{"id":14655,"date":"2022-06-15T17:35:51","date_gmt":"2022-06-15T16:35:51","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=14655"},"modified":"2022-06-15T17:35:51","modified_gmt":"2022-06-15T16:35:51","slug":"documentos-sinodo-sintese-diocesana-de-aveiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/documentos-sinodo-sintese-diocesana-de-aveiro\/","title":{"rendered":"Documentos | S\u00cdNODO \u2013 S\u00edntese diocesana de Aveiro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Processo de Recolha da Informa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. A Equipa Diocesana, a quem foi atribu\u00edda a miss\u00e3o de promover, coordenar e organizar a consulta no \u00e2mbito do S\u00ednodo \u201cPor uma Igreja Sinodal: comunh\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o\u201d a realizar entre 2021-2023, foi nomeada pelo Sr. Bispo D. Ant\u00f3nio Moiteiro a 13 de setembro de 2021; \u00e9 coordenada pelo padre Lic\u00ednio Cardoso, Coordenador Diocesano da Pastoral na Diocese, e quatro leigos: S\u00e9rgio Martins, F\u00e1tima Marques Filomena S\u00eaca e Fernanda Capit\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. Ap\u00f3s a Assembleia Diocesana realizada no dia 17 de outubro de 2021, com a participa\u00e7\u00e3o e envio dos delegados paroquiais (2 por par\u00f3quia), a quem foi entregue o s\u00edmbolo do S\u00ednodo, realizaram-se localmente nove assembleias arciprestais para explicar o processo sinodal, de que forma iria decorrer a consulta, apresenta\u00e7\u00e3o dos materiais e tenta\u00e7\u00f5es a evitar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. Foram disponibilizados tr\u00eas gui\u00f5es: o oficial, com as dez quest\u00f5es; um outro com as mesmas dez quest\u00f5es simplificadas na linguagem; um gui\u00e3o com apenas seis perguntas. Este mesmo gui\u00e3o serviu de base \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um inqu\u00e9rito online. Cada membro da equipa acompanhou especificamente um ou dois arciprestados, atrav\u00e9s de contacto telef\u00f3nico ou email.\u00a0 Esse contacto com os delegados paroquiais permitiu ouvir as suas d\u00favidas e dificuldades, os seus anseios, acompanhando o seu trabalho e construindo caminhos de comunh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. Foi criada uma p\u00e1gina exclusiva do S\u00ednodo no site da Diocese para facilitar o acesso aos v\u00e1rios documentos de trabalho, os da secretaria geral do S\u00ednodo e os criados pela equipa diocesana: cartazes de rua, com c\u00f3digo QR para divulgar a consulta sinodal e permitir o acesso ao inqu\u00e9rito online aos mais afastados e aos n\u00e3o crentes; esquema de trabalho a seguir nas reuni\u00f5es de grupo. Posteriormente foi disponibilizado o documento para ajudar a elaborar as s\u00ednteses paroquiais e arciprestais. Foi realizado um encontro com dois elementos da equipa diocesana e pastores da Igreja Metodista da \u00e1rea geogr\u00e1fica da Diocese, no qual se trocaram reflex\u00f5es sobre o caminho que a Igreja deve percorrer na fidelidade ao mesmo e \u00fanico Jesus. Os pastores metodistas apresentaram algumas respostas \u00e0s perguntas sinodais. Foi realizado um encontro com v\u00e1rios professores universit\u00e1rios, no qual partilharam de viva voz as suas inquieta\u00e7\u00f5es sobre a Igreja no tempo presente no mundo acad\u00e9mico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5. As s\u00ednteses paroquiais foram apresentadas em assembleia arciprestal (meses de abril e maio); nelas esteve sempre o bispo diocesano, o coordenador diocesano e outro elemento da equipa sinodal. No dia 15 de maio de 2022, em Assembleia Diocesana presidida pelo Bispo, cada arciprestado apresentou a sua s\u00edntese arciprestal, elaborada pela equipa arciprestal de pastoral, constitu\u00edda pelos delegados paroquiais \u00e0 consulta sinodal. Foi tamb\u00e9m apresentado o primeiro esbo\u00e7o da s\u00edntese diocesana. Este documento foi posteriormente discutido e assumido pelo conselho presbiteral e pelo conselho diocesano de pastoral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6. A s\u00edntese diocesana agora apresentada foi elaborada tendo em conta: o contributo dos grupos paroquiais (que enviaram os seus trabalhos para a equipa diocesana atrav\u00e9s de email espec\u00edfico), as s\u00ednteses paroquiais, as s\u00ednteses arciprestais e o inqu\u00e9rito online (230 respostas validadas). Estiveram envolvidas cerca de cinco mil pessoas e funcionaram cerca de 300 grupos paroquiais e outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7. A elabora\u00e7\u00e3o das s\u00ednteses paroquiais e arciprestais seguiu o esquema: apresenta\u00e7\u00e3o dos problemas e desafios, das alegrias e esperan\u00e7as e propostas de renova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apresenta\u00e7\u00e3o dos resultados<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8. Em continuidade com a estrutura das s\u00ednteses paroquiais e arciprestais, das quais a diocesana lhes \u00e9 devedora, tamb\u00e9m aqui se segue o esquema de tr\u00eas momentos: identifica\u00e7\u00e3o de problemas e desafios que se colocam \u00e0 Igreja que peregrina em Aveiro no an\u00fancio do Evangelho; convic\u00e7\u00e3o das alegrias e esperan\u00e7as que fortalecem o nosso caminhar como \u00e9 pr\u00f3prio do Povo de Deus, povo fiel e peregrino; esperan\u00e7a com que se prop\u00f5em caminhos de renova\u00e7\u00e3o, os passos que o