{"id":12900,"date":"2021-08-05T07:00:38","date_gmt":"2021-08-05T06:00:38","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=12900"},"modified":"2021-07-09T15:45:44","modified_gmt":"2021-07-09T14:45:44","slug":"subindo-o-monte-serie-i-s-joao-da-cruz-10-carisma-poetico-e-contemplacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/subindo-o-monte-serie-i-s-joao-da-cruz-10-carisma-poetico-e-contemplacao\/","title":{"rendered":"Subindo o Monte [S\u00e9rie I (S. Jo\u00e3o da Cruz)] 10 &#8211; CARISMA PO\u00c9TICO E CONTEMPLA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Subindo o Monte&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de autores carmelitas<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center;\">CARISMA PO\u00c9TICO E CONTEMPLA\u00c7\u00c3O<\/h2>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Jos\u00e9 Vicente Rodrigues*<\/h3>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">Antes de penetrar na espessura da doutrina e da mensagem sanjonina quero, como fiz j\u00e1 h\u00e1 alguns anos, dizer algo sobre o t\u00edtulo desta ficha. Tema imenso e dif\u00edcil por tr\u00eas lados: pelo carisma, pela poesia e pela contempla\u00e7\u00e3o. Agora, quero recordar, de modo positivo, como o carisma po\u00e9tico de Jo\u00e3o da Cruz com as suas deriva\u00e7\u00f5es na \u00e1rea da contempla\u00e7\u00e3o foi real\u00e7ado e com autoridade por Paulo VI na sua Carta Apost\u00f3lica <em>Altissimi Cantus <\/em>\u2013 com ocasi\u00e3o do s\u00e9timo centen\u00e1rio do nascimento de Dante Alighieri, 7 de Dezembro de 1965 \u2013. Ao fazer men\u00e7\u00e3o dos poetas crist\u00e3os o Papa cita entre os mais eminentes a S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa mesma carta pontif\u00edcia dedicam-se algumas reflex\u00f5es ao tema: a rela\u00e7\u00e3o entre a teologia e a poesia; a ora\u00e7\u00e3o e a poesia. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que essas reflex\u00f5es s\u00e3o muito mais verdadeiras no caso do doutor m\u00edstico do que no de Dante, pois Jo\u00e3o da Cruz \u00e9 muito mais santo, muito mais te\u00f3logo, muito mais contemplativo e n\u00e3o menos poeta do que Alighieri, embora as compara\u00e7\u00f5es sejam odiosas.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"2\">\n<li>No documento pontif\u00edcio sublinha-se o facto de que \u00abos contemplativos, isto \u00e9, os homens religiosos por excel\u00eancia, mais do que ningu\u00e9m, s\u00e3o candidatos \u00e0 Poesia, \u00e0 grande Poesia; e prop\u00f5em-se como modelos dela, assim julgados por todos, os vatic\u00ednios dos profetas e os Salmos de David.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o Papa acrescenta:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab\u2026 em realidade entre os m\u00edsticos e os verdadeiros poetas e, em geral, entre os cultivadores das belas artes, das quais a poesia \u00e9 animadora e m\u00e3e, existe um secreto parentesco. O dom po\u00e9tico corresponde na ordem natural ao que na ordem sobrenatural \u00e9 o dom prof\u00e9tico e m\u00edstico; e, nos dois casos, quando se d\u00e3o esses dons, existe um processo psicol\u00f3gico an\u00e1logo. Os dois procuram a morada mais escondida da alma, o ponto mais alto do esp\u00edrito, o centro do cora\u00e7\u00e3o, onde uns sentem a presen\u00e7a de Deus e os outros, os poetas, embora n\u00e3o plenamente compreendida, mas sim suspeitada e intu\u00edda (ou pressentida) a presen\u00e7a de um dom do autor da Beleza\u00bb.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"3\">\n<li>No caso de Jo\u00e3o da Cruz, o m\u00edstico e o poeta encontram-se na mesma pessoa. Da\u00ed o poder da sua palavra po\u00e9tica, que, pelo menos nos grandes poemas: Numa noite escura, nas 40 can\u00e7\u00f5es do C\u00e2ntico, nas quatro da Chama, em Que bem sei eu a fonte\u2026, se transformou em \u00abditos de amor em intelig\u00eancia m\u00edstica\u00bb (CB pr\u00f3logo, n. 1).