{"id":14551,"date":"2022-05-21T12:49:46","date_gmt":"2022-05-21T11:49:46","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=14551"},"modified":"2022-05-21T12:49:46","modified_gmt":"2022-05-21T11:49:46","slug":"luis-manuel-pereira-da-silva-e-preciso-salvar-a-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/luis-manuel-pereira-da-silva-e-preciso-salvar-a-liberdade\/","title":{"rendered":"Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva | \u00c9 preciso salvar a liberdade"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva*<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensar \u00e9 uma aut\u00eantica gravidez. N\u00e3o fosse o conceito do \u00e2mbito da \u2018conce\u00e7\u00e3o\u2019. Pensar \u00e9, efetivamente, \u2018conceber\u2019 algo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1, por\u00e9m, ideias fecundas e ideias perfeitamente est\u00e9reis e que esterilizam tudo em seu redor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia de liberdade \u00e9 uma dessas ideias que, pela sua centralidade no contexto da modernidade, corre o risco de, sendo extremamente fecunda, se converter no fator de \u2018esteriliza\u00e7\u00e3o\u2019 dos demais conceitos que implica e com que se implica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entendamos porqu\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia de \u2018liberdade\u2019 \u00e9, provavelmente, a mais generosamente referida nos contextos e discuss\u00f5es atuais. \u00c9, por isso, fundamental que nos entendamos, em primeiro lugar, sobre o que pretendemos dizer ao evoc\u00e1-la e, em segundo lugar, que tenhamos a consci\u00eancia de que, por se tratar de um conceito, \u00e9 preciso saber quem s\u00e3o os seus \u2018pai\u2019 e \u2018m\u00e3e\u2019 para percebermos a gen\u00e9tica do conceito que utilizamos, a fim de entendermos se nos reconhecemos no \u2018filho\u2019. Esta s\u00edntese implica, ainda, que tenhamos a consci\u00eancia de que todos os conceitos s\u00e3o conceitos, isto \u00e9, n\u00e3o s\u00e3o factos, s\u00e3o formula\u00e7\u00f5es que dependem de determinados pressupostos e comportam consequ\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com estes dados, partamos \u00e0 descoberta do que estamos a dizer ao evocar a liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Liberdade: \u2018fazer o que se quer\u2019?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Espontaneamente, \u2018liberdade\u2019 costuma evocar a ideia de se fazer o que se quer. Liberdade m\u00e1xima parecer\u00e1 ser, com esta conce\u00e7\u00e3o aparentemente espont\u00e2nea, a inexist\u00eancia de constrangimentos a fazer o que se quer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Precisamos de perceber o alcance desta vis\u00e3o para, eventualmente, a podermos criticar e, no limite, superar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a analisar, \u00e9 preciso compreender a fenomenologia da a\u00e7\u00e3o humana, isto \u00e9, \u00e9 preciso perceber como emergem, nos sujeitos humanos, os atos que s\u00e3o, verdadeiramente, humanos e como se distinguem dos que n\u00e3o s\u00e3o humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o entender, \u00e9 preciso consciencializar que todo o ato verdadeiramente humano envolve o homem todo, n\u00e3o apenas parte de si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acrescente-se que todo o ato humano envolve as tr\u00eas dimens\u00f5es do homem: a intelig\u00eancia, que se manifesta no saber, no conhecer, na busca da verdade (no intelligo, na penetra\u00e7\u00e3o do olhar ao interior das coisas\u2026); o afeto, que se manifesta nas emo\u00e7\u00f5es, no sentir (\u00e9 o que os cl\u00e1ssicos definiam como o modo de acesso \u00e0s coisas, o deixar-se \u2018afetar\u2019 por elas, tornando-nos \u2018vulner\u00e1veis\u2019 ao outro, aos outros\u2026), e, por fim, a vontade, que se manifesta como \u2018querer\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o ser\u00e1 dif\u00edcil, ap\u00f3s este muito rudimentar esbo\u00e7o da fenomenologia da a\u00e7\u00e3o humana identificar, desde j\u00e1, que a conce\u00e7\u00e3o de liberdade que a identifica como possibilidade de fazer o que se quer enferma de um limite anteriormente denunciado: o de se confinar a uma s\u00f3 das tr\u00eas dimens\u00f5es: neste caso, \u00e0 vontade (ao querer). Antecipamos, aqui, que esta redu\u00e7\u00e3o da liberdade \u00e0 vontade parece ter dois respons\u00e1veis: Schopenhauer e Nietzsche que, por vias diferentes, idolatraram a vontade de poder presente no Homem, tudo confinando e conformando a esta, com custos que iremos apreciar, ao longo deste texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2018A minha liberdade termina onde come\u00e7a a do outro\u2019?