Espirito nos convida a dar para crescemos no nosso caminhar juntos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1. Problemas e Desafios<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">9. A respostas recebidas refletem os tempos que se vivem, onde impera o individualismo e consequente perda do sentido de perten\u00e7a, com pouca responsabilidade para o irm\u00e3o. Isto tem reflexos na vida dos crist\u00e3os e das comunidades, pois a ditadura do tempo, \u00e2nsia do ter mais, o imediatismo e a correria da vida n\u00e3o deixam tempo para uma vida mais centrada nas pessoas, nas suas dificuldades. Muitas pessoas dizem \u201cn\u00f3s e a Igreja\u201d, colocando-se de fora. A Igreja, na sua\u00a0<strong>rela\u00e7\u00e3o com o mundo<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>cultura atuais<\/strong>\u00a0enfrenta grandes desafios e reclama-se um outro modo de presen\u00e7a, onde se acolhe e se escuta. Em resumo:<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" type=\"a\">\n<li>A Igreja tem dificuldade em perceber e aceitar a cultura atual (do instante e do provis\u00f3rio). Por isso n\u00e3o sabe situar-se profeticamente, nem \u00e9 capaz de comunicar a sua mensagem. O mundo mudou, a Igreja ainda n\u00e3o entendeu isso.<\/li>\n<li>O grande desafio \u00e9, pois, testemunhar a alegria e a vontade em viver os desafios do Evangelho num mundo que n\u00e3o se conhece e numa cultura que n\u00e3o se compreende.<\/li>\n<li>A Igreja \u00e9 vista de fora (e tamb\u00e9m internamente, por muitos leigos comprometidos) como sendo preconceituosa, elitista, conservadora e demasiado formal. A Igreja tem dificuldade em aceitar e lidar com os que est\u00e3o marcados por uma qualquer diferen\u00e7a (orienta\u00e7\u00e3o sexual, recasados, uni\u00f5es de facto, outros credos e confiss\u00f5es religiosas, ateus e agn\u00f3sticos\u2026. idosos, doentes, jovens). Estes sentem-se marginalizados e desconsiderados.<\/li>\n<li>A Igreja est\u00e1, progressivamente, a perder relev\u00e2ncia porque n\u00e3o olha com bondade para o mundo e para as pessoas. N\u00e3o sabe atrair e envolver. Vive entrincheirada, voltada sobre si mesma. O acolhimento \u00e9 visto como \u201co ficar \u00e0 espera, os que n\u00e3o est\u00e3o c\u00e1, os que n\u00e3o participam que venham, n\u00f3s acolhemos!\u201d<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">10. O\u00a0<strong>modelo de Igreja que se vive e experimenta<\/strong>\u00a0em muitas comunidades, par\u00f3quias e movimentos n\u00e3o favorece a participa\u00e7\u00e3o e a miss\u00e3o, nomeadamente dos leigos e das religiosas. H\u00e1 leigos comprometidos pastoralmente, que manifestam algum desconforto com a hierarquia. Veem a Igreja como uma entidade externa onde n\u00e3o t\u00eam voz e pela qual n\u00e3o nutrem um sentimento de perten\u00e7a. Transparece uma Igreja com um rosto ainda muito clerical, sobretudo na tomada de decis\u00f5es. Revelam-se ainda situa\u00e7\u00f5es em que n\u00e3o \u00e9 permitido aos leigos reunirem-se de modo livre e aut\u00f3nomo. Esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 causa de empobrecimento e demiss\u00e3o na corresponsabilidade e participa\u00e7\u00e3o como Igreja. Neste caso, compreende-se que o desafio passar\u00e1 por descobrir e viver a dimens\u00e3o da Igreja como Povo de Deus, um povo ao qual pertencem todos: leigos, religiosos, ministros ordenados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">11. Esta vis\u00e3o redutora na compreens\u00e3o do que \u00e9 a Igreja manifesta-se no sentido da\u00a0<strong>participa\u00e7\u00e3o\u00a0<\/strong>e da<strong>\u00a0corresponsabilidade<\/strong>. \u00c9 disso exemplo a falta de abertura e de clareza com que se analisam e discutem os problemas e desafios pastorais; muitas vezes, isso \u00e9 feito por meias palavras (h\u00e1 uma paz podre) para evitar o confronto. Isto gera desconfian\u00e7a e afeta o\u00a0<strong>esp\u00edrito de comunh\u00e3o<\/strong>\u00a0e de participa\u00e7\u00e3o. Da\u00ed a refer\u00eancia com que alguns tamb\u00e9m manifestam preocupa\u00e7\u00e3o com a pouca transpar\u00eancia na gest\u00e3o dos dinheiros e or\u00e7amentos das par\u00f3quias. Os \u00f3rg\u00e3os de corresponsabilidade, quando existem, nem sempre s\u00e3o esse espa\u00e7o de comunh\u00e3o, de escuta e de discernimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">12. Os\u00a0<strong>presb\u00edteros<\/strong>\u00a0s\u00e3o identificados pelos leigos como estando sobrecarregados com tarefas administrativas, burocr\u00e1ticas e de gest\u00e3o or\u00e7amental, sobrando pouco tempo para o acolhimento e acompanhamento espiritual dos paroquianos. N\u00e3o t\u00eam tempo para os fi\u00e9is. Os leigos questionam as prioridades dos ministros ordenados na gest\u00e3o do seu tempo, sobretudo os que s\u00e3o p\u00e1rocos. O\u00a0<strong>tempo para escutar e discernir em conjunto<\/strong>, para trabalhar \u201ccom\u201d a comunidade, \u00e9 insuficiente e acaba por se reduzir a um trabalho individual do p\u00e1roco \u201cpara\u201d a comunidade. O clericalismo nasce da confus\u00e3o entre autoridade com poder, sobretudo nos padres das gera\u00e7\u00f5es mais novas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">13. A\u00a0<strong>a\u00e7\u00e3o pastoral<\/strong>\u00a0da Igreja est\u00e1 muito circunscrita \u00e0 liturgia e \u00e0 catequese (mas falta a catequese com adultos). A a\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os tem pouca