{"id":14090,"date":"2022-03-02T07:00:05","date_gmt":"2022-03-02T07:00:05","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=14090"},"modified":"2022-02-28T13:25:34","modified_gmt":"2022-02-28T13:25:34","slug":"modos-de-interaccao-entre-ciencia-e-religiao-ponte-vii-material-imaterial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/modos-de-interaccao-entre-ciencia-e-religiao-ponte-vii-material-imaterial\/","title":{"rendered":"Modos de interac\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o | Ponte (VII) Material\u2014Imaterial"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><strong><em>Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o<\/em><\/strong><\/h5>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: right;\"><em>Pontes<\/em><\/h2>\n<hr \/>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: center;\">Ponte (VII) Material\u2014Imaterial<\/h2>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Miguel Oliveira Pan\u00e3o<\/h4>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\">Blog<\/a> &amp; <a href=\"https:\/\/www.miguelpanao.com\/livros\/\">Autor<\/a> &amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Newsletter<\/a><\/h3>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">O frio que sinto nas m\u00e3os faz-me sentir a imediatez da materialidade. Mas uma probabilidade \u00e9 bem real e completamente imaterial. Uma ideia \u00e9 algo imaterial que habita na materialidade da nossa cabe\u00e7a. Uma palavra escrita como \u201cespiritual\u201d, por exemplo, \u00e9 algo material que se refere a uma dimens\u00e3o imaterial da mundivid\u00eancia. A ponte entre o que \u00e9 material e imaterial somos n\u00f3s e n\u00f3s somos subjectivos.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">O sentir de uma pessoa pode ser diferente do sentir de outra, mas o que lhes \u00e9 comum \u00e9 <em>sentirem<\/em> seja o que for. Logo, a experi\u00eancia da materialidade \u00e9 concreta e comum \u00e0 objectividade de cada pessoa. O que \u00e9 imaterial pensado por uma pessoa pode ser diferente do que outra pessoa pensa, mas o que lhes \u00e9 comum \u00e9 <em>pensarem<\/em> seja o que for. Por\u00e9m, a experi\u00eancia da imaterialidade de um pensamento \u00e9 mais abstracta e depende da subjectividade de cada pessoa.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">A materialidade \u00e9 mensur\u00e1vel e, por isso, desde que haja o instrumento de medida conseguimos caracterizar o que \u00e9 material. O que \u00e9 imaterial \u00e9 imagin\u00e1vel e, por isso, desde que o ser humano expanda a sua criatividade consegue imaginar, pensar e dialogar sobre o que \u00e9 imaterial. Se uma mensagem escrita \u00e9 aceite como tal porque algu\u00e9m emite e outro a recebe, enquanto viaja de um lado para outro, o seu conte\u00fado existe imaterialmente. Da\u00ed a forte e desafiante ideia da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica de que nada existe enquanto n\u00e3o for observado.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Sempre que separamos o que \u00e9 material do que \u00e9 imaterial dilaceramos a realidade. Fragmentamos a nossa experi\u00eancia do mundo e a n\u00f3s pr\u00f3prios, diminuindo a intensidade de sentido e significado do nosso viver. Podemos duvidar das nossas interpreta\u00e7\u00f5es sobre o que \u00e9 material e imaterial, mas parece-me cada vez mais ineg\u00e1vel que a realidade \u00e9 feita de sintaxe (material) e sem\u00e2ntica (imaterial) para delinearmos com a intelig\u00eancia e consci\u00eancia o fio narrativo que permeia tudo neste universo.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">As pessoas que se consideram materialistas expressam as suas ideias pela imaterialidade do sentido que as frases que pronunciam tem para quem as escuta, caindo, sem se darem conta, em profunda contradi\u00e7\u00e3o. Ser materialista n\u00e3o passa de uma orienta\u00e7\u00e3o de pensamento que s\u00f3 nega a imaterialidade entrando no paradoxo de us\u00e1-la para conceber o que a nega. Se uma pessoa sofre de ansiedade e \u00e9 materialista deveria consultar o m\u00e9dico capaz de encontrar a origem do desequil\u00edbrio qu\u00edmico no seu c\u00e9rebro. Mas depois de muitas an\u00e1lises, e de nada ser detectado, s\u00f3 pode reconhecer que a sua ansiedade \u00e9 do foro psicol\u00f3gico e, por isso, profundamente imaterial. Logo, por que raz\u00e3o se considera materialista, isto \u00e9, que apenas existe o que \u00e9 f\u00edsico e material quando o seu problema de sa\u00fade \u00e9 imaterial? Talvez por ser uma pessoa que vive dividida dentro de si mesma.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">As pessoas que remetem a imaterialidade para uma quest\u00e3o de cren\u00e7a, e n\u00e3o acreditam no que \u00e9 imaterial por se considerarem materialistas, esquecem que o materialismo \u00e9 em si mesmo uma cren\u00e7a bem imaterial que habita dentro de si. N\u00e3o podemos separar o que \u00e9 material do que \u00e9 imaterial, mas distinguir. E quem distingue n\u00e3o o faz para negar um em prol do outro, mas compreender melhor o entrela\u00e7ar de ambos. Um entrela\u00e7ar que acontece, sobretudo, em n\u00f3s.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Pensamos que o imaterial abre o horizonte espiritual ao ser humano, mas eu creio ser o contr\u00e1rio. A espiritualidade precede qualquer materialidade ou imaterialidade. As imagens que temos do que \u00e9 f\u00edsico, mental e espiritual s\u00e3o, frequentemente, quantitativas, mas eu convido-vos a pensar num cilindro. Para que um cilindro exista precisa de um eixo, um raio e uma fronteira. Por analogia, o eixo \u00e9 a dimens\u00e3o espiritual, o raio corresponde \u00e0 dimens\u00e3o mental e a fronteira \u00e0 dimens\u00e3o f\u00edsica. H\u00e1 pessoas que se contentam apenas com a vis\u00e3o do cilindro a partir do exterior e reduzem-no \u00e0 materialidade. S\u00f3 atrav\u00e9s da imagina\u00e7\u00e3o que a dimens\u00e3o mental do raio viabiliza conseguem conceber no centro do cilindro um eixo espiritual que s\u00f3 pode ser imaterial. Nenhum destes elementos competem entre si e sem qualquer um deles n\u00e3o haveria cilindro. Assim acontece com as dimens\u00f5es f\u00edsica, mental e espiritual que s\u00e3o o todo <em>humanum<\/em> que atrav\u00e9s do relacionamento de partilha com os outros constr\u00f3i uma ponte entre o material e imaterial.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/illustrations\/rel%c3%b3gio-movimento-tempo-2015460\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/pixabay.com\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modos de intera\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14091,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57,62],"tags":[],"class_list":["post-14090","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-miguel-oliveira-panao","category-modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14090","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14090"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14090\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14092,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14090\/revisions\/14092"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14091"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14090"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14090"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14090"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}