<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">A confiss\u00e3o de Santa Teresa, falando de si mesma, confirma como diante das urg\u00eancias interiores da experi\u00eancia m\u00edstica religiosa mesmo pessoas que n\u00e3o s\u00e3o poetas por dom natural s\u00e3o capazes de se expressar em poesia (Vida 16, 4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os poemas sanjoaninos s\u00e3o o fruto do encontro misterioso do dom po\u00e9tico e da experi\u00eancia m\u00edstica: o melhor ve\u00edculo das suas viv\u00eancias psicol\u00f3gicas naturais e sobrenaturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4.Um poeta doutor da Igreja?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A biografia de Jo\u00e3o da Cruz refere-nos, nalguns casos com abundantes detalhes, como nasceram os seus poemas e os coment\u00e1rios posteriores em prosa. Em compara\u00e7\u00e3o com muitos dos que escrevem h\u00e1 muito poucos que sigam ou tenham seguido o m\u00e9todo adoptado pelo Santo: declarar, comentar em prosa os pr\u00f3prios poemas, saturados de sabedoria contemplativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando se procurou que a Santa S\u00e9 declarasse doutor a S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, os dois te\u00f3logos que ex officio apresentaram os seus Votos ou pareceres tiveram que responder a uma objec\u00e7\u00e3o que se referia precisamente \u00e0 forma po\u00e9tica e liter\u00e1ria usada pelo Santo. Ao primeiro destes te\u00f3logos apresentou-se-lhe assim (em latim):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abA forma usada por S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz nos seus escritos n\u00e3o parece t\u00e3o conveniente num Doutor da Igreja (\u00abminus decet Ecclesiae doctorem\u00bb); pois como costuma comentar alguns poemas por ele compostos, a sua exposi\u00e7\u00e3o torna-se menos clara e menos teol\u00f3gica e cient\u00edfica de quanto seria de desejar\u00bb.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"5\">\n<li>Era esta a objec\u00e7\u00e3o. A resposta foi a seguinte: \u00abComo antigamente Plat\u00e3o encerrou a suma filosofia nos seus di\u00e1logos e mitos, assim S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz p\u00f4de expressar a sua alt\u00edssima doutrina m\u00edstica em poemas e can\u00e7\u00f5es e em coment\u00e1rios \u00e0s mesmas; e isto vale, sobretudo, porque por este caminho se podem comunicar melhor, quanto \u00e9 poss\u00edvel, as luzes infusas e os \u00edmpetos de amor infuso que constituem por assim dizer a \u201cm\u00edstica experimental\u201d e dos quais trata a \u201cm\u00edstica especulativa\u201d: e nisto S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz \u00e9 grande m\u00edstico ao harmonizar na sua pessoa as duas coisas: a experi\u00eancia e a doutrina m\u00edstica\u00bb.<\/li>\n<li>A segunda objec\u00e7\u00e3o (em franc\u00eas), diz assim em castelhano (=portugu\u00eas):<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abPoder-se-ia objectar que S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz n\u00e3o fez obra de te\u00f3logo, porque se exprime numa linguagem po\u00e9tica e simb\u00f3lica\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O te\u00f3logo encarregado desta objec\u00e7\u00e3o respondeu assim:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abDistingamos: o nosso Santo usa os versos e as figuras para descrever as experi\u00eancias m\u00edsticas; mas usa a linguagem pr\u00f3pria quando d\u00e1 a explica\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica dos mesmos- Por outro lado, para o uso das figuras, autoriza-se com o exemplo da Sagrada Escritura; no pr\u00f3logo do C\u00e2ntico Espiritual mostra admiravelmente a raz\u00e3o de ser deste procedimento\u00bb.