{"id":13759,"date":"2021-12-27T18:27:43","date_gmt":"2021-12-27T18:27:43","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=13759"},"modified":"2021-12-27T18:27:43","modified_gmt":"2021-12-27T18:27:43","slug":"a-doutrina-social-da-igreja-os-meios-de-comunicacao-social-e-fake-news-libertacao-da-falsidade-e-busca-da-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/a-doutrina-social-da-igreja-os-meios-de-comunicacao-social-e-fake-news-libertacao-da-falsidade-e-busca-da-verdade\/","title":{"rendered":"A Doutrina Social da Igreja, os meios de comunica\u00e7\u00e3o social e \u201cfake news\u201d: liberta\u00e7\u00e3o da falsidade e busca da verdade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">Ant\u00f3nio Tavares*<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Eduardo Domingues*<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Jo\u00e3o Filipe Sim\u00f5es*<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Jorge Gon\u00e7alves*<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2018, na mensagem por ocasi\u00e3o do 52.\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, o Papa Francisco alertou para as consequ\u00eancias da difus\u00e3o das chamadas \u2018fake news\u2019, entendidas como not\u00edcias falsas, com objetivos econ\u00f3micos ou pol\u00edticos, que levam ao \u00f3dio e ao conflito. Na mensagem, o Papa, que tamb\u00e9m tem sido alvo dessas not\u00edcias falsas, sublinha que as \u2018fake news\u2019 visam <em>\u201cenganar e at\u00e9 manipular o destinat\u00e1rio\u201d<\/em>, muitas vezes com objetivos predefinidos, como os de <em>\u201cinfluenciar op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e favorecer lucros econ\u00f3micos\u201d<\/em>, tendo apelado aos jornalistas que desempenhem um papel central na defesa da verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seguimento a esta mensagem do Papa, foi recentemente publicado o livro \u201cFake Pope\u201d, onde dois jornalistas analisam 80 falsas noticias sobre o Papa Francisco. No texto introdut\u00f3rio os autores referem que <em>&#8220;uma rajada de mentiras ou de semiverdades manipuladas com arte \u00e9 capaz de devastar o trabalho de anos, de instilar uma desconfian\u00e7a ali onde o resultado final depende dos delicados equil\u00edbrios e da paci\u00eancia a n\u00edvel das rela\u00e7\u00f5es humanas, sendo esse, muitas vezes, o caso da igreja&#8221;<\/em>. Os autores defendem que <em>&#8220;as \u201cfake news\u201d recolocam no centro o tema da verdade, caro ao cristianismo tradicional&#8221; e que a resposta certa a este problema n\u00e3o \u00e9 transmitir novas seguran\u00e7as intang\u00edveis, dogm\u00e1ticas e r\u00edgidas, mas sim educar para uma busca e verifica\u00e7\u00e3o cont\u00ednuas&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerando esta problem\u00e1tica, em setembro do corrente ano, Nelson Ribeiro, diretor da Faculdade de Ci\u00eancias Humanas da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa, revelou nas Jornadas Nacionais das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, que 25% das not\u00edcias que circulam nas redes sociais s\u00e3o falsas. Ele come\u00e7ou por defender que a manipula\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f3meno novo. A novidade \u00e9 que, <em>\u201cao contr\u00e1rio do que sucedia no passado, em que as campanhas de desinforma\u00e7\u00e3o eram tendencialmente centralizadas na sua execu\u00e7\u00e3o, e na sua difus\u00e3o, hoje os agentes de propaga\u00e7\u00e3o somos potencialmente todos n\u00f3s e o ex\u00e9rcito de \u2018trolls\u2019 que procura destabilizar as discuss\u00f5es online impedindo a realiza\u00e7\u00e3o de um di\u00e1logo racional entre os participantes atrav\u00e9s de frases