{"id":13966,"date":"2022-02-01T07:00:39","date_gmt":"2022-02-01T07:00:39","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=13966"},"modified":"2022-01-31T12:06:12","modified_gmt":"2022-01-31T12:06:12","slug":"modos-de-interaccao-entre-ciencia-e-religiao-ponte-vi-duvida-clareza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/modos-de-interaccao-entre-ciencia-e-religiao-ponte-vi-duvida-clareza\/","title":{"rendered":"Modos de interac\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o | Ponte (VI) D\u00favida\u2014Clareza"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><strong><em>Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o<\/em><\/strong><\/h5>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: right;\"><em>Pontes<\/em><\/h2>\n<hr \/>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: center;\">Ponte (VI) D\u00favida\u2014Clareza<\/h2>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Miguel Oliveira Pan\u00e3o<\/h4>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\">Blog<\/a> &amp; <a href=\"https:\/\/www.miguelpanao.com\/livros\/\">Autor<\/a> &amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Newsletter<\/a><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escritora Anne Lamott ofereceu-nos uma intelec\u00e7\u00e3o \u00edmpar quando escreveu \u2014 <em>\u00abO oposto da f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 a d\u00favida, mas a certeza.\u00bb<\/em> E quando opomos a d\u00favida \u00e0 f\u00e9, talvez signifique uma ideia distorcida de f\u00e9. O te\u00f3logo americano John Haught diz-nos que \u2014 <em>\u00abnas ra\u00edzes do desejo irrepreens\u00edvel de tornar coerente o sentido das coisas est\u00e1 uma confian\u00e7a b\u00e1sica.\u00bb<\/em> Por isso, viver a f\u00e9 \u00e9 essencialmente <em>confiar<\/em>. A d\u00favida torna-se o modo de aprofundar esta confian\u00e7a b\u00e1sica, consolidando-se ao longo da vida. E uma das primeiras pessoas a aprofundar esta confian\u00e7a b\u00e1sica que \u00e9 a f\u00e9 foi Maria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o anjo visita Maria e lhe diz que conceber\u00e1 e dar\u00e1 \u00e0 luz um filho, Maria duvida e pergunta-lhe \u2014 <em>\u00abComo ser\u00e1 isso, se eu n\u00e3o conhe\u00e7o homem?\u00bb<\/em> Curioso que n\u00e3o lhe pergunta \u201cPorqu\u00ea eu?\u201d, mas \u201cComo?\u201d que \u00e9 uma d\u00favida bem mais ao estilo cient\u00edfico. O anjo responde, mas eu duvido que ela ter\u00e1 entendido todo o alcance daquela resposta, mas sentindo-se segura do amor de Deus, d\u00e1 o passo e acolhe a experi\u00eancia de conceber Jesus pelo Esp\u00edrito Santo. A certeza \u00e9 oposta \u00e0 f\u00e9 quando nos fecha ao inesperado que Deus, ou a procura da Verdade, pode suscitar em n\u00f3s. Da\u00ed que substituir certeza pela palavra <em>clareza<\/em> seja mais seguro. Por\u00e9m, o abismo entre a d\u00favida de n\u00e3o saber e a clareza quando se compreende aquilo que se sabe mant\u00e9m-se. Qual a ponte que nos permite a partir da d\u00favida chegar \u00e0 clareza?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mundo imerso em oceanos de informa\u00e7\u00e3o, estar informado d\u00e1-nos a sensa\u00e7\u00e3o de compreendermos aquilo que sabemos, mas a realidade \u00e9 outra. A maior fonte de pesquisa no mundo actual \u00e9 a internet. Mas \u00e9 preciso estar atento porque nem todas as fontes de informa\u00e7\u00e3o s\u00e3o cred\u00edveis. A d\u00favida \u00e9 o que mant\u00e9m viva a nossa sede de ir \u00e0 fonte e se algu\u00e9m nos apresenta um n\u00famero, deveria ser imediata a necessidade de conhecer a origem desse n\u00famero. Isso aconteceu comigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando li num livro (nem sequer foi na internet) que j\u00e1 t\u00ednhamos produzido bet\u00e3o suficiente na hist\u00f3ria para cobrir a superf\u00edcie do planeta com uma camada de 2mm de espessura, achei interessante e fiquei curioso. Como davam a refer\u00eancia fui ler o artigo original. Primeiro precisei de compreender no artigo como obtiveram a massa total de bet\u00e3o na hist\u00f3ria. Depois, precisava de compreender como se relaciona a massa de bet\u00e3o (em m\u00e9dia) com o volume por essa ocupado (massa vol\u00famica) e, por fim, precisava de compreender