{"id":12903,"date":"2021-08-19T07:00:50","date_gmt":"2021-08-19T06:00:50","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=12903"},"modified":"2021-09-07T14:03:25","modified_gmt":"2021-09-07T13:03:25","slug":"subindo-o-monte-serie-i-s-joao-da-cruz-11-romance-sobre-o-evangelho-in-principio-erat-verbum-acerca-da-santissima-trindade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/subindo-o-monte-serie-i-s-joao-da-cruz-11-romance-sobre-o-evangelho-in-principio-erat-verbum-acerca-da-santissima-trindade\/","title":{"rendered":"Subindo o Monte [S\u00e9rie I (S. Jo\u00e3o da Cruz)] 12 &#8211; ROMANCE SOBRE O EVANGELHO \u201cIN PRINCIPIO ERAT VERBUM\u201d ACERCA DA SANT\u00cdSSIMA TRINDADE"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Subindo o Monte&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de autores carmelitas<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center;\">ROMANCE SOBRE O EVANGELHO \u201cIN PRINCIPIO ERAT VERBUM\u201d ACERCA DA SANT\u00cdSSIMA TRINDADE<\/h2>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Jos\u00e9 Vicente Rodrigues*<\/h3>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">Refere-se ao evangelho do final da Missa em que se recitava o pr\u00f3logo do evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta poesia, de 310 versos, a mais longa de todo o repert\u00f3rio sanjoanino, foi composta e transcrita no c\u00e1rcere de Toledo, enquanto o autor se encontrava vivamente desolado por tantas coisas. Este romance deve ser considerado como o pr\u00f3logo geral de todas as Obras de S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, qualificadas j\u00e1 desde 22 de Dezembro de 1627 de evangelho dilu\u00eddo (BMC 14, p. 376: declara\u00e7\u00e3o de Alonso da M\u00e3e de Deus). \u00c9 como o pr\u00f3logo de Jo\u00e3o Evangelista transladado e comentado nestes versos cheios de simplicidade e repletos de inoc\u00eancia liter\u00e1ria quanto \u00e0 forma, exigida pelo pequeno romance popular castelhano. Versos cheios tamb\u00e9m de profundidade quanto ao conte\u00fado dogm\u00e1tico-b\u00edblico-espiritual. E parece-nos respirar neles denso ar lit\u00fargico.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"2\">\n<li><strong>2<\/strong>. A monotonia, que pode pesar sobre o leitor, pelo facto da metade dos 310 versos, isto \u00e9, 155, terminar em ia: agonia, afligia, alegria, gozaria, valia, dizia, etc., etc., salva-se, e at\u00e9 se lhe perdoa, pelo conte\u00fado. Relativamente ao ar lit\u00fargico, conv\u00e9m lembrar que \u00abpassou no seu pequeno c\u00e1rcere\u00bb todo o tempo de Advento, o tempo de Natal, o que hoje chamamos primeira parte do tempo comum at\u00e9 \u00e0 Quaresma, o tempo de Quaresma, a Semana Santa, o tempo pascal, a cinquentena pascal, a segunda parte do tempo comum depois do Pentecostes com solenidades t\u00e3o importantes como o Corpus, a Sant\u00edssima Trindade, a Assun\u00e7\u00e3o da Virgem. Esta refer\u00eancia lit\u00fargica vale para este romance como para o seguinte poema que comentaremos: <em>que bem sei eu a fonte<\/em>\u2026<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anota\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"3\">\n<li>No romance n\u00e3o fala de todos os temas do pr\u00f3logo do quarto evangelho. Por exemplo, nada diz de Jo\u00e3o Baptista. N\u00e3o se limita s\u00f3 ao mencionado pr\u00f3logo, toma alguns pontos do evangelho de S\u00e3o Lucas.