relev\u00e2ncia na transforma\u00e7\u00e3o do tecido social e cultural; o ser sal da terra e luz do mundo n\u00e3o \u00e9 uma prioridade da maioria das comunidades. Por isso a pastoral social \u00e9 a maior parte das vezes assistencialismo (eficaz); nas respostas dos grupos, s\u00e3o muitas poucas as refer\u00eancias \u00e0 a\u00e7\u00e3o social, n\u00e3o \u00e9 vista como priorit\u00e1ria e como fazendo parte do compromisso crist\u00e3o; a caridade fica-se pelo assistencialismo, pois \u00e9 mais dif\u00edcil trabalhar as causas da pobreza; o sentido do compromisso evang\u00e9lico n\u00e3o chega para se investir a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">14. A a\u00e7\u00e3o pastoral de muitas comunidades \u00e9 pouco mais que cumprir o calend\u00e1rio lit\u00fargico, sem novidade, sem interpela\u00e7\u00e3o pessoal e sem relev\u00e2ncia cultural e social.\u00a0<strong>Faltam planos e programas pastorais paroquiais<\/strong>\u00a0elaborados a partir da escuta do Povo de Deus que peregrina nesses lugares e em sintonia com a diocese. Em algumas comunidades o programa pastoral \u00e9 apenas \u201ca vontade do p\u00e1roco\u201d; os \u00f3rg\u00e3os de decis\u00e3o e corresponsabilidade nem sempre funcionam como fatores de promo\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">15. A\u00a0<strong>pastoral sacramental<\/strong>\u00a0confunde os fi\u00e9is, pois o sacramento \u00e9 visto muitas vezes pelo prisma de \u201cquem pode ou n\u00e3o pode\u201d, num enfoque demasiado legalista e menos como participa\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a gratuita de Deus que a Igreja deve administrar com miseric\u00f3rdia e caridade. Reclamam-se crit\u00e9rios iguais, mas n\u00e3o se compreendem que as situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o diferentes, sobretudo no acolhimento pastoral e sacramental dos \u2018diferenciados\u2019. Para situa\u00e7\u00f5es diferentes h\u00e1 que encontrar respostas diferentes. Prevalece um certo esp\u00edrito legalista, tamb\u00e9m em muitos leigos; ainda n\u00e3o se entendeu que a miseric\u00f3rdia \u00e9 o crit\u00e9rio fundamental da a\u00e7\u00e3o pastoral e que os sacramentos n\u00e3o podem ser usados como pr\u00e9mio ou castigo. Reclama-se escutar mais o papa Francisco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">16. A\u00a0<strong>Igreja n\u00e3o sabe comunicar bem<\/strong>, apesar de ter os meios e as oportunidades. A sua presen\u00e7a nas redes sociais \u00e9 abundante, mas n\u00e3o relevante. O vocabul\u00e1rio eclesial n\u00e3o \u00e9 acess\u00edvel a muitos. Reclama-se uma linguagem mais pr\u00f3xima das pessoas, como a do papa Francisco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">17. A\u00a0<strong>linguagem lit\u00fargica<\/strong>\u00a0\u00e9 o exemplo por excel\u00eancia de como \u00e9 dif\u00edcil a Igreja chegar \u00e0s pessoas, sobretudo junto dos jovens e dos \u201cn\u00e3o habituais\u201d. A liturgia que se faz nas comunidades n\u00e3o atrai e n\u00e3o preenche, pois est\u00e1 demasiado ritualizada, onde as ora\u00e7\u00f5es proferidas n\u00e3o brotam do cora\u00e7\u00e3o e a linguagem \u00e9 desconhecida \u00e0s pessoas dos nossos dias. Tamb\u00e9m por isso muitos jovens se afastam. Reclama-se uma liturgia mais diversificada e que tenha em conta o tipo de assembleia, as situa\u00e7\u00f5es em que se celebra. Uma \u00fanica liturgia, n\u00e3o devidamente incarnada, n\u00e3o congrega, n\u00e3o alimenta, n\u00e3o ajuda a encontrar Jesus no louvor a Deus. \u00c9 referido muitas vezes que as celebra\u00e7\u00f5es nem sempre favorecem a\u00a0<strong>participa\u00e7\u00e3o ativa, respons\u00e1vel e por direito pr\u00f3prio<\/strong>\u00a0de todos os seus membros, sobretudo dos leigos. Reclama-se aos p\u00e1rocos melhores homilias, reconhecendo-se que, onde esse esfor\u00e7o \u00e9 feito, \u00e9 uma mais-valia fundamental na vida da comunidade paroquial<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">18. S\u00e3o cada vez menos os\u00a0<strong>jovens<\/strong>\u00a0envolvidos nas comunidades. Muitos jovens pertencem e integram grupos e movimentos, frequentam aulas de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica, mas n\u00e3o se identificam com a Igreja. Por isso s\u00e3o muito poucos os que participam nas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas. A religi\u00e3o, dizem, deixou de ter relev\u00e2ncia nas suas vidas. Os jovens que ainda est\u00e3o integrados nas comunidades referem que raramente s\u00e3o escutados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">19. A\u00a0<strong>catequese<\/strong>, de um modo geral, n\u00e3o inicia na vida crist\u00e3. N\u00e3o estamos a saber gerar \u2018novos filhos para a Igreja\u2019. Reclama-se outra catequese ou catequese de outro modo\u2026pois as pessoas s\u00e3o as que temos e n\u00e3o outras, idealizadas e perfeitas. O atual modelo, demasiado colado ao ritmo escolar, contribui para que a catequese seja vista como uma mera transmiss\u00e3o de conte\u00fados e n\u00e3o como caminho no aprofundamento da f\u00e9. A catequese, cada vez mais, \u00e9 ocasi\u00e3o de primeiro an\u00fancio, pois as fam\u00edlias j\u00e1 n\u00e3o realizam essa miss\u00e3o de primeiros anunciadores da f\u00e9 aos seus filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">20. Refere-se muitas vezes a necessidade de mais\u00a0<strong>forma\u00e7\u00e3o\u00a0<\/strong>e mais\u00a0<strong>ora\u00e7\u00e3o<\/strong>. N\u00e3o \u00e9 claro o que se entende por forma\u00e7\u00e3o. Nos trabalhos dos grupos h\u00e1 poucas refer\u00eancias \u00e0 forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica. A Palavra de Deus n\u00e3o ocupa lugar central na forma\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os e est\u00e1 circunscrita \u00e0 sua proclama\u00e7\u00e3o na liturgia. A maioria das vezes depreende-se que a falta de<strong>\u00a0espiritualidade crist\u00e3<\/strong>\u00a0\u00e9 o maior desafio e o maior problema a enfrentar: identifica\u00e7\u00e3o com Jesus, seguimento de Jesus, viv\u00eancia dos valores do Reino, vida de ora\u00e7\u00e3o, compromisso social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">21. Os espa\u00e7os e os tempos de\u00a0<strong>ora\u00e7\u00e3o\u00a0<\/strong>est\u00e3o muito ligados \u00e0 piedade popular e requerem purifica\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o a partir da pedagogia de Jesus, sob pena de muitas devo\u00e7\u00f5es ca\u00edrem em extremismos e supersti\u00e7\u00f5es. Reclama-se espa\u00e7os e tempos de ora\u00e7\u00e3o diferentes, identificando-se o modelo da comunidade de Taiz\u00e9 como um caminho a considerar: centrado na Palavra de Deus, com sil\u00eancio e simplicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2. Alegrias e esperan\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">22. No contexto de uma sociedade cada vez menos crist\u00e3, onde muitos dizem que a Igreja \u00e9 incapaz de reinventar os modos e os meios necess\u00e1rios \u00e0 sua permanente traduzibilidade para ser significativa junto das pessoas, tamb\u00e9m se identificam alegrias e esperan\u00e7as neste caminhar. \u00c9 poss\u00edvel afirmar que a\u00a0<strong>Igreja \u00e9 ainda uma refer\u00eancia<\/strong>\u00a0para as pessoas, mesmo n\u00e3o sendo t\u00e3o pr\u00f3xima como estas precisam. H\u00e1 muita e boa gente que ainda est\u00e1 e quer ser Igreja, apesar das dificuldades. Muitos reconhecem e afirmam que a Igreja tem feito um grande esfor\u00e7o para assumir e tentar corrigir os seus pr\u00f3prios erros do passado, como \u00e9 o caso dos abusos. Por isso a Igreja continua a ser referencia pela positiva na sociedade atual, indo aonde outros n\u00e3o querem ir e fazendo o que muitos outros na sociedade n\u00e3o fazem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">23. A Igreja, ao promover a\u00a0<strong>consulta sinodal<\/strong>, abriu novos horizontes, favorecendo o encontro, a escuta, o acolhimento e o caminhar juntos. O povo rev\u00ea-se neste processo apesar de n\u00e3o o entender totalmente por n\u00e3o ser uma pr\u00e1tica habitual. Reconhece-se que j\u00e1 h\u00e1 espa\u00e7os e oportunidades de di\u00e1logo, mas reclama-se um maior investimento de pessoas e meios para o minist\u00e9rio da escuta e do acolhimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">24. \u00c9 poss\u00edvel encontrar nas comunidades e par\u00f3quias muitos\u00a0<strong>leigos<\/strong>\u00a0que trabalham ativamente, com empenho e dedica\u00e7\u00e3o na a\u00e7\u00e3o pastoral, em estreita colabora\u00e7\u00e3o com os p\u00e1rocos. S\u00e3o muitos os leigos envolvidos em movimentos, onde vivem, celebram e testemunham a f\u00e9. A resili\u00eancia e a entrega de muitos leigos, apesar da correria do dia a dia, s\u00e3o sinal de esperan\u00e7a para o caminho que a Igreja, Povo de Deus, tem de fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">25. Os\u00a0<strong>padres<\/strong>\u00a0s\u00e3o muito importantes na vida da Igreja, reconhece-se. Apesar da idade avan\u00e7ada de muitos (n\u00e3o h\u00e1 padres na reforma), eles d\u00e3o o melhor de si e querem ser ajudados a olhar o seu minist\u00e9rio e a sua voca\u00e7\u00e3o em favor de todo o Povo de Deus e como membros do Povo de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">26. H\u00e1 celebra\u00e7\u00e3o dominical da\u00a0<strong>Eucaristia<\/strong>\u00a0em todas as par\u00f3quias da nossa diocese. Este encontro comunit\u00e1rio e com Deus, mediado pela participa\u00e7\u00e3o na Eucaristia \u00e9 fator de edifica\u00e7\u00e3o da Igreja e interpela\u00e7\u00e3o \u00e0 miss\u00e3o e \u00e0 participa\u00e7\u00e3o. Reconhece-se que a Igreja chama todos \u00e0 miss\u00e3o e convida todos \u00e0 participa\u00e7\u00e3o ativa, respons\u00e1vel e por direito pr\u00f3prio de todos os seus membros, sobretudo dos leigos. O momento da\u00a0<strong>homilia<\/strong>\u00a0\u00e9 uma oportunidade \u00fanica para chegar \u00e0s pessoas e \u00e0s suas vidas. Jesus sempre falou para pessoas concretas, com vidas concretas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">27. H\u00e1\u00a0<strong>outras celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas<\/strong>\u00a0que atraem muitas pessoas (funerais, celebra\u00e7\u00f5es marianas\u2026); podem e devem ser momentos para colocar Jesus no cora\u00e7\u00e3o da vida do povo de Deus. Tamb\u00e9m estas celebra\u00e7\u00f5es s\u00e3o tempo de an\u00fancio e de evangeliza\u00e7\u00e3o, sobretudo porque permitem uma palavra de esperan\u00e7a e de conforto aos \u201ccrist\u00e3os ocasionais\u201d e at\u00e9 n\u00e3o crentes. O mesmo se pode dizer para as celebra\u00e7\u00f5es de batismos e casamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">28. Muitos reconhecem que o tempo da pandemia inaugurou outros modos de chegar \u00e0s pessoas, sobretudo atrav\u00e9s das redes sociais. Esta ades\u00e3o de muitas par\u00f3quias