{"id":12823,"date":"2021-06-29T08:43:03","date_gmt":"2021-06-29T07:43:03","guid":{"rendered":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=12823"},"modified":"2021-06-29T08:43:03","modified_gmt":"2021-06-29T07:43:03","slug":"pe-georgino-rocha-domingo-xiv-do-tempo-comum-surpreendidos-por-causa-de-jesus-e-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/pe-georgino-rocha-domingo-xiv-do-tempo-comum-surpreendidos-por-causa-de-jesus-e-nos\/","title":{"rendered":"Pe. Georgino Rocha | Domingo XIV do Tempo Comum &#8211; Surpreendidos por causa de Jesus. E n\u00f3s?"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong><em>Pe. Georgino Rocha\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Jesus deixa Cafarnaum e faz uma visita a Nazar\u00e9, terra em que reside durante muitos anos e onde \u00e9 bem conhecido. Ao s\u00e1bado, vai ao culto na sinagoga, como bom judeu. Observa as pr\u00e1ticas rituais e, quando chega a vez da interven\u00e7\u00e3o dos presentes, toma a palavra e faz um ensinamento que provoca assombro na assembleia. A reac\u00e7\u00e3o \u00e9 imediata, pois o seu estatuto social n\u00e3o condizia com tanta sabedoria. A vida quotidiana da sua fam\u00edlia era t\u00e3o normal que ningu\u00e9m notava algo de estranho. A inser\u00e7\u00e3o na comunidade local e nas pr\u00e1ticas cultuais identificava-o como verdadeiro nazareno.\u00a0<em>Mc 6, 1-6.\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">A B\u00edblia Pastoral comenta esta passagem observando: \u201cOs conterr\u00e2neos de Jesus escandalizam-se: n\u00e3o querem admitir que algu\u00e9m como eles possa ter sabedoria superior \u00e0 dos profissionais e realize ac\u00e7\u00f5es que indiquem uma presen\u00e7a de Deus. Para eles, o empecilho para a f\u00e9 \u00e9 a encarna\u00e7\u00e3o: Deus feito homem, situado num contexto social\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">E naquele ambiente simples e s\u00f3brio, Jesus vive em comunh\u00e3o profunda com Deus Pai, em uni\u00e3o filial com Maria, sua M\u00e3e, na companhia de Jos\u00e9, seu respons\u00e1vel legal, e em rela\u00e7\u00e3o com os demais familiares e com a vizinhan\u00e7a. D\u00e1-nos a li\u00e7\u00e3o do amor \u00e0 fam\u00edlia, ao sil\u00eancio e ao trabalho, segundo Paulo VI, na homilia que faz aquando da visita a Nazar\u00e9, em 1964.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">A sociedade est\u00e1 organizada com base no bin\u00f3mio honra e vergonha. Se algu\u00e9m crescia em honra, em fama, em nome, em prest\u00edgio, outrem era defraudado, rebaixado, menosprezado. Os ouvintes de Jesus vivem esta cultura e, por isso, fazem perguntas de admira\u00e7\u00e3o e suspeita t\u00e3o directas. N\u00e3o citam o nome, mas recorrem a express\u00f5es como este, ele, artes\u00e3o, filho de Maria, parente de familiares, nossos conhecidos. E estavam desconcertados. Os dados de identifica\u00e7\u00e3o tradicional n\u00e3o justificam as ac\u00e7\u00f5es que Jesus faz nem a fama de que goza, a autoridade com que fala nem a sabedoria que manifesta. Mas, negar os factos, era ingenuidade e os \u201cmestres\u201d religiosos n\u00e3o querem passar por essa vergonha. Aceit\u00e1-los era sensatez que exigia uma atitude nova: interrogar-se sobre quem lhe daria tais capacidades, reconhec\u00ea-lo como profeta, admitir a suspeita de que a esperan\u00e7a messi\u00e2nica estava a ser realizada. O desconcerto transforma-se em indigna\u00e7\u00e3o, em avers\u00e3o, em viol\u00eancia e vontade de o eliminar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">O Papa em texto recente intitulado \u00abPaz na terra. A fraternidade \u00e9 poss\u00edvel\u00bb alarga o alcance do epis\u00f3dio de Nazar\u00e9, denuncia\u00a0\u00a0a viol\u00eancia no mundo e insiste na necessidade de persistir no ideal de uma terra sem guerras e sem l\u00f3gicas de \u00f3dio..\u201cN\u00e3o se deve renunciar ao sonho de um mundo sem guerras. Que todos os povos da terra possam gozar da alegria da paz\u201d\u2026\u201cO esquecimento das dores das guerras torna-nos indefesos perante a l\u00f3gica do \u00f3dio, facilita o desenvolvimento do belicismo. O esquecimento sufoca a genu\u00edna aspira\u00e7\u00e3o \u00e0 paz e leva a repetir os erros do passado\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Outrora como agora! A excel\u00eancia da doutrina, o bem-fazer da pr\u00e1tica solid\u00e1ria, a presen\u00e7a de proximidade, a prefer\u00eancia pela liberta\u00e7\u00e3o dos pobres, a aten\u00e7\u00e3o sol\u00edcita pelas crian\u00e7as, a sana\u00e7\u00e3o inclusiva dos doentes e das mulheres, a nobreza do seu comportamento perante a autoridade\u2026 e muitas outras facetas da vida de Jesus provocam espanto e admira\u00e7\u00e3o. E fica-se por a\u00ed, mantendo-se o circuito fechado da raz\u00e3o humana, o horizonte limitado da apar\u00eancia, a mem\u00f3ria do passado sem abertura ao futuro da promessa. N\u00e3o surge a interroga\u00e7\u00e3o fundamental: N\u00e3o ser\u00e1 a hora da novidade com que Deus nos surpreende? N\u00e3o \u00e9 este o Messias, o Filho de Deus bendito? N\u00e3o espera de mim uma atitude de acolhimento, de resposta, de f\u00e9? Como manifesta a minha voca\u00e7\u00e3o de profeta?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Jesus recorre a um prov\u00e9rbio popular para lhes dar resposta e desfazer a rede de coment\u00e1rios. \u201cUm profeta s\u00f3 \u00e9 desprezado na sua terra, entre os seus parentes e em sua casa\u201c, vers\u00e3o adaptada de um outro que era mais corrente: \u201cNenhum profeta \u00e9 respeitado no seu lugar de origem, nenhum m\u00e9dico faz curas entre os seus conhecidos\u201d. A provoca\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o resulta.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Fica admirado com a falta de f\u00e9 dos seus conterr\u00e2neos. Sente-se desacreditado pelas autoridades do juda\u00edsmo e v\u00ea crescer a indigna\u00e7\u00e3o de sectores influentes. Apesar disso continua a desenvolver a sua ac\u00e7\u00e3o, a levar por diante a realiza\u00e7\u00e3o do projecto de salva\u00e7\u00e3o, a anunciar a boa nova do reino. As suas op\u00e7\u00f5es contrastam com a cultura predominante: faz da recusa um impulso para a miss\u00e3o, da pobreza de meios a riqueza generosa da doa\u00e7\u00e3o, do servi\u00e7o humilde a credencial da autenticidade da sua mensagem. Os conterr\u00e2neos de Jesus estavam surpreendidos. E n\u00f3s?<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"font-weight: 400; text-align: right;\"><i>Cristo rejeitado | <\/i>William Dunlap [1822], atualmente na\u00a0Universidade de Princeton.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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