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o da Cruz d\u00e1-nos uma vis\u00e3o universal do des\u00edgnio da salva\u00e7\u00e3o, dimens\u00e3o geogr\u00e1fica e hist\u00f3rica, c\u00f3smica e espiritual. Apresenta o plano: o Pai com o pleno consentimento do Filho no Esp\u00edrito Santo. No primeiro romance real\u00e7a v\u00e1rias ideias:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A morada e a vida do Verbo em Deus-Pai e posse da sua felicidade n\u2019Ele; a divindade e eternidade do Verbo: Filho desde sempre e para sempre; consubstancial ao Pai, a gl\u00f3ria do Filho \u00e9 a mesma do Pai, o Pai possui a sua gl\u00f3ria no Filho. Portanto, gl\u00f3ria rec\u00edproca; como o amado no amante \/ um no outro residia, \/ e aquele amor que os une \/ no mesmo coincidia\/ e com um e com o outro \/ em igualdade e valia. \u00abAquele amor que os une\u00bb \u00e9 o Esp\u00edrito Santo, cuja igualdade com o Pai e o Filho se confessa. As tr\u00eas Pessoas t\u00eam o mesmo ser divino: que \u00e9 o amor e cada uma delas ama a que tem este ser. Importa sublinhar a seguir o rumo seguido pelo Santo: o ser, a ess\u00eancia de Deus, do Deus tripessoal \u00e9 o Amor. \u00abO amor, quanto mais uno, \/ tanto mais amor fazia: esta frase final do primeiro romance aplicada agora a Deus, aplic\u00e1-la-\u00e1 depois como uma esp\u00e9cie de princ\u00edpio intoc\u00e1vel na uni\u00e3o m\u00edstica.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"4\">\n<li>No segundo romance apresenta a comunica\u00e7\u00e3o das Tr\u00eas Pessoas como um di\u00e1logo entre o Pai e o Filho estabelecido no Esp\u00edrito Santo, amor imenso que procede do Pai e do Filho.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das conclus\u00f5es deste di\u00e1logo, e de suma import\u00e2ncia para a vida espiritual do crist\u00e3o \u00e9 esta: o Pai n\u00e3o ama sen\u00e3o quem for semelhante ao Filho; e o Pai dar-se-\u00e1 a si mesmo e o Esp\u00edrito Santo a quem amar o Filho t\u00e3o amado pelo Pai.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"5\">\n<li>No terceiro romance \u2013 da cria\u00e7\u00e3o \u2013, prosseguem as palavras do Pai que d\u00e1 a conhecer ao Filho que lhe quer dar uma Esposa que mere\u00e7a gozar da companhia da Sant\u00edssima Trindade e comer do mesmo p\u00e3o e sentar-se \u00e0 mesma mesa e na eternidade chegue a conhecer os bens que o Pai tem no Filho e se compraza com o Pai e se alegre com a gra\u00e7a e lou\u00e7ania do Filho.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cala-se o Pai e fala o Filho dando gra\u00e7as ao Pai pelos desejos manifestados e promete dar \u00e0 Esposa a sua claridade para ela conhecer por esta claridade quem \u00e9, o que vale o Pai, e conclui: \u00ab<em>reclin\u00e1-la-ei no meu bra\u00e7o \/ e no teu amor se abrasaria, \/ e com eterno deleite \/ tua bondade sublimari<\/em>a\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo o que antecede, s\u00e3o planos comuns projectados por Deus e, obtido o fiat, o consentimento alegre e total do Filho, passa-se \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"6\">\n<li>No quarto romance atribui a cria\u00e7\u00e3o ao Pai que pronuncia o Fiat=Fa\u00e7a-se. O mundo, criado com esta \u00fanica palavra eficaz que traduz a vontade n\u00e3o menos cheia de efic\u00e1cia, \u00e9 o pal\u00e1cio para a esposa, feito com grande sabedoria e dividido em dois aposentos: o alto \u00e9 o c\u00e9u, o baixo \u00e9 a terra.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">No alto, no c\u00e9u, coloca os anjos; em baixo, na terra, coloca os homens. Anjos e homens s\u00e3o o corpo da esposa que dizia. Por qu\u00ea? Porque o amor de um mesmo Esposo (= do Verbo-Filho de Deus) uma esposa os fazia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como possuem os anjos o Esposo? Em alegria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E como O possuem os homens? Em esperan\u00e7a de f\u00e9 que lhes infundia (= f\u00e9 esperan\u00e7ada): posta na vinda do Esposo, na Encarna\u00e7\u00e3o do Verbo que trar\u00e1 consigo: o engrandecimento do homem; o levantamento e enobrecimento da natureza humana e de todo o cosmos.