{"id":13474,"date":"2021-10-31T17:25:25","date_gmt":"2021-10-31T17:25:25","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=13474"},"modified":"2021-10-31T17:25:25","modified_gmt":"2021-10-31T17:25:25","slug":"modos-de-interaccao-entre-ciencia-e-religiao-pontes-iii-terra-ceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/modos-de-interaccao-entre-ciencia-e-religiao-pontes-iii-terra-ceu\/","title":{"rendered":"Modos de interac\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o | Pontes ( III ) Terra\u2014C\u00e9u"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><strong><em>Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o<\/em><\/strong><\/h5>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: right;\"><em>Pontes<\/em><\/h2>\n<hr \/>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: center;\"><em>Pontes<\/em> ( III ) Terra\u2014C\u00e9u<\/h2>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Miguel Oliveira Pan\u00e3o<\/h4>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\">Blog<\/a> &amp; <a href=\"https:\/\/www.miguelpanao.com\/livros\/\">Autor<\/a> &amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Newsletter<\/a><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Impressionam-me as palavras do jesu\u00edta paleont\u00f3logo Teilhard de Chardin SJ quando diz \u2014 <em>\u00ab(\u2026) meu Deus, apesar de me faltar o zelo-alma e a sublime integridade dos teus santos, no entanto, recebi de V\u00f3s uma enorme simpatia por tudo o que agita a massa escura da mat\u00e9ria; pois, eu conhe\u00e7o-me irremediavelmente como crian\u00e7a do c\u00e9u e um filho da terra.\u00bb<\/em> \u2014 Mas a raz\u00e3o de ser da nossa exist\u00eancia desde crian\u00e7as e filhos, como ponte entre C\u00e9u e Terra, talvez seja mais profunda do que pensamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 o C\u00e9u? A experi\u00eancia mais comum de fazer a ponte entre Terra e c\u00e9u \u00e9 a aeron\u00e1utica. Quando nos lan\u00e7\u00e1mos para o espa\u00e7o e da Lua observ\u00e1mos o nosso planeta azul, aquele espa\u00e7o que antes nos circundava, passou a ser uma \u00ednfima parte de um vasto e incomensur\u00e1vel Universo. O c\u00e9u azul ou estrelado ampliou-se e deixou (em certa medida) de ser c\u00e9u. Passou a um vazio escuro cheio de raios c\u00f3smicos que desafia a nossa compreens\u00e3o do mundo e estimula a nossa imagina\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 que a cria\u00e7\u00e3o de uma ponte entre a terra e o c\u00e9u com a nossa ida ao espa\u00e7o abriu antes um abismo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Edgar Mitchell foi o sexto astronauta da NASA a pisar a Lua. Quando voltou da miss\u00e3o Apollo 14 disse \u2014 <em>\u00abA minha vis\u00e3o do planeta foi um vislumbre do divino.\u00bb<\/em> Mitchell fez uma experi\u00eancia profundamente espiritual que mudou a sua vida dando-se conta de que as estrelas eram a origem das suas mol\u00e9culas e aquilo que antes era uma consci\u00eancia intelectual tornou-se numa aceita\u00e7\u00e3o visceral da liga\u00e7\u00e3o f\u00edsica entre tudo o que existe no cosmos. Mais recentemente, tamb\u00e9m a astronauta Nicole Stott experimentou que no espa\u00e7o \u2014 <em>\u00abestamos separados daquilo que conhecemos e amamos de um modo muito diferente, mas, ao mesmo tempo, sentia-me mais ligada do que nunca.\u00bb<\/em> \u2014 uma liga\u00e7\u00e3o que acontecia \u2014 <em>\u00abao contemplar o planeta, onde habitam todas as pessoas que amo, e aquelas que n\u00e3o conhe\u00e7o (\u2026).\u00bb<\/em> Afinal, o espa\u00e7o n\u00e3o \u00e9 um abismo, mas uma experi\u00eancia de ponte entre c\u00e9u e Terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando as pessoas elevam a sua cabe\u00e7a ao c\u00e9u, como se ao C\u00e9u se tratasse, fico a pensar se conseguem distinguir que o C\u00e9u em Deus n\u00e3o est\u00e1 no mesmo lugar que o c\u00e9u da Terra. Onde est\u00e1, ent\u00e3o, o C\u00e9u? O que \u00e9, afinal, o C\u00e9u? Com toda a honestidade, n\u00e3o sei. Nem sei se algu\u00e9m sabe. O que faz algum sentido para a minha limitada mente \u00e9 pensar que o C\u00e9u \u00e9 o lugar onde habita Deus. \u2014 <em>\u00abPai nosso que estais nos c\u00e9us\u2026\u00bb<\/em> \u2014 rezamos porque o cora\u00e7\u00e3o de cada ser humano que ama como dom-total-de-si-mesmo pode ser (se se abrir a Deus) uma ponte entre o C\u00e9u e a Terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 1 de novembro celebramos o dia de todos os santos e, depois, o dia dos fi\u00e9is defuntos. Todos os nossos entes queridos, ou pessoas que conhec\u00edamos, ou ainda as que desconhecemos, mas que j\u00e1 partiram deste mundo, constroem uma ponte entre Terra e C\u00e9u. Uma ponte transformativa e envolta em Mist\u00e9rio. Um Mist\u00e9rio Eucar\u00edstico que Chiara Lubich do Movimento dos Focolares expressava de um modo simples dizendo \u2014<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00abSe a Eucaristia \u00e9 causa da ressurrei\u00e7\u00e3o do homem, n\u00e3o poder\u00e1 o corpo humano, divinizado pela Eucaristia, estar destinado a desfazer-se debaixo da terra para contribuir para a ressurrei\u00e7\u00e3o do cosmos? Poder\u00edamos ent\u00e3o dizer que, em virtude do p\u00e3o eucar\u00edstico, o homem se torna \u201cEucaristia\u201d para o universo, no sentido de que \u00e9, com Cristo, semente da transfigura\u00e7\u00e3o do universo. Nesse caso, a terra comer-nos-ia, como n\u00f3s comemos a Eucaristia, n\u00e3o para nos transformar a n\u00f3s em terra, mas para que a terra se transforme em \u201cc\u00e9us novos e numa terra nova\u201d. [1]<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um pensamento que encontra eco na ora\u00e7\u00e3o de Teilhard de Chardin no seu \u201cHino do universo\u201d ao expressar que<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00ab\u00c0quele que tiver apaixonadamente amado Jesus oculto nas for\u00e7as que fazem morrer a Terra, a Terra apert\u00e1-lo-\u00e1 ao desfalecer nos seus bra\u00e7os de gigante, e ei-lo que, com ela, despertar\u00e1 no seio de Deus.\u00bb<\/em> [2]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Afinal, tamb\u00e9m a morte que nos parecia ser a separa\u00e7\u00e3o definitiva entre ser e n\u00e3o-ser, \u00e0 luz da Eucaristia, torna-se numa Misteriosa ponte entre Terra e C\u00e9u.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[1] Chiara Lubich, Um Caminho Novo, Ed. Cidade Nova, 2003.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[2] Pierre Teilhard de Chardin, Hino do Universo, Ed. Not\u00edcias, 1996.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/felixmittermeier-4397258\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2183637\">FelixMittermeier<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2183637\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modos de intera\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13475,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57,62],"tags":[],"class_list":["post-13474","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-miguel-oliveira-panao","category-modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13474","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13474"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13474\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13476,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13474\/revisions\/13476"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13475"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13474"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13474"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13474"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}