aos meios de\u00a0<strong>comunica\u00e7\u00e3o digital,<\/strong>\u00a0permitiu que os doentes, os idosos e at\u00e9 os emigrantes pudessem participar nas celebra\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas da sua comunidade. N\u00e3o sendo uma alternativa \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria da Eucaristia, \u00e9 um meio a que cada comunidade ou par\u00f3quia pode recorrer para estar pr\u00f3ximo dos seus, complementada com outras a\u00e7\u00f5es que tantos leigos volunt\u00e1rios j\u00e1 realizam com esp\u00edrito de servi\u00e7o: visita aos doentes, levar a Eucaristia aos doentes e idosos, a caridade para com os mais fr\u00e1geis e os mais pobres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">29. O\u00a0<strong>Magist\u00e9rio do papa Francisco<\/strong>\u00a0\u00e9 fator de alegria e de esperan\u00e7a na vida de muitas comunidades e par\u00f3quias. A maioria reconhece este dom e reclama mais e melhor conhecimento das propostas do papa Francisco e n\u00e3o apenas aquilo que a comunica\u00e7\u00e3o social mostra. Por vezes confunde-se a not\u00edcia com uma nova doutrina, mas tamb\u00e9m se diz que algum clero ignora o que diz o papa. O Povo de Deus quer conhecer melhor o pensamento do papa Francisco, que n\u00e3o deixa de interpelar a Igreja e cada um \u00e0 convers\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria e para que \u201csonhemos juntos o caminho\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3. Propostas de Renova\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">30. Para que o projeto do Reino de Deus na sua visibilidade eclesial incarne na cultura atual com significado e sentido para todo o Povo de Deus, \u00e9 necess\u00e1rio\u00a0<strong>iniciar processos e caminhos de renova\u00e7\u00e3o e de reforma<\/strong>\u00a0nos diferentes \u00e2mbitos e media\u00e7\u00f5es da a\u00e7\u00e3o eclesial; passa pela\u00a0<strong>convers\u00e3o pessoal<\/strong>\u00a0de cada batizado para que se torne disc\u00edpulo mission\u00e1rio de Jesus; passa pela\u00a0<strong>renova\u00e7\u00e3o das estruturas<\/strong>\u00a0e dos mecanismos que garantem a comunh\u00e3o e a participa\u00e7\u00e3o de todos na miss\u00e3o; passa pela\u00a0<strong>escuta atenta do que o Esp\u00edrito diz \u00e0 Igreja<\/strong>\u00a0e consequente discernimento para\u00a0<strong>encontrar novos modos e meios<\/strong>\u00a0para que o Evangelho seja comunicado e vivido com alegria. Que passos \u00e9 que o Esp\u00edrito nos convida a dar para crescermos no nosso \u201ccaminhar juntos\u201d?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">31. Da consulta realizada h\u00e1 uma ideia sempre presente:\u00a0<strong>n<\/strong><strong>\u00e3o ter medo de arriscar<\/strong>\u00a0quando se trata de fazer op\u00e7\u00f5es pastorais. Querer resultados diferentes com os mesmos processos \u00e9 absurdo e suic\u00eddio. Aquilo que hoje parece imposs\u00edvel o Esp\u00edrito Santo se encarregar\u00e1 de confirmar no caminho da verdade. E quando h\u00e1 obst\u00e1culos no caminho, agir com a caridade e a paci\u00eancia pastoral de Jesus. A miseric\u00f3rdia e a caridade devem ser crit\u00e9rios fundamentais em todos os processos de renova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">32. Se a Igreja \u00e9 Povo de Deus, ent\u00e3o\u00a0<strong>o que a todos diz respeito por todos deve ser refletido<\/strong>\u00a0em ordem ao discernimento e \u00e0 tomada de decis\u00f5es. A sinodalidade deve fazer parte do modo de estar em Igreja nos seus diferentes \u00e2mbitos: comunidades, movimentos, par\u00f3quias, dioceses, Igreja Universal. Tomemos como exemplo o modo de ser e de estar do Papa Francisco: alegre, com sorriso f\u00e1cil e linguagem simples, sem receio de falar de temas pol\u00e9micos, corajoso e audaz nas propostas que faz \u00e0 Igreja, procurando sempre a s\u00edntese entre a mensagem do Evangelho com a vida quotidiana do povo de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por uma Igreja que saiba servir<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">33. Acolher, escutar, integrar e acompanhar a todos os que se identificam com Jesus, sem fazer ace\u00e7\u00e3o de pessoas, de grupos ou movimentos e procurar ir ao encontro das suas reais necessidades, deve ser crit\u00e9rio pastoral fundamental. Se a Igreja n\u00e3o est\u00e1 ao servi\u00e7o de todos, para que serve ent\u00e3o? Por isso ressalta da consulta sinodal o desejo e a necessidade de uma\u00a0<strong>Igreja<\/strong>\u00a0<strong>despojada, acolhedora, pr\u00f3xima, atenta, inclusiva<\/strong>,\u00a0<strong>n\u00e3o autorreferencial<\/strong>, mais ao jeito de Jesus Cristo, uma Igreja com rosto e cora\u00e7\u00e3o samaritano. Isso requer mais humildade, mais escuta, mais transpar\u00eancia, esp\u00edrito sinodal permanente por parte dos l\u00edderes, sejam eles cl\u00e9rigos ou leigos, mulheres ou homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">34. \u00c9 urgente\u00a0<strong>valorizar os minist\u00e9rios laicais<\/strong>, n\u00e3o apenas os de leitor e ac\u00f3lito, mas tantos outros que representam uma fun\u00e7\u00e3o e um servi\u00e7o est\u00e1vel e importante no seio de tantas comunidades. Tomemos como exemplo o minist\u00e9rio do catequista, recentemente institu\u00eddo. Contar com todos e\u00a0<strong>valorizar igualmente a presen\u00e7a e o papel das mulheres<\/strong>\u00a0na Igreja. Em muitos grupos prop\u00f5e-se o acesso de mulheres ao