{"id":14189,"date":"2022-04-01T07:00:56","date_gmt":"2022-04-01T06:00:56","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=14189"},"modified":"2022-03-31T20:07:31","modified_gmt":"2022-03-31T19:07:31","slug":"modos-de-interaccao-entre-ciencia-e-religiao-ponte-viii-dor-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/modos-de-interaccao-entre-ciencia-e-religiao-ponte-viii-dor-amor\/","title":{"rendered":"Modos de interac\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o | Ponte (VIII) Dor\u2014Amor"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><strong><em>Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o<\/em><\/strong><\/h5>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: right;\"><em>Pontes<\/em><\/h2>\n<hr \/>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: center;\">Ponte (VIII) Dor\u2014Amor<\/h2>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Miguel Oliveira Pan\u00e3o<\/h4>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\">Blog<\/a> &amp; <a href=\"https:\/\/www.miguelpanao.com\/livros\/\">Autor<\/a> &amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Newsletter<\/a><\/h3>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">As dores f\u00edsicas s\u00e3o um alerta para sobrevivermos e percebermos o que n\u00e3o est\u00e1 bem em n\u00f3s. As dores mentais podem surgir quando nos confrontamos com a incompreens\u00e3o, seja da nossa parte como da parte dos outros. As dores relacionais prov\u00eam dos cortes que se geram entre cada um de n\u00f3s e os outros, ou perplexidades sem raz\u00e3o de ser que geram d\u00e9fices nos nossos relacionamentos. As dores sociais prov\u00eam da assimetria entre estilos de vidas e escolhas. E as dores espirituais prov\u00eam da insaci\u00e1vel sede de sentido e significado para o lugar, tempo e sensibilidade a tudo o que est\u00e1 para al\u00e9m da mat\u00e9ria e da compreens\u00e3o do mundo vis\u00edvel. As dores n\u00e3o se vivem isoladas umas das outras, mas entrela\u00e7adas. Uma dor de cabe\u00e7a pode gerar uma incompreens\u00e3o mental que afecta o relacionamento com as pessoas \u00e0 nossa volta, afectando a capacidade de viver em sociedade e perguntamos (a Deus) \u2014 <em>\u00abporqu\u00ea a mim?\u00bb<\/em> Mas a dor \u00e9 apenas uma face da nossa exist\u00eancia. A outra \u00e9 o amor.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">O amor \u00e9 f\u00edsico porque altera o bater do cora\u00e7\u00e3o, gera vida e faz-nos esquecer, por vezes, as dores. Mas o amor \u00e9 tamb\u00e9m mental porque um pensamento aut\u00eantico, genu\u00edno e orientado para a compreens\u00e3o de um mundo mais unido \u00e9 um acto de amor, convertendo-se em sabedoria. O amor \u00e9 relacional na medida em que est\u00e1 no cerne da nossa exist\u00eancia. Isto \u00e9, quando compreendemos o ser humano como um ser-em-rela\u00e7\u00e3o, amar s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel quando o dirigimos a um \u201coutro\u201d. O amor quando se manifesta socialmente revela uma comunidade que possui uma vida comum tra\u00e7ada por la\u00e7os fortes e impensados. Por fim, Deus \u00e9 amor e basta isso para compreender como o amor est\u00e1 na raiz de tudo o que existe neste universo. Mas dor e amor parecem t\u00e3o antag\u00f3nicos que podem gerar alguma tens\u00e3o existencial. Qual a ponte?<\/p>\n<p class=\"Blockquote\" style=\"margin: 12pt 0cm 6.5pt; text-align: justify;\">\u00abMeu Deus, meu Deus, porque me abandonaste, rejeitando o meu lamento, o meu grito de socorro? Meu Deus, clamo por ti durante o dia e n\u00e3o me respondes; durante a noite, e n\u00e3o tenho sossego.\u00bb (Sl 22, 2-3)<\/p>\n<p class=\"Blockquote\" style=\"margin-bottom: 12pt; text-align: justify;\">\u00abCerca das tr\u00eas horas da tarde, Jesus clamou com voz forte: Eli, Eli, lem\u00e1 sabacth\u00e1ni?, isto \u00e9: Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?\u00bb (Mt 27, 46)<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">O sofrimento \u00e0 luz do abandono de Jesus na cruz \u00e9 a ponte entre dor e amor.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Jesus abandonado na cruz \u00e9 um dos pontos fundamentais da espiritualidade da unidade do Movimento dos Focolares. A sua fundadora, Chiara Lubich, escreve \u2014 <em>\u00abestou convencida de que a unidade, no seu aspecto mais espiritual, mais \u00edntimo, mais profundo, s\u00f3 pode ser compreendida por uma alma que tenha escolhido como seu quinh\u00e3o de vida (\u2026) Jesus Abandonado que grita: \u201cMeu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?\u201d<\/em> \u2014 ecos do salmo 22, e continua \u2014 <em>\u00abToda a luz sobre a unidade prov\u00e9m daquele grito. Devemos escolh\u00ea-lo como \u00fanico objectivo, \u00fanica meta, ponto de chegada da nossa vida e\u2026 gerar para a Unidade um n\u00famero infinito de almas. (\u2026) O que falta a Jesus, t\u00e3o tremendamente angustiado? Que rem\u00e9dio pode curar a sua dor? Deus! \u00c9 Deus que lhe falta! E como podemos dar-lhe Deus? Estando unidos, t\u00ea-lo-emos entre n\u00f3s e Jesus, que nascer\u00e1 da nossa unidade, consolar\u00e1 o nosso amor crucificado.\u00bb<\/em> (Um Caminho Novo, Cidade Nova, 2004)<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Em cada sofrimento est\u00e1 o rosto daquele que, sendo Deus, deu a Sua vida para ser uma ponte entre a dor e o amor. Fixando o olhar ou o pensamento n\u2019Ele quando estamos diante da dor, aprendemos a amar com a dor, e Ele inspirar-nos-\u00e1 o modo de ser e fazer que confunda a l\u00f3gica humana, abrindo uma janela para uma vida espiritual diferente, divina. Ali\u00e1s, Lubich referiu-se uma vez a Jesus Abandonado como a pupila do olhar de Deus sobre o mundo e atrav\u00e9s da qual poderemos vislumbrar um pouco do modo como Deus v\u00ea: um dom-total-de-si em tudo o que existe.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem: <em>Cristo de S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz<\/em> | Salvador Dal\u00ed [1951]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modos de intera\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14190,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57,62],"tags":[],"class_list":["post-14189","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-miguel-oliveira-panao","category-modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14189","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14189"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14189\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14191,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14189\/revisions\/14191"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14190"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14189"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14189"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14189"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}