{"id":14234,"date":"2022-04-07T18:59:08","date_gmt":"2022-04-07T17:59:08","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=14234"},"modified":"2022-04-07T18:59:08","modified_gmt":"2022-04-07T17:59:08","slug":"aveirenses-notaveis-agostinho-fontes-pereira-de-melo-fadista-e-juiz-do-supremo-tribunal-de-justica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/aveirenses-notaveis-agostinho-fontes-pereira-de-melo-fadista-e-juiz-do-supremo-tribunal-de-justica\/","title":{"rendered":"AVEIRENSES NOT\u00c1VEIS | Agostinho Fontes Pereira de Melo  \u2013 Fadista e juiz do Supremo Tribunal de Justi\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><em>Aveirenses not\u00e1veis<\/em><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Agostinho Fontes Pereira de Melo \u2013 Fadista e juiz do Supremo Tribunal de Justi\u00e7a<\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\">Cardoso Ferreira (textos)<\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Parceria com o <a href=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cv\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Correio do Vouga<\/a><\/h6>\n<hr \/>\n<h6>Natural de Aveiro, Agostinho Fontes Pereira de Melo, na sua fase de estudante na Universidade de Coimbra, distinguiu-se como fadista e cantor, ap\u00f3s o que fixou resid\u00eancia em Lisboa, tendo alcan\u00e7ado o cargo de juiz do Supremo Tribunal de Justi\u00e7a.<\/h6>\n<figure id=\"attachment_14236\" aria-describedby=\"caption-attachment-14236\" style=\"width: 236px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-14236 \" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Foto1.jpg\" alt=\"\" width=\"236\" height=\"356\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Foto1.jpg 424w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Foto1-199x300.jpg 199w\" sizes=\"auto, (max-width: 236px) 100vw, 236px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14236\" class=\"wp-caption-text\">P\u00e1gina da revista \u201cFados e Toiradas\u201d<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nAgostinho Fontes Pereira de Melo nasceu em Aveiro (Vera Cruz), no dia 30 de dezembro de 1890, e faleceu na cidade de Lisboa (Campo Grande), no dia 15 de junho de 1991. Era filho de Joaquim Fontes Pereira de Melo (Aveiro, 1867) que, aos 18 anos de idade, tirou passaporte para viajar para o Zaire, e neto de Manuel Fontes Pereira de Melo, um aveirense que em 1866 ter\u00e1 desempenhado a profiss\u00e3o de barbeiro.<br \/>\nNo ano letivo 1900\/1901, Agostinho Fontes Pereira de Melo ter\u00e1 come\u00e7ado a frequentar o Liceu Nacional de Aveiro, tendo por encarregado de educa\u00e7\u00e3o a dire\u00e7\u00e3o do Col\u00e9gio Aveirense. Concluiu a quinta classe no ano letivo de 1906\/1907.<br \/>\nH\u00e1 documentos que assinalam a passagem de Agostinho Fontes Pereira de Melo pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, tendo sido aprovado nos diversos exames que realizou entre 1912 e 1914. Neste \u00faltimo ano, no dia 30 de outubro, fez o exame de lhe deu o t\u00edtulo de bacharel, tendo sido aprovado com 12 valores. No ano seguinte licenciou-se em Direito.<br \/>\nAp\u00f3s se formar em Direito, Agostinho Fontes Pereira de Melo (ou, simplesmente Agostinho Fontes) deu in\u00edcio a uma carreira profissional na magistratura, que culminou com a sua entrada para o Supremo Tribunal de Justi\u00e7a, e a fixa\u00e7\u00e3o da sua resid\u00eancia em Lisboa. Como membro deste tribunal, deixou o seu nome ligado a alguns processos relevantes, tendo sido juiz relator de alguns, como um datado de 23 de julho de 1957, e outro com data de 24 de maio de 1960. Neste mesmo ano, reformou-se como juiz conselheiro.<\/p>\n<figure id=\"attachment_14237\" aria-describedby=\"caption-attachment-14237\" style=\"width: 412px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-14237 \" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Foto2.jpg\" alt=\"\" width=\"412\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Foto2.jpg 642w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Foto2-300x211.jpg 300w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Foto2-600x422.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 412px) 100vw, 412px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14237\" class=\"wp-caption-text\">Ant\u00f3nio da Mota Lima, Jos\u00e9 Monteiro da Rocha Peixoto, Agostinho Fontes Pereira de Melo e Paulo de S\u00e1(?). Coimbra: Imprensa Acad\u00e9mica de Coimbra, 1926. Arq. da TAUC.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano de 1948, o nome de Agostinho Fontes Pereira de Melo surge ainda como s\u00f3cio efetivo do Instituto de Coimbra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Int\u00e9rprete do fado de Coimbra<\/strong><br \/>\nAgostinho Fontes Pereira de Melo (Agostinho Fontes) foi um ex\u00edmio int\u00e9rprete do fado de Coimbra, tendo sido o primeiro cantor preferido do guitarrista Artur Paredes (pai do c\u00e9lebre Carlos Paredes), que depois iria dividir as suas prefer\u00eancias tamb\u00e9m com o cantor Edmundo Bettencourt.<br \/>\nAinda no per\u00edodo de estudante, Agostinho Fontes integrou o Orfeon Acad\u00e9mico Ant\u00f3nio Joyce, tendo ficado famosa uma sua interpreta\u00e7\u00e3o, em vers\u00e3o c\u00f3mico-gaga, da can\u00e7\u00e3o \u201cMargarida vai \u00e0 fonte\u201d.