{"id":1357,"date":"2017-06-30T10:07:34","date_gmt":"2017-06-30T09:07:34","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=1357"},"modified":"2017-07-02T23:35:50","modified_gmt":"2017-07-02T22:35:50","slug":"a-pretexto-dos-150-anos-do-fim-da-pena-de-morte-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/a-pretexto-dos-150-anos-do-fim-da-pena-de-morte-em-portugal\/","title":{"rendered":"A pretexto dos 150 anos do fim da pena de morte, em Portugal"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: center;\">A pretexto dos 150 anos do fim da pena de morte, em Portugal<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: center;\">(1 de julho de 1867)<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pretexto dos 150 anos do decreto de D. Lu\u00eds que aboliu a pena de morte para crimes civis, publicam-se, aqui, duas cartas do escritor Victor Hugo, que refletem o impacto desta decis\u00e3o no contexto internacional, e um discurso do Papa Francisco sobre a pena de morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tenha-se em conta que a proposta para abolir a pena de morte para crimes civis, em Portugal, foi avan\u00e7ada pelo Ministro da Justi\u00e7a, Manuel Baptista, em Julho de 1867 e aprovada na C\u00e2mara dos Pares do Reino, em 1 de Julho de 1867, durante o reinado de D. Lu\u00eds. O C\u00f3digo de Justi\u00e7a militar em Portugal manteve a pena de morte e s\u00f3 a aboliu completamente em 1976.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes, por\u00e9m, desta aboli\u00e7\u00e3o da pena de morte para crimes civis, j\u00e1 se destacara um <strong>deputado de origem aveirense<\/strong>, Manuel Jos\u00e9 Mendes Leite, que, em 1852, prop\u00f4s um aditamento ao Ato adicional \u00e0 Carta Constitucional, aditamento que, designado como artigo 16\u00ba, decretava o fim da pena de morte para crimes pol\u00edticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>(Para mais informa\u00e7\u00f5es sobre esta discuss\u00e3o e sobre o adiamento do fim da pena de morte para todos os crimes civis, pode ler-se o artigo de\u00a0<span style=\"font-size: 1.8rem;\"><a href=\"http:\/\/www.academia.edu\/10651951\/Da_Pena_de_Morte_em_Portugal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Teot\u00f3nio Barroqueiro, <em>A pena \u00a0de morte em Portugal<\/em><\/a>).<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Carta de Victor Hugo ao jornalista Eduardo Coelho publicada no\u00a0<span style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\">Di\u00e1rio de Not\u00edcias de 10 de Julho de 1867<\/span>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em style=\"font-weight: inherit;\">Est\u00e1 pois a pena de morte abolida n\u2019esse nobre Portugal, pequeno povo que tem uma grande historia! Penhora-me a recorda\u00e7\u00e3o da honra que me cabe n\u2019essa victoria ilustre.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em style=\"font-weight: inherit;\">Humilde operario do progresso, cada novo passo que elle avan\u00e7a me faz pulsar o cora\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em style=\"font-weight: inherit;\">Este \u00e9 sublime.\u00a0Abolir a morte legal deixando \u00e1 morte divina todo o seu direito, todo o seu mysterio \u00e9 um progresso augusto entre todos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em style=\"font-weight: inherit;\">Felicito o vosso parlamento, os vossos pensadores, os vossos escriptores e os vossos philosophos!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em style=\"font-weight: inherit;\">Felicito a vossa na\u00e7\u00e3o. Portugal d\u00e1 o exemplo \u00e1 Europa.\u00a0Disfructae de antem\u00e3o essa imensa gloria. Morte \u00e1 morte! Guerra \u00e1 guerra! Odio ao odio. Viva a vida!\u00a0A liberdade \u00e9 uma cidade imensa, da qual todos somos cidad\u00e3os.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em style=\"font-weight: inherit;\">Aperto-vos a m\u00e3o como a meu compatriota na humanidade.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em style=\"font-weight: inherit;\">Victor Hugo.<\/em><\/p>\n<p><strong>Encontrada aqui: <a href=\"http:\/\/150anosdaabolicaodapenademorteemportugal.dglab.gov.pt\/2017\/02\/27\/correspondencia-trocada-entre-vitor-hugo-eduardo-coelho-e-brito-aranha\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/150anosdaabolicaodapenademorteemportugal.dglab.gov.pt\/2017\/02\/27\/correspondencia-trocada-entre-vitor-hugo-eduardo-coelho-e-brito-aranha\/<\/a><\/strong><\/p>\n<h6><span style=\"color: #0000ff;\">Correspond\u00eancia trocada entre Brito de Aranha e Victor Hugo<\/span><\/h6>\n<p>Ao Sr. Pedro de Brito Aranha<\/p>\n<p>Hauteville-House. 15 de Julho [1867]<\/p>\n<p>A vossa nobre carta fez-me bater o cora\u00e7\u00e3o. Sabia da grande not\u00edcia; \u00e9-me agrad\u00e1vel receber de v\u00f3s o simp\u00e1tico eco. N\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 pequenos povos. Mas sim, pequenos homens, infelizmente! E, por vezes, s\u00e3o aqueles que conduzem os grandes povos. Os povos que t\u00eam d\u00e9spotas assemelham-se a le\u00f5es a\u00e7aimados. Amo e glorifico o vosso belo e querido Portugal. \u00c9 livre, portanto, \u00e9 grande. Portugal acaba de abolir a pena de morte. Acompanhar este progresso \u00e9 dar um grande passo civilizacional. Desde hoje, Portugal est\u00e1 \u00e0 cabe\u00e7a da Europa. V\u00f3s, Portugueses, n\u00e3o deixastes de ser navegadores intr\u00e9pidos. Outrora \u00edeis \u00e0 frente nos Oceanos; hoje ides \u00e0 frente na verdade. Proclamar princ\u00edpios \u00e9 ainda mais belo que descobrir mundos. Eu grito: Gl\u00f3ria a Portugal, e a v\u00f3s: Felicidade!