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, uma tal redu\u00e7\u00e3o, pela natureza pr\u00f3pria do que \u00e9 um conceito, implica tremendas consequ\u00eancias. \u00c9 como se algu\u00e9m entrasse numa autoestrada pelo acesso errado. Pode comportar quil\u00f3metros de erro e, no limite, uma viagem totalmente desviada do pretendido\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E uma das consequ\u00eancias est\u00e1 na pr\u00f3pria escolha dos nossos ilustres autores novecentistas: a op\u00e7\u00e3o pela vontade. Esta define-se como ilimitado e de objeto indeterminado. Enquanto a intelig\u00eancia tem um objeto espec\u00edfico e identific\u00e1vel \u2013 a verdade, o que \u00e9 verdadeiro -, a vontade \u00e9, por natureza, imprevis\u00edvel, s\u00f3 compreens\u00edvel pelo pr\u00f3prio e insuscet\u00edvel de antecipar pelos demais. A liberdade, confinada \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de exerc\u00edcio de vontade, torna-se, assim, um conceito intrinsecamente individualista e solipsista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, neste contexto e nesta conce\u00e7\u00e3o, a liberdade (isto \u00e9, as vontades) estorvam-se umas \u00e0s outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, neste modo de entender, tem de se aceitar que \u2018a liberdade de cada um acaba onde come\u00e7a a do outro\u2019, como ter\u00e1 definido Herbert Spencer, pelo que a liberdade de cada um s\u00f3 pode aumentar quando a do outro for limitada ou, no extremo final, quando a do outro desaparecer. Os outros s\u00e3o, ent\u00e3o, como reconhecia Sartre, o \u2018inferno\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um tal entendimento nasce do pressuposto de que a liberdade \u00e9 exerc\u00edcio de vontade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, s\u00ea-lo-\u00e1, de facto?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reparemos que a redu\u00e7\u00e3o da liberdade \u00e0 vontade comporta uma contradi\u00e7\u00e3o insofism\u00e1vel: o seu exerc\u00edcio que deveria ser humano pode voltar-se contra aquilo que define, verdadeiramente, o que \u00e9 o humano, isto \u00e9, a sua racionalidade. O que nos distingue dos demais seres \u00e9 a racionalidade. Mas, se a liberdade \u2013 t\u00e3o central e nuclear \u2013 \u00e9 um exerc\u00edcio de vontade, pode prescindir e, no limite, opor-se \u00e0 racionalidade. Ser\u00e1, ainda, humana uma liberdade assim?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os factos demonstram a pertin\u00eancia do conceito<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tornam not\u00f3ria esta den\u00fancia os factos, apurados numa leitura fenomenol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Veja-se o seguinte exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um toxicodependente quer muito, muit\u00edssimo, o estupefaciente que o sossegue. \u00c9 capaz, inclusive, de roubar; no limite, de matar!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, &#8211; perguntemos com verdade \u2013 o seu ato de vontade (ato volunt\u00e1rio) \u00e9 um ato livre? \u00c9 volunt\u00e1rio, certamente (ele quer! Quer muito!), mas ser\u00e1 livre?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa conclus\u00e3o parece pura ret\u00f3rica. N\u00e3o o \u00e9, de facto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E porqu\u00ea?