00e1rios abriam e abrem com as not\u00edcias do encerramento das urg\u00eancias \u2013 obstetr\u00edcia &#8211; de hospitais de norte a sul do pa\u00eds. Afinal, o que deve ser um des\u00edgnio nacional que a vida da sa\u00fade das pessoas, foi relegada para segundo plano porque o importante era tratar da morte &#8211; quando a pandemia e a falta de acesso a cuidados de sa\u00fade, consultas, tratamentos e interven\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas \u00a0fez e faz morrer tantos portugueses -; o importante, na realidade, era mesmo aprovar a lei que d\u00e1 licen\u00e7a ao SNS para matar, para dar a tal resposta \u00e0 conquista civilizacional que os proponentes consideram ser a eutan\u00e1sia indispens\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Antevejo, como refere Ana Carvalho, que como no Canad\u00e1, que aprovou a lei da eutan\u00e1sia em 2016 (alterada em 2021) para doen\u00e7as terminais, que substituiu o conceito de terminalidade por \u201cdoen\u00e7a ou defici\u00eancia que n\u00e3o possa ser curada\/aliviada em condi\u00e7\u00f5es que o pr\u00f3prio considere aceit\u00e1vel\u201d, tornando-se num caos moral onde tudo vale para por nada valer.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">No pa\u00eds acima referido, \u00e9 permitido que as pessoas que consideram n\u00e3o ter rendimentos para ter uma vida digna possam pedir para ser mortas; ao inv\u00e9s o pa\u00eds n\u00e3o gasta dinheiro para que as mesmas possam viver, mas paga para morrerem; mata-se quem n\u00e3o pode pagar tratamentos m\u00e9dicos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">De facto, a gravidade de abusos em pa\u00edses em est\u00e1 aprovada \u00e9 alarmante. O Estado canadiano, atrav\u00e9s do Gabinete Parlamentar do Or\u00e7amento, deu a conhecer, atrav\u00e9s de um relat\u00f3rio a poupan\u00e7a do Estado com o recurso \u00e0 eutan\u00e1sia (ap\u00f3s as altera\u00e7\u00f5es de 2021 cerca de 148,9 milh\u00f5es por ano) e a compara\u00e7\u00e3o do custo de tratamento de um doente cr\u00f3nico (muito milhares de d\u00f3lares canadianos) em compara\u00e7\u00e3o com o que o estado gasta num caso de eutan\u00e1sia $2.327. (ASC). Mas sobre estes casos dram\u00e1ticos pod\u00edamos tamb\u00e9m falar da B\u00e9lgica e de outros pa\u00edses, onde, na verdade a \u201crampa deslizante\u201d n\u00e3o \u00e9 uma fal\u00e1cia, mas uma realidade concreta.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Uma sociedade mede, eticamente, o seu desenvolvimento pela forma como cuida dos mais fr\u00e1geis. Torna-se urgente empreender uma s\u00e9ria reflex\u00e3o \u00e9tica sobre a morte, sobre a doen\u00e7a e o sofrimento, temas centrais para a vida individual e coletiva; esta reflex\u00e3o definir\u00e1 a sociedade que seremos no futuro.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: right; padding-left: 240px;\"><span class=\"s1\">*Presidente do Centro de Estudos de Bio\u00e9tica | <\/span><span class=\"s1\">Professor na ESSNORTECVP | Membro da Academia &#8216;Fides et Ratio&#8217;<\/span><\/h6>\n<hr \/>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: right; padding-left: 240px;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/geralt-9301\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=3725131\">Gerd Altmann<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=3725131\">Pixabay<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bio\u00e9tica e sociedade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14677,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[72,136],"tags":[],"class_list":["post-14676","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-bioetica-e-sociedade","category-carlos-costa-gomes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14676","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14676"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14676\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14678,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14676\/revisions\/14678"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14677"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14676"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14676"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14676"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}