{"id":13103,"date":"2021-09-01T14:03:33","date_gmt":"2021-09-01T13:03:33","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=13103"},"modified":"2021-09-01T14:07:13","modified_gmt":"2021-09-01T13:07:13","slug":"modos-de-interaccao-entre-ciencia-e-religiao-pontes-i-visivel-invisivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/modos-de-interaccao-entre-ciencia-e-religiao-pontes-i-visivel-invisivel\/","title":{"rendered":"Modos de interac\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o | Pontes ( I ) Vis\u00edvel\u2014Invis\u00edvel"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><strong><em>Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o<\/em><\/strong><\/h5>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: right;\"><em>Pontes<\/em><\/h2>\n<hr \/>\n<h2 style=\"margin: 13pt 0cm 6.5pt; text-align: center;\"><em>Pontes<\/em> ( I ) Vis\u00edvel\u2014Invis\u00edvel<\/h2>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Miguel Oliveira Pan\u00e3o<\/h4>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\">Blog<\/a> &amp; <a href=\"https:\/\/www.miguelpanao.com\/livros\/\">Autor<\/a> &amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Newsletter<\/a><\/h3>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Existem encostas long\u00ednquas que s\u00f3 uma ponte permite continuar o caminho. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil construir pontes que ligam duas margens que aparentam estar \u201cinfinitamente\u201d separadas, mas as apar\u00eancias, tamb\u00e9m, n\u00e3o cessam de nos iludir. As pontes expressam as liga\u00e7\u00f5es fundamentais que d\u00e3o vida ao mundo atrav\u00e9s do fluir que permitem de pessoas, ideias, gestos. Quando penso em \u201cPontes\u201d vem-me a imagem de um fio de ouro que une cada elo encadeado noutro. Penso no quanto descobrimos sobre n\u00f3s pr\u00f3prios por estarmos conectados.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Existem sempre dois lados que permanecem opostos at\u00e9 que se construa uma ponte. Por isso, cada ponte d\u00e1 uma nova identidade ao que conecta, servindo de \u201cterceiro inclu\u00eddo\u201d se a nossa vis\u00e3o for transdisciplinar que mostra o que parecia ser contradit\u00f3rio num certo n\u00edvel de percep\u00e7\u00e3o da realidade. As pontes n\u00e3o unem apenas as margens, mas, sobretudo, as pessoas. Da\u00ed que um abra\u00e7o, perd\u00e3o, ou aperto de m\u00e3o possa tornar-se a ponte entre dois cora\u00e7\u00f5es. S\u00e3o o tipo de pontes que atrav\u00e9s de gestos vis\u00edveis revelam realidades invis\u00edveis.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">No di\u00e1logo entre o que a ci\u00eancia nos permite compreender e a f\u00e9 que abre a nossa percep\u00e7\u00e3o \u00e0 Realidade, a ponte entre o vis\u00edvel e o invis\u00edvel faz-se atrav\u00e9s do \u201c<em>infer\u00edvel<\/em>\u201d. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ver com os meus pr\u00f3prios olhos um electr\u00e3o, mas com aceleradores de part\u00edculas, por infer\u00eancia, vejo o efeito que esperaria \u201cver\u201d de realidades invis\u00edveis nas vis\u00edveis. Talvez seja o efeito transformativo e identit\u00e1rio que caracteriza qualquer ponte no seu sentido mais profundo.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">As realidades espirituais s\u00e3o dif\u00edceis de partilhar pelo modo pr\u00f3prio como cada um as vive. E ainda que partilhemos essa viv\u00eancia em comunidade, ou fa\u00e7amos uma experi\u00eancia espiritualmente colectiva, haver\u00e1 sempre um toque pessoal na realidade espiritual invis\u00edvel associado \u00e0 unicidade de cada pessoa. Da\u00ed a import\u00e2ncia da <em>partilha<\/em> como ponte para o exterior daquilo que cada pessoa est\u00e1 a viver interiormente. Tamb\u00e9m, ao partilhar <em>como<\/em> est\u00e1 a viver seja o que for, consegue confrontar a sua experi\u00eancia de vida com o que os outros vivem, enriquecendo-se reciprocamente. Quantas vezes n\u00e3o fazemos tempestades a partir de ninharias porque torn\u00e1mos invis\u00edvel aos outros aquilo que est\u00e1vamos a viver sem que isso fosse necess\u00e1rio.