inflamat\u00f3rias e irracionais\u201d<\/em>. Acrescenta, por isso, que \u00e9 urgente agir no sentido de alertar os cidad\u00e3os para compreenderem os mecanismos de produ\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o de conte\u00fados informativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A t\u00edtulo de curiosidade, recorrendo \u00e0 palavra-chave \u201cfake news\u201d para uma pesquisa r\u00e1pida na base de dados Google Acad\u00e9mico, obtivemos um resultado total de 639\u00a0000 documentos acerca desta tem\u00e1tica. Quando acrescentamos a palavra-chave \u201cIgreja Cat\u00f3lica\u201d o resultado desce para 61\u00a0900, n\u00e3o deixando de ser um n\u00famero relevante. S\u00f3 em 2021 foram publicados 2\u00a0770 artigos acerca desta tem\u00e1tica e a sua rela\u00e7\u00e3o com a Igreja Cat\u00f3lica, o que manifesta a preocupa\u00e7\u00e3o em torno desta realidade cada vez mais presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A este prop\u00f3sito a Constitui\u00e7\u00e3o <em>Gaudium et Spes<\/em> refere que <em>\u201c\u00e9 pr\u00f3prio da pessoa humana necessitar da cultura\u201d<\/em> e que <em>\u201cnatureza e cultura encontram-se intimamente ligadas\u201d<\/em> (GS 53). Acrescenta ainda que se trata de um direito universal (GS 60). Nesta cultura, encontram-se englobados os meios de comunica\u00e7\u00e3o social que s\u00e3o reconhecidos no Diret\u00f3rio para a Catequese como uma oportunidade extraordin\u00e1ria de di\u00e1logo, encontro e interc\u00e2mbio entre as pessoas, bem como de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e ao saber.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, de acordo com o DOCAT, fazer bom uso dos media \u00e9 um desafio para cada um (n.\u00ba 41), pois podem enriquecer os Homens, torn\u00e1-los mais s\u00e1bios e inspir\u00e1-los, mas tamb\u00e9m os podem seduzir para o mal (n.\u00ba 42).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta realidade n\u00e3o \u00e9 nova. J\u00e1 em 1966, em resultado do Conc\u00edlio Vaticano II, o Papa Paulo VI, atrav\u00e9s do Decreto <em>Inter Mirifica,<\/em> sobre os meios de comunica\u00e7\u00e3o social, alertou para a import\u00e2ncia destes meios e salientou aqueles (nomeadamente a imprensa, o cinema, a r\u00e1dio, a televis\u00e3o e outros) que, por sua natureza, podiam atingir e mover n\u00e3o s\u00f3 cada um dos Homens, mas tamb\u00e9m as multid\u00f5es e toda a sociedade humana. O Papa tamb\u00e9m teve a preocupa\u00e7\u00e3o de alertar para a rela\u00e7\u00e3o entre os meios de comunica\u00e7\u00e3o social e a ordem moral, referindo no n.\u00ba 2 que <em>\u201cos homens podem utilizar tais meios contra o des\u00edgnio do Criador e convert\u00ea-los em meios da sua pr\u00f3pria ru\u00edna; mais ainda, sente uma maternal ang\u00fastia pelos danos que, com o seu mau uso, se t\u00eam infligido, com demasiada frequ\u00eancia, \u00e0 sociedade humana.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em face disto, o Sagrado Conc\u00edlio, acolhendo a preocupa\u00e7\u00e3o de Pont\u00edfices e Bispos em mat\u00e9ria de tanta import\u00e2ncia, considerou seu dever ocupar-se das principais quest\u00f5es respeitantes aos meios de comunica\u00e7\u00e3o social. Neste Decreto, o Papa fez de seguida uma pormenorizada justifica\u00e7\u00e3o do papel da Igreja neste dom\u00ednio. Desta justifica\u00e7\u00e3o destacamos o n.\u00ba 3 que refere: <em>\u201cA Igreja cat\u00f3lica, fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo para levar a salva\u00e7\u00e3o a todos os homens, e por isso mesmo obrigada a evangelizar, considera seu dever pregar a mensagem de salva\u00e7\u00e3o, servindo-se dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, e ensina aos homens a usar retamente estes meios.