diaconado como caminho e que tamb\u00e9m elas possam ser admitidas ao minist\u00e9rio presbiteral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">35. Olhando para a realidade do clero da nossa diocese, muitos grupos propuseram que seja poss\u00edvel a\u00a0<strong>ordena\u00e7\u00e3o presbiteral de homens casados<\/strong>\u00a0e que se pense no\u00a0<strong>fim do celibato como crit\u00e9rio obrigat\u00f3rio<\/strong>\u00a0para aceder ao presbiterado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">36. Uma Igreja que serve deve\u00a0<strong>ir ao encontro de quem vive nas periferias<\/strong>, de quem vive afastado porque se afastou ou porque o afastaram. E deve querer saber porque se afastaram. Reclama-se um modelo de Igreja que sai e vai procurar as pessoas onde elas est\u00e3o, nas redes sociais, nos jardins, nos caf\u00e9s, lares, pris\u00f5es, hospitais\u2026E a todas deve levar a alegria que brota do Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">37. Os\u00a0<strong>jovens<\/strong>\u00a0s\u00e3o um grupo social cada vez mais afastado da Igreja. N\u00e3o basta dizer que \u00e9 preciso apostar nos jovens. \u00c9 preciso ir ao seu encontro, escut\u00e1-los, compreender a sua linguagem, preocupa\u00e7\u00f5es e fazer-lhes propostas com sentido, com simplicidade e com beleza.\u00a0<strong>A pastoral juvenil \u00e9 feita com jovens e para os jovens<\/strong>, com linguagens, meios e problem\u00e1ticas das suas vidas e nas quais Jesus \u00e9 uma palavra que d\u00e1 esperan\u00e7a e ilumina o caminho. Reduzir a a\u00e7\u00e3o pastoral com jovens \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o do sacramento do Crisma \u00e9 caminho que n\u00e3o d\u00e1 frutos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por uma Igreja que seja sinal de comunh\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">38. Em ordem a uma Igreja que seja sinal de comunh\u00e3o e para fazer o caminho da renova\u00e7\u00e3o que a consulta sinodal manifesta, todos devem assumir que essa renova\u00e7\u00e3o exige convers\u00e3o das pessoas e das comunidades. E\u00a0<strong>a comunh\u00e3o constr\u00f3i-se em processo<\/strong>, no modo como se tomam determinadas atitudes e como se decide. A tomada de decis\u00e3o sobre as op\u00e7\u00f5es pastorais de uma par\u00f3quia deve ser feita com as estruturas de participa\u00e7\u00e3o e corresponsabilidade:\u00a0<strong>conselho econ\u00f3mico\u00a0<\/strong>e\u00a0<strong>conselho pastoral<\/strong>, escutando e refletindo os contributos de todos os seus membros e n\u00e3o apenas do p\u00e1roco. Onde n\u00e3o existem estes conselhos, \u00e9 urgente que se criem. Dar mais import\u00e2ncia e voz aos conselhos pastorais \u00e9 uma prioridade pastoral. Para isso tais conselhos devem ser express\u00e3o da diversidade da comunidade paroquial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">39. A implementa\u00e7\u00e3o dos conselhos pastorais nas par\u00f3quias e o seu adequado funcionamento exige\u00a0<strong>convers\u00e3o aos sacerdotes<\/strong>\u00a0e que estes n\u00e3o se sintam donos, nem gestores, mas dispensadores dos bens com que Deus mima o seu povo. Pede-se que os sacerdotes n\u00e3o se esgotem em fun\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es sociais, mesmo quando estas s\u00e3o exerc\u00edcio da caridade crist\u00e3, mas que retiram tempo e disponibilidade para o minist\u00e9rio da escuta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">40. \u00c9 referida muitas vezes a necessidade de haver\u00a0<strong>maior unidade entre os padres<\/strong>\u00a0e um maior trabalho em rede, n\u00e3o apenas como uma estrat\u00e9gia de rentabiliza\u00e7\u00e3o de meios, mas acima de tudo como testemunho de vida em comunh\u00e3o. Por isso h\u00e1 tamb\u00e9m propostas no sentido de redefinir as fronteiras dos arciprestados, uma vez que h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es que geram desconforto entre os padres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">41. A comunh\u00e3o presbiteral tamb\u00e9m passa pela\u00a0<strong>fidelidade a crit\u00e9rios comuns de atua\u00e7\u00e3o<\/strong>, n\u00e3o apenas no respeito pelas normas, mas na aten\u00e7\u00e3o e na caridade com que se acompanham pessoas em situa\u00e7\u00f5es muito diversas. N\u00e3o basta aplicar a lei can\u00f3nica, h\u00e1 que aplicar tamb\u00e9m a lei da miseric\u00f3rdia e da caridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">42. Na par\u00f3quia, h\u00e1 que\u00a0<strong>definir crit\u00e9rios e fazer op\u00e7\u00f5es pastorais<\/strong>\u00a0com os diferentes grupos, refletidos e decididos em conselho pastoral, para combater a improvisa\u00e7\u00e3o e o individualismo. \u00c9 urgente promover efetivamente o di\u00e1logo e a articula\u00e7\u00e3o entre os diferentes agentes e grupos de pastoral. S\u00f3 assim a pastoral ser\u00e1 mission\u00e1ria e sinodal. Pensar e planificar a a\u00e7\u00e3o pastoral paroquial \u00e9 mais do que cumprir o calend\u00e1rio da liturgia e das tradi\u00e7\u00f5es e eventos paroquiais. \u00c9 referido v\u00e1rias vezes que n\u00e3o h\u00e1 projetos pastorais paroquiais porque o programa \u00e9 o que o p\u00e1roco decide.