{"id":13247,"date":"2021-10-01T12:00:30","date_gmt":"2021-10-01T11:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=13247"},"modified":"2021-10-01T12:00:30","modified_gmt":"2021-10-01T11:00:30","slug":"modos-de-interaccao-entre-ciencia-e-religiao-pontes-ii-conhecido-desconhecido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/modos-de-interaccao-entre-ciencia-e-religiao-pontes-ii-conhecido-desconhecido\/","title":{"rendered":"Modos de interac\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o | Pontes ( II ) Conhecido\u2014Desconhecido"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><strong><em>Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o<\/em><\/strong><\/h5>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: right;\"><em>Pontes<\/em><\/h2>\n<hr \/>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: center;\"><em>Pontes<\/em> ( II ) Conhecido\u2014Desconhecido<\/h2>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Miguel Oliveira Pan\u00e3o<\/h4>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\">Blog<\/a> &amp; <a href=\"https:\/\/www.miguelpanao.com\/livros\/\">Autor<\/a> &amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Newsletter<\/a><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">O Sol banha o nosso planeta com uma quantidade de energia que n\u00e3o podemos imaginar. Gra\u00e7as a essa energia e por um misterioso motivo que desconhecemos ainda, a vida emerge neste planeta. \u00c9 como se viver fizesse parte do DNA do Universo quando est\u00e3o reunidas as condi\u00e7\u00f5es certas. E com o aumento de complexidade proveniente da multiplicidade de interac\u00e7\u00f5es entre os elementos de <em>Gaia<\/em>, a nossa casa comum, um organismo vivo como hipotisado pelo cientista James Lovelock, num grupo de homin\u00eddeos que nela habitam surge algo de extraordin\u00e1rio \u2014 a consci\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">A consci\u00eancia \u00e9 muito mais do que aperceber-se. \u00c9 contactar a realidade sobressa\u00edda da rede de relacionamentos que nos desperta para a verdade sobre n\u00f3s pr\u00f3prios e para a nossa exist\u00eancia. Em n\u00f3s, o Universo ganha consci\u00eancia de si e experimenta como nunca um desejo insaci\u00e1vel de querer saber. Mas sendo essa uma experi\u00eancia interior, se n\u00e3o a explicit\u00e1ssemos, permaneceria escondida. Por isso, ao mesmo tempo que desejamos saber e conhecer, desejamos partilhar o que descobrimos, comunicando. E quem comunica o que conhece melhor, maior hip\u00f3tese tem de sobreviver e deixar no mundo o seu legado. Basta pensar em Arist\u00f3teles. O curioso \u00e9 que n\u00e3o sei se pessoas como Arist\u00f3teles comunicaram mais o que conheciam ou o que desconheciam. Talvez o estudemos ainda porque os seus pensamentos estejam mais impregnados de desconhecido do que conhecido. Por\u00e9m, desde que o ser humano comunica, comunicando-se, faz algo in\u00e9dito na hist\u00f3ria universal: converte energia em informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Todos reconhecemos que a evolu\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica que deu lugar \u00e0 biol\u00f3gica acabou por dar lugar \u00e0 tecnol\u00f3gica. E esta \u00faltima conduziu a narrativa do mundo para a Era da Informa\u00e7\u00e3o em que vivemos. Todos os dias produzem-se quantidades enormes de informa\u00e7\u00e3o nova proveniente da mente humana. Tanta informa\u00e7\u00e3o que se torna o imposs\u00edvel conhecer tudo, embora (quase) tudo esteja \u00e0 dist\u00e2ncia de um mero clique. Mas estar informado n\u00e3o \u00e9 o mesmo que conhecer. Quem conhece compreende a informa\u00e7\u00e3o que tem diante de si. Podemos estar bem informados e conhecer muito pouco, mas isso n\u00e3o \u00e9 mau de todo. \u00c9 o vulto do desconhecido.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">O desconhecido produz dois sentimentos muito fortes dentro de n\u00f3s: medo e curiosidade. Recordo-me uma vez de entrar num caminho que desconhecia e o receio que sentia sobre o que estaria para l\u00e1 da curva. Mais caminho, ou a dentadura de um c\u00e3o do qual n\u00e3o conseguiria escapar? N\u00e3o deixa de ser espantoso que, se a curiosidade nos leva a conhecer cada vez mais coisas, quanto mais conhecemos, mais nos apercebemos do quanto h\u00e1 para conhecer. Recordo o per\u00edodo em que lia vorazmente teologia enquanto demorava horas a medir no laborat\u00f3rio por ter lido tudo o que havia a ler sobre gotas. Recordo a impress\u00e3o forte que o desconhecido deixava em mim, semelhante a uma sede quase insaci\u00e1vel de conhecer. Mas ao longo do tempo apercebi-me de algo que fazia a ponte entre o conhecido e o desconhecido: a experi\u00eancia do tempo.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Compreender algo \u00e9 uma mudan\u00e7a forte na nossa percep\u00e7\u00e3o do mundo e s\u00f3 dando tempo \u00e0 experi\u00eancia encontramos o fio de ouro que valoriza o que conhecemos, tanto quanto o que desconhecemos. Com o que conhecemos criamos as mem\u00f3rias para enfrentar o desconhecido. Com o que desconhecemos abrimos espa\u00e7o dentro de n\u00f3s para acolher o que \u00e9 novo, ainda que seja somente para n\u00f3s.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">O acesso sem fric\u00e7\u00e3o \u00e0 informa\u00e7\u00e3o pode dar uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de conhecer, correndo o risco de agirmos sem compreender. N\u00e3o \u00e9 com uma pincelada apenas que se faz um quadro, mas de muitas pacientes e atemporais pinceladas onde cada detalhe tem um motivo, mesmo que o pintor n\u00e3o tenha consci\u00eancia disso. O que ele faz que desconhece ser\u00e1 para os outros o que poder\u00e3o vir a conhecer ao contemplar a sua Obra. Se a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 um elemento constitutivo do universo, mais fundamental do que a energia, leva-me a pensar como as encruzilhadas mais simples que acontecem h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos s\u00e3o como zeros e uns cuja origem desconhecemos, mas cujo resultado desse fluir de informa\u00e7\u00e3o complexificou-se o suficiente para se tornar consciente de si. Nesse sentido, penso numa outra ponte entre o conhecido e o desconhecido: o Mist\u00e9rio. Uma realidade escondida que transforma e faz evoluir o que conhecemos com o que desconhecemos. Uma ponte que une a escurid\u00e3o \u00e0 luz, o temor \u00e0 surpresa, o caos \u00e0 ordem, e escava dentro de n\u00f3s o espa\u00e7o para nos renovarmos interiormente.<\/p>\n<hr \/>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/jplenio-7645255\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=3156440\">jplenio<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=3156440\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modos de intera\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13249,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57,62],"tags":[],"class_list":["post-13247","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-miguel-oliveira-panao","category-modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13247","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13247"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13247\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13250,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13247\/revisions\/13250"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13249"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13247"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13247"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13247"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}