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 o Papa Francisco, na sua mensagem para o 52.\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, define as \u201cfake news\u201d como informa\u00e7\u00f5es infundadas, baseadas em dados inexistentes ou distorcidos, tendentes a enganar e at\u00e9 manipular o destinat\u00e1rio. A efic\u00e1cia das \u201cfake news\u201d deve-se \u00e0 sua natureza mim\u00e9tica, ou seja, \u00e0 capacidade de se apresentarem como plaus\u00edveis \u2013 s\u00e3o falsas, mas veros\u00edmeis. Acrescenta, ainda, que se tornam virais pelo fasc\u00ednio que det\u00eam sobre a avidez insaci\u00e1vel que facilmente se acende no ser humano (por ex. sede de poder, ter e gozar, para nos roubar a liberdade do cora\u00e7\u00e3o) e que \u00e9 dif\u00edcil erradic\u00e1-las porque as pessoas interagem muitas vezes dentro de ambientes digitais homog\u00e9neos e imperme\u00e1veis a perspetivas e opini\u00f5es divergentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A este prop\u00f3sito, o Diret\u00f3rio para a Catequese, refere \u00e9 preciso reconhecer que <em>\u201co ambiente digital \u00e9 tamb\u00e9m um territ\u00f3rio de solid\u00e3o, manipula\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia\u201d<\/em>. Os interesses econ\u00f3micos, que operam no mundo digital, s\u00e3o <em>\u201ccapazes de realizar formas de controle que s\u00e3o t\u00e3o subtis quanto invasivas, criando mecanismos de manipula\u00e7\u00e3o das consci\u00eancias e do processo democr\u00e1tico\u201d<\/em>. \u00c9 preciso lembrar que muitas plataformas favorecem frequentemente <em>\u201co encontro entre pessoas com as mesmas ideias, dificultando o confronto entre as diferen\u00e7as. Estes circuitos fechados facilitam a divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es e not\u00edcias falsas, fomentando preconceitos e \u00f3dio\u201d<\/em> (n.\u00ba 361).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nr. \u00ba 44 do DOCAT acrescenta, ainda, que os meios de comunica\u00e7\u00e3o social podem ser utilizados de um modo que se esgota em divers\u00e3o sem sentido ou informa\u00e7\u00e3o in\u00fatil, podendo assim alienar as pessoas da vida real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Carta Enc\u00edclica \u201cCaritas in Veritate\u201d, o Papa Bento afirma que \u201cos meios de comunica\u00e7\u00e3o social n\u00e3o favorecem a liberdade nem globalizam o desenvolvimento e a democracia para todos simplesmente porque multiplicam as possibilidades de interliga\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o das ideias; para alcan\u00e7ar tais objetivos, \u00e9 preciso que estejam centrados na promo\u00e7\u00e3o da dignidade das pessoas e dos povos, animados expressamente pela caridade e colocados ao servi\u00e7o da verdade, do bem e da fraternidade natural e sobrenatural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa Francisco, na mensagem para o 52.\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, refere que a primeira <em>Fake New<\/em> foi a estrat\u00e9gia utilizada pela serpente (Livro do G\u00e9nesis) que levou \u00e0s tr\u00e1gicas consequ\u00eancias do pecado, concretizadas depois no primeiro fratric\u00eddio e em in\u00fameras outras formas de mal contra Deus, o pr\u00f3ximo, a sociedade e a cria\u00e7\u00e3o. O Papa conclui que <em>\u201ceste epis\u00f3dio b\u00edblico revela assim um facto essencial para o nosso tema: nenhuma desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 inofensiva; antes pelo contr\u00e1rio, fiar-se daquilo que \u00e9 falso produz consequ\u00eancias nefastas\u201d<\/em>. A distor\u00e7\u00e3o da verdade, mesmo aparentemente leve, pode ter efeitos perigosos. O Papa aponta o dedo \u00e0s motiva\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e oportunistas da desinforma\u00e7\u00e3o, convidando a Igreja e a sociedade a <em>\u201ceducar para a verdade\u201d<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Enc\u00edclica do Papa Francisco <em>\u201cFratelli tutti\u201d<\/em> tamb\u00e9m reflete sobre esta realidade. Assim, no nr.