{"id":13790,"date":"2022-01-01T16:46:08","date_gmt":"2022-01-01T16:46:08","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=13790"},"modified":"2022-01-01T16:46:08","modified_gmt":"2022-01-01T16:46:08","slug":"modos-de-interaccao-entre-ciencia-e-religiao-pontes-v-ser-devir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/modos-de-interaccao-entre-ciencia-e-religiao-pontes-v-ser-devir\/","title":{"rendered":"Modos de interac\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o | Pontes (V) Ser\u2014Devir"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><strong><em>Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o<\/em><\/strong><\/h5>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: right;\"><em>Pontes<\/em><\/h2>\n<hr \/>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: center;\">Pontes (V) Ser\u2014Devir<\/h2>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Miguel Oliveira Pan\u00e3o<\/h4>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\">Blog<\/a> &amp; <a href=\"https:\/\/www.miguelpanao.com\/livros\/\">Autor<\/a> &amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Newsletter<\/a><\/h3>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Aceito-te tal como \u00e9s. Aceito quem sou. Mas serei sempre quem sou ou quem era, ontem, \u00e9 diferente de quem sou, hoje, e serei amanh\u00e3? A pergunta parece entrar demasiadamente no campo da abstrac\u00e7\u00e3o e da filosofia, ou at\u00e9 da teologia e espiritualidade, mas n\u00e3o \u00e9 a exist\u00eancia a base dos nossos prop\u00f3sitos de vida sempre que o ano muda?<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Cada mudan\u00e7a de ano acompanha-se de um desejo fresco em sermos diferentes no futuro. O pensamento do amanh\u00e3 assenta mais no nosso <em>devir<\/em> do que no nosso <em>ser<\/em>. E, por vezes, entre o que somos e o que sonhamos ser parece existir um abismo obscuro e intranspon\u00edvel. O nosso devir ou \u201cdever ser\u201d pode entrar em confronto com a realidade que somos quando pensamos naquilo que desejar\u00edamos ser. Nesse sentido, seria valioso poder encontrar uma ponte que nos ajudasse a ligar o <em>ser<\/em> ao <em>devir<\/em>, de modo a que os nossos sonhos e prop\u00f3sitos pudessem realizar-se, a vida aspirada entrasse em conson\u00e2ncia com a vivida, e o nosso exterior fosse mais coerente com o interior.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Uma ponte poss\u00edvel poderia inspirar-se na mec\u00e2nica qu\u00e2ntica. Numa das interpreta\u00e7\u00f5es daquilo que acontece no mundo do infinitamente pequeno, o acto de observar leva \u00e0 exist\u00eancia daquilo que se observa e que antes dessa observa\u00e7\u00e3o n\u00e3o passava de uma probabilidade de existir. \u00c9 como se tudo fosse <em>devir<\/em> e precisa do olhar de algu\u00e9m para <em>ser<\/em>. Ser\u00e1 essa a t\u00e9nue raz\u00e3o de tantas pessoas quererem ser observadas para que os ajudem a sentir que existem?<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Uma segunda ponte poss\u00edvel poderia ser <em>planear<\/em>. Quando criamos planos definimos os passos concretos a dar para aproximar o ser do devir e, assim, chegar a um novo modo de ser semelhante ao sonhado. Mas quando olhamos o ano que passou em retrospectiva, muitas vezes nos confrontamos com tantas coisas que pens\u00e1mos realizar e acabaram por ficar pelo caminho. Vivemos uma certa frustra\u00e7\u00e3o e podemos concluir que n\u00e3o vale a pena planear se, depois, acabamos por n\u00e3o cumprir e ficar perturbados com isso.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Uma terceira ponte poderia ser <em>escolher<\/em>, antes de planear. As escolhas orientam-se pelos nossos valores, mas quando examinamos a consci\u00eancia e sentimos como a sobreviv\u00eancia se sobrep\u00f4s aos valores daquilo que pens\u00e1vamos ser a verdadeira viv\u00eancia, surge o contraste dissonante entre o ser e o devir. N\u00e3o \u00e9 o desejo mais profundo do ser humano que o <em>ser<\/em> e o <em>devir<\/em> sejam um s\u00f3? Talvez a ponte seja a pr\u00f3pria <em>exist\u00eancia<\/em>.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">O nosso <em>ser<\/em> <strong>\u00e9<\/strong> <em>devir<\/em>. Quer isto dizer que n\u00e3o \u00e9s assim, e n\u00e3o ser\u00e1s sempre assim, e tudo o que te acontece muda quem \u00e9s.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">\u00c9s porque te tornas. \u00c9s na medida em que est\u00e1s sempre a mudar. E n\u00e3o estou a pensar apenas no sentido f\u00edsico, mas nos sentidos mental e espiritual. Quando te olhas ao espelho pretendes ver quem \u00e9s, mas o que v\u00eas prov\u00e9m do reflexo daquilo que eras porque demorou tempo para que a luz se reflectisse no espelho. Por isso, olhar para o espelho \u00e9 contemplar quem eras h\u00e1 um instante porque, na realidade, j\u00e1 \u00e9s diferente. Por falar em espelhos, fruto da tecnologia, costumamos questionar \u2014 o que podemos fazer com esta nova tecnologia? \u2014 quando a verdadeira quest\u00e3o que a exist\u00eancia, como ponte, suscita \u00e9 \u2014 <em>o que nos tornamos com a tecnologia que fazemos?<\/em><\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">O facto de <em>existirmos<\/em> \u00e9 um dom imenso que nos permite planear, escolher e dar passos. Entendo que n\u00e3o seja f\u00e1cil pensar na nossa exist\u00eancia por corrermos o risco de nos perdermos em jogos de palavras que pouca influ\u00eancia exercem sobre o que vivemos todos os dias e nos confronta com o que somos. Mas repara na subtil transforma\u00e7\u00e3o da \u00faltima palavra na frase anterior \u2014 <em>\u2026o que vivemos todos os dias e nos confronta com o que nos tornamos.<\/em><\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Tudo o que fa\u00e7o, torna-me. Cada atitude est\u00e1 na base do meu <em>devir<\/em>. Existo n\u00e3o porque me veem, assim como acontece na mec\u00e2nica qu\u00e2ntica. Existo porque me relaciono com o existir dos outros e das coisas. Cada gesto que edifica o que est\u00e1 \u00e0 minha volta, edifica-me. Cada sorriso que desperto no outro faz-me sorrir. E quando procuro conhecer o outro por aquilo que \u00e9, sem me dar conta, estamo-nos a transformar reciprocamente atrav\u00e9s do nosso relacionamento. Por isso, no instante \u00ednfimo depois de te conhecer, mudei-te, e j\u00e1 n\u00e3o \u00e9s o mesmo que eras antes de existires comigo. Toda a nossa exist\u00eancia \u00e9 uma ponte transformativa entre <em>ser<\/em> e <em>devir<\/em>.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/photos\/ponte-m%c3%a3o-fecho-m%c3%a3o-pessoas-2898837\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/pixabay.com\/pt\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modos de intera\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13791,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57,62],"tags":[],"class_list":["post-13790","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-miguel-oliveira-panao","category-modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13790","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13790"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13790\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13967,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13790\/revisions\/13967"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13791"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13790"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13790"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13790"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}