{"id":12891,"date":"2021-07-09T15:12:59","date_gmt":"2021-07-09T14:12:59","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=12891"},"modified":"2021-07-10T10:30:21","modified_gmt":"2021-07-10T09:30:21","slug":"bioetica-e-sociedade-o-aborto-como-direito-humano-e-a-negacao-da-objecao-de-consciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/bioetica-e-sociedade-o-aborto-como-direito-humano-e-a-negacao-da-objecao-de-consciencia\/","title":{"rendered":"Bio\u00e9tica e sociedade | O aborto como &#8220;direito humano&#8221; e a nega\u00e7\u00e3o da &#8220;obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia&#8221;?"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\">Bio\u00e9tica e sociedade<br \/>\n(Parceria com o Centro de Estudos de Bio\u00e9tica)<\/h6>\n<hr \/>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Carlos Costa Gomes*<\/h4>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-8127\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Carlos-Costa-Gomes.jpg\" alt=\"\" width=\"192\" height=\"250\" \/>Est\u00e1 na ordem do dia o debate sobre aborto como um \u201cdireito humano\u201d. O Parlamento Europeu, silenciosamente, discute esta quest\u00e3o cuja proposta incentiva os Estados-Membros a despenalizarem o aborto, bem como proibir a obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia aos profissionais de sa\u00fade que se op\u00f5em a tal pr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Tamb\u00e9m na ONU, no Comit\u00e9 dos Direitos Humanos afinado pelo mesmo diapas\u00e3o, a discuss\u00e3o passa tamb\u00e9m por tornar o aborto obrigat\u00f3rio em todos os pa\u00edses (quando a gravidez for causa de sofrimento substancial e de dor), no sentido de se excluir barreiras legais incluindo negar o direito de obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia dos profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">A legisla\u00e7\u00e3o portuguesa assegura o direito \u00e0 obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia dos cidad\u00e3os e profissionais de sa\u00fade. A Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Portuguesa\u201d no seu artigo 41\u00ba consagra de forma expl\u00edcita o direito \u00e0 obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia a todos os cidad\u00e3os, enquanto direito relativo \u00e0 liberdade de consci\u00eancia. O C\u00f3digo Penal nas suas sucessivas revis\u00f5es, contemplou tamb\u00e9m o direito \u00e0 obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia para os profissionais de sa\u00fade em caso de pedido de aborto (Lei 16\/2007, de 17 de abril). Os C\u00f3digos Deontol\u00f3gicos dos m\u00e9dicos e enfermeiros declaram de inequivocamente o direito de recusar um ato que fira a consci\u00eancia \u00e9tica, moral, filos\u00f3fica e religiosa do profissional de sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Elevar o aborto \u00e0 categoria de um \u201cdireito humano\u201d, por si s\u00f3, confere um eclipse moral e \u00e9tico do direito \u00e0 vida, mas negar a obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia como um direito fundamental \u00e9 um atentado \u00e0 liberdade da consci\u00eancia individual.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Europa v\u00ea-se a bra\u00e7os com uma crise profunda de valores. A solidariedade, princ\u00edpio \u00e9tico que tem norteado o destino da Europo (e Portugal), que orientou e orienta tantas pessoas, organiza\u00e7\u00f5es \u2013 veja-se o exemplo da pandemia do esfor\u00e7o nacional na mobiliza\u00e7\u00e3o de tantos recursos para salvar vidas. Mas \u00e9 a mesma Europa que deixou idosos abandonados em lares nesta crise pand\u00e9mica; \u00e9 a mesma Europa que agora recomenda como direito humano o aborto e o impedimento dos profissionais de sa\u00fade \u00e0 obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia; e em Portugal \u00e9 o pa\u00eds (Portugal) que se legisla sobre a eutan\u00e1sia e sobre o acesso \u00e0 esperma de uma pessoa morta \u2013 contradi\u00e7\u00f5es de solidariedade, sempre para com os mais fr\u00e1geis os mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Os valores \u00e9ticos universais das sociedades democr\u00e1ticas, onde se insere o valor &#8220;absoluto&#8221; da vida humana, convertem-se em normas jur\u00eddicas, n\u00e3o no que se deve proteger, mas no que se imp\u00f5e licitamente fazer da vida por nascer. \u00c9 um \u201cparadoxo ideol\u00f3gico totalit\u00e1rio e radical\u201d: ao querer-se pela via jur\u00eddica afirmar um direito; e tamb\u00e9m pela mesma via\u00a0negar-se o direito \u00e0 obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">A cultura do nosso tempo j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 apenas ideol\u00f3gica\/cultural, mas est\u00e1\u00a0a\u00a0converter-se, silenciosamente, num ideologismo culturalmente jur\u00eddico, fazendo depender a \u00e9tica do direito e n\u00e3o o direito da \u00e9tica, tornado a juridicidade numa nova ordem moral. Nada mais de errado.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">O Artigo 18.\u00ba da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos \u00e9 claro quanto a esta mat\u00e9ria. \u201cTodos os seres humanos t\u00eam direito \u00e0 liberdade de pensamento, consci\u00eancia e religi\u00e3o; este direito inclui a liberdade de mudar de religi\u00e3o ou cren\u00e7a e a liberdade de manifestar essa religi\u00e3o ou cren\u00e7a, pelo ensino, pela pr\u00e1tica, pelo culto e pela observ\u00e2ncia, isolada ou coletivamente, em p\u00fablico ou em particular\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">\u00a0O artigo citado repousa numa fundamentada reflex\u00e3o \u00e9tica e que passou a ser norma no ordenamento jur\u00eddico dos pa\u00edses democr\u00e1ticos que consagram este direito nas suas Constitui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">A pergunta que se faz \u00e9: Como foi poss\u00edvel chegar numa Europa que defende os direitos humanos a tal recomenda\u00e7\u00e3o. Recomendar o aborto como direito humano e proibir a obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Esta recomenda\u00e7\u00e3o ao classificar o aborto como direito humano confere j\u00e1 em si mesma a nega\u00e7\u00e3o da defesa da vida como pilar \u00e9tico indel\u00e9vel; mas negar a obje\u00e7\u00e3o consci\u00eancia \u201cassume um poder autorit\u00e1rio que s\u00f3 \u00e9 compagin\u00e1vel com regimes totalit\u00e1rios como tanto nos ensinou a hist\u00f3ria\u201d (Walter Osswald). Recorde-se os Estados onde o autoritarismo e totalitarismo existiu (e existiu) e citando Daniel Serr\u00e3o, \u201ca viol\u00eancia da morte do homem pelo homem\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: right; padding-left: 240px;\"><span class=\"s1\">*Presidente do Centro de Estudos de Bio\u00e9tica | <\/span><span class=\"s1\">Professor na ESSNORTECVP | Membro da Academia &#8216;Fides et Ratio&#8217;<\/span><\/h6>\n<hr \/>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/sbtlneet-3591002\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1788082\">Raman Oza<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1788082\">Pixabay<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bio\u00e9tica e sociedade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12892,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[72,136],"tags":[],"class_list":["post-12891","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-bioetica-e-sociedade","category-carlos-costa-gomes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12891","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12891"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12891\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12917,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12891\/revisions\/12917"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12892"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12891"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12891"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12891"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}