{"id":13644,"date":"2021-12-01T11:42:58","date_gmt":"2021-12-01T11:42:58","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=13644"},"modified":"2021-12-01T11:42:58","modified_gmt":"2021-12-01T11:42:58","slug":"modos-de-interaccao-entre-ciencia-e-religiao-pontes-iv-passado-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/modos-de-interaccao-entre-ciencia-e-religiao-pontes-iv-passado-futuro\/","title":{"rendered":"Modos de interac\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o | Pontes (IV) Passado\u2014Futuro"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><strong><em>Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o<\/em><\/strong><\/h5>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: right;\"><em>Pontes<\/em><\/h2>\n<hr \/>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: center;\">Pontes (IV) Passado\u2014Futuro<\/h2>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Miguel Oliveira Pan\u00e3o<\/h4>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\">Blog<\/a> &amp; <a href=\"https:\/\/www.miguelpanao.com\/livros\/\">Autor<\/a> &amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Newsletter<\/a><\/h3>\n<hr \/>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Quando mudamos no calend\u00e1rio o ano fazemos uma pequena experi\u00eancia, embora significativa, desta passagem do passado para o futuro. O passado \u00e9 inalter\u00e1vel. O futuro \u00e9 incerto. O passado \u00e9 o que sabemos e podemos vir a saber, mas do futuro pouco ou nada sabemos. O que realmente vivemos e faz uma ponte entre o passado e o futuro \u00e9 o presente, mas n\u00e3o s\u00f3. O que planeamos realizar no futuro com base na experi\u00eancia passada revela uma segunda ponte entre o passado e o futuro: a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">O presente \u00e9 uma ponte que liga o fio da nossa hist\u00f3ria, mas \u00e9 um momento demasiado evasivo para ser apreendido. Por\u00e9m, \u00e9 a realidade que toca tudo na nossa vida atrav\u00e9s do que designamos por <em>instante<\/em>. O passado cont\u00e9m a mem\u00f3ria cujo efeito faz-se sentir a cada <em>instante<\/em> atrav\u00e9s das condi\u00e7\u00f5es de possibilidade que revela aquando das nossas escolhas. E n\u00f3s estamos em permanente acto de escolher, mesmo que n\u00e3o nos demos conta disso.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Diz o f\u00edsico Carlo Rovelli no seu livro <em>\u201dA Ordem do Tempo\u201d<\/em> que \u2014 <em>\u00aba no\u00e7\u00e3o de \u201cpresente\u201d diz respeito \u00e0s coisas pr\u00f3ximas, n\u00e3o \u00e0s distantes. O nosso \u201cpresente\u201d n\u00e3o se estende a todo o universo. \u00c9 como uma bolha perto de n\u00f3s.\u00bb<\/em> Uma no\u00e7\u00e3o acolhedora se n\u00e3o fosse abanada pelo que Rovelli expressa umas linhas depois dizendo que \u2014 <em>\u00aba ideia de que existe um<\/em> agora <em>bem definido em todas as partes do universo \u00e9, portanto, uma ilus\u00e3o, uma extrapola\u00e7\u00e3o ileg\u00edtima da nossa experi\u00eancia.\u00bb<\/em> Na minha limitada interpreta\u00e7\u00e3o creio que Rovelli pretende ajudar-nos a entender que n\u00e3o h\u00e1 um presente que seja universal, mas pessoal. Cada pessoa goza da sua experi\u00eancia do momento presente. Mas quando n\u00e3o guardamos para n\u00f3s o presente e partilhamos o que vivemos com os outros, o presente como ponte entre o nosso passado e a perspectiva futura converte a experi\u00eancia pessoal em relacional. E penso que ser\u00e1 dessa experi\u00eancia relacional que nasce a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">O que somos sem hist\u00f3ria sen\u00e3o pessoas sem passado ou futuro? A hist\u00f3ria n\u00e3o se reduz a um mero relato sequencial de acontecimentos. Pode haver algu\u00e9m que saiba para onde pode ir, sem saber de onde vem? Apesar de n\u00e3o ser historiador, o modo como sinto importante a hist\u00f3ria como ponte entre passado e futuro \u00e9 atrav\u00e9s da imagem de um entrela\u00e7ar de momentos presentes que procuramos compreender para nos compreendermos.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Nos \u00faltimos tempos tenho-me interessado por biografias. Algo que jamais esperaria, mas ao entrar na hist\u00f3ria de cada pessoa comecei a reconhecer como tudo o que aconteceu \u00e0 sua volta \u00e9 causa de muito daquilo que se desenrola \u00e0 minha e \u00e0 tua volta. \u00c0 medida que a hist\u00f3ria permite compreendermos o nosso passado, come\u00e7amos, gradualmente, a reconhecer os caminhos que podemos percorrer ou percorreremos no futuro. Existem obras que demonstram essa vis\u00e3o. Estou a pensar, por exemplo, no <em>\u201cThe Machine Stops\u201d<\/em> de 1928 escrito por E.M. Forster que parece um retrato fiel do que acontece hoje com a nossa depend\u00eancia da internet. Ou, ent\u00e3o, no mais recente <em>Snow Crash<\/em> de Neal Stephenson de 1992 que fala do <em>Metaverso<\/em> que Mark Zuckerberg tornou real (ser\u00e1 que percebeu que a obra era dist\u00f3pica)? E o risco que corremos sem a hist\u00f3ria como ponte ser\u00e1 o esquecimento.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Ao receber o pr\u00e9mio Templeton, o fil\u00f3sofo Charles Taylor dizia que \u2014 <em>\u00abnum certo sentido, o mundo moderno, e o que podemos chamar de mundo secular, entre outras coisas, levou as pessoas a querer esquecer certas respostas \u00e0s quest\u00f5es da vida.\u00bb<\/em> Mas o perigo maior, diz Taylor, n\u00e3o est\u00e1 somente em esquecer certas respostas, mas, tamb\u00e9m, certas perguntas. E quando vejo a sociedade a repetir os mesmos erros do passado, sinto mais ainda a import\u00e2ncia de viver o momento presente e a hist\u00f3ria como ponte que oferece um rasgo de esperan\u00e7a que assegure um futuro melhor do que qualquer passado (como dizia Teilhard de Chardin).<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">H\u00e1 quem pense que s\u00f3 podemos viver intensamente o presente se nos desapegarmos do passado e do futuro. Pode ser pelas feridas que no passado se abriram, e pelo abismo que um futuro obscuro apresenta, receiam que essas feridas se mantenham abertas. Mas, enquanto n\u00e3o compreendermos a fundo o passado para podermos construir um futuro melhor, consumimos o presente \u00e0 procura de gratifica\u00e7\u00f5es instant\u00e2neas. N\u00e3o posso desapegar-me do passado ou do futuro, sem me desapegar, tamb\u00e9m, do presente experimentando o abismo do vazio. Talvez por isso o tempo seja uma experi\u00eancia de unicidade entre passado e futuro atrav\u00e9s da ponte do presente.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/illustrations\/humano-fantasia-panorama-natureza-6051153\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/pixabay.com\/pt\/illustrations\/humano-fantasia-panorama-natureza-6051153\/<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modos de intera\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13645,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57,62],"tags":[],"class_list":["post-13644","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-miguel-oliveira-panao","category-modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13644","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13644"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13644\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13646,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13644\/revisions\/13646"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13645"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13644"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13644"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13644"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}