{"id":13255,"date":"2021-10-05T12:35:59","date_gmt":"2021-10-05T11:35:59","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=13255"},"modified":"2021-10-05T12:37:28","modified_gmt":"2021-10-05T11:37:28","slug":"8-1-2-rubrica-de-cinema-um-verao-violento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/8-1-2-rubrica-de-cinema-um-verao-violento\/","title":{"rendered":"&#8216;8 1\/2&#8217; &#8211; Rubrica de Cinema\u00a0| Um ver\u00e3o violento"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right;\"><em>8 1\/2&#8242; &#8211; Rubrica de Cinema\u00a0<\/em><\/h4>\n<h1 style=\"text-align: center;\">Um ver\u00e3o violento<\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\">Pe. Teodoro Medeiros<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Valerio Zurlini foi um realizador italiano bastante c\u00e9lebre e premiado, amado pelo p\u00fablico que segue de perto o cinema italiano. \u00c0 data da sua morte, em 1982, tinha arrecadado n\u00e3o menos de oito pr\u00e9mios prestigiosos pelos seus filmes, fazendo parte daquela esp\u00e9cie de segunda linha dos cl\u00e1ssicos italianos, logo a seguir aos Fellinis, De Sicas e Pasolinis do meio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O seu cinema n\u00e3o tem medo de ser pol\u00edtico, mas tamb\u00e9m de retratar as est\u00f3rias rom\u00e2nticas, as conting\u00eancias humanas, as falhas de car\u00e1ter dos seus personagens, as corrup\u00e7\u00f5es aprovadas socialmente e o seu impacto nos indiv\u00edduos. O seu cinema \u00e9 o de personagens emblem\u00e1ticos, homens e mulheres que representam toda uma classe, g\u00e9nero ou tipo social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Entre os atores que trabalharam com Zurlini, contam-se estrelas do calibre de Claudia Cardinale, Alain Delon, Jean-Louis Trintignant, Vittorio Gassman, Giancarlo Giannini e o pr\u00f3digo Marcello Mastroianni. Zurlini teve tamb\u00e9m uma carreira invej\u00e1vel como argumentista, quer nos filmes que ele pr\u00f3prio dirigiu, quer para outros realizadores, como Vittorio De Sica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O filme que hoje propomos \u00e9 \u201cUm Ver\u00e3o Violento\u201d, de 1959, uma obra talvez tocada pelo melodramatismo da \u00e9poca, mas equilibrada pelo valor da tens\u00e3o n\u00e3o verbal de muitos momentos em que as imagens contam a est\u00f3ria e hipnotizam o cin\u00e9filo. \u00c9 um dos filmes de guerra (s\u00ea-lo-\u00e1?) em que a a\u00e7\u00e3o militar \u00e9 pouqu\u00edssima e chega no momento necess\u00e1rio. A a\u00e7\u00e3o passa-se em 1943.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O primeiro cen\u00e1rio \u00e9 a praia em Rimini, um contexto aberto, alegre, que ser\u00e1 repetidamente contrastado com as dores da paix\u00e3o e da guerra. O voo rasante de um ca\u00e7a alem\u00e3o sobre esta ser\u00e1 mesmo a pedra de toque para estes dois \u00faltimos elementos: \u00e9 a\u00ed que Carlo conhece aquela cujo amor crescer\u00e1 nele como uma doen\u00e7a mortal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A primeira parte do filme faz desfilar a vida t\u00edpica dos jovens que frequentam a praia: namoram, v\u00e3o ao mar, fumam os despreocupados cigarros sem prop\u00f3sito, veem o tempo passar. Mas quando Carlo se fixa em Roberta, a vi\u00fava de um militar um pouco mais velha do que ele, s\u00e3o-nos dados a ver a agonia e o lento desenrolar da paix\u00e3o crescente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A incerteza, a trai\u00e7\u00e3o lenta e a d\u00favida s\u00e3o filmadas com simplicidade mas em modo arrebatador, em particular a ida ao circo e a cena do baile exploradas com sensibilidade de mestre que deixa cair os seus trunfos exatamente como quer e deixa o espetador sem defesas. N\u00e3o \u00e9 um filme masculino ou feminino: o retrato n\u00e3o discrimina e \u00e9 mais valioso por isso mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A segunda parte do filme muda o registo: faz-se refer\u00eancia a Mussolini e a queda do fascismo, Carlo tem de enfrentar a obriga\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o militar e a viol\u00eancia deste ver\u00e3o cai finalmente sobre o casal. A guerra torna-se um pouco mais expl\u00edcita, a m\u00e3o invis\u00edvel revela-se e quem viveu sob a pandemia reconhece-se no mesmo estar sob as garras de um destino incerto. Porque a desgra\u00e7a nunca \u00e9 dada s\u00f3 a quem a merece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Restaurado recentemente, o filme pode agora ser visto com uma qualidade que n\u00e3o foi poss\u00edvel durante dezenas de anos. O preto e branco \u00e9 luxuoso, de refer\u00eancia, dando vida a estas imagens e erguendo a experi\u00eancia a n\u00edveis estratosf\u00e9ricos: a sensa\u00e7\u00e3o que fica, deste ponto de vista t\u00e9cnico, \u00e9 de que n\u00e3o podia ser melhor, uma revela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cUm Ver\u00e3o Violento\u201d \u00e9 cinema raro, como j\u00e1 n\u00e3o se faz, marcado pelo bom gosto da c\u00e2mara que \u00e9 avessa a movimentos desnecess\u00e1rios e regista ainda tudo com mais impacto. Omita por sua pr\u00f3pria conta e risco.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem: Fonte [<a href=\"https:\/\/www.cineplayers.com\/filmes\/verao-violento\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.cineplayers.com\/filmes\/verao-violento<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>8 1\/2&#8242; &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13256,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[87,86],"tags":[],"class_list":["post-13255","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-8-1-2-rubrica-de-cinema","category-pe-teodoro-medeiros"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13255","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13255"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13255\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13258,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13255\/revisions\/13258"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13256"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13255"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13255"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13255"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}