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por aquilo que acab\u00e1mos de constatar: o ato \u00e9 volunt\u00e1rio, mas falta-lhe a ilumina\u00e7\u00e3o racional para ser, de facto, ato livre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um ato livre n\u00e3o \u00e9 o ato submisso \u00e0 irracionalidade, \u00e0 vontade, ao instinto (contrariamente ao que presumiam Nietzsche e Schopenhauer), mas antes o ato que mobiliza os afetos e a vontade ao que a raz\u00e3o lhe aponta como a melhor escolha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, com o desabamento da identifica\u00e7\u00e3o de liberdade com vontade implode, tamb\u00e9m, o solipsismo de que o conceito aqui denunciado presumia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vejamos porqu\u00ea\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A liberdade \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o (podemos vir a realizar atos livres porque somos intrinsecamente indeterminados previamente), \u00e9 uma possibilidade (podemos ser livres ou n\u00e3o o ser em cada ato), mas \u00e9, tamb\u00e9m, uma realidade, isto \u00e9, um ato (se, como vimos, os nossos atos se conformam ao que a raz\u00e3o indica como sendo a melhor escolha. N\u00e3o podemos deixar de recordar que a palavra liberdade nascer\u00e1 do termo latino \u2018libra\u2019, que se refere \u00e0 balan\u00e7a de dois bra\u00e7os que devem estar em equil\u00edbrio\u2026).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seja como condi\u00e7\u00e3o, seja como possibilidade, a liberdade implica sempre os outros, pois n\u00e3o nascemos de n\u00f3s e n\u00e3o nos tornamos conscientes de n\u00f3s por m\u00e9rito nosso. Tomamos consci\u00eancia de n\u00f3s mesmos porque os outros humanos suscitaram em n\u00f3s o despertar dessa consci\u00eancia que estava em n\u00f3s como uma pot\u00eancia que carecia dos outros para se tornar um ato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2018Penso, logo existo\u2019?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Digamo-lo de forma simples.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contrariamente \u00e0 presun\u00e7\u00e3o de Descartes, n\u00e3o \u00e9 porque \u2018penso que existo\u2019; \u00e9, antes, porque os outros existem e se relacionam comigo que eu sei que existo. \u00c9 porque existes e porque me fazes pensar que eu tomo consci\u00eancia de que existo e posso, por isso, pensar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O outro \u00e9 condi\u00e7\u00e3o de possibilidade de n\u00f3s, do eu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A psicologia, que o seja honestamente, evidencia-o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma crian\u00e7a que fosse abandonada na selva, por volta dos tr\u00eas, quatro anos, poderia sobreviver, biologicamente falando, mas nunca teria consci\u00eancia de si mesma. S\u00e3o os outros que despertam o eu que est\u00e1 em pot\u00eancia no interior de cada um.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste registo, as liberdades n\u00e3o se limitam umas \u00e0s outras, mas antes projetam-se, promovem-se e s\u00f3 o s\u00e3o, enquanto atos, se despertam e potenciam as outras liberdades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 verdade que a minha liberdade acabe onde come\u00e7a a do outro (talvez, sim, as vontades se estorvem, mas j\u00e1 vimos que isso n\u00e3o \u00e9 \u2018a\u2019 liberdade\u2026); a minha liberdade s\u00f3 o \u00e9, de facto, se levar com ela a liberdade dos outros e as fizer serem cada vez mais liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembre-se, a t\u00edtulo de ilustra\u00e7\u00e3o, o que ocorre no mundo da economia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recorde-se o que aconteceu, ap\u00f3s a II Guerra Mundial: a Europa ficou em cacos\u2026 Os Estados Unidos, apesar de serem preconizadores de um liberalismo tantas vezes solipsista, perceberam que n\u00e3o o poderiam ser, ap\u00f3s a II Guerra. Se a Europa permanecesse destru\u00edda, a economia americana nunca seria pujante. Foi preciso, atrav\u00e9s do Plano Marshall, potenciar a economia europeia para que, com ela, se projetasse a economia americana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num outro \u00e2mbito, o da educa\u00e7\u00e3o, podemos recordar como um pai ou uma m\u00e3e n\u00e3o o s\u00e3o mais se \u2018esmagarem\u2019 o crescimento do filho. Um pai ou uma m\u00e3e s\u00e3o-no na medida em que promovem o desenvolvimento do seu filho. Se n\u00e3o o fizerem, tamb\u00e9m eles, enquanto pai e m\u00e3e, se amarfanham.