como obter a espessura de uma camada esf\u00e9rica fina desse bet\u00e3o. A massa vol\u00famica m\u00e9dia do bet\u00e3o que encontrei nesse artigo era de 1440 kg\/m^3, e para a quantidade de bet\u00e3o produzida, as contas de uma camada esf\u00e9rica com raio interior igual ao raio do planeta Terra n\u00e3o me conduziram ao valor de 2mm, mas de 0.7mm, ou seja 65% inferior, o que \u00e9 significativo. Estariam as minhas contas erradas? Revi uma e duas vezes e confrontei com uma outra pessoa e, aparentemente, o meu racioc\u00ednio parecia correcto. Ent\u00e3o, como gostava de usar este exemplo num artigo optei pelo meu resultado citando o artigo original, em vez de usar o exemplo desse livro. Da d\u00favida \u00e0 clareza foi o <em>acto intelectivo<\/em> que fez a ponte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O jesu\u00edta, te\u00f3logo e fil\u00f3sofo, Bernard Lonergan s.j., escreveu uma obra-prima intitulada <em>Insight<\/em> que se traduziria por <em>intelec\u00e7\u00e3o<\/em>, mas se analisar a palavra original poder\u00edamos dividir em \u201cin-\u201c = por dentro e \u201c-sight\u201d = vis\u00e3o, ou seja, uma intelec\u00e7\u00e3o \u00e9 um \u201colhar a partir do interior das coisas\u201d que significa compreender. E Lonergan define o <em>acto intelectivo<\/em> com quatro passos:<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>estar atento (confrontar com as nossas experi\u00eancias);<\/li>\n<li>ser inteligente (compreender esse confronto);<\/li>\n<li>ser cr\u00edtico (avaliar se compreendemos bem o confronto com as experi\u00eancias);<\/li>\n<li>ser decisivo, escolher ou ajuizar.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem pessoas que passam da observa\u00e7\u00e3o \u00e0 cr\u00edtica ou ju\u00edzo sem dar o passo da compreens\u00e3o. Lonergan \u00e9 duro ao dizer que essas pessoas sofrem de arrog\u00e2ncia intelectual, tornando-se ultracrepid\u00e1rios (pessoas que d\u00e3o opini\u00f5es sobre o que desconhecem). Sentem-se super-her\u00f3is que saltam o abismo da d\u00favida \u00e0 clareza sem querer percorrer o \u00e1rduo caminho da ponte que o acto intelectivo exigem, sobretudo atrav\u00e9s do estudo, tempo, paci\u00eancia pr\u00f3prias do esfor\u00e7o para compreender seja o que for. O mais certo \u00e9 ca\u00edrem no abismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O acto intelectivo como ponte entre d\u00favida e clareza \u00e9 um acto de amor. Amor \u00e0 verdade num mundo que sofre da p\u00f3s-verdade, isto \u00e9, da \u201cverdade a sentimento ou a gosto\u201d. Uma p\u00f3s-verdade que faz da d\u00favida um produto para semear a divis\u00e3o, distorcendo o seu valor de impulso inicial para o aprofundamento da nossa compreens\u00e3o do mundo nas suas dimens\u00f5es material, cognitiva e espiritual. Mas quanto mais actos de amor intelectivos procurarmos fazer, maior entusiasmo sentiremos em continuar a faz\u00ea-los. O resultado n\u00e3o ser\u00e1 somente as pontes atravessadas da d\u00favida \u00e0 clareza, como sobretudo o testemunho aos outros do valor dessa possibilidade. Pois, o acto intelectivo quando ponte entre d\u00favida e clareza conduz a uma vida com mais sentido.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/illustrations\/abismo-peitoril-da-janela-perigoso-2036211\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/pixabay.com\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modos de intera\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13968,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57,62],"tags":[],"class_list":["post-13966","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-miguel-oliveira-panao","category-modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13966","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13966"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13966\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13969,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13966\/revisions\/13969"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13968"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13966"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13966"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13966"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}