\u00ba 45 refere que <em>\u201cas redes sociais tomaram conta de muitos e a verdade esvai-se em \u201cfake news\u201d e no controlo das mentes, sem capacidade para pensar, tanto mais quanto se nega a outros <\/em><em>&#8220;a capacidade de existir e pensar&#8221;<\/em>, recorrendo-se <em>&#8220;\u00e0 estrat\u00e9gia de ridiculariz\u00e1-los, insinuar suspeitas sobre eles e reprimi-los&#8221;<\/em>. A sociedade acaba <em>&#8220;reduzida \u00e0 prepot\u00eancia do mais forte&#8221;<\/em> e <em>&#8220;um projeto com grandes objetivos para o desenvolvimento de toda a humanidade soa a um del\u00edrio&#8221;<\/em>. O Papa acrescente que <em>\u201cprecisamos de nos construir como um &#8220;n\u00f3s&#8221; que habita a casa comum de todos, mas isso &#8220;n\u00e3o interessa aos poderes econ\u00f3micos que necessitam de um ganho r\u00e1pido&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dostoi\u00e9vski deixou escrito algo de not\u00e1vel neste sentido: \u00abQuem mente a si mesmo e escuta as pr\u00f3prias mentiras, chega a pontos de j\u00e1 n\u00e3o poder distinguir a verdade dentro de si mesmo nem ao seu redor, e assim come\u00e7a a deixar de ter estima de si mesmo e dos outros. Depois, dado que j\u00e1 n\u00e3o tem estima de ningu\u00e9m, cessa tamb\u00e9m de amar, e ent\u00e3o na falta de amor, para se sentir ocupado e distrair, abandona-se \u00e0s paix\u00f5es e aos prazeres triviais e, por culpa dos seus v\u00edcios, torna-se como uma besta; e tudo isso deriva do mentir cont\u00ednuo aos outros e a si mesmo\u00bb (<em>Os irm\u00e3os Karamazov<\/em>, II, 2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas Jornadas Nacionais das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais deste ano, Nelson Ribeiro afirma que <em>\u201c\u00e9 urgente agir no sentido de alertar os cidad\u00e3os para compreenderem os mecanismos de produ\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o de conte\u00fados informativos\u201d e por isso defende a cria\u00e7\u00e3o de \u201cprogramas de literacia medi\u00e1tica que ensinem as pessoas a saber ler criticamente a informa\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para evitar o aparecimento de not\u00edcias falsas, D. Jo\u00e3o Lavrador (Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais) defende a antecipa\u00e7\u00e3o, por parte da Igreja, das not\u00edcias que possam dar origem a manipula\u00e7\u00e3o, considerando que <em>\u201cn\u00f3s temos que ser pioneiros da verdade na pr\u00f3pria not\u00edcia\u201d<\/em>, sendo necess\u00e1rio <em>\u201cou antecipar o conte\u00fado da not\u00edcia que potencialmente vai ser desvirtuado ou, dentro do acontecimento, estarmos a par para podermos desmascarar e repor o que a not\u00edcia tem de verdade\u201d<\/em>. Estas estrat\u00e9gias s\u00e3o <em>\u201cuma das coisas mais dif\u00edceis que temos de fazer na comunica\u00e7\u00e3o social\u201d<\/em>, reconheceu o bispo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa perspetiva crist\u00e3, o Papa Francisco sustenta que o <em>\u201cant\u00eddoto mais radical\u201d<\/em> ao v\u00edrus da falsidade \u00e9 <em>\u201cdeixar-se purificar pela verdade\u201d<\/em>. <em>\u201cLiberta\u00e7\u00e3o da falsidade e busca do relacionamento: eis aqui os dois ingredientes que n\u00e3o podem faltar, para que as nossas palavras e os nossos gestos sejam verdadeiros, aut\u00eanticos e