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"7\">\n<li>Poder\u00edamos dar como \u00absuficiente\u00bb e \u00abbastante\u00bb a resposta dos dois te\u00f3logos. Mas hoje, vendo as coisas numa altura superior e sobrevoando as mesmas quest\u00f5es e objec\u00e7\u00f5es \u2013 por mais que tenham todo muito de puro tr\u00e2mite \u2013 e integrando-as nos crit\u00e9rios fornecidos pelo mesmo Paulo VI que acabamos de citar, transformar\u00edamos a forma po\u00e9tica e simb\u00f3lica n\u00e3o numa objec\u00e7\u00e3o mas num m\u00e9rito particular e num valor excelso e positivo.<\/li>\n<li>A mensagem do Conc\u00edlio aos artistas, entre eles \u00abaos poetas e pessoas de letras\u00bb, manifesta o valor da palavra, e, muito concretamente, da palavra po\u00e9tica, para traduzir a mensagem crist\u00e3.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre estes receptores-transmissores h\u00e1 que colocar, sem d\u00favida, em lugar eminente a Jo\u00e3o da Cruz, um daqueles que os padres conciliares chamaram \u00abguardi\u00e3es da beleza no mundo\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As v\u00e1rias refer\u00eancias nos documentos conciliares, particularmente na Constitui\u00e7\u00e3o sobre a Liturgia e na \u201cGaudium et Spes\u201d, \u00e0s artes, real\u00e7am uma vez mais o valor destes homens singulares e a riqueza dos seus contributos para o humano.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"9\">\n<li>Enquadra-se bem com as palavras de Jo\u00e3o da Cruz, poeta, quanto escreve Karl Rahner sobre as por ele chamadas \u00abprotopalavras\u00bb ou \u00abpalavras originais\u00bb que se v\u00e3o configurando como \u00abpalavras unificantes e conjuradoras, mensageiras antes de tudo da Realidade, proclamadoras\u00bb; as quais s\u00e3o \u00aba casa encendida da qual sa\u00edmos, embora de noite. Est\u00e3o sempre repletas como de um leve som de infinidade\u00bb. Por estas palavras \u00ababre-se-nos a porta que conduz \u00e0 insond\u00e1vel profundidade da aut\u00eantica realidade\u00bb.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">E tem toda a raz\u00e3o quando diz que \u00abao poeta foi confiada a palavra. O poeta \u00e9, pois, um homem que sabe dizer profundamente (verdicht) palavras originais\u2026 O seu falar torna-as belas, porque a aut\u00eantica beleza \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o pura da realidade, e esta acontece, sobretudo na palavra\u00bb. E o destino e o dom do poeta, acrescentemos n\u00f3s aqui: e, em concreto, de Jo\u00e3o da Cruz, resume-se em \u00abfalar estas palavras profundamente, de modo que as coisas, como redimidas e nomeadas essencialmente, penetram na luz de quantos escutam\u00bb.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"10\">\n<li>As reflex\u00f5es de Rahner sobre o sacerdote e o poeta, sobre o poeta que clama pelo sacerdote e sobre o sacerdote que clama pelo poeta, sobre \u00aba palavra po\u00e9tica que clama pela Palavra de Deus e do raro prod\u00edgio de que o sacerdote se torne poeta e o poeta sacerdote\u00bb adquirem um valor particular no caso de Jo\u00e3o da Cruz. Assim, as suas palavras, especialmente os seus \u00abditos de luz e amor em intelig\u00eancia m\u00edstica\u00bb (CB-CA, pr\u00f3logo, n. 1), s\u00e3o \u00abas protopalavras do homem, sublimadas pelo Esp\u00edrito divino, e podem chegar a ser palavra de Deus, porque um poeta se fez sacerdote. Estas mesmas reflex\u00f5es servem apara avaliar o contributo de Jo\u00e3o da Cruz, por meio da sua palavra po\u00e9tica, \u00e0 teologia e ao cristianismo, sendo verdade que \u00abo po\u00e9tico \u00e9, na sua ess\u00eancia \u00faltima, um dos supostos do cristianismo\u00bb.