<\/p>\n<p>Aperto a vossa m\u00e3o cordialmente.<\/p>\n<p>Victor Hugo<\/p>\n<p><strong>Encontrada aqui: <a href=\"http:\/\/150anosdaabolicaodapenademorteemportugal.dglab.gov.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2017\/01\/Correspond%C3%AAncia-trocada-entre-Brito-de-Aranha-e-Victor-Hugo.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/150anosdaabolicaodapenademorteemportugal.dglab.gov.pt\/wp-content\/uploads\/sites\/20\/2017\/01\/Correspond%C3%AAncia-trocada-entre-Brito-de-Aranha-e-Victor-Hugo.pdf<\/a><\/strong><\/p>\n<pre><strong>PARA DEBATE<\/strong><\/pre>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #0000ff; font-size: large;\"><b><i>DISCURSO DO PAPA FRANCISCO<br \/>\n\u00c0 DELEGA\u00c7\u00c3O DA ASSOCIA\u00c7\u00c3O INTERNACIONAL DE DIREITO PENAL<\/i><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><i>Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00aba) Sobre a pena de morte<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 imposs\u00edvel imaginar que hoje os Estados n\u00e3o possam dispor de outro meio, que n\u00e3o seja a pena capital, para defender a vida de outras pessoas do agressor injusto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II condenou a pena de morte (cf. Carta enc. Evangelium vitae, 56), como tamb\u00e9m faz o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica (n. 2267).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, pode verificar-se que os Estados tirem a vida n\u00e3o s\u00f3 com a pena de morte e com as guerras, mas tamb\u00e9m quando oficiais p\u00fablicos se refugiam \u00e0 sombra dos poderes estatais para justificar os seus crimes. As chamadas execu\u00e7\u00f5es extrajudiciais ou extralegais s\u00e3o homic\u00eddios deliberados cometidos por alguns Estados e pelos seus agentes, com frequ\u00eancia feitos passar como confrontos com delinquentes ou apresentados como consequ\u00eancias indesejadas do uso razo\u00e1vel, necess\u00e1rio e proporcional da for\u00e7a para mandar aplicar a lei. Deste modo, mesmo se entre os 60 pa\u00edses nos quais a pena de morte est\u00e1 em vigor, 35 n\u00e3o a aplicaram nos \u00faltimos dez anos, a pena de morte, ilegalmente ou em diversos graus, aplica-se em todo o planeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As mesmas execu\u00e7\u00f5es extrajudiciais s\u00e3o perpetradas de maneira sistem\u00e1tica n\u00e3o s\u00f3 pelos Estados da comunidade internacional, mas tamb\u00e9m por entidades n\u00e3o reconhecidas como tais, e representam aut\u00eanticos crimes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os argumentos contr\u00e1rios \u00e0 pena de morte s\u00e3o muitos e bem conhecidos. A Igreja frisou oportunamente alguns deles, como a possibilidade da exist\u00eancia de erro judici\u00e1rio e o uso que dela fazem os regimes totalit\u00e1rios e ditatoriais, que a utilizam como instrumento de supress\u00e3o da dissid\u00eancia pol\u00edtica ou de persegui\u00e7\u00e3o das minorias religiosas e culturais, todas v\u00edtimas que para as suas respectivas legisla\u00e7\u00f5es s\u00e3o \u00abdelinquentes\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por conseguinte, todos os crist\u00e3os e homens de boa vontade est\u00e3o chamados hoje a lutar n\u00e3o s\u00f3 pela aboli\u00e7\u00e3o da pena de morte, legal ou ilegal, e em todas as suas formas, mas tamb\u00e9m para melhorar as condi\u00e7\u00f5es carcer\u00e1rias, no respeito pela dignidade humana das pessoas privadas da liberdade. E relaciono \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua. No Vaticano, h\u00e1 pouco tempo, a pris\u00e3o perp\u00e9tua deixou de existir no C\u00f3digo penal. A pris\u00e3o perp\u00e9tua \u00e9 uma pena de morte escondida.\u00bb<\/p>\n<p><strong>Todo o discurso pode ser encontrado aqui:\u00a0<a href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2014\/october\/documents\/papa-francesco_20141023_associazione-internazionale-diritto-penale.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2014\/october\/documents\/papa-francesco_20141023_associazione-internazionale-diritto-penale.html<\/a><\/strong><\/p>\n<h5><!--more--><\/h5>\n<h5><em><strong>Ler, ver OU ouvir<\/strong><\/em><\/h5>\n<p><strong>Filme:<\/strong> <em>A \u00daltima Caminhada (Dead Man Walking)<\/em>, realizado Por Tim Robbins; Atores:\u00a0Robert Prosky,\u00a0Sean Penn,\u00a0Susan Saradon<\/p>\n<p><strong>Livro:<\/strong> Victor HUGO &#8211;\u00a0<em>O \u00daltimo Dia de um Condenado.\u00a0Biblioteca Editores Independentes \/ Cotovia, fevereiro de 2010<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pretexto dos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1358,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,14],"tags":[],"class_list":["post-1357","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-olhares","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1357","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1357"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1357\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1418,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1357\/revisions\/1418"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1358"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1357"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1357"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1357"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}