<br \/>\nApesar de estar j\u00e1 na magistratura, Agostinho Fontes, em julho de 1924, integrou uma nova desloca\u00e7\u00e3o do Orfeon Acad\u00e9mico Ant\u00f3nio Joyce a Fran\u00e7a, tendo atuado em cidades como Paris, Toulouse, Bord\u00e9us e Bayona. Ant\u00f3nio Menano e Agostinho Fontes cantam fados, acompanhados \u00e0 guitarra por Manuel Paredes, outro grande guitarrista da \u00e9poca, tio de Artur Paredes. J\u00e1 em 1911, Agostinho Fontes tinha integrado a primeira digress\u00e3o daquele orfe\u00e3o por terras francesas.<br \/>\nNo ano seguinte, integrou a digress\u00e3o que a Tuna Acad\u00e9mica da Universidade de Coimbra (TAUC) efetuou, em agosto de 1925, por terras do Brasil. Para al\u00e9m do int\u00e9rprete aveirense, ent\u00e3o considerado como \u201cantigo estudante e aplaudid\u00edssmo serenateiro\u201d, a comitiva incluiu os cantores Jos\u00e9 Paradela de Oliveira, Lucas Rodrigues Junot e M\u00e1rio Delgado; os guitarristas Artur Paredes (na altura j\u00e1 famoso e, por isso, foi como \u201cartista convidado\u201d) e Paulo de S\u00e1, os violistas Jos\u00e9 Monteiro da Rocha Peixoto e Guilherme Mendes Barbosa. O regente era Manuel da C\u00e2mara Leite (docente de M\u00fasica no Liceu de Coimbra).<br \/>\nAgostinho Fontes interpretou report\u00f3rio da autoria de Paulo de S\u00e1 (de Santa Maria da Feira), de quem foi amigo e condisc\u00edpulo na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Quando Paulo S\u00e1 organizou saraus de angaria\u00e7\u00e3o de fundos para a reconstru\u00e7\u00e3o do castelo da ent\u00e3o Vila da Feira, contou com a presen\u00e7a de Agostinho Fontes, e de outros int\u00e9rpretes, como Alexandre de Rezende, El\u00edsio de Matos, Ant\u00f3nio Menano e Paradela de Oliveira, os quais participaram ainda em in\u00fameros eventos, organizados e apoiados pelo Dr. Paulo de S\u00e1.<br \/>\nAgostinho Fontes, apesar de ter sido um cantor de excel\u00eancia, nunca quis gravar qualquer disco exclusivamente seu.<br \/>\nPara al\u00e9m de int\u00e9rprete e tenor, Agostinho Fontes foi tamb\u00e9m autor de letras de can\u00e7\u00f5es, algumas delas musicadas por Paulo de S\u00e1, como \u201cFado de Santa Cruz\u201d e \u201cFado da Saudade\u201d. Apesar de terem sido editadas no Brasil, no ano de 1925, n\u00e3o existem grava\u00e7\u00f5es conhecidas. Em homenagem a Agostinho Fontes, Paulo de S\u00e1 produziu o \u201cFado de Aveiro\u201d.<br \/>\nO \u201ctenor extenso\u201d Agostinho Fontes Pereira de Melo foi o primeiro grande divulgador do tema \u201cSenhora da Gra\u00e7a\u201d ou \u201cFado de Coimbra\u201d, com m\u00fasica de Paulo de S\u00e1, que depois tamb\u00e9m foi interpretado por Armado do Carmo Goes e por Ant\u00f3nio Menano.<br \/>\nPor essa altura, e no que se refere \u00e0s vozes, \u201cde que era divo\u201d Agostinho Fontes Pereira de Melo, estava na moda o \u201cestilo Manass\u00e9s\u201d, rotulado de \u201ccantar \u00e0 antiga\u201d.<br \/>\nEm julho de 1964, no jornal \u201cA Voz\u201d, dirigindo-se a Ant\u00f3nio Menano, Ant\u00f3nio Morna escreveu \u201ch\u00e1 mais de meio s\u00e9culo \u00e9ramos tr\u00eas os cantores do Fado de Coimbra: tu, o Agostinho Fontes Pereira de Melo e eu. Guitarristas: o teu irm\u00e3o Chico Menano, verdadeiro catedr\u00e1tico da arte de bem tocar, o Paulo de S\u00e1, o Gir\u00e3o e Jos\u00e9 Serra, que era o meu acompanhador habitual.\u201d<br \/>\nNo livro \u201cO Canto e a Guitarra na D\u00e9cada de Oiro da Academia de Coimbra (1920-1930)\u201d, editado pela Comiss\u00e3o Municipal de Turismo de Coimbra, Afonso de Sousa escreve \u201cquando, como escolar, me incorporei na Academia de Coimbra, j\u00e1 dela, ou do seu ambiente art\u00edstico, se haviam afastado ou se avizinhavam da deser\u00e7\u00e3o credenciados cultivadores do canto e da guitarra, de cujas modalidades os da minha gera\u00e7\u00e3o foram n\u00e3o menos reverenciados continuadores. Enquadravam-se naquele afastamento os nomes de Manass\u00e9s de Lacerda, Ant\u00f3nio Menano, seus irm\u00e3os Francisco, Alberto e Paulo, Roseiro Boavida, Agostinho Fontes, Paulo de S\u00e1, Borges de Sousa, pl\u00eaiade de que ainda restavam, cursando estudos um Aires de Abreu, um Aduzindo da Provid\u00eancia, um Lucas Junot \u2026\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aveirenses not\u00e1veis Agostinho<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14237,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[114,65],"tags":[],"class_list":["post-14234","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-aveirenses-notaveis","category-cardoso-ferreira"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14234","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14234"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14234\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14784,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14234\/revisions\/14784"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14237"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14234"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14234"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14234"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}