<\/li>\n<li>O pr\u00f3prio Rahner pergunta: \u00abPor qu\u00ea n\u00e3o existir\u00e1 uma teologia da palavra?\u00bb. E admira-se de ningu\u00e9m se ter lan\u00e7ado ainda a escrev\u00ea-la \u00absuscitando assim uma teologia viva da palavra\u00bb. A pergunta e a resposta eficaz, que consistiria na sua elabora\u00e7\u00e3o, t\u00eam que ser referidas mais do que nada \u00e0 palavra po\u00e9tica.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos de ter em conta tamb\u00e9m as considera\u00e7\u00f5es de outros autores contempor\u00e2neos, em particular de Hans Urs Balthasar sobre a revela\u00e7\u00e3o e a beleza, e, sobretudo, as p\u00e1ginas dedicadas a Jo\u00e3o da Cruz na sua obra <em>Gl\u00f3ria<\/em>. Subscrevo com gosto a conclus\u00e3o do autor: \u00abJo\u00e3o da Cruz tem toda a raz\u00e3o apresenta a parte doutrinal da sua obra como um coment\u00e1rio desajustado e inferior \u00e0s poesias, onde t\u00eam lugar os aut\u00eanticos pronunciamentos de que nenhuma prosa \u00e9 capaz\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se dermos cr\u00e9dito e aprovarmos a justeza desta autocr\u00edtica, resulta que \u00e9 Doutor da Igreja mais como poeta do que como prosista. Exige assim, de modo singularmente valioso, a aten\u00e7\u00e3o sobre o car\u00e1cter do mesmo Verbo de Deus (= a mesma Palavra divina), que t\u00e3o-pouco \u00e9 mera prosa, nem \u00e9 adequadamente traduz\u00edvel em simples prosa, mas, na sua simplicidade, habita a plenitude da divindade, como o sentido num s\u00edmbolo insond\u00e1vel\u00bb.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"12\">\n<li>Com o impulso recebido do ensino de Paulo VI sobre o carisma po\u00e9tico e a contempla\u00e7\u00e3o e as luminosas reflex\u00f5es de Rahner e Hans Urs von Balthasar fica bem esclarecido o universo po\u00e9tico de Jo\u00e3o da Cruz no seu aspecto mais profundo.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o me vou entreter a enumerar e apreciar os valores po\u00e9ticos de Jo\u00e3o da Cruz. Aqui dou apenas um simples apontamento. Depois dos j\u00e1 conhecidos elogios da poesia sanjoanina feitos por Men\u00e9ndez y Pelayo, qualificando-a de \u00abang\u00e9lica, celestial e divina\u00bb, etc. escreveu-se muit\u00edssimo sobre Jo\u00e3o da Cruz poeta. Com a ocasi\u00e3o do quarto centen\u00e1rio do seu nascimento em 1942, apareceu o livro de D\u00e2maso Alonso <em>A poesia de S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz (Desde esta ladeira)<\/em>, que sup\u00f4s um novo avan\u00e7o nos estudos da poesia sanjoanina. A maior parte do livro se dedica a investigar as fontes da poesia sanjoanina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor fala de \u00abra\u00edzes\u00bb e encontra:<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>\u2013 Raiz espanhola. A tradi\u00e7\u00e3o culta: Garcilaso, Bosc\u00e1n y Garcilaso ao divino.<\/li>\n<li>\u2013 Raiz espanhola. A tradi\u00e7\u00e3o castelhana: Elementos populares e do cancioneiro. Os elementos populares nos poemas decass\u00edlabos.