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Se pensar bem, ao dizer a um amigo o que estou a <em>sentir<\/em>, ser\u00e1 que as minhas palavras s\u00e3o suficientes para ser ponte que torna \u201cv\u00edsivel\u201d pela escrita, ou aud\u00edvel pelo falar, o que estou a sentir? Como saber\u00e1 ele que falo ou escrevo a verdade, independentemente, de estar ou n\u00e3o distorcida pelo meu modo de ver a realidade? N\u00e3o sabe. A partir deste exemplo penso na <em>confian\u00e7a<\/em> como uma das pontes mais importantes entre o vis\u00edvel e o invis\u00edvel. Todos gostamos de viver na verdade at\u00e9 que essa magoe algu\u00e9m ou seja causa de ferida em n\u00f3s. Por isso, se acolhermos o invis\u00edvel na base da confian\u00e7a, constru\u00edmos la\u00e7os que nos estruturam por dentro, estruturam os nossos relacionamentos e permitem que superemos como comunidade muitos abismos pseudo-intranspon\u00edveis.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">A primeira coisa que numa guerra se destr\u00f3i s\u00e3o as pontes. Corta-se a comunica\u00e7\u00e3o e a passagem que nos ligava \u00e0 outra margem. Podem destruir-se pontes para ofender ou proteger, mas toda a destrui\u00e7\u00e3o tem um pre\u00e7o. Por exemplo, a destrui\u00e7\u00e3o de pontes que unem o vis\u00edvel com o invis\u00edvel representa um corte dilacerante na nossa viv\u00eancia da realidade. Se o vis\u00edvel deixa de comunicar com o invis\u00edvel, e vice-versa, vive-se uma vida fragmentada pelas realidades absolutistas de cada um, remetendo cada pessoa cada vez mais para si pr\u00f3pria, correndo o risco de se fechar numa espiral solipsista ontol\u00f3gica. Isto \u00e9, gradualmente, deixamos de saber quem somos, e quem s\u00e3o os outros; deixamos de distinguir o que \u00e9 real do que n\u00e3o \u00e9; pois, uma vida fragmentada \u00e9 uma vida desorientada. Mas \u00e9 sempre poss\u00edvel reconstruir.<\/p>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: justify;\">Com esta primeira ponte, inicia-se uma nova s\u00e9rie de pensamentos partilhados onde procurarei tornar vis\u00edvel pelas palavras, realidades invis\u00edveis que nos habitam e mostram como tudo no mundo est\u00e1 ligado com tudo. Por\u00e9m, acima de tudo, gostaria de que experimentassem como a base onde assentam todas as pontes \u00e9 uma s\u00f3: o Amor. S\u00f3 o Amor entendido atrav\u00e9s do modo de Deus \u201cver\u201d (que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil) pode ajudar-nos a compreender o incompreens\u00edvel e a encontrar a seguran\u00e7a na mais profunda incerteza. Espero que atrav\u00e9s das pontes que partilharei possamos descobrir a riqueza da vida profunda subjacente ao prof\u00edcuo di\u00e1logo que une ci\u00eancia e religi\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<p class=\"Paragraph\" style=\"margin-bottom: 6.5pt; text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/photos\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=731207\">Free-Photos<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=731207\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modos de intera\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13104,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57,62],"tags":[],"class_list":["post-13103","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-miguel-oliveira-panao","category-modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13103","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13103"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13103\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13248,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13103\/revisions\/13248"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13104"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13103"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13103"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13103"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}