{"id":1368,"date":"2017-07-15T14:32:44","date_gmt":"2017-07-15T13:32:44","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=1368"},"modified":"2017-06-30T14:45:54","modified_gmt":"2017-06-30T13:45:54","slug":"jose-luciano-de-castro-primeiro-ministro-por-tres-vezes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/jose-luciano-de-castro-primeiro-ministro-por-tres-vezes\/","title":{"rendered":"Aveirense ilustre &#8211; Jos\u00e9 Luciano de Castro, Primeiro-ministro por tr\u00eas vezes"},"content":{"rendered":"<p><em>Aveirense ilustre<\/em><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>Jos\u00e9 Luciano de Castro, Primeiro-ministro por tr\u00eas vezes<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\">Cardoso Ferreira (Textos)<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">Quis ser professor, mas dedicou-se ao jornalismo e \u00e0 pol\u00edtica. Apesar de mon\u00e1rquico, no inst\u00e1vel in\u00edcio do s\u00e9c. XX, conquistou a simpatia dos republicanos.<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9 Luciano de Castro Pereira Corte Real, o aveirense que chefiou tr\u00eas governos no per\u00edodo final da monarquia, nasceu em Oliveirinha, em 14 de dezembro de 1834, e faleceu na sua casa de Anadia, no dia 9 de mar\u00e7o de 1914.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois dos primeiros estudos na cidade de Aveiro, que completou com 14 anos de idade, Jos\u00e9 Luciano de Castro matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, apesar da idade m\u00ednima para o efeito ser de 16 anos. Terminou o curso em julho de 1854, regressando novamente a Oliveirinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a licenciatura, Jos\u00e9 Luciano de Castro tentou seguir uma carreira no ensino polit\u00e9cnico, mas como n\u00e3o o conseguiu enveredou pelo jornalismo, \u00e1rea em que j\u00e1 tinha experi\u00eancia, uma vez que iniciou a sua colabora\u00e7\u00e3o com \u201cO Observador\u201d, em 1851, quando frequentava o 3.\u00ba ano de Direito. Em fevereiro de 1852 tornou-se num dos primeiros redatores do \u201cCampe\u00e3o do Vouga\u201d, fundado nesse ano, em Aveiro, por Manuel Firmino. Em 1854, fundou o \u201cBoletim da Torreira\u201d e, no ano seguinte, foi um dos cofundadores do jornal aveirense \u201cA Aurora\u201d.\u00a0 Nos anos de 1856 e 1857 escreveu tamb\u00e9m no \u201cRevolu\u00e7\u00e3o de Setembro\u201d, jornal lisboeta dirigido por Jos\u00e9 Estev\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1858, fixou resid\u00eancia no Porto, para se candidatar a professor da Academia Polit\u00e9cnica, tentativa frustrada, pelo que optou por exercer a advocacia e colaborar com alguns dos principais jornais dessa cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda no Porto, em mar\u00e7o de 1859, juntamente com Jos\u00e9 Barbosa de Le\u00e3o, fundou o \u201cJornal do Porto\u201d. Em Lisboa, com o colega Alves da Fonseca, fundou, em 1867, a revista \u201cO Direito\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9 Luciano de Castro foi s\u00f3cio da Academia de Jurisprud\u00eancia, de Madrid, e s\u00f3cio honor\u00e1rio da Associa\u00e7\u00e3o dos Advogados, de Lisboa. O seu primeiro livro intitulava-se \u201cQuest\u00e3o das subsist\u00eancias\u201d e foi impresso em 1856.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pol\u00edtico e chefe de Governo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante a sua carreira jornal\u00edstica, Jos\u00e9 Luciano de Castro interessou-se pela pol\u00edtica, interesse que vinha j\u00e1 desde 1855, ano em que foi deputado eleito pela Feira. No ano de 1861, foi eleito deputado por Vila Nova de Gaia, integrado, como independente, no Partido Hist\u00f3rico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 4 de agosto de 1867, Jos\u00e9 Luciano de Castro casou com Maria Em\u00edlia Cancela Seabra, filha de Alexandre de Seabra, um pol\u00edtico de renome nacional residente em Anadia. Desse casamento nasceram Henriqueta Seabra de Castro (1868 &#8211; 1937) e J\u00falia Seabra de Castro (1869 &#8211; 1947).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O casal passou a residir em Anadia, no palacete que Alexandre de Seabra constru\u00edra em 1860 e que hoje acolhe a sede da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Anadia e a Casa Museu Jos\u00e9 Luciano de Castro. Por essa altura, Jos\u00e9 Luciano de Castro era deputado em Lisboa, sendo tamb\u00e9m diretor-geral dos Pr\u00f3prios Nacionais (desde 1864) e diretor da revista \u201cO Direito\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 11 de agosto de 1869, tomou posse, pela primeira vez, do cargo de ministro (Neg\u00f3cios Eclesi\u00e1sticos e da Justi\u00e7a), no governo chefiado pelo Duque de Loul\u00e9, que exerceu at\u00e9 20 de maio do ano seguinte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos anos seguintes, enquanto deputado do Partido Hist\u00f3rico, apresentou in\u00fameros projetos legislativos, defendendo a democracia e os direitos humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em setembro de 1876, os partidos Hist\u00f3rico e Reformista fundem-se para dar origem ao Partido Progressista, do qual Jos\u00e9 Luciano de Castro passa a ser um dos l\u00edderes. Em junho de 1879, voltou a ser chamado para integrar um governo, desta vez como Ministro do Reino, sendo primeiro ministro Anselmo Braancamp. Esse governo caiu em mar\u00e7o de 1881.