<\/li>\n<li>\u2013 Raiz b\u00edblica: O C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">D\u00e2maso Alonso examina nos \u00faltimos cap\u00edtulos do livro o estilo e os poemas. A tem\u00e1tica e a estrutura dos poemas maiores e menores e concluir\u00e1 dizendo: \u00abS\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz \u00e9 um maravilhoso artista liter\u00e1rio e o mais alto poeta de Espanha; este m\u00e1ximo poeta ganha tal cume liter\u00e1rio [\u2026] com uma obra m\u00ednima; quatro ou cinco poemas em decass\u00edlabos e uma meia d\u00fazia de composi\u00e7\u00f5es em metro menor\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este pequeno livro sup\u00f4s um novo impulso nos estudos sobre a poesia de frei Jo\u00e3o. Noutro centen\u00e1rio, o IV da morte do Santo, 1991, voltou-se \u00e0 an\u00e1lise e contempla\u00e7\u00e3o da sua obra liter\u00e1ria, em verso e em prosa. Quero referir-me apenas a dois autores t\u00e3o prestigiados como Crist\u00f3v\u00e3o Cuevas e Maria de Jesus Mancho. Os dois ofereceram os frutos das suas investiga\u00e7\u00f5es: detendo-se o primeiro na cronologia do processo criativo, na experi\u00eancia e misticismo que envolvem a origem dos poemas, nas leituras e can\u00e7\u00f5es que tamb\u00e9m o puderam inspirar, nas suas formas po\u00e9ticas. \u00abEm \u00faltima inst\u00e2ncia, dir\u00e1, a l\u00edrica de S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz emociona-nos, sobretudo, pela magia verbal que nela late. [\u2026] \u00c9 a sensibilidade, os anelos de infinito, o anseio de um mundo ignoto mas, paradoxalmente, sempre suspirado, o que estes versos excitam. Da\u00ed a sua insond\u00e1vel profundidade po\u00e9tica, o seu poder embriagador, o seu incontaminado lirismo\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria Jesus Mancho no seu trabalho <em>Cria\u00e7\u00e3o po\u00e9tica e componente simb\u00f3lica na obra de S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz<\/em>, n\u00e3o se limita ao mundo po\u00e9tico da Jo\u00e3o da Cruz mas tamb\u00e9m \u00e0 sua prosa, afirmando a inefabilidade da experi\u00eancia m\u00edstica, vai examinando a rela\u00e7\u00e3o entre a m\u00edstica e a poesia, estudas as figuras, imagens e s\u00edmbolos, a multival\u00eancia, o dinamismo, a bipolaridade, e a fun\u00e7\u00e3o criadora dos s\u00edmbolos, e as ra\u00edzes afectivas dos mesmos, para concluir falando dos s\u00edmbolos e arqu\u00e9tipos. \u00abA obra de S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, arrebatada de mist\u00e9rio e poesia, continua, ainda, a atrair e a desafiar interpreta\u00e7\u00f5es, derivadas primordialmente do seu inerente e significativo simbolismo\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escreveu-se e continua-se a escrever muito sobre a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria de Jo\u00e3o da Cruz, que nos sentimos ultrapassados e, pelo que se refere ao repert\u00f3rio po\u00e9tico do Santo, desistimos de tratar disto. \u00c9 este o meu caso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Colocado na mesma aventura h\u00e1 anos optei por juntar algumas observa\u00e7\u00f5es de aut\u00eanticos poetas sobre os versos de Jo\u00e3o da Cruz. O poeta entende o poeta, compreende-o melhor, em igualdade de circunst\u00e2ncias, do que outros sem este dom das musas. Agora continuo a acreditar cada vez mais na empatia art\u00edstica e deixo ao leitor que escute algumas destas aprecia\u00e7\u00f5es primorosas feitas pelos poetas seus irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gerardo Diego, por exemplo, diante da produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica de S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, na qual tudo s\u00e3o \u00abcan\u00e7\u00f5es\u00bb, \u00abcoplas\u00bb, \u00abglosas\u00bb, \u00abromances\u00bb, dizia esta palavra definitiva: \u00abPartamos da verdade inquestion\u00e1vel de que a poesia nasceu com pleno direito \u00e0 vida ac\u00fastica e sonora. Em rigor, a poesia l\u00edrica, o mesmo que a \u00e9pica, foi na sua origem, n\u00e3o j\u00e1 recitada ou declamada mas