{"id":13100,"date":"2021-08-31T10:58:27","date_gmt":"2021-08-31T09:58:27","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=13100"},"modified":"2021-08-31T10:58:27","modified_gmt":"2021-08-31T09:58:27","slug":"pe-georgino-rocha-domingo-xxiii-do-tempo-comum-faz-tudo-bem-feito-abre-te","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/pe-georgino-rocha-domingo-xxiii-do-tempo-comum-faz-tudo-bem-feito-abre-te\/","title":{"rendered":"Pe. Georgino Rocha | Domingo XXIII Do Tempo Comum &#8211; Faz tudo bem feito&#8230; Abre-te!"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong><em>Pe. Georgino Rocha\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">O epis\u00f3dio do surdo-mudo ocorre na regi\u00e3o da Dec\u00e1pole, situada al\u00e9m Jord\u00e3o, territ\u00f3rio independente, habitada por gente pag\u00e3. A miss\u00e3o para Jesus n\u00e3o tem fronteiras nem faz discrimina\u00e7\u00f5es, n\u00e3o se limita a confirmar o que h\u00e1 de bom no homem, mas visa iniciar uma nova cria\u00e7\u00e3o.\u00a0<em>Mc 7, 31-37.<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Marcos localiza Jesus na regi\u00e3o de Tiro ( costa do atual L\u00edbano) e quer ir para a Galileia. Faz um caminho que\u00a0passa por S\u00eddon (ainda na costa do L\u00edbano) e pela Dec\u00e1lope (\u00abDez cidades\u00bb, zona da atual S\u00edria e parte da Jord\u00e2nia). Caminho que indicia a inten\u00e7\u00e3o do evangelista de apresentar Jesus como o mission\u00e1rio do Pai que visita todos os territ\u00f3rios pag\u00e3os e, neles, todos os homens que est\u00e3o \u00e0 espera de salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">O epis\u00f3dio do surdo-mudo constitui uma expressiva mensagem, valiosa para todos os tempos, mas sobretudo para os nossos, t\u00e3o profundamente marcados pela surdez e incomunica\u00e7\u00e3o generalizadas, na era em que torrentes de informa\u00e7\u00e3o circulam sem limites de qualquer esp\u00e9cie.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">\u201cFomos e regress\u00e1mos da lua, mas temos enorme dificuldade em atravessar a rua para visitar o vizinho. Conquist\u00e1mos o espa\u00e7o exterior, mas n\u00e3o o interior. Fizemos mais material electr\u00f3nico e guardamos enormes quantidades de informa\u00e7\u00e3o, mas comunicamo-nos menos. Estamos \u00e0 dist\u00e2ncia de um clique e a milhares de l\u00e9guas de proximidade afectiva e compreensiva. Sentimos a necessidade compulsiva de viver os impulsos da conex\u00e3o (estar conectados) e somos frequentemente insens\u00edveis aos apelos da consci\u00eancia ferida pela voz de familiares esquecidos\u201d. Estes contrastes s\u00e3o apenas\u00a0<em>flashes<\/em>\u00a0de uma imagem da \u201cmultid\u00e3o solit\u00e1ria\u201d que predomina e cresce na era das comunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">O surdo-mudo, como pessoa real, \u00e9 um s\u00edmbolo humano, representante silencioso e eloquente de uma realidade bloqueadora das capacidades relacionais. Vive isolado no seu mundo fechado, apesar da multid\u00e3o que, deambulando nos caminhos da vida, passa por ele e o v\u00ea, est\u00e1 incapacitado de sair da sua situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 pag\u00e3o e vive num territ\u00f3rio estrangeiro. S\u00edmbolo pessoal e colectivo de uma sociedade com tremendos contrastes: mais dados de informa\u00e7\u00e3o e instru\u00e7\u00e3o e menos comunica\u00e7\u00e3o e sabedoria da vida; casas maiores e fam\u00edlias mais reduzidas; mais medicamentos e menos sa\u00fade e bem-estar. edif\u00edcios altos e casas fechadas; auto-estradas amplas e estreiteza de horizontes; mais dinheiro em circula\u00e7\u00e3o e menos posses; mais coisas ao dispor e menos tempo para desfrutar do seu bom uso. Menos sentido humanizante para viver.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Jesus acolhe o surdo-mudo que lhe apresentam. H\u00e1 sempre algu\u00e9m, felizmente, que se deixa condoer e p\u00f5e \u201cm\u00e3os \u00e0 obra\u201d. Retira-se com ele e, por meio de gestos normais e familiares para os destinat\u00e1rios do evangelho de Marcos, que viviam no meio da cultura hel\u00e9nica, realiza a cura, abrindo os ouvidos e soltando os entraves da l\u00edngua. \u201cEfat\u00e1!\u201d, abre-te a uma nova realidade, v\u00ea quem te rodeia e contigo quer caminhar, ouve o falar das pessoas, admira o cantar das aves e a beleza dos c\u00e9us, sonha para al\u00e9m das apar\u00eancias, entra no mundo novo. Em ti come\u00e7ou germinalmente a nova cria\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 consumada na cruz florida da ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Na celebra\u00e7\u00e3o do batismo h\u00e1 o rito do Efat\u00e1, acompanhado da ora\u00e7\u00e3o: \u201cO Senhor que fez ouvir os surdos e falar os mudos, te conceda a gra\u00e7a de escutar a sua Palavra e proclamar a f\u00e9 para louvor e gl\u00f3ria de Deus Pai\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Reconhecendo esta gra\u00e7a em n\u00f3s, pe\u00e7amos ao Senhor Jesus que nos toque o cora\u00e7\u00e3o e fa\u00e7a ouvir a sua Palavra e descobrir o seu sentido real, n\u00e3o apenas literal;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Nos toque os l\u00e1bios e fa\u00e7a entusiastas mensageiros da sua miseric\u00f3rdia junto dos que vivem amargurados e perderam o sentido da vida e o gosto de viver.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Nos toque as m\u00e3os e as aben\u00e7oe para serem m\u00e3os de b\u00ean\u00e7\u00e3o,\u00a0\u00a0em tudo e nos tornemos generosos na pr\u00e1tica do bem iluminado pela verdade que liberta.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Nos toque os p\u00e9s e os fa\u00e7a percorrer os caminhos da paz assente no amor e na justi\u00e7a, como fez a Teresa de Calcut\u00e1 que durante 50 anos carregou os que ningu\u00e9m queria, os moribundos das ruas em Bomba\u00edm e lhes arranjou um abrigo de acolhimento humano condigno<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Demos gra\u00e7as ao Senhor que n\u00e3o desiste de n\u00f3s, apesar das nossas fragilidades e reconhe\u00e7amos como Santo Agostinho no livro das Confiss\u00f5es:\u00a0\u201cChamastes, clamastes e rompestes a minha surdez. Brilhastes, resplandecestes e dissipastes a minha cegueira. Exalastes sobre mim o vosso perfume. aspirei-o profundamente, e agora suspiro por V\u00f3s. Saboreei-Vos, e tenho fome e sede de V\u00f3s. Tocastes-me e agora desejo ardentemente a vossa paz\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/bluebudgie-4333174\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2353510\">bluebudgie<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2353510\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Pe. 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