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">43. O processo de constru\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o exige participa\u00e7\u00e3o consciente e respons\u00e1vel. Por isso a\u00a0<strong>coloca\u00e7\u00e3o dos p\u00e1rocos<\/strong>\u00a0deve ser feita de acordo com as necessidades das comunidades; n\u00e3o fazer apenas uma simples substitui\u00e7\u00e3o de um padre por outro. Os conselhos pastorais devem ser ouvidos quanto ao perfil do p\u00e1roco a nomear e n\u00e3o ser apenas fruto de uma decis\u00e3o do bispo e da disponibilidade do sacerdote. Se necess\u00e1rio, rever a legisla\u00e7\u00e3o can\u00f3nica para que seja assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">44. A comunh\u00e3o gera-se tamb\u00e9m na comunica\u00e7\u00e3o. Nem sempre a linguagem na Igreja \u00e9 clara e acess\u00edvel. H\u00e1 excesso de linguagem dogm\u00e1tica que, pela sua natureza, pouco ou nada diz aos mais simples. Por isso, a mensagem que passa na comunica\u00e7\u00e3o social sobre a Igreja maioritariamente \u00e9 pela negativa (pedofilia, corrup\u00e7\u00e3o). \u00c9 preciso apostar mais na partilha das boas pr\u00e1ticas que se geram e vivem na Igreja. Para tal, \u00e9 necess\u00e1rio\u00a0<strong>definir uma pol\u00edtica de comunica\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0nos v\u00e1rios n\u00edveis ou inst\u00e2ncias da Igreja, seja nas comunidades, par\u00f3quias, movimentos, dioceses ou Igreja Universal. Comunicar n\u00e3o \u00e9 apenas ter mais presen\u00e7a nas redes sociais. \u00c9 definir bem o que se quer transmitir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">45. A Igreja tem de\u00a0<strong>promover<\/strong><strong>espa\u00e7os de partilha e debate em \u00e1reas cr\u00edticas<\/strong>\u00a0e discordantes das ideias da maioria e nas \u00e1reas abordadas pelo Papa (econ\u00f3mica, pol\u00edtica, ecol\u00f3gica, \u00e9tica). Assim poder\u00e1 ter maior interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, cultural e social. \u00c9 urgente incentivar os crist\u00e3os para a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ativa na sociedade para que o Evangelho seja luz do mundo e sal da terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por uma Igreja capaz de dar testemunho da f\u00e9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">46. H\u00e1 que assumir que a renova\u00e7\u00e3o para chegar a todos e mais longe sem perder a ess\u00eancia e a alegria do Evangelho, por todos tem de ser assumida. Transparece da consulta sinodal a necessidade de a Igreja\u00a0<strong>dar testemunho cred\u00edvel da f\u00e9<\/strong>. H\u00e1 que acreditar mais na for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo para formar numa espiritualidade impregnada pelo Esp\u00edrito Santo, que promova o di\u00e1logo fraterno, favore\u00e7a a coer\u00eancia entre f\u00e9 e vida e impulsione o esp\u00edrito mission\u00e1rio de cada batizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">47. \u00c9 necess\u00e1rio definir o que se entende por \u201c<strong>forma\u00e7\u00e3o<\/strong>\u201d dos fi\u00e9is leigos em geral e dos agentes de pastoral em particular (padres e di\u00e1conos inclu\u00eddos). N\u00e3o se trata de \u201cmais doutrina\u201d, mas do catecismo de um outro modo e na perspetiva da cultura atual e a olhar o futuro. N\u00e3o ter medo de apresentar a f\u00e9 com uma outra linguagem. Se a Igreja tem de ser uma \u201c<em>influencer<\/em>\u201d, capaz de tocar e transformar a vida das pessoas, porque n\u00e3o faz\u00ea-lo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">48. \u00c9 necess\u00e1rio criar e implementar projetos de\u00a0<strong>catequese para todas as idades da vida<\/strong>. A catequese de adultos \u00e9 residual e desadequada. A catequese infantil precisa de ter um estilo menos escolar, menos colada ao ano letivo escolar. A\u00a0<strong>forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica<\/strong>\u00a0tem de ser uma prioridade e n\u00e3o apenas fruto de eventos pontuais e sem crit\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">49. \u00c9 fundamental o testemunho da hierarquia em que se manifeste que h\u00e1\u00a0<strong>disponibilidade, vontade e tempo para escutar e acompanhar<\/strong>\u00a0o Povo de Deus. Por isso, os sacerdotes devem repensar os crit\u00e9rios e prioridades na ocupa\u00e7\u00e3o do seu tempo. \u201c\u00c9 preciso recuperar o tempo para combinar vidas e tarefas, para namorar ideias e cas\u00e1-las coerentemente e com os valores e princ\u00edpios de Cristo\u201d. O minist\u00e9rio e vida dos presb\u00edteros, neste tempo, passa muito por ser um minist\u00e9rio de acompanhamento das pessoas e das suas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por uma Igreja em que o Povo de Deus celebra a f\u00e9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">50. \u00c9 urgente olhar a\u00a0<strong>liturgia<\/strong>\u00a0que temos e que se faz nas comunidades. N\u00e3o pode haver uma liturgia de modelo \u00fanico. A grande maioria das propostas dos grupos de consulta sinodal reclama uma outra liturgia, pois a que temos \u00e9 cada vez mais est\u00e9tica e est\u00e1tica. \u00c9 preciso pensar a celebra\u00e7\u00e3o para as pessoas que temos e n\u00e3o haver apenas a preocupa\u00e7\u00e3o de cumprir as orienta\u00e7\u00f5es do missal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">51. H\u00e1 que\u00a0<strong>preparar melhor as atuais celebra\u00e7\u00f5es<\/strong>\u00a0em termos de acolhimento, canto, proclama\u00e7\u00e3o da palavra, s\u00edmbolos, sil\u00eancio, gestos. Isto vale para a celebra\u00e7\u00e3o da eucaristia e demais sacramentos, mas tamb\u00e9m para outras celebra\u00e7\u00f5es. Abundam