cantada. S\u00f3 mais tarde experimenta essa amputa\u00e7\u00e3o que sup\u00f5e ver-se despojada da m\u00fasica. Para os letrados e afei\u00e7oados dos primeiros s\u00e9culos da poesia culta em cada cultura idiom\u00e1tica, a audi\u00e7\u00e3o de poesia n\u00e3o cantada, simplesmente recitada, supunha o mesmo obscurecimento, recato e intimidade descolorida que para n\u00f3s a sua comunica\u00e7\u00e3o silenciosa desde o livro, rezada em voz baixa ou acaso inteiramente \u00e1fona e confiada s\u00f3 aos olhos e ao ritmo enganoso da tipografia\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem toda a raz\u00e3o este nosso grande poeta montanh\u00eas que, desde a hist\u00f3ria e desde dentro de si mesmo, sabe tanto desta vincula\u00e7\u00e3o da poesia com a m\u00fasica. A poesia sanjoanina, nascida, como poucas, para a m\u00fasica, deve ser tirada da sua mudez recitando-a em voz alta e deixando-se invadir por toda a musicalidade que cont\u00e9m. Neste campo \u00abo ideal \u00e9 que o pr\u00f3prio poeta seja o seu int\u00e9rprete\u00bb. Jo\u00e3o da Cruz, logo que saiu do c\u00e1rcere toledano, cumpriu o of\u00edcio de recitador, int\u00e9rprete ou declamador de alguns dos seus versos, que contagiaram \u00abda sua pessoal emo\u00e7\u00e3o corporal de poesia\u00bb a comunidade de carmelitas descal\u00e7as na mesma cidade de Toledo. As ouvintes desse primeiro recital testemunham que \u00abera um gozo do c\u00e9u ouvi-lo\u00bb. Gozo do c\u00e9u e da terra ouvir tamb\u00e9m frei Jo\u00e3o noutras ocasi\u00f5es recitar os seus poemas e cant\u00e1-los pelos caminhos de Castela e Andaluzia. O mesmo Gerardo Diego escreveu: \u00abO que n\u00e3o dar\u00edamos para ouvir e ver a Lope de Veja dizendo os seus versos, ou a S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz rezando os seus celestes!\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 parte destas nostalgias, para intuir o que \u00e9 poesia e o que \u00e9 a poesia sanjoanina h\u00e1 que l\u00ea-la, particularmente os grandes poemas, em voz alta. N\u00e3o \u00e9 poesia para surdos, embora tamb\u00e9m para eles. O encantamento sonoro, a melodia, a euritmia \u00e9 parte da alma sinf\u00f3nica de Jo\u00e3o da Cruz que vive nos seus versos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os poetas movidos pela empatia para com S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz foram descobrindo cada vez mais primores nos versos do seu padroeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, por exemplo, o mencionado Gerardo Diego dir\u00e1: \u00abO encantamento musical causado pela leitura dos grandes poemas encerra-se em grande parte na fon\u00e9tica r\u00edtmica, especialmente na acentua\u00e7\u00e3o nos seus dois aspectos, o obrigat\u00f3rio e o livre. Al\u00e9m de acentuar bem, Jo\u00e3o da Cruz prefere \u2013 quase dir\u00edamos usa exclusivamente \u2013 os voc\u00e1bulos mais belos e musicais da nossa l\u00edngua\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abNas dez primeiras can\u00e7\u00f5es do C\u00e2ntico Espiritual n\u00e3o h\u00e1 nenhum adjectivo propriamente dito. A alma enamorada que sai clamando atr\u00e1s do seu Amado, assim como n\u00e3o colhia as flores nem temia as feras, tampouco adjectivava as coisas. N\u00e3o repara em nenhuma coisa nem se det\u00e9m a qualific\u00e1-la; o \u00fanico que lhe interessa \u00e9 a pessoa amada\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abPassado o per\u00edodo de busca, quando encontra o seu Esposo \u00abestala a mais espl\u00eandida sinfonia de adjectivos que se tenha nunca orquestrado: solit\u00e1rios, nemorosos, estranhas, sonorosas, amorosas, sossegada. E depois os adjectivos contradit\u00f3rios, transtornados, reflexos