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 12 de dezembro de 1885, alguns dias ap\u00f3s a morte de Anselmo Braancamp, Jos\u00e9 Luciano de Castro foi eleito, por unanimidade, l\u00edder do Partido Progressista. Em fevereiro de 1886, o rei D. Lu\u00eds convidou Jos\u00e9 Luciano de Castro a formar governo, tornando-se assim, aos 51 anos de idade, e pela primeira vez, chefe do governo portugu\u00eas, que exerceu at\u00e9 1887. Neste \u00faltimo ano (mar\u00e7o) tornou-se Par do Reino e Governador do Cr\u00e9dito Predial Portugu\u00eas (abril).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em fevereiro de 1897, a convite do rei D. Carlos, Jos\u00e9 Luciano de Castro foi chamado, pela segunda vez, a formar governo, que se manteve at\u00e9 meados de 1900, n\u00e3o obstante a grave doen\u00e7a que atingia Jos\u00e9 Luciano de Castro, e que o obrigou a duas interven\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas realizadas em Paris (em 1900 e em 1903).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O terceiro governo liderado por Jos\u00e9 Luciano de Castro ocorreu entre outubro de 1904 e mar\u00e7o de 1906.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cD. Jos\u00e9 II\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o regic\u00eddio ocorrido em fevereiro de 1908, em que morre o rei D. Carlos e o pr\u00edncipe herdeiro, e a consequente subida ao trono de D. Manuel II, Jos\u00e9 Luciano de Castro tornou-se no principal conselheiro do novo monarca, havendo mesmo quem o apelide de \u201cD. Jos\u00e9 II\u201d, devido \u00e0 sua influ\u00eancia junto do rei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, em 5 de outubro de 1910, a casa de Jos\u00e9 Luciano de Castro, em Lisboa, foi invadida por revoltosos, que acabaram por sair pacificamente quase com pedidos de desculpa a Jos\u00e9 Luciano de Castro, tal a reputa\u00e7\u00e3o de honestidade que ele possu\u00eda, mesmo junto dos l\u00edderes republicanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1911, regressou definitivamente a Anadia, continuando a receber o reconhecimento da popula\u00e7\u00e3o e de dirigentes pol\u00edticos, tanto do anterior regime como dos republicanos, gratid\u00e3o bem patente no seu funeral, no qual participaram pessoas oriundas de todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos tempos que passava em Anadia, Jos\u00e9 Luciano de Castro convivia com o povo, bem como fam\u00edlias da elite local. Fez parte de todas as agremia\u00e7\u00f5es ent\u00e3o existentes em Anadia, nomeadamente o Gr\u00e9mio Recreativo, a Sociedade Dram\u00e1tica, a Banda Filarm\u00f3nica, a Associa\u00e7\u00e3o Vin\u00edcola da Bairrada e da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Anadia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 1 de agosto de 1926, foi inaugurado em Anadia um busto em homenagem a Jos\u00e9 Luciano de Castro. Em Esgueira existe uma rua com o seu nome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Oriundo de uma fam\u00edlia ilustre<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Jos\u00e9 Luciano de Castro era filho de Francisco Joaquim de Castro Pereira Corte Real, origin\u00e1rio da Casa de Fij\u00f3, no concelho da Feira, e que foi o \u00faltimo Morgado da Casa de Oliveirinha, cujo v\u00ednculo terminou em 30 de junho de 1830. Entre os cargos p\u00fablicos que exerceu conta-se o de vogal da Junta Governativa de Aveiro (1845) e o de presidente da C\u00e2mara Municipal de Aveiro (1857 e 1858).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O seu av\u00f4 paterno, Jo\u00e3o de Castro da Rocha Tavares Pereira Corte Real, foi capit\u00e3o-mor e juiz de direitos reais, na Feira, e tinha carta de bras\u00e3o de armas, concedida em 1813.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A m\u00e3e de Jos\u00e9 Luciano de Castro foi Maria Augusta Menezes da Silveira, era senhora dos v\u00ednculos de Oliveirinha, Salgueiro, Raba\u00e7al, Font\u00e3o e Espinhel.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Jos\u00e9 Luciano era o quarto de seis filhos. Os tr\u00eas mais velhos foram Ant\u00f3nio Augusto de Castro, Francisco de Castro Matoso e Maria Augusta de Castro. Os dois mais novos foram Ana Am\u00e9lia e Augusta Maria de Castro.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>\u00a0(A rubrica \u00abAveirenses ilustres\u00bb \u00e9 promovida em parceria com o jornal diocesano\u00a0<a href=\"http:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Correio do Vouga<\/a>)<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aveirense ilustre Jos\u00e9<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1369,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,64,65,13],"tags":[],"class_list":["post-1368","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-aveirenses-ilustres","category-cardoso-ferreira","category-olhares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1368","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1368"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1368\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1381,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1368\/revisions\/1381"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1369"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1368"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1368"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1368"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}