{"id":13019,"date":"2021-08-03T07:00:13","date_gmt":"2021-08-03T06:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=13019"},"modified":"2021-08-01T16:00:43","modified_gmt":"2021-08-01T15:00:43","slug":"modos-de-interaccao-entre-ciencia-e-religiao-perspectivas-perspectiva-ultima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/modos-de-interaccao-entre-ciencia-e-religiao-perspectivas-perspectiva-ultima\/","title":{"rendered":"Modos de interac\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o | PERSPECTIVAS | Perspectiva \u00daltima"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><strong><em>Modos de intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e religi\u00e3o<\/em><\/strong><\/h5>\n<h2 style=\"text-align: right;\"><em>Perspectivas<\/em><\/h2>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Perspectiva \u00daltima<\/h2>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Miguel Oliveira Pan\u00e3o<\/h4>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\">Blog<\/a> &amp; <a href=\"https:\/\/www.miguelpanao.com\/livros\/\">Autor<\/a> &amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/miguelopanao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Newsletter<\/a><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Qual o horizonte que te move? Ser\u00e1 poss\u00edvel viver algo j\u00e1, mas n\u00e3o ainda? Procurava uma \u00faltima perspectiva para reflectir, e s\u00f3 me ocorria a perspectiva \u00faltima, a que nos orienta pela escatologia, pelo Fim dos Tempos, pelos tempos que n\u00e3o sabemos se t\u00eam fim. Na perspectiva \u00faltima os tempos cronol\u00f3gico, kairol\u00f3gico e eterno unem-se, completam-se, harmonizam-se, apesar de n\u00e3o sabermos bem como ser\u00e1 tal coisa. Na perspectiva \u00faltima colocamos a raz\u00e3o da esperan\u00e7a na impossibilidade de n\u00e3o haver no mundo qualquer fim sem finalidade. \u00c9 um encontro com a Verdade \u00daltima sobre todas as coisas. \u00c9 para essa perspectiva que caminhamos, quer saibamos ou n\u00e3o qual o caminho a percorrer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A perspectiva \u00faltima habita tanto na consci\u00eancia como no inconsciente. N\u00e3o tanto para mostrar o que os distingue, mas antes para os unir e iluminar sobre o papel de ambos na vida profunda. Penso que desprezamos ainda o que esta perspectiva tem para dar. E, mesmo sem essa inten\u00e7\u00e3o, acabamos por dar mais relevo \u00e0s perspectivas de curto prazo, arriscando-nos a viver imersos nas coisas ef\u00e9meras, em vez de nos deliciarmos com as coisas eternas. Talvez a raz\u00e3o esteja no facto das coisas eternas exigirem paci\u00eancia, sentido da espera, serenidade, e acharmos que n\u00e3o temos tempo para isso. Mas n\u00e3o ser\u00e3o essas atitudes mentais que aumentam o desejo de profundidade que uma perspectiva \u00faltima pode dar? Por exemplo, sobre o sentido da espera basta pensar quando algu\u00e9m que ama pensa em quem ama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a minha esposa, a quem amo, parte para trabalhar longe, a <em>espera<\/em> vivida na perspectiva \u00faltima de voltar a beber da sua presen\u00e7a, aumenta em mim o desejo de a reencontrar. Sei o dia e at\u00e9 posso saber a hora, mas isso n\u00e3o diminui o efeito que a perspectiva \u00faltima tem sobre o desejo. Talvez por sermos seres de desejo e a perspectiva \u00faltima o seu alimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre a paci\u00eancia, quando estamos numa fila grande e parece que n\u00e3o nos movemos, enquanto a outra fila se move, mudamos de fila, mas depois essa p\u00e1ra. E, entretanto, a fila onde est\u00e1vamos move-se fluidamente de novo. Bolas! E, muitas vezes, \u00e9 frustrante ver o lugar que antes ocup\u00e1vamos nessa fila chegar primeiro ao destino. Teria sido a paci\u00eancia a manter-nos na perspectiva \u00faltima expressa em cada destino da nossa vida, pequeno ou grande, vis\u00edvel ou invis\u00edvel, conhecido ou desconhecido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E quanto \u00e0 serenidade, quando s\u00e3o muitas as frentes a que dissemos sim e, agora, pedem a nossa resposta, ainda por cima, simultaneamente, na pr\u00e1tica, sentimo-nos fragmentados por todas as frentes puxarem um pouco de n\u00f3s, de tal modo que ficamos tensos, nervosos e irritados connosco pr\u00f3prios. Mas em vez de assumirmos as nossas responsabilidades pelos sim\u2019s que demos, quantas vezes n\u00e3o acabamos por dirigir o tumulto interior de n\u00e3o sabermos bem para onde nos virarmos, para o lan\u00e7amento de farpas na direc\u00e7\u00e3o daqueles que nos rodeiam? Cada sim pode abrir uma perspectiva nova, mas uma multiplicidade demasiado elevada de perspectivas, a querer abrir caminho em n\u00f3s, pode dilacerar-nos. Talvez encontremos, de novo, o valor da serenidade que a perspectiva \u00faltima nos abre por ser \u00fanica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mais dif\u00edcil de acolher em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 perspectiva \u00faltima ser\u00e1 o que a nuvem do desconhecido oculta e o cora\u00e7\u00e3o humano mais deseja conhecer \u2014 Deus. O Autor Desconhecido pergunta \u2014 <em>\u00abComo poderei pensar o pr\u00f3prio Deus, e o que ele \u00e9? E a isto s\u00f3 posso dizer, \u2018Eu n\u00e3o sei.\u2019\u00bb<\/em> \u2014 D\u00e1 para entender a dimens\u00e3o do drama desta resposta. Pois, quando nos deixamos banhar na mente pela luz da perspectiva \u00faltima, reconhecemos qu\u00e3o pouco sabemos. Talvez porque queremos \u201cagarrar\u201d esta perspectiva com o pensamento quando essa n\u00e3o \u00e9 a melhor estrat\u00e9gia. Se Deus \u00e9 amor, talvez amar seja o modo de chegar onde o pensamento n\u00e3o consegue ir. Amar com gestos concretos ou atrav\u00e9s do sil\u00eancio da contempla\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, como diz ainda o Autor Desconhecido \u2014 <em>\u00aba pr\u00f3pria obra da contempla\u00e7\u00e3o deve ser humilhada e coberta com a nuvem do esquecimento.\u00bb<\/em> Ou seja, talvez a Perspectiva \u00daltima sobre todas as coisas nos convide a deixar para tr\u00e1s tudo aquilo que pensamos saber. Temos de esquecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 o esquecimento por amor traduz a abertura total de um cora\u00e7\u00e3o que se protege do endurecimento das perspectivas fechadas. E, pelo esvaziamento total de si por amor, cada um de n\u00f3s, subtilmente, come\u00e7a a esbo\u00e7ar um sorriso nos l\u00e1bios pelo deslumbramento da surpresa que a Perspectiva \u00daltima, no Fim dos Tempos, a todos revela. O qu\u00ea? N\u00e3o sei. Mas este n\u00e3o-saber mant\u00e9m-me aberto, em movimento e vivo na esperan\u00e7a.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/cowins-822708\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=679011\">Alex Hu<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=679011\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modos de intera\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13020,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57,62],"tags":[],"class_list":["post-13019","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-miguel-oliveira-panao","category-modos-de-interacao-entre-ciencia-e-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13019","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13019"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13019\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13021,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13019\/revisions\/13021"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13020"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13019"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13019"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13019"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}