do terramoto sensorial produzido na alma: a m\u00fasica calada, a solid\u00e3o sonora. \u00c9 que j\u00e1 tudo saboreia, cheira, pesa, apalpa, alegremente, recuperado em Deus. Quando ia na sua busca, todos os substantivos lhe pareciam poucos, porque todos podiam ser sua imagem. Agora que o encontrou, todos os adjectivos lhe parecem poucos, porque todos s\u00e3o seu resplendor\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Acrescente-se que o uso relativamente parco do adjectivo na totalidade da sua obra, comparado com outros poetas do seu tempo, caracteriza-se pela preponder\u00e2ncia do adjectivo adiado. Este simples facto faz que o adjectivo estenda o significado do substantivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 E o substantivo deste modo, sobretudo nalgumas estrofes, aumenta a sua fun\u00e7\u00e3o preponderante, em detrimento do adjectivo e em detrimento da fun\u00e7\u00e3o verbal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 A explora\u00e7\u00e3o est\u00e9tica das estrofes 13-14 (1-4-15 C\u00e2ntico B) nas quais se d\u00e1 a acumula\u00e7\u00e3o de adjectivos: solit\u00e1rios, nemorosos, sonora, calada, etc., fez, somados outros valores po\u00e9ticos, que S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, grande mestre de imagens vision\u00e1rias, fosse qualificado de poeta \u201ccontempor\u00e2neo\u201d, poeta do s\u00e9culo XX, e da segunda metade do s\u00e9culo XX\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 E quem n\u00e3o ouviu ponderar o fasc\u00ednio que produz o <em>um n\u00e3o sei qu\u00ea<\/em>, t\u00e3o tradicional, quando dele se apodera S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz e o incorpora no seu C\u00e2ntico naquele verso <em>um n\u00e3o sei qu\u00ea que ficam balbuciando<\/em>? \u00abNada mais ingenuamente expressivo da inefabilidade da emo\u00e7\u00e3o que este celeste tartamudeio\u2026; a efic\u00e1cia sonora do <em>que que<\/em>, <em>que <\/em>aumenta como nas ondas conc\u00eantricas ao estar envolvido por outras duas alitera\u00e7\u00f5es sat\u00e9lites simples, isto \u00e9, de duas vezes em vez de tr\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 \u00abS\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz consegue a poesia que \u00e9 tudo: ilumina\u00e7\u00e3o e perfei\u00e7\u00e3o. Mas a poesia nunca chegou a ser a tarefa eminente, mas algo superabundante, surgido de uma vida consagrada ao af\u00e3 religioso, cujo nome pleno n\u00e3o \u00e9 outro sen\u00e3o \u201csantidade\u201d. Ao cume mais alto da poesia espanhola n\u00e3o ascende um artista principalmente artista, mas um santo, e pelo mais rigoroso caminho da sua perfei\u00e7\u00e3o; e a Noite escura, o C\u00e2ntico espiritual, a Chama de amor viva devem-se a quem nunca escreve o voc\u00e1bulo \u201cpoesia\u201d\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 No campo eclesial Jo\u00e3o da Cruz \u00e9 um dos doutores da Igreja que menos escreveu e que mais chama e chamar\u00e1 a aten\u00e7\u00e3o. Propor\u00e7\u00e3o inversa: quanto menos escreve, mais aten\u00e7\u00e3o desperta. Quanto \u00e0 produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica sucede-lhe algo parecido; \u00abacaso nenhum outro poeta chegou aos cumes da fama com uma bagagem t\u00e3o ex\u00edgua. Somente aquele Gutierre de Cetina, celebrado pelos oito versos de um madrigal\u00bb. Pouca massa po\u00e9tica e enorme capacidade de audi\u00eancia e de provocar entusiasmo. A maravilha que suscita deixou-a condensada Manuel Machado naquela efus\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abOh, o mais poeta de todos os santos\u2026 e o mais santo de todos os poetas!