os pedidos de celebra\u00e7\u00f5es mais alegres, com c\u00e2nticos mais adequados \u00e0s linguagens de hoje, menos leituras, mais sil\u00eancios. As\u00a0<strong>homilias devem ser preparadas e pensadas de acordo com a assembleia<\/strong>; devem melhorar na linguagem e no conte\u00fado; devem fazer a ponte entre o Evangelho e temas atuais e devem promover o encontro \u00edntimo com Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">52. Se, por um lado, \u00e9 cada vez mais necess\u00e1ria a forma\u00e7\u00e3o lit\u00fargica dos participantes nas assembleias acerca dos v\u00e1rios momentos da celebra\u00e7\u00e3o da eucaristia, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que os textos eucol\u00f3gicos,\u00a0<strong>as ora\u00e7\u00f5es que dirigimos a Deus s\u00e3o numa linguagem de outros tempos<\/strong>, s\u00e3o ricas e bonitas, mas que o povo n\u00e3o acompanha e gera ritualismo e afastamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">53. Celebrar a f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 celebrar a eucaristia. Por isso devem-se\u00a0<strong>criar esquemas de celebra\u00e7\u00e3o alternativos<\/strong>, presididos pelos leigos e leigas; estas celebra\u00e7\u00f5es da f\u00e9 devem ter uma fun\u00e7\u00e3o celebrativa e uma fun\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica; devem permitir a participa\u00e7\u00e3o de todos de viva voz; devem ser celebra\u00e7\u00f5es pensadas para pequenos grupos; tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio pensar celebra\u00e7\u00f5es para o ambiente familiar como algo normal e fundamental para a inicia\u00e7\u00e3o dos mais novos ao esp\u00edrito da celebra\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Todas as celebra\u00e7\u00f5es devem ajudar a criar ambiente de encontro e partilha fraterna; deve passar-se de \u201cassistir a uma celebra\u00e7\u00e3o\u201d para \u201cparticipar numa celebra\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">54. \u00c9 pedido, com insist\u00eancia, um maior cuidado com a\u00a0<strong>celebra\u00e7\u00e3o dos funerais<\/strong>. As ex\u00e9quias devem ser preparadas e adequadas \u00e0 fam\u00edlia enlutada com palavras de conforto e esperan\u00e7a e aproveitadas como an\u00fancio e evangeliza\u00e7\u00e3o dos \u201cocasionais\u201d que acompanham o defunto, sem cair numa evangeliza\u00e7\u00e3o \u201c\u00e0 for\u00e7a\u201d, mas n\u00e3o desperdi\u00e7ando o momento para dar raz\u00f5es da f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">55. As comunidades, grupos e movimentos devem promover\u00a0<strong>o gosto pela ora\u00e7\u00e3o<\/strong>. A espiritualidade crist\u00e3 n\u00e3o se reduz \u00e0 vida de ora\u00e7\u00e3o, mas alimenta-se dela. A piedade popular deve ser purificada e fortalecida para ter um rosto mais evang\u00e9lico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">56. Tendo em conta o espa\u00e7o geogr\u00e1fico da Diocese de Aveiro, que dista do mar \u00e0 serra e \u00e9 caracterizada pela diversidade sociocultural de comunidades agr\u00e1rias, piscat\u00f3rias e urbanas, percebemos um confluir de opini\u00f5es sobre temas centrais no \u00e2mbito da consulta sinodal sobre o futuro da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">57. A comiss\u00e3o diocesana faz um balan\u00e7o positivo sobre a forma como decorreu a consulta sinodal na Diocese. Real\u00e7amos o n\u00famero de pessoas, par\u00f3quias e grupos que, apesar do pouco tempo para organizar a consulta ao povo de Deus, dificuldade acrescida pelo condicionamento provocado pela pandemia, aceitaram colocar-se \u00e0 escuta da novidade do Esp\u00edrito e partilhar as suas preocupa\u00e7\u00f5es, alegrias e apresentar propostas sobre o rumo que a Igreja deve tomar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">58. O Esp\u00edrito sopra onde quer, capacita a compartilhar dons, anima a const\u00e2ncia, o sentido de servi\u00e7o e a humildade, que vencem barreiras provocadas pelas dificuldades, falhas, des\u00e2nimos e fracassos da fragilidade humana. A Igreja, povo santo e pecador que peregrina em terras de Aveiro, convocada \u00e0 participa\u00e7\u00e3o e corresponsabilidade, demonstrou o quanto anseia percorrer caminhos amorosos de perd\u00e3o e miseric\u00f3rdia; viver a alegria do Evangelho que a todos acolhe e abra\u00e7a; servir a Deus e \u00e0 humanidade pela promo\u00e7\u00e3o do bem comum e convers\u00e3o por uma ecologia integral.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-center has-white-color has-luminous-vivid-orange-background-color has-text-color has-background\" style=\"text-align: center;\">www.diocese-aveiro.pt\/sinodo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Processo de Recolha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14656,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-14655","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14655","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14655"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14655\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14658,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14655\/revisions\/14658"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14656"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14655"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14655"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14655"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}