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9, por isso, fundamental, sair deste conceito solipsista, individualista e voluntarista de liberdade, respons\u00e1vel por um caminho que nos conduzir\u00e1 a uma sociedade que n\u00e3o ser\u00e1 mais do que, como afirma Manuel Braga da Cruz, \u2018uma soma de indiv\u00edduos sobre um territ\u00f3rio\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 muito que vimos dizendo que se ter\u00e1 de passar de uma l\u00f3gica de \u2018indiv\u00edduos\u2019 (que \u00e9 um conceito quantitativo; somos \u2018um\u2019, \u2018dois\u2019, \u2018tr\u00eas\u2019 indiv\u00edduos, sem que tal nos defina, qualitativamente\u2026) para uma l\u00f3gica de \u2018pessoas\u2019, conceito que implica, intrinsecamente, a ideia de rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo humano n\u00e3o \u00e9 feito, primeiramente, de indiv\u00edduos, pensados em si mesmos, qual m\u00f3nadas fechadas. O mundo humano \u00e9, primeira, rela\u00e7\u00e3o, inter-rela\u00e7\u00e3o, encontros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Liberdade n\u00e3o \u00e9, pois, fazer o que se quer. \u00c9 a possibilidade, a condi\u00e7\u00e3o de possibilidade que nos permite escolher o que \u00e9 melhor. Envolve-nos, totalmente, sob a ilumina\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o, da intelig\u00eancia. Liberdade \u00e9 algo intrinsecamente humano. \u00c9, ali\u00e1s, um conceito que, pela natureza da defini\u00e7\u00e3o aqui encontrada, implicada, essencialmente, a ideia de responsabilidade: responder e responder diante de algu\u00e9m. Reduzi-la a um exerc\u00edcio da vontade \u00e9 entreg\u00e1-la ao sub-humano animal de que nos dever\u00edamos levantar, mas a que muitos parecem querer fazer-nos regressar\u2026 \u00c9 curioso constatar, ali\u00e1s, que nunca se evocou tanto a liberdade, mas nunca, tamb\u00e9m, se pretendeu tanto reduzir os atos do indiv\u00edduos a causas que ele diz n\u00e3o controlar: a gen\u00e9tica, a hist\u00f3ria pessoal, a sociedade, as circunst\u00e2ncias, etc\u2026 Evoca-se a liberdade, mas num registo de desresponsabiliza\u00e7\u00e3o, o que, mais uma vez, denuncia a contradi\u00e7\u00e3o do conceito. Ser livre \u00e9, intrinsecamente, responsabilizar-se e, por isso, compromete e exige estar em atitude de constante discernimento e n\u00e3o de volubilidade e anomia. Ser livre \u00e9, por isso, mat\u00e9ria de humanos integralmente entendidos, \u00e9 uma conquista nunca terminada.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">*Professor, Presidente da Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura e autor de &#8216;Bem-nascido&#8230; Mal-nascido&#8230; Do &#8216;filho perfeito&#8221; ao filho humano&#8217;<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Artigo originalmente publicado em <a href=\"http:\/\/teologicus.blogspot.com\/search?q=eutan%C3%A1sia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.teologicus.blogspot.com<\/a><\/h6>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/nomevisualizzato-9517909\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=4592723\">NomeVisualizzato<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=4592723\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu\u00eds Manuel Pereira<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14552,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[55],"tags":[],"class_list":["post-14551","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-luis-manuel-pereira-da-silva"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14551","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14551"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14551\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14553,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14551\/revisions\/14553"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14552"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14551"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14551"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14551"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}