&#8230;\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Ordem do Carmo as poesias de S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz foram sempre consideradas como tesouro de fam\u00edlia. Foram provadas, e saboreadas, serviram para alimentar a ora\u00e7\u00e3o pessoal, e agora mesmo servem, felizmente, com grande profus\u00e3o como hinos da solenidade do pr\u00f3prio Santo no dia 14 de Dezembro. Assim, a grande poesia est\u00e1 ao servi\u00e7o da liturgia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 Santa Teresa, que procurava fazer alguma composi\u00e7\u00e3o po\u00e9tica, embora n\u00e3o tivesse boa prepara\u00e7\u00e3o para isso, gozou escutando parte das poesias do seu senequita e ela mesma levou para o convento de Medina del Campo parte das can\u00e7\u00f5es do C\u00e2ntico espiritual \u00abe pediu \u00e0s religiosas que ficaria satisfeita se se entretivessem com elas e as cantassem, e assim se fez, e desde ent\u00e3o se cantaram e se cantam\u00bb.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"13\">\n<li>Na liturgia carmelitana, como dizemos, a presen\u00e7a das composi\u00e7\u00f5es de Jo\u00e3o da Cruz nos hinos trasborda precisamente no dia da sua solenidade: 14 de Dezembro com os poemas: Um pastorinho (I V\u00e9speras); as oito estrofes da Noite (Of\u00edcio de leitura, e como alternativa neste mesmo Of\u00edcio: que bem seu eu a fonte\u2026); oito can\u00e7\u00f5es do C\u00e2ntico (Of\u00edcio de Vig\u00edlia); as quatro estrofes da Chama (II V\u00e9speras).<\/li>\n<li>Embora tarde, chegou tamb\u00e9m a vez de alguns poemas sanjoaninos estar presentes entre os hinos da liturgia universal das Horas.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exemplos: as quatro can\u00e7\u00f5es da Chama na Solenidade do Pentecostes (Of\u00edcio de Leitura); e, al\u00e9m disso, entre os elementos comuns para o tempo pascal depois da Solenidade da Ascens\u00e3o do Senhor, no Of\u00edcio de leitura; o delicioso poema: <em>que bem sei eu a fonte<\/em>\u2026, na Solenidade da Sant\u00edssima Trindade (Of\u00edcio de leitura).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As vibra\u00e7\u00f5es destes poemas no corpo da ora\u00e7\u00e3o lit\u00fargica da Igreja fazem recordar como a pessoa inteira de Frei Jo\u00e3o se acomodava e sintonizava com os mesmos tempos lit\u00fargicos, como declara Maria da Paz, sua confessada e dirigidas de Baeza (BMC 14, 35).<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">*Vicente Rodrigues.<em> 100 Fichas sobre S. Jo\u00e3o da Cruz. <\/em>Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, Avessadas. Pp. 183 -190.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/mysticsartdesign-322497\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=863418\">Mystic Art Design<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=863418\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Subindo o Monte&#8217;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12901,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[172],"tags":[],"class_list":["post-12900","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-subindo-o-monte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12900","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12900"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12900\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12902,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12900\/revisions\/12902"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12901"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12900"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12900"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12900"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}