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"7\">\n<li>No mesmo quarto romance h\u00e1 a real\u00e7ar a sua riqu\u00edssima vis\u00e3o sint\u00e9tica de toda a realidade eclesial: fala claramente da \u00edndole escatol\u00f3gica da Igreja e junta estes dois s\u00edmbolos:<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja-Esposa; a Igreja-Corpo m\u00edstico de Cristo Esposo e Cabe\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos quatro primeiros romances a Igreja aparece a surgir e nascer da Trindade e a voltar a ela, isto \u00e9, Deus Pai, Filho e Esp\u00edrito \u00e9 a fonte e a meta. \u00c9 manancial de todo o plano salv\u00edfico, de modo que a Igreja \u00e9 realmente \u00abo povo reunido na unidade do Pai e do Filho e do Esp\u00edrito Santo\u00bb (= de unitate Patris et Filii et Spiritus Sancti\u00bb (LG 4) e \u00e9 o mar imenso no qual desemboca, sublimando com eterno deleite a bondade divina.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"8\">\n<li>Nos romances quinto e sexto recolhe com fortes tonalidades b\u00edblicas os suspiros, as \u00e2nsias, as ora\u00e7\u00f5es dos patriarcas e dos profetas que pedem ao c\u00e9u o Messias prometido; no s\u00e9timo fica bem claro, atrav\u00e9s do di\u00e1logo entre o Pai e o Filho, no Esp\u00edrito Santo, que o Filho, em total acordo com o Pai, encarnar\u00e1 e acampar\u00e1 entre os homens: tornando-se homem sem deixar de ser Deus, ser\u00e1 a grande epifania de Deus, o revelador e revela\u00e7\u00e3o do Pai, o seu evangelizador e evangelho, e redentor dos homens.<\/li>\n<li>Nos romances oitavo e nono fala-se, respectivamente, com ar de c\u00e2ntico de Natal, da Anuncia\u00e7\u00e3o e do Nascimento. Falaremos mais \u00e0 frente deste dois \u00faltimos romances ao abordar do tema mariano.<\/li>\n<li>Com estas brev\u00edssimas notas j\u00e1 se vislumbra essa esp\u00e9cie de hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, narrada em grandes tra\u00e7os por Jo\u00e3o da Cruz, tomando-a desde o mais alto e mais profundo de Deus (aqui alto e profundo, profundo e alto \u00e9 o mesmo), ao gosto do doutor m\u00edstico.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim meditou no seu c\u00e1rcere de Toledo e assim nos transmitiu o que eu chamaria \u2013 <em>meditatio pauperis in solitudine<\/em> \u2013, medita\u00e7\u00e3o, contempla\u00e7\u00e3o do pobre na solid\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">*Vicente Rodrigues.<em> 100 Fichas sobre S. Jo\u00e3o da Cruz. <\/em>Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, Avessadas. Pp. 194 -197.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: right;\"><i>Adora\u00e7\u00e3o da Sant\u00edssima Trindade | <\/i>Albrecht D\u00fcrer [1471-1528], no\u00a0<i>Kunsthistorisches Museum<\/i>.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Subindo o Monte&#8217;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12904,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[172],"tags":[],"class_list":["post-12903","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-subindo-o-monte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12903","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12903"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12903\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13138,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12903\/revisions\/13138"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12904"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12903"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12903"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12903"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}