fi\u00e1veis\u201d<\/em>, aponta o Papa. Por isso recomenda o favorecimento da comunh\u00e3o e a promo\u00e7\u00e3o do bem, pois a verdade s\u00f3 brota de rela\u00e7\u00f5es livres entre as pessoas, na escuta rec\u00edproca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste sentido, o Papa afirma que o melhor ant\u00eddoto contra as falsidades n\u00e3o s\u00e3o as estrat\u00e9gias, mas as pessoas: pessoas que, livres da ambi\u00e7\u00e3o, est\u00e3o prontas a ouvir e, atrav\u00e9s da fadiga dum di\u00e1logo sincero, deixam emergir a verdade; pessoas que, atra\u00eddas pelo bem, se mostram respons\u00e1veis no uso da linguagem. Por isso, exorta a um Jornalismo de Paz, sem fingimentos, hostil \u00e0s falsidades, a slogans sensacionais e a declara\u00e7\u00f5es bomb\u00e1sticas, um jornalismo feito por pessoas para as pessoas, um jornalismo que n\u00e3o se limite a queimar not\u00edcias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 em 1966, em resultado do Concilio Vaticano II, o Papa Paulo VI recomendava que para o uso adequado dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, se respeitem as leis morais do homem, os seus leg\u00edtimos direitos e dignidade, tanto na obten\u00e7\u00e3o da not\u00edcia como na sua divulga\u00e7\u00e3o (IM 5). Numa vis\u00e3o absolutamente futurista, o Decreto <em>Inter Mirifica <\/em>recomenda que os destinat\u00e1rios, sobretudo os jovens, procurem acostumar-se a ser moderados e disciplinados no uso destes meios; ponham, al\u00e9m disso, empenho em entenderem bem o que ouvem, leem e veem; dialoguem com educadores e peritos na mat\u00e9ria e aprendam a formar um reto ju\u00edzo (IM 10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concluindo, \u00e9 decididamente necess\u00e1rio contrariar o uso abusivo dos media. De acordo com o DOCAT, mesmo com toda a liberdade necess\u00e1ria, os media precisam tamb\u00e9m de objetivos morais. O conceito \u00e9tico central aqui \u00e9 o da \u201cresponsabilidade\u201d; responsabilidade perante Deus, que quer que colaboremos no processo da verdade e na procura reciproca, segundo as regras do amor, responsabilidade perante o pr\u00f3ximo, o qual atrav\u00e9s dos media, deve ser integrado, envolvido e enriquecido, responsabilidade perante mim mesmo, que pelos media devo chegar \u00e0 verdadeira comunidade com os outros, em vez de, num egoc\u00eantrico isolamento medial, me dissociar dos outros Homens e das suas reais necessidades.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\">*Reflex\u00e3o realizada no \u00e2mbito da disciplina de \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o \u00e0 Doutrina Social da Igreja\u201d do Curso B\u00e1sico Teol\u00f3gico-Pastoral do Centro de Forma\u00e7\u00e3o D. Ant\u00f3nio Marcelino<\/h6>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/illustrations\/verifica%c3%a7%c3%a3o-de-fato-6660570\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/pixabay.com\/pt\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Tavares* Eduardo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13760,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[],"class_list":["post-13759","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13759","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13759"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13759\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13762,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13759\